Fanfy
.studio
Cargando...
Imagen de fondo

Mairimashita

Fandom: Mairimashita iruma-kun

Creado: 27/4/2026

Etiquetas

FantasíaEstudio de PersonajeDramaCrossoverAmbientación CanonPsicológicoAcción
Índice

O Eco do Sangue e a Rigidez do Ferro

O restaurante *L'Éclat Pourpre* não era apenas um estabelecimento; era uma extensão do domínio de Alyssa Kireth. Localizado em um dos setores mais discretos e luxuosos do submundo, o local pulsava com uma elegância contida. Naquela noite, o ar parecia mais denso, carregado com a expectativa do centenário do *Crimson Tide*, um evento que ocorria apenas uma vez a cada século para celebrar a maestria do Clã Kireth sobre os fluidos vitais da terra e do corpo.

Alyssa deslizava pelo salão principal com a precisão de uma lâmina. Seus cabelos pretos estavam presos em um penteado impecável, e suas duas caudas balançavam em um ritmo metronômico, denunciando seu controle emocional absoluto. Seus olhos caramelo revisavam cada detalhe: a disposição das taças de cristal, a temperatura das adegas e, principalmente, o menu manuscrito que repousava sobre a mesa central.

— Os vinhos de colheita abissal devem ser servidos exatamente a oito graus — instruiu ela a um subordinado, sem sequer elevar o tom de voz. — Nem um décimo a mais. Se o gelo derreter antes da primeira entrada, considerarei uma falha de planejamento pessoal.

— Sim, Senhorita Alyssa! — o demônio curvou-se apressadamente.

— Aly, você está sendo mais meticulosa do que o habitual — uma voz masculina e profunda ecoou do fundo do salão.

Kalel Kireth, seu irmão gêmeo, aproximou-se com passos pesados. Ao contrário da elegância fluida de Alyssa, Kalel exalava uma energia de prontidão combativa. Seus braços cruzados revelavam a tensão de quem preferia estar em um campo de treinamento a um banquete diplomático.

— É uma noite de observação, Kalel — respondeu ela, ajustando uma das flores carmesim no centro da mesa. — Temos convidados que não se impressionam com demonstrações barulhentas de poder. Eles buscam a perfeição nos detalhes.

— Você se refere ao Diretor Sullivan? — Kalel arqueou uma sobrancelha. — Ele é imprevisível. Pode adorar o jantar ou decidir transformar a mesa em um parque de diversões.

— Sullivan é uma variável conhecida — Alyssa permitiu-se um meio sorriso. — Meu interesse reside no acompanhante que ele trará. Kalego Naberius.

Kalel soltou um assobio baixo.

— O conselheiro de Babyls? O homem que dizem ter o humor de um dragão com dor de dente? Boa sorte tentando impressioná-lo. Ouvi dizer que ele odeia tudo o que não seja funcional.

— A funcionalidade é uma forma de beleza — Alyssa disse, virando-se para o espelho do hall para um último ajuste. — E eu pretendo mostrar a ele que o Clã Kireth domina ambas.

No andar superior, observando a interação dos irmãos através de uma varanda interna, estava Selira Kireth. A irmã mais velha mantinha uma postura imperial, seus olhos frios avaliando cada movimento de Alyssa. Para Selira, aquela noite era um teste de sucessão silencioso. Se Alyssa falhasse em conter a energia da Materialização Carmesim sob a pressão de convidados tão ilustres, provaria que ainda não estava pronta para as responsabilidades maiores do clã.

Alyssa sentiu o olhar da irmã, mas não vacilou. Ela se retirou para seus aposentos privados para a troca final de vestimenta, deixando a atmosfera do restaurante sob o comando silencioso de seus subordinados.

***

Cerca de uma hora depois, as portas pesadas de carvalho negro do *L'Éclat Pourpre* se abriram.

Lorde Sullivan entrou com sua habitual exuberância, vestindo trajes que beiravam o extravagante, contrastando com a sobriedade do ambiente. Ao seu lado, como uma sombra rígida e imponente, caminhava Kalego Naberius.

Kalego odiava eventos sociais. Para ele, o centenário do *Crimson Tide* era apenas uma obrigação diplomática que poderia ter sido resolvida com um memorando oficial. Seus olhos roxos e afiados escanearam o ambiente em segundos, notando a simetria perfeita das mesas e a ausência de ruídos desnecessários.

— Oh, Kalego-kun! Veja que iluminação maravilhosa! — exclamou Sullivan, batendo palmas levemente. — Sinto que esta noite será cheia de surpresas!

— Espero que a única surpresa seja a eficiência do serviço, Diretor — resmungou Kalego, ajeitando a gola alta de seu uniforme. — Detesto perder tempo com teatralidades.

— Ora, não seja tão ranzinza. Os Kireth são famosos por sua... hospitalidade líquida.

