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Droga fiore

Fandom: Bts jikook

Creado: 2/5/2026

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O Peso do Temporário

Jeon Jungkook tinha uma habilidade estranha e quase poética de transformar qualquer lugar em algo passageiro.

Na vida noturna de Myeongdong, o nome dele circulava com a facilidade de uma música chiclete. Entre risadas em bares esfumaçados, fofocas de corredores e olhares que demoravam dois segundos a mais do que o socialmente aceitável, Jungkook era uma constante variável. Ele sempre fora assim: intenso, bonito, imprevisível. Na adolescência, vivia como se o amanhã fosse um rascunho que ele nunca pretendia passar a limpo. Festas, brigas, beijos esquecidos antes do sol nascer. Nada que durasse o suficiente para criar raiz ou exigir manutenção.

E, honestamente, ele gostava disso.

O apartamento onde morava era pequeno, mas confortável. Fora um presente — ou um "empréstimo por tempo indeterminado" — do namorado do seu irmão mais velho. Jungkook nunca reclamou do espaço reduzido. Primeiro, porque sabia que o aluguel naquela zona era um soco no estômago. Segundo, porque Seokjin realmente o mataria se ouvisse qualquer comentário ingrato sobre a generosidade de Namjoon.

Era o lugar perfeito para alguém que não pretendia ficar muito tempo em lugar nenhum. Ou com ninguém.

Até Ji-a aparecer.

No começo, foi fácil. Ela era bonita, chamativa, com um tom de loiro que parecia brilhar sob as luzes da cidade. Ela sabia conversar, sabia o momento exato de rir das piadas dele e, principalmente, sabia como fazê-lo se sentir o centro do universo. Jungkook gostava da atenção, do jeito que ela o olhava como se ele fosse suficiente, como se ele fosse a resposta para perguntas que ele nem tinha feito. Pela primeira vez, ele tentou. Tentou algo sério. Tentou ser o cara que fica.

Tentou.

Mas o "sério" de Ji-a veio com cláusulas que Jungkook não leu no contrato emocional.

— Onde você tá? — a voz dela vinha pelo telefone, já carregada de uma irritação que parecia ser o tom padrão das quartas-feiras.

— Na academia, Ji-a. — Jungkook suspirou, trocando o celular de orelha enquanto limpava o suor da testa.

— Manda foto.

— O quê?

— Manda uma foto agora. Quero ver se você tá aí mesmo.

— Ji-a… — Ele sentiu aquela pontada familiar na têmpora. — Eu acabei de chegar no treino.

— Se não tem nada a esconder, qual o problema de mandar?

E assim, o que era para ser um porto seguro tornou-se um campo minado. Primeiro vieram os pedidos disfarçados de cuidado. Depois, as exigências escancaradas.

— Por que essa garota curtiu sua foto de três semanas atrás? — ela perguntou uma noite, jogando o celular dele sobre o sofá.

— Porque ela usa o Instagram, talvez? — Jungkook respondeu, tentando manter a voz leve, embora o estômago já desse nós.

— Não brinca comigo, Jeon. Eu vi o comentário dela no post do seu irmão também.

— Ela é amiga do Namjoon, Ji-a! Pelo amor de Deus.

— Você não precisa de amigas! — ela gritou, a voz subindo uma oitava. — Eu sou sua amiga! Eu, sua mãe e pronto! Mais ninguém!

Jungkook soltou uma risada curta, seca, cheia de incredulidade.

— Isso não é normal, Ji-a. Você se ouviu?

— Normal é você agir como MEU namorado e não como um solteiro disponível!

Ele passava a mão pelo cabelo, sentindo o peso do mundo nos ombros. Mas ele continuou ali. Continuou porque terminar dava um trabalho hercúleo. Porque, quando estavam bem, o sexo era bom e o resto parecia suportável sob a luz certa. Jungkook sempre escolhia o caminho mais fácil no presente, mesmo que isso significasse cavar um buraco para o seu futuro.

Quatro meses depois, a conta chegou.

Ele estava sentado no chão da sala de Yoongi, uma lata de cerveja gelada na mão e a sensação incômoda de que algo estava profundamente errado há semanas. O churrasco na cobertura de Yoongi estava barulhento, como sempre. Hoseok ria alto na cozinha de alguma bobagem que Namjoon dissera, e o cheiro de carne levemente queimada denunciava que alguém tinha se distraído com a conversa.

