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Uma família fora dos planos

Fandom: EngLot

Creado: 1/5/2026

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O Som de Pneus e Risadas Travessas

O escritório da mansão Waraha-Austin cheirava a café forte e couro caro. Charlotte Austin massageava as têmporas, os olhos castanho-claros fixos em uma planilha de gastos que parecia não fazer sentido. Como responsável pelas finanças da união entre as duas maiores máfias do país, ela estava acostumada a números altos, mas os últimos lançamentos eram absurdos.

— Engfa! — Charlotte chamou, sua voz calma, porém carregada de uma autoridade que faria qualquer soldado da máfia tremer.

A porta se abriu com um estrondo. Engfa Waraha entrou na sala com um sorriso sarcástico no rosto, ajeitando os óculos de armação fina sobre o nariz. A pequena cicatriz em sua bochecha, herança de um confronto que ela insistia em dizer que "foi apenas um arranhão", parecia destacar-se sob a luz do sol que entrava pela janela.

— Não precisa gritar, querida esposa. Eu estava logo ali, ensinando a Sonya como neutralizar um oponente usando apenas o peso do corpo — Engfa disse, jogando-se na poltrona à frente da mesa de Charlotte com uma petulância irritante.

— Você estava ensinando golpes de judô para uma criança de seis anos? — Charlotte fechou o laptop, encarando a mulher de 32 anos à sua frente. — E o que são esses gastos em "peças de reposição"? Engfa, nós temos um contrato de negócios, não um fundo ilimitado para suas corridas ilegais.

— Primeiro: autodefesa é essencial. Sonya precisa saber como derrubar alguém se eu não estiver por perto — Engfa rebateu, inclinando-se para frente com um brilho desafiador nos olhos. — Segundo: meu carro precisava de um turbo novo. Ganhei três vezes o valor da peça na aposta de ontem à noite. Considere isso um investimento no nosso império.

Charlotte suspirou, recostando-se na cadeira. O casamento delas era uma transação fria, assinada com sangue e selada com desconfiança mútua. No entanto, o destino tinha um senso de humor peculiar. Três anos atrás, saindo de uma festa de gala onde fingiam ser o casal mais apaixonado da elite criminosa, encontraram uma menina abandonada em um beco escuro. Sonya. O instinto de proteção, algo que ambas juravam não possuir, floresceu instantaneamente.

— Você é uma idiota impulsiva — murmurou Charlotte, embora não houvesse verdadeiro ódio em suas palavras, apenas o cansaço habitual de lidar com a personalidade vulcânica de Engfa.

— E você é uma chata controladora — Engfa sorriu, a ironia pingando de sua voz. — Mas admita, você adora quando eu trago o dinheiro das apostas para você lavar.

Antes que Charlotte pudesse responder, uma pequena figura de cabelos castanho-claros ondulados entrou correndo na sala, usando um pequeno kimono de treino que ficava um pouco grande demais para ela.

— Mama Charlotte! — Sonya exclamou, pulando no colo da mulher mais alta. — A Mama Engfa disse que se eu conseguir derrubar o segurança lá fora, eu ganho um sorvete!

Charlotte lançou um olhar mortal para Engfa, que apenas deu de ombros e começou a limpar as lentes dos óculos com a barra da camisa.

— Engfa Waraha, você não vai incentivar nossa filha a atacar os funcionários — Charlotte disse, embora suas mãos acariciassem o cabelo de Sonya com uma doçura que ela raramente demonstrava a qualquer outra pessoa.

— Por que não? — Engfa perguntou, um sorriso de lado surgindo. — O treinamento é prático, Charlotte. Além disso, ela tem o seu rosto, mas o meu espírito. Ela vai ser imparável.

— Ela vai ser uma cidadã funcional, se eu tiver algo a dizer sobre isso — Charlotte retrucou, voltando sua atenção para a menina. — Sonya, o que combinamos sobre usar a força?

— Só em emergências ou se alguém tocar no meu doce — a menina respondeu prontamente, com uma seriedade que era a cópia exata de Charlotte, apesar da travessura nos olhos ser puramente Engfa.

— Viu? Ela é treinada — Engfa se levantou, caminhando até as duas. — Agora, chega de números. Eu tenho uma corrida de exibição hoje à noite nos canais do norte. Quero que vocês venham.

Charlotte franziu o cenho, sua cautela natural assumindo o controle.

— É perigoso, Engfa. Você sabe que os rivais da família Austin estão de olho em qualquer fraqueza nossa. Levar Sonya para um local de corridas ilegais é pedir por problemas.

— Ninguém toca no que é meu, Charlotte. Você sabe disso — a voz de Engfa mudou de sarcástica para gélida em um segundo. — Meus homens estarão em cada esquina. Além disso, Sonya quer ver o carro novo em ação, não é, pequena?

— Sim! — Sonya gritou, agitando os braços. — Eu quero ver o fogo saindo do escapamento!

Charlotte olhou para a filha, depois para a "esposa". Ela odiava o quanto Engfa conseguia ser convincente quando queria. E, no fundo, ela sabia que Engfa morreria antes de deixar qualquer dano chegar perto de Sonya — ou dela mesma, embora nenhuma das duas admitisse isso em voz alta.

— Tudo bem — Charlotte cedeu, levantando-se com Sonya no colo. — Mas se eu ver uma arma sequer perto da Sonya, eu mesma acabo com você antes que os inimigos tentem.

