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O ultimo de nois

Fandom: Httyd

Creado: 2/5/2026

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O Eco do Cinza e o Sangue no Gelo

O salão de Berk estava mergulhado na penumbra habitual do inverno, mas, em um piscar de olhos, o mundo de Stoico, o Imenso, deixou de ser feito de madeira de carvalho e cheiro de peixe salgado. Em um segundo, ele estava diante da lareira; no outro, encontrava-se em uma sala vasta, de paredes brancas e frias, desprovida de qualquer tocha ou janela.

No centro da sala, uma superfície negra e retangular, colossal como a asa de um Pesadelo Monstruoso, repousava sobre uma parede.

— Mas que feitiçaria é esta? — rosnou Stoico, a mão instintivamente buscando o cabo de seu machado, apenas para encontrar o vazio em seu cinto.

Subitamente, a superfície negra ganhou vida. Luzes e cores explodiram diante de seus olhos, mas não eram as cores vibrantes das auroras boreais. Eram cores sujas, tons de marrom, cinza e um vermelho visceral que Stoico reconheceu imediatamente como sangue.

Ele viu a si mesmo. Mas não era o Stoico que conhecia. Suas barbas estavam ralas e sujas, seus olhos carregavam um cansaço que nem mesmo décadas de guerra contra dragões haviam esculpido. Ao seu lado, Valka. Ela parecia mais velha, mas ainda possuía aquela chama indomável no olhar. Eles não estavam em Berk. Estavam em uma cidade de pedra e metal retorcido, onde o céu estava permanentemente obscurecido por fumaça.

— Valka? — sussurrou Stoico, o coração martelando contra as costelas.

A imagem mudou. O som que emanou da tela era um coro de lamentos desumanos, um rosnar gutural que não pertencia a animal algum. Criaturas pálidas, com a pele apodrecida e olhos vazios de alma, surgiram das sombras. Eram homens, ou o que restara deles.

A cena era um pesadelo. Stoico assistiu, paralisado pelo horror, enquanto uma horda dessas criaturas cercava Valka. Ela lutou como uma Valquíria, usando uma barra de ferro para esmagar crânios, mas eram muitos. Stoico viu sua esposa ser arrastada para a escuridão, seus gritos silenciados pelo som de carne sendo rasgada.

— Não! — Stoico gritou na sala vazia, socando a parede branca, que nem sequer estremeceu.

A tela não parou. O tempo saltou. Agora, Stoico e um Soluço mais velho, com o rosto marcado pela fome e pelo luto, caminhavam por entre cercas de arame farpado. Uma voz metálica anunciava: "Zona de Quarentena de Berk. Mantenham seus cartões de identificação visíveis". Era uma prisão disfarçada de refúgio. O mundo havia acabado, e eles eram apenas sombras sobrevivendo nas ruínas.

Os dias passavam em um borrão de miséria na tela. Stoico via a si mesmo caçando suprimentos em prédios em ruínas, sempre com Soluço ao seu lado. O garoto não montava dragões — os dragões haviam desaparecido ou sucumbido à mesma praga. Soluço agora carregava um rifle e um olhar de pedra.

Então, o dia fatídico chegou.

Pai e filho caminhavam por uma estrada desolada, cercada por árvores mortas que pareciam dedos esqueléticos arranhando o céu. O silêncio foi quebrado pelo estalo de um galho.

— Stoico, atrás de você! — gritou o Soluço da tela.

Sete homens emergiram da vegetação. Não eram mortos-vivos. Eram piores. Eram saqueadores, homens que haviam perdido a humanidade muito antes do mundo acabar. Estavam armados com facões, correntes e armas de fogo remendadas.

A luta foi rápida e brutal. Stoico derrubou dois, seus punhos esmagando ossos com a força de um trovão, mas a desvantagem numérica era esmagadora. Uma coronhada na nuca o fez cair de joelhos. Correntes foram enroladas em seus braços, esticando-o para que ele visse tudo.

Dois homens seguravam Soluço contra o capô de um carro enferrujado. O garoto lutava, chutando e xingando, mas um terceiro homem, com uma cicatriz que atravessava o rosto, sacou um facão pesado e cego.

— Vocês entraram no território errado, grandão — disse o líder, olhando para Stoico. — E agora, vamos garantir que seu filhote não fuja de nós.

— Parem! — berrou o Stoico real na sala, as lágrimas escorrendo pela barba ruiva. — Parem com isso!

Na tela, o líder desceu o facão com força bruta sobre o tornozelo esquerdo de Soluço. O som do metal encontrando osso e tendão ecoou pela sala branca, um estalo seco que fez Stoico vomitar de agonia. O grito de Soluço foi um som que nenhum pai deveria ouvir — um som que começou agudo e terminou em um engasgo de dor pura.

O sangue jorrou no asfalto cinzento, quente e vibrante. O pé de Soluço pendia apenas por tiras de pele e músculo. O garoto desmaiou instantaneamente, o rosto pálido como a neve.

— Agora, por você — rosnou o líder, voltando-se para Stoico.

— Matem-me! — gritou o Stoico da tela, a voz rouca de desespero. — Matem-me, mas deixem ele! Por favor!

Os homens riram. Não houve misericórdia. O líder cravou uma faca no estômago de Stoico, girando-a lentamente. Outro golpe veio lateralmente, abrindo-lhe o peito. Stoico caiu para a frente, o sangue borbulhando em seus lábios, seus olhos fixos no corpo inerte de Soluço a poucos metros de distância.

Os saqueadores começaram a se afastar, rindo, deixando os dois para trás como lixo descartado.

— Deixe-os para os "mordedores" — disse um deles. — Eles virão pelo cheiro do sangue fresco em minutos.

O Stoico da tela esticou a mão, os dedos trêmulos e cobertos de vermelho tentando alcançar o filho.

— Soluço... — sussurrou ele, um último suspiro de vida escapando de seus pulmões antes que seus olhos perdessem o brilho.

A tela ficou preta.

O silêncio na sala branca era absoluto, pesado como uma mortalha. Stoico, o Imenso, caiu de joelhos no chão frio. Ele soluçava, o corpo grande sacudido por espasmos de pura dor emocional. Ele vira sua esposa ser devorada, seu filho ser mutilado e sua própria vida ser ceifada por homens que agiam como animais.

— Isso não pode ser real — ele murmurou, a voz quebrada. — Pelos deuses, isso não pode ser o destino.

Subitamente, uma voz sem corpo ressoou pelas paredes da sala.

— O futuro é um rio com muitas correntes, Stoico. Esta é apenas uma delas. A que nasce do isolamento e do medo.

Stoico levantou a cabeça, os olhos vermelhos de fúria e tristeza.

— Por que me mostraram isso? — rugiu ele. — Para me torturar? Para zombar da minha linhagem?

— Para que você entenda — respondeu a voz — que a força de um líder não está apenas em como ele morre, mas em como ele protege o que resta do mundo. O que você fará agora que conhece o abismo?

Stoico levantou-se lentamente. Suas pernas tremiam, mas sua vontade estava voltando a se solidificar como ferro na forja. Ele olhou para a tela escura, vendo seu próprio reflexo distorcido na superfície negra.

— Eu vou mudar isso — disse ele, cada palavra carregada de uma promessa mortal. — Eu não permitirei que o mundo se torne cinza. Eu não permitirei que minha família seja caçada por monstros, vivos ou mortos.

— E como você impedirá o inevitável? — perguntou a voz.

— Eu sou Stoico, o Imenso — proclamou ele, o peito estufado, a voz recuperando o trovão que costumava comandar frotas. — Eu enfrento dragões desde que aprendi a andar. Se o mundo vai acabar em sangue e dentes, eu serei o escudo que o impedirá. Eu encontrarei Valka. Eu ensinarei Soluço a ser mais do que um sobrevivente. Eu farei de Berk uma fortaleza que nem mesmo a morte poderá derrubar.

A sala começou a tremer. As paredes brancas começaram a se dissolver em luz ofuscante.

— Lembre-se do grito de seu filho, Stoico — disse a voz, sumindo aos poucos. — Que ele seja o combustível para sua mudança.

Em um flash, o calor da lareira de Berk retornou. Stoico estava de pé no meio do salão, o suor frio escorrendo por seu pescoço. O cheiro de peixe e hidromel estava lá, reconfortante e real.

— Pai? — Uma voz familiar e hesitante veio da escada.

Stoico virou-se bruscamente. Soluço estava lá, jovem, magro, com os dois pés firmemente plantados nos degraus de madeira. Ele olhava para o pai com uma expressão de confusão.

— Pai, você está bem? Você está gritando há minutos.

Stoico não respondeu com palavras. Ele atravessou o salão em três passos largos