Nesse momento, Alyssa reapareceu. Ela não desceu as escadas; ela simplesmente pareceu emergir das sombras do corredor lateral, movendo-se com uma graça que desafiava a gravidade. Ela usava um vestido longo, de um tecido que parecia fluir como vinho tinto ao redor de suas pernas. Seus cabelos pretos brilhavam sob o lustre, e suas duas caudas moviam-se com uma calma calculada.

— Lorde Sullivan, é uma honra imensurável recebê-lo — Alyssa fez uma reverência perfeita, o ângulo exato exigido pela etiqueta da alta nobreza.

— Alyssa-chan! Você cresceu e se tornou uma administradora formidável! — Sullivan sorriu, seus olhos brilhando com uma inteligência que sua fachada alegre muitas vezes escondia.

— Obrigada, Milorde — ela então virou o rosto para o homem ao lado dele. — E este deve ser o Senhor Kalego Naberius. Já ouvi muito sobre sua disciplina exemplar na Academia Babyls.

Kalego sustentou o olhar dela. Ele notou algo imediatamente: aquela mulher não era apenas uma anfitriã. Havia uma tensão estática no ar ao redor dela, uma pressão mágica que ela estava suprimindo com um esforço hercúleo.

— Senhorita Kireth — disse Kalego, sua voz como o som de metal sobre pedra. — Sua reputação de ordem a precede. Espero que o ambiente não seja apenas uma fachada para o caos que costuma acompanhar essas celebrações.

— Garanto-lhe, Senhor Kalego — Alyssa respondeu, mantendo o tom de voz suave, mas firme —, que o caos não tem permissão para entrar neste estabelecimento. Aqui, até o sangue obedece à vontade de quem o comanda.

Kalego arqueou uma sobrancelha. Foi um desafio direto, embora envolto em seda.

Eles foram conduzidos à mesa principal, uma peça esculpida em obsidiana. Selira e Kalel já estavam posicionados, completando a mesa. O jantar começou com uma precisão cirúrgica. Cada prato era uma obra de arte técnica, e o serviço era tão silencioso que parecia executado por fantasmas.

No entanto, o clima mudou quando a terceira entrada foi servida. Era o prato principal do ritual do *Crimson Tide*: uma essência concentrada de fluidos vitais que exigia estabilização constante por parte do anfitrião para manter sua forma física comestível.

Alyssa sentou-se à cabeceira, suas mãos repousando levemente sobre a mesa. Ela começou a canalizar sua magia. Pequenas esferas de um líquido vermelho vibrante começaram a flutuar acima dos pratos dos convidados, solidificando-se em estruturas cristalinas e delicadas antes de tocarem a porcelana.

— Fascinante — comentou Sullivan, observando a transformação. — A Materialização Carmesim é realmente uma das linhagens mais raras do submundo.

Kalego, no entanto, não estava olhando para a comida. Ele estava olhando para Alyssa. Ele percebeu que um pequeno fio de suor escorria pela têmpora dela. A quantidade de controle necessária para manter dez pratos simultâneos sob materialização era absurda.

— O esforço parece ser considerável — Kalego disse, sua voz cortando o silêncio admirado da mesa. — Por que usar uma técnica tão exaustiva para algo meramente estético? Isso não é... ineficiente?

Alyssa sentiu uma pontada de irritação. Ineficiente? Ele ousava questionar a tradição de cem anos do seu clã chamando-a de desperdício?

— A eficiência sem refinamento é apenas brutalidade, Senhor Kalego — rebateu ela, intensificando o fluxo de mana. — O Clã Kireth acredita que o controle absoluto sobre a matéria é a maior forma de disciplina.

— Disciplina é manter o controle sem chegar ao seu limite por causa de um capricho — Kalego retrucou, observando atentamente.

Nesse exato momento, um tremor sutil abalou o restaurante. Não era um terremoto, mas uma flutuação na barreira mágica externa do prédio — talvez um efeito colateral da presença massiva de Sullivan, ou talvez uma provocação externa. Para qualquer outro, teria sido imperceptível. Mas para Alyssa, que mantinha dez estruturas moleculares de sangue solidificado, foi o suficiente para desequilibrar o fluxo.

Uma das esferas acima do prato de Kalego vacilou.

Instintivamente, Alyssa não permitiu que ela caísse. Em um movimento mais rápido do que o olho comum poderia seguir, ela estendeu a mão. Mas o esforço extra rompeu a barreira de sua forma atual.

Por um milésimo de segundo, o cabelo preto de Alyssa brilhou em um tom ruivo incendiário. Seus olhos caramelo tornaram-se dourados como ouro derretido. E, por baixo da mesa, por um breve instante, o número de caudas que se agitavam não era dois, mas nove, expandindo-se como um leque de sombras avermelhadas.