— É por isso que eu me casei com você — Engfa riu, passando a mão pelo cabelo castanho-escuro. — Sua agressividade passiva é tão atraente.

— Vá se ferrar, Engfa.

***

A noite estava abafada. O som de motores roncando preenchia o ar nos arredores industriais da cidade. Engfa estava encostada em seu Nissan Skyline modificado, as mangas da camisa social dobradas, revelando as tatuagens que subiam pelos braços. Sonya estava sentada no capô, comendo um pirulito, enquanto Charlotte permanecia ao lado, observando tudo com olhos de águia, a postura impecável e o olhar analítico.

— Mantenha a guarda alta — Charlotte sussurrou para Engfa, aproximando-se enquanto os outros competidores chegavam. — Vi alguns carros que não pertencem ao circuito habitual.

Engfa ajustou os óculos e olhou ao redor. Ela já tinha notado. Sua impulsividade nunca anulava sua percepção de líder da máfia.

— Eu vi. São infiltrados dos Lee. Eles acham que podem me emboscar em território neutro — Engfa disse, a voz baixa, sem o tom de brincadeira de antes. — Sonya, desça do carro e vá com a Mama Charlotte para a van blindada. Agora.

A menina, percebendo a mudança de tom, obedeceu imediatamente. Ela era observadora, uma característica que herdara de ambas.

— Engfa... — Charlotte começou, a preocupação vazando por sua fachada de gelo.

— Vá, Charlotte. Eu cuido disso. É apenas uma corrida, mas se eles quiserem dançar, eu conheço a música — Engfa deu um tapinha leve no ombro de Charlotte, um gesto raro de carinho físico. — Proteja a pequena. Eu protejo vocês duas de longe.

Charlotte assentiu, pegando a mão de Sonya e caminhando em direção à escolta. Engfa entrou no carro, o motor rugindo como uma fera enjaulada.

A corrida começou com um estalo. Engfa era uma força da natureza ao volante. Ela não apenas dirigia; ela dominava a máquina. No entanto, na terceira volta, dois SUVs pretos surgiram das sombras, tentando fechar o caminho de seu carro.

Pelo rádio no painel, a voz de Charlotte soou, firme e sem hesitação:

— Engfa, dois veículos às suas seis horas. Minha equipe de contenção já está se movendo. Não pare.

— Eu nunca paro, querida — Engfa respondeu, um sorriso maníaco surgindo enquanto ela reduzia a marcha e fazia uma manobra de drift perigosa, desviando de um dos SUVs e fazendo-o colidir contra uma pilha de containers.

Enquanto a confusão estourava, Engfa mantinha o foco. Ela não estava apenas correndo por dinheiro ou ego; ela estava limpando o caminho para que sua família pudesse voltar para casa em segurança.

Minutos depois, o silêncio retornou à pista, quebrado apenas pelo som do metal esfriando. Engfa estacionou perto da van blindada. Ela saiu do carro, a adrenalina ainda correndo nas veias, e limpou o suor da testa.

Charlotte saiu da van, seguida por Sonya. A loira caminhou até Engfa e, sem dizer uma palavra, verificou se ela tinha algum ferimento novo.

— Estou inteira, Charlotte. Não precisa se preocupar tanto — ironizou Engfa, embora tenha deixado Charlotte inspecioná-la.

— Eu não estava preocupada com você. Estava preocupada com o carro, é um ativo caro — mentiu Charlotte de forma direta, seus olhos encontrando os de Engfa por um segundo a mais do que o necessário.

— Mentirosa — Engfa sussurrou, aproximando-se um pouco mais do espaço pessoal de Charlotte.

— Mama Engfa! — Sonya correu e abraçou as pernas de Engfa. — Você fez o carro girar e o outro fez "CABUM"! Foi incrível!

Engfa pegou a menina no colo, rindo alto.

— Viu só? Isso é o que acontece quando alguém tenta atrapalhar os Waraha-Austin.

Charlotte cruzou os braços, uma pequena e quase imperceptível curva surgindo no canto de seus lábios.

— Vamos para casa. Sonya precisa dormir e eu preciso recalcular o prejuízo que você causou no asfalto alheio.

— Você é tão romântica, Austin — Engfa revirou os olhos, mas estendeu a mão livre para Charlotte.

Charlotte olhou para a mão de Engfa por um momento. O contrato dizia que elas eram aliadas. O mundo dizia que eram rivais. Mas ali, sob a luz dos postes de sódio, elas eram algo que nenhuma das duas sabia explicar. Charlotte aceitou a mão, seus dedos se entrelaçando com os de Engfa de forma firme.

— Só ande logo, Waraha. Antes que eu mude de ideia e deixe você dormir na garagem com seus "tesouros" motorizados.

— Você não faria isso. Você sentiria muito a minha falta na cama de casal — Engfa provocou, piscando para ela.

— Continue sonhando — Charlotte respondeu, mas não soltou a mão dela durante todo o caminho até os carros.

Sonya, no colo de Engfa, observava as duas mamães. Ela era pequena, mas atenta. Sabia que elas brigavam, sabia que eram perigosas para o resto do mundo, mas ali, entre as provocações e o sarcasmo, havia algo sólido. E para Sonya, isso era tudo o que importava.
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