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Pensamentos impuros

Fandom: EngLot

Creado: 29/4/2026

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Entre o Éter e a Realidade

O despertador marcava duas da manhã quando o ar do quarto de Engfa Waraha começou a esfriar, saturando-se com um perfume inebriante de jasmim e enxofre. Engfa, encolhida sob seu moletom cinza três vezes maior que seu corpo, sentiu o peso familiar sobre o colchão. Ela não precisava abrir os olhos para saber quem estava ali.

— Você está atrasada — sussurrou Engfa, a voz rouca pelo sono recém-interrompido.

Uma risada baixa e aveludada reverberou pelo quarto, fazendo os pelos da nuca de Engfa se arrepiarem.

— O tempo é uma ilusão humana, minha pequena nerd — respondeu Charlotte Austin, sua voz carregada de um autoritarismo calmo. — E eu nunca chego atrasada. Eu chego exatamente quando sua carência atinge o ápice.

Engfa finalmente abriu os olhos, ajustando os óculos que haviam escorregado pelo nariz. Diante dela, sentada graciosamente na beirada da cama, estava a visão que assombrava e abençoava suas noites. Charlotte tinha 1,75m de pura elegância predatória. Seu cabelo castanho-claro caía em ondas perfeitas sobre os ombros, e sua pele parecia brilhar com uma luz própria, sobrenatural.

A succubus inclinou a cabeça, revelando os dentes caninos sutilmente pontiagudos quando sorriu. Ela era uma tirana, uma deusa que reivindicava o subconsciente de Engfa como seu território particular.

— Por que você sempre usa essas roupas horríveis, Engfa? — Charlotte estendeu uma mão de dedos longos e unhas impecáveis, puxando o tecido grosso do moletom da garota. — Esconder esse corpo é um pecado que nem eu ousaria cometer.

Engfa sentiu o rosto esquentar. No campus, ela era apenas a nerd quieta da biblioteca, a garota de óculos fundo de garrafa que evitava contato visual. Ninguém desconfiava que, por baixo das camadas de algodão, Engfa possuía músculos definidos por uma rotina disciplinada de exercícios que serviam apenas para gastar a energia que Charlotte lhe roubava nos sonhos.

— É confortável — murmurou Engfa, tentando manter a compostura. — E ninguém precisa ver o que é só... meu.

Charlotte estreitou os olhos cor de mel, uma faísca de possessividade brilhando neles.

— Seu? — Charlotte se inclinou para frente, o corpo esbelto movendo-se com a fluidez de uma serpente. — Nada em você pertence apenas a você, Engfa. Eu marquei sua alma antes mesmo de você aprender a ler esses livros inúteis que carrega.

A demônio estendeu a mão, mas não tocou Engfa de imediato. Ela esperou. Charlotte adorava o jogo da antecipação. Ela era impulsiva por natureza, mas com Engfa, ela gostava de saborear a resistência inútil da humana.

— Toque-me — ordenou Charlotte, a voz agora num tom baixo de comando que não admitia recusas.

Engfa hesitou, o coração martelando contra as costelas. Ela sabia que Charlotte raramente se materializava de forma física o suficiente para ser tocada fora do plano onírico. Aquilo era um privilégio, uma armadilha e um presente.

Lentamente, Engfa estendeu a mão e tocou o braço de Charlotte. A pele da succubus era quente, quase febril, e a sensação enviou um choque elétrico pelo braço de Engfa.

— Você é tão real agora — Engfa suspirou, os dedos traçando o contorno dos músculos delicados, porém firmes, da demônio.

— Sou tão real quanto você deseja que eu seja — Charlotte fechou os olhos por um momento, apreciando o toque da humana. — Mas não se engane. Hoje eu vi aquele garoto no corredor da sua faculdade. Aquele que tentou derrubar seus livros para chamar sua atenção.

O tom de Charlotte mudou drasticamente. A calma permaneceu, mas havia uma frieza cortante por trás das palavras.

— O nome dele é Pete — disse Engfa, retirando a mão, sentindo o perigo no ar. — Ele estava apenas tentando ser gentil.

— Ele estava tentando tocar o que é meu — Charlotte rosnou, levantando-se da cama com uma agilidade sobre-humana. — Os humanos são criaturas patéticas, Engfa. Eles veem algo brilhante e acham que podem possuir. Ele não sabe que, se encostar um dedo em você com segundas intenções, eu farei com que os pesadelos dele se tornem a única realidade que ele conhecerá.

Engfa sentiu uma mistura de medo e uma lealdade distorcida. Charlotte era sua torturadora, a criatura que a mantinha acordada e exausta, mas também era sua protetora feroz. Ninguém nunca havia cuidado de Engfa daquela maneira, mesmo que fosse uma proteção nascida da possessividade demoníaca.

— Você não precisa machucá-lo — pediu Engfa baixinho. — Eu não dou atenção a eles. Eu só dou atenção a você.