— Jeikei — chamou Bangchan, jogado no sofá com uma perna balançando. — Tá mesmo sério com a Ji-a?

Jungkook deu um gole longo na cerveja, sentindo o amargor descer pela garganta.

— Tô.

Yoongi, que estava encostado no batente da porta, levantou uma sobrancelha, os olhos pequenos e analíticos.

— Essa foi a resposta mais puta que eu já ouvi pra um “tô”. Parece que você tá anunciando uma sentença de prisão.

Hoseok apareceu na porta da cozinha, secando as mãos num pano de prato e exibindo aquele sorriso que raramente chegava aos olhos quando o assunto era a vida amorosa de Jungkook.

— É porque o cachorro Jeon Jungkook finalmente foi castrado. Aceitem.

— Vai se foder, Hoseok — Jungkook resmungou, mostrando o dedo do meio sem real agressividade.

— Ah, qual é! Antes você sumia por três dias e a gente só sabia que você tava vivo pelas fotos de balada. Agora? Agora você responde mensagem em cinco minutos.

— Porque se eu não responder, ela surta e liga pro meu irmão — Jungkook admitiu, a voz baixa.

Seokjin, que estava sentado numa poltrona lendo algo no celular, soltou uma risada curta e ácida.

— Isso não é namoro, garoto. Nem eu faço esse tipo de cena com o Namjoon, e olha que eu tenho motivos.

Namjoon, vindo da cozinha com uma travessa, assentiu seriamente.

— Ela pede sua localização, Jungkook?

— Vinte e quatro horas por dia. Se eu desligo o GPS, ela diz que a bateria dela "acabou de ansiedade".

— Caralho — Bangchan murmurou, os olhos arregalados. — Nem minha mãe fazia isso quando eu tinha quinze anos e voltava bêbado pra casa.

Yoongi pegou uma lata nova e entregou para o mais novo, sentando-se ao lado dele no chão, num gesto de rara solidariedade silenciosa.

— Pergunta séria: por que você ainda tá com ela?

Jungkook demorou a responder. Ele girou a lata entre os dedos, observando a condensação escorrer pelo alumínio.

— Sei lá. No começo foi bom. Ela é carinhosa quando quer.

— Ela transa bem? — Yoongi foi direto ao ponto, como sempre.

Hoseok começou a rir alto, batendo no balcão da cozinha.

— Deve! Pra aguentar esse regime militar, o bônus tem que ser altíssimo.

Jungkook deu de ombros, sentindo o rosto esquentar.

— Não vou mentir… as partes boas são ótimas. Mas o resto…

San, que estava sentado silenciosamente no braço do sofá, interveio com sua voz tranquila e ponderada:

— E agora? Como você se sente agora?

O silêncio que se seguiu foi cortado apenas pelo som da carne chiando na grelha lá fora. Jungkook olhou para os amigos.

— Agora parece que eu tô sempre devendo alguma coisa. Como se eu tivesse cometido um crime que eu não lembro, e ela fosse a minha oficial de condicional.

Namjoon inclinou a cabeça, o olhar de psicólogo amador ativado.

— Você gosta dela, Jungkook? De verdade?

Jungkook abriu a boca para dizer que sim. Ele queria dizer que sim. Ela era dedicada, ela se importava, ela planejava o futuro. Mas a palavra ficou presa. O que ele sentia era uma mistura de gratidão antiga e um enjoo crescente pelo drama constante.

— Eu… gostava. Eu acho. Mas agora é só grude, cobrança e esse peso no peito toda vez que o celular vibra.

— Então termina, mano — Hoseok disse, simples assim.

— Não é tão simples. Ela vai fazer um escândalo. Vai aparecer no meu trabalho, vai ligar pra minha mãe chorando.

— É simples sim — Yoongi rebateu, a voz fria como a cerveja. — Você só é covarde demais pra lidar com a cena que ela vai fazer. Você prefere ser infeliz em silêncio do que barulhento por dez minutos de término.

Bangchan riu, cutucando o ombro de Jungkook.

— Ele tem medo dela quebrar o celular dele. De novo.

— Ela já quase fez isso — Jungkook admitiu, fazendo a sala explodir em exclamações.