A estrutura de sangue não apenas se estabilizou; ela se transformou em uma rosa carmesim perfeitamente esculpida, tão sólida quanto rubi, pousando suavemente diante de Kalego.

O silêncio que se seguiu foi absoluto.

Alyssa respirou fundo, forçando sua forma de volta ao padrão. O cabelo preto retornou, as nove caudas recolheram-se para duas. Ela estava pálida, mas seu olhar era de puro aço.

Selira, do outro lado da mesa, estreitou os olhos. Kalel colocou a mão no punho de sua adaga oculta, temendo a reação dos convidados à revelação da "Forma Real".

Sullivan apenas sorriu, um sorriso que indicava que ele tinha visto exatamente o que queria ver.

Kalego, por sua vez, olhou para a rosa de sangue solidificado à sua frente. Ele estendeu a mão e tocou a pétala. Estava fria, dura e impecável. Ele levantou os olhos para Alyssa. Ele tinha visto o vislumbre da ruiva de nove caudas. Ele tinha visto a verdadeira natureza dela — a fera de imenso poder escondida sob a máscara de perfeição.

— Uma reação instintiva — observou Kalego, seu tom agora desprovido de sarcasmo, substituído por uma análise clínica profunda. — Você priorizou a integridade do ambiente sobre o seu próprio segredo.

— Eu disse que o caos não tinha permissão para entrar aqui — Alyssa respondeu, sua voz ligeiramente mais rouca, mas mantendo a postura. — Mesmo que eu tenha que usar cada gota do meu ser para impedi-lo.

Kalego inclinou a cabeça, um gesto raro de reconhecimento.

— Disciplina sob pressão. Interessante.

— Oh, que maravilhoso! — Sullivan interrompeu, quebrando a tensão. — Acho que este é o início de uma excelente relação entre Babyls e os Kireth! Não acha, Kalego-kun?

— Acho que a Senhorita Kireth é... perigosamente dedicada — Kalego respondeu, pegando o talher e provando a iguaria. — Mas a comida não é ineficiente. É aceitável.

Para Kalego Naberius, "aceitável" era o maior elogio que alguém poderia receber em um primeiro encontro.

Alyssa sentiu o coração desacelerar. Ela olhou para Kalego e, pela primeira vez, não viu apenas um professor rígido ou um convidado difícil. Viu alguém que, como ela, vivia sob o peso de expectativas e regras autoimpostas. Alguém que reconhecia o esforço por trás da máscara.

— Fico feliz que esteja do seu agrado — disse ela, permitindo-se um sorriso que, desta vez, não era parte da etiqueta. Era real.

O jantar prosseguiu, mas a atmosfera havia mudado. O jogo de observação não havia terminado; ele havia apenas subido de nível. Selira permanecia em silêncio, processando a falha — ou o triunfo — da irmã. Kalel relaxou, percebendo que não haveria luta naquela noite.

Ao final do banquete, enquanto Sullivan se despedia com promessas de novos encontros, Kalego parou por um momento diante de Alyssa no hall de entrada.

— Senhorita Alyssa — disse ele, sua capa negra ondulando ao redor de seus calcanhares. — Da próxima vez, tente não esgotar sua mana apenas para impressionar um convidado. É um desperdício de potencial.

— E quem disse que eu fiz isso para impressioná-lo, Senhor Kalego? — ela retrucou, cruzando os braços, uma de suas caudas balançando com uma ponta de atrevimento. — Talvez eu só quisesse garantir que você não tivesse nada do que reclamar no seu relatório.

Kalego soltou um som que quase poderia ser confundido com uma risada curta e seca.

— Veremos. Babyls pode precisar de alguém com sua... capacidade de contenção em breve. Esteja preparada.

Ele se virou e seguiu Sullivan para a carruagem demoníaca.

Alyssa ficou observando-os partir até que as luzes da carruagem desaparecessem na névoa da noite. Ela sentiu o peso do cansaço finalmente atingi-la, mas havia uma satisfação nova queimando em seu peito.

— Ele é difícil — Kalel comentou, surgindo ao lado dela.

— Sim, ele é — Alyssa concordou, passando a mão pelos cabelos pretos, sentindo o calor residual de sua forma real sob a pele. — Mas ele é honesto. E no submundo, Kalel, a honestidade é mais rara que a Materialização Carmesim.

Ela voltou para dentro, o restaurante agora silencioso, mas o eco daquela noite — e o olhar de Kalego Naberius — permaneceria com ela por muito tempo. O centenário do *Crimson Tide* não tinha sido apenas uma celebração de passado. Tinha sido o prólogo de um futuro onde o sangue e o ferro finalmente se encontraram.
Índice

¿Quieres crear tu propio fanfic?

Regístrate en Fanfy y crea tus propias historias.

Crear mi fanfic