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solidao e aceitaçao

Fandom: httyd

Creado: 24/4/2026

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O Peso das Sombras Futuras

A névoa de Berk sempre fora familiar para Stoico, o Imenso, mas aquela fumaça branca que o envolveu no meio do Grande Salão era diferente. Em um piscar de olhos, o chefe viking não estava mais cercado por seus homens e canecas de hidromel. Ele se viu em uma sala vasta, de paredes lisas e metálicas, com uma iluminação fria que não vinha de tochas. No centro, Soluço, com apenas dois anos de idade, engatinhava pelo chão estranhamente limpo, alheio ao perigo.

— Soluço! — Stoico rugiu, pegando o filho nos braços e olhando ao redor com os olhos semicerrados, procurando por um inimigo.

Diante dele, uma tela colossal, maior que a vela de um navio de guerra, brilhou intensamente. Letras desconhecidas surgiram, mas Stoico de alguma forma entendeu o aviso: *O Futuro que não deveria ser.*

— Que feitiçaria é essa? — rosnou o chefe, apertando o filho contra o peito.

A tela não respondeu com palavras, mas com imagens. Stoico sentiu o coração falhar uma batida ao ver Valka. Ela parecia mais velha, mas ainda era sua Valka. Ela corria por uma floresta que não era Berk. Atrás dela, criaturas que pareciam homens, mas com a pele apodrecida e olhos vazios, moviam-se com uma fome animalesca.

— Valka? — Stoico sussurrou, a voz embargada. — Fuja! Saia daí!

Ele assistiu, impotente, enquanto um daqueles monstros saltava sobre sua esposa. O grito dela ecoou pela sala fria. Valka lutou, mas os dentes da criatura cravaram-se em seu pescoço. O sangue manchou a neve. Stoico caiu de joelhos na sala, cobrindo os olhos de Soluço, enquanto as lágrimas queimavam seu rosto de guerreiro.

— Não... por Odin, não...

As imagens pularam no tempo. Stoico viu a si mesmo, com os cabelos mais grisalhos, carregando um Soluço de rosto sujo por uma cidade cercada de muros altos e arame farpado. Era um lugar chamado "Zona de Quarentena". O mundo lá fora estava morto, dominado por aqueles cadáveres ambulantes.

Stoico assistiu aos anos passarem na tela como se fossem minutos. Ele viu Soluço crescer sob a sombra do medo, tornando-se um jovem magro, mas de olhar resiliente. O Soluço da tela tinha 19 anos. Eles estavam em um beco, cercados não por monstros, mas por homens. Homens com armas de fogo e corações mais podres que os dos mortos-vivos.

— O que eles estão fazendo? — Stoico perguntou para o vazio, a voz trêmula.

Na tela, um homem alto e de olhar cruel desferiu o primeiro golpe. Stoico viu sua versão futura cair. O homem começou a espancá-lo com um cano de metal.

— Parem! — O Soluço de 19 anos gritava na tela, sendo segurado por dois capangas. — Por favor, deixem ele em paz! Parem!

Stoico soluçou ao ver o próprio filho chorar e implorar enquanto via o pai ser transformado em uma massa de sangue e ossos quebrados. Cada golpe que o Stoico da tela recebia parecia ecoar no peito do Stoico que assistia. Por fim, o homem cruel deu o golpe final na cabeça de Stoico. O jovem Soluço deu um último grito de agonia antes de ser nocauteado por um coronhaço.

— Eu morri... — Stoico murmurou, olhando para o pequeno Soluço em seus braços, que agora brincava com a barba do pai. — Eu deixei ele sozinho nesse mundo de pesadelos.

A tela continuou. Soluço acordou, os olhos cheios de um ódio que Stoico nunca imaginou que seu filho pudesse sentir. O rapaz foi atrás do homem, mas ele não era um guerreiro treinado como os vikings. Ele era apenas um garoto movido pela dor. Soluço levou uma surra brutal. Foi humilhado, deixado para morrer na sarjeta.

Anos se passaram novamente. Stoico viu Soluço mais velho, agora um homem. Ele estava em uma fazenda. Havia uma mulher ao lado dele — Astrid. Stoico sentiu um breve momento de paz ao ver que, apesar de tudo, o filho encontrara amor. Eles tinham um bebê, uma menina chamada Giovana, de apenas três meses.

Mas a paz era uma ilusão. Soluço acordava todas as noites gritando, suado, vendo a imagem do pai sendo morto.

— Ele não consegue esquecer — Stoico disse, sentindo uma culpa esmagadora. — A minha morte o destruiu.

Na tela, Soluço começou a arrumar uma mochila no meio da noite. Astrid apareceu na porta, segurando a pequena Giovana.

— Você não pode ir, Soluço — disse a Astrid da tela, as lágrimas escorrendo. — Por favor. Ela precisa de você. Eu preciso de você.

— Eu não consigo viver com isso, Astrid — respondeu Soluço, a voz fria e oca. — Toda vez que fecho os olhos, ouço o som do crânio dele quebrando. Eu preciso acabar com isso.

— Se você for, não volte! — Astrid gritou, mas Soluço apenas atravessou a porta e sumiu na escuridão.

Stoico queria gritar com o filho na tela. Queria dizer para ele ficar com sua família, para não buscar vingança. Mas ele só podia assistir.