— Sério? — Seokjin guardou o celular, agora totalmente interessado. — O próximo passo é ela quebrar você, Jungkook. Ou você quebrar por dentro.

Hoseok se jogou ao lado dele, passando o braço pelo seu pescoço.

— Escuta aqui. Você não foi feito pra ficar preso em uma gaiola de ouro — ou de latão, no caso dela. Todo mundo aqui sabe disso. Você é o cara que transforma tudo em temporário, lembra? Por que resolveu fazer da sua vida uma prisão permanente logo com ela?

Jungkook olhou ao redor. Aquela bagunça, as risadas sem filtro, a liberdade simples de estar ali sem precisar reportar cada gole de cerveja. Ele sentia uma falta lancinante disso.

— Eu tô pensando em como fazer — ele disse, a voz quase um sussurro.

— Enquanto você pensa, você continua sendo o capacho dela — San disparou, sem crueldade, apenas constatando o fato.

— Vai tomar no cu, San — Jungkook respondeu, mas acabou rindo. Era o tipo de verdade que só amigos de verdade jogavam na sua cara.

Jungkook encostou a cabeça no encosto do sofá, observando o teto. Talvez o problema não fosse Ji-a. Talvez o problema fosse que ele nunca tinha ficado tempo suficiente em lugar nenhum para aprender a estabelecer limites. E, mesmo assim, algo dentro dele já sabia: aquilo estava perto do fim.

Bangchan se levantou devagar, estalando o pescoço com um sorriso malicioso que normalmente precedia uma ideia terrível.

— Ou… — ele começou — você pode dar o que ela quer.

Hoseok franziu a testa.

— O quê? Mais atenção?

Seokjin soltou, sem nem pensar, enquanto ajeitava o cabelo de Namjoon:

— Pau?

A sala explodiu em gargalhadas. Bangchan revirou os olhos.

— Não, seus animais. Ela quer controle, certo? Dá motivo pra ela ficar ocupada demais tentando te acompanhar.

Namjoon soltou um suspiro cansado, prevendo o desastre.

— Vocês só têm ideias geniais, impressionante.

— Sempre funcionou antes — Yoongi murmurou, abrindo mais uma lata.

San levantou uma sobrancelha, o tom ficando subitamente sério.

— Vocês estão sugerindo que ele traia ela? É isso?

A pergunta pairou no ar, pesada. Jungkook levou a mão ao queixo, pensativo. Ele não era um traidor por natureza, mas a ideia de simplesmente parar de seguir as regras dela parecia tentadora.

— Não é trair — Bangchan corrigiu. — É voltar a ser o Jeon Jungkook. O JJ. Aquele que não pede licença pra respirar. Se ela não aguentar o tranco, ela mesma vai embora.

Seokjin deu um tapa fraco na testa de Namjoon ao ver que o namorado ia concordar.

— Espero que você nunca tenha dado esse tipo de conselho pro meu irmão antes!

— Ai! Eu não falei nada! — Namjoon protestou, rindo.

— Ué, ele e o Yoongi que ensinaram a gente a ser assim — San deu de ombros, rindo da cara de indignação de Seokjin.

A discussão virou uma bagunça generalizada, mas Jungkook continuava quieto. Ele não parecia animado, nem malicioso. Ele parecia exausto. Como alguém procurando a saída de emergência mais próxima num prédio em chamas.

— Vou fazer — ele soltou, de repente.

O barulho na sala diminuiu drasticamente. Yoongi olhou para ele de soslaio.

— Você vai arrumar sarna pra se coçar, garoto.

— Não é como se a minha pele já não tivesse pegando fogo — Jungkook deu de ombros, com um sorriso que não alcançou os olhos.

— Você tá tentando fugir da conversa difícil, Jungkook — Seokjin disse, o tom agora mais suave e protetor. — Por que não termina de uma vez?

E ele estava certo. Jungkook sabia disso. Era mais fácil voltar a ser o "cara errado" do que sentar e admitir que o amor — ou o que quer que fosse aquilo — tinha morrido por asfixia.

— Chega de ser o namorado domesticado — San disse, encerrando o assunto. — Volta a ser você.

[...]

Eram 2:07 da manhã quando Jungkook finalmente decidiu ir embora. A casa de Yoongi estava mergulhada naquele silêncio pós-festa. Hoseok dormitava no sofá, Bangchan e San já tinham partido e os "pais" do grupo, Jin e Namjoon, foram embora assim que a comida acabou.