Charlotte parou de andar pelo quarto e olhou para Engfa. O olhar da succubus suavizou-se, apenas o suficiente para ser perigoso de uma forma diferente. Ela voltou para a cama, engatinhando sobre os lençóis até encurralar Engfa contra a cabeceira.

— Diga de novo — exigiu Charlotte, o rosto a centímetros do de Engfa.

— Eu sou leal a você, Charlotte — Engfa disse, a voz firme apesar do tremor nas mãos. — Nos meus sonhos e quando estou acordada. Não existe mais ninguém.

Charlotte sorriu, exibindo os caninos. Ela levou a mão ao rosto de Engfa, removendo os óculos da garota e colocando-os no criado-mudo. Sem as lentes, o mundo de Engfa ficou levemente borrado, restando apenas a nitidez da beleza de Charlotte à sua frente.

— Você é uma virgem tão adorável, Engfa — provocou Charlotte, passando o polegar pelo lábio inferior da garota. — Tão pura, tão cheia de uma energia que você nem entende como usar. Sabe por que eu não te devoro de uma vez?

— Por que? — perguntou Engfa, hipnotizada.

— Porque eu gosto de ver você lutar contra o que sente — Charlotte aproximou-se do ouvido de Engfa, o hálito quente causando arrepios. — Eu gosto de como você aperta os lençóis quando eu apareço. Eu gosto de como seu cheiro muda quando eu toco você. Você é meu projeto favorito.

Charlotte recuou um pouco, seus olhos fixos nos de Engfa. A impulsividade da demônio aflorou. Em um movimento rápido, ela puxou as cordas do moletom de Engfa, obrigando a garota a se inclinar para frente.

— Tire isso — ordenou Charlotte. — Quero ver o que você esconde do mundo.

Engfa obedeceu, o coração na garganta. Ela puxou o moletom pesado pela cabeça, revelando a regata branca por baixo, que marcava os ombros definidos e os braços fortes. Charlotte passou a língua pelos dentes, os olhos brilhando com uma fome que não era apenas de energia vital.

— Magnífica — murmurou a succubus. — Uma guerreira escondida sob a pele de uma estudiosa.

Charlotte estendeu a mão e tocou a clavícula de Engfa, descendo lentamente até o centro do peito da garota.

— Sente isso? — perguntou Charlotte. — O seu coração está tentando sair do peito para chegar até mim.

— É você quem faz isso comigo — acusou Engfa, embora não houvesse raiva em sua voz. — Você me persegue.

— Eu te liberto — corrigiu Charlotte. — No mundo lá fora, você é ninguém. Aqui, comigo, você é a única coisa que importa para uma rainha do submundo.

Engfa tomou coragem e segurou os pulsos de Charlotte. A diferença de altura era pequena, mas a aura de Charlotte a fazia parecer gigantesca.

— Se eu sou sua, então você também é minha? — perguntou a nerd, com uma ousadia que surpreendeu a si mesma.

Charlotte soltou uma gargalhada curta e seca, mas não se afastou. Ela se inclinou, encostando a testa na de Engfa.

— Você é muito corajosa para alguém que treme sob o meu toque, Engfa Waraha. Um demônio não pertence a ninguém. Nós somos o caos.

— Mas você volta — insistiu Engfa. — Todas as noites. Você protege meu sono de outros demônios e minha vida de outros humanos. Se isso não é pertencer, o que é?

Charlotte ficou em silêncio por um longo momento. A tirana calma parecia estar processando a lógica direta da humana. Ela odiava o fato de Engfa estar certa. Sua impulsividade a trazia de volta para aquele quarto medíocre de dormitório todas as noites, não apenas pela energia, mas pela estranha paz que encontrava na presença daquela garota silenciosa.

— Você fala demais — declarou Charlotte, cortando a tensão. — Deite-se.

Engfa obedeceu, sentindo o colchão afundar quando Charlotte se deitou ao lado dela, puxando o corpo de Engfa para perto. O contraste entre a pele quente de Charlotte e o frescor do quarto era inebriante.

— Tente dormir — ordenou a succubus, passando os dedos pelos cabelos castanho-escuros de Engfa. — Amanhã você tem aquela prova ridícula de cálculo. E se alguém se atrever a te olhar de um jeito que eu não goste durante o exame...

— Eu sei — interrompeu Engfa, fechando os olhos e se aninhando no abraço da demônio. — Você vai cuidar disso.

— Vou — afirmou Charlotte, a voz tornando-se um sussurro etéreo enquanto ela começava a desaparecer de volta para o plano dos sonhos, levando a consciência de Engfa consigo. — Durma, minha pequena nerd. Eu estarei esperando do outro lado.

Enquanto a escuridão do sono as envolvia, a última coisa que Engfa sentiu antes de entrar no mundo onírico foi o beijo gélido e possessivo de Charlotte em sua testa, uma marca invisível que dizia ao universo que aquela alma já tinha dona. E Engfa, em sua lealdade silenciosa, não desejaria estar em nenhum outro lugar.
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