Soluço encontrou o homem. O assassino estava mais velho, vivendo em uma casa isolada. O Soluço da tela não hesitou. Ele avançou como um animal. Derrubou o homem e começou a esmurrá-lo com uma fúria cega. O som dos ossos quebrando era nítido. Soluço pegou o braço do homem e o quebrou com um estalo seco, fazendo o agressor urrar de dor.

— Isso mesmo... — Stoico sussurrou, uma parte de seu sangue viking vibrando com a punição do assassino, mas logo o sentimento mudou para horror.

Soluço parou o movimento de um soco no ar. Ele olhou para o lado. Uma criança, um menino de uns seis anos, estava parado na porta, observando com olhos aterrorizados o "herói" espancar seu pai.

Naquele momento de hesitação, o homem no chão tirou uma faca escondida e a cravou na mão de Soluço, decepando dois de seus dedos de uma vez.

Stoico soltou um rugido de dor, como se ele mesmo tivesse sentido o corte.

Soluço gritou, segurando a mão ensanguentada, mas em vez de matar o homem, ele apenas o chutou para longe. Ele olhou para a criança, depois para o homem caído, e viu o ciclo de ódio se repetindo.

— Vá embora — disse Soluço na tela, a voz falha. — Peguem suas coisas e sumam daqui.

O homem e a criança fugiram. Soluço ficou sozinho na casa vazia, sangrando, com o olhar perdido. Ele percebeu que a vingança não trouxe o pai de volta. Não trouxe paz. Ele estava apenas mais mutilado, por dentro e por fora.

A cena mudou para a volta de Soluço à fazenda. Ele caminhava mancando, coberto de lama e sangue seco. Astrid estava na varanda. Quando ela o viu, não correu para abraçá-lo.

— Você voltou — disse ela, a voz carregada de veneno.

— Astrid... — Soluço tentou dar um passo, mas ela avançou e o empurrou.

— Você nos deixou! — ela gritou, começando a bater no peito dele. — Você nos deixou por causa de um morto! Você preferiu o fantasma do seu pai do que a sua filha viva! Você é um covarde, Soluço! Um egoísta!

Stoico viu seu filho aceitar cada golpe, cada xingamento. Soluço não se defendeu. Ele apenas chorava em silêncio enquanto Astrid descarregava semanas de angústia e medo sobre ele.

— Eu te odeio — ela soluçou, perdendo as forças e caindo contra o peito dele. — Eu te odeio tanto por ter me feito passar por isso sozinha.

Mesmo destruída por dentro, as mãos de Astrid mudaram de movimento. Ela começou a rasgar a camisa dele para ver os ferimentos. Ela pegou uma bacia com água e panos limpos. Com movimentos brutos, mas precisos, ela começou a limpar o sangue e a cuidar dos dedos decepados, enquanto continuava a murmurar ofensas em meio ao choro.

Stoico, o Imenso, sentiu o chão sumir sob seus pés. A tela se apagou, deixando a sala no escuro novamente.

— É isso que espera por ele? — Stoico perguntou, a voz quebrada, olhando para o Soluço de dois anos que agora dormia pacificamente em seu colo. — Solidão, morte e dor?

Uma voz sem corpo ecoou na sala:

— O futuro é uma tapeçaria de escolhas, Stoico. Você viu o que acontece se o mundo cair. Você viu o que o seu sacrifício, feito da forma errada, pode causar ao coração de um filho.

Stoico apertou Soluço contra o peito, sentindo o calor do corpo pequeno e a respiração suave do menino.

— Eu não vou deixar isso acontecer — jurou o chefe, os olhos brilhando com uma nova determinação. — Eu vou protegê-lo. Não apenas dos monstros, mas desse fardo. Ele não vai carregar o meu fantasma. Ele vai carregar a minha força.

A luz branca voltou a envolver Stoico. Quando ele abriu os olhos, estava de volta ao Grande Salão de Berk. O barulho dos vikings, o cheiro de carne assada e o calor das fogueiras o atingiram como um soco.

— Stoico? — Bocão se aproximou, franzindo a testa. — Você está bem, chefe? Parece que viu um fantasma.

Stoico olhou para o amigo, depois para o filho em seus braços. Soluço bocejou e abriu os grandes olhos verdes, sorrindo para o pai.

— Eu vi mais do que fantasmas, Bocão — disse Stoico, a voz firme, embora o coração ainda batesse acelerado. — Eu vi o fim do mundo. E vi que preciso ser um pai melhor do que um guerreiro.

Ele se levantou e caminhou em direção à saída do salão, ignorando os olhares confusos de seu povo. Stoico olhou para o céu estrelado de Berk, sabendo que, enquanto ele respirasse, lutaria para que aquele futuro de sangue e sombras nunca se tornasse realidade. Ele ensinaria Soluço a lutar, sim, mas também o ensinaria a viver por algo mais do que apenas a memória dos mortos.

— Você vai ter uma vida longa, pequeno — sussurrou Stoico, beijando a testa do filho. — E eu estarei aqui para garantir que você nunca precise buscar vingança por mim.

O chefe viking caminhou pela neve, as imagens da tela ainda gravadas em sua alma, transformando seu medo em uma promessa silenciosa e inquebrável. O apocalipse poderia vir, mas ele encontraria um Soluço preparado, não para o luto, mas para a vitória.
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