Jungkook pegou seu capacete, sentindo o peso do objeto nas mãos.

— Vai assim? — Hoseok perguntou, abrindo um olho. — Tá meio alto ainda, não?

— Tô suave, Hoseok. O vento vai me acordar.

— Não arranja mais problema pra sua cabeça, Jeon.

— Sem promessas.

Ele desceu as escadas, o som de suas botas ecoando no concreto. Quando ligou sua Yamaha FZ25, o rugido do motor pareceu uma libertação. As ruas de Seul de madrugada eram o seu habitat natural. Sem trânsito, sem cobranças, apenas o asfalto e a adrenalina.

Mas, ao chegar em casa, a realidade o esperava com a luz da sala acesa.

Ji-a estava lá. No sofá. Braços cruzados, pijama vermelho e uma expressão que poderia congelar o inferno.

— Vai continuar me ignorando, JEON JUNGKOOK?!

Ele fechou a porta devagar, deixando o capacete no chão. A voz dela era como um chicote.

— Oi, Ji-a.

— "Oi"? É sério? São duas da manhã! Onde você estava?

— Eu te disse. No Yoongi.

— Eu mandei cinquenta mensagens! Liguei dez vezes! Você sumiu!

Jungkook tirou a jaqueta de couro com movimentos lentos, deliberados.

— Eu tava ocupado.

— Ocupado com quem? Com aquelas vadias que vivem dando em cima de você?

Ele parou no meio do caminho para a cozinha. A paciência, que já era pouca, evaporou.

— Não tinha vadias lá, Ji-a. Tinha meus amigos. E tinha gente normal.

— Gente normal ou mulheres? Responde!

Ele se serviu de um copo de água, sentindo o olhar dela queimando suas costas.

— Tinha mulheres. Como em qualquer lugar do planeta Terra que não seja um mosteiro.

— Eu sabia! — ela gritou, levantando-se. — E você ficou lá, se exibindo, né?

— Ji-a, chega. Eu tô cansado.

— Você tá cansado? Eu estou exausta de ser feita de idiota! Eu vi aquela garota comentando na sua foto! Eu vi como você sorri pra tela quando não acha que eu tô olhando!

Jungkook virou-se para ela, o copo de água ainda na mão.

— Eu não sorrio pra tela. Eu mal olho pra essa merda de celular ultimamente porque sei que vai ter um interrogatório esperando por mim.

— Porque eu tento proteger o que é meu!

— Eu não sou seu, Ji-a! — O grito dele saiu antes que pudesse conter. O silêncio que se seguiu foi cortante.

— O que você disse? — ela sussurrou, os olhos enchendo-se de lágrimas instantâneas.

— Eu sou meu. Eu sou uma pessoa, não uma propriedade. Eu não aguento mais essa vigilância.

— Você mudou… antes você gostava que eu cuidasse de você.

— Antes era cuidado. Agora é cárcere privado emocional.

A discussão escalou. As mesmas frases, os mesmos traumas revirados, a mesma dança tóxica de acusação e defesa. Jungkook sentia que estava se afogando em areia movediça.

— Você não me ama mais? — ela perguntou, a voz trêmula, jogando a carta final.

Jungkook fechou os olhos. A culpa tentou mordê-lo, mas o cansaço era um mestre mais forte.

— Eu não sei, Ji-a. Eu realmente não sei.

Aquilo foi o fim. Ela pegou a bolsa, gritou mais algumas ofensas, disse que ele se arrependeria de perdê-la, que ninguém nunca o amaria com tanta intensidade. E então, o som da porta batendo.

Jungkook ficou parado no meio da sala escura. O silêncio era absoluto.

Ele caminhou até o quarto, sentindo o corpo pesar uma tonelada. Deitou-se de roupa e tudo, olhando para o teto. Não havia alívio imediato, apenas um vazio imenso e a constatação de que, mais uma vez, ele tinha transformado algo em temporário.

Mas, pela primeira vez, ele não se importava em ser o vilão da história de alguém. Ele só queria o direito de respirar sem pedir permissão. E enquanto fechava os olhos, a última coisa que pensou foi no vento batendo no rosto durante a volta de moto.

Livre. Finalmente, temporariamente livre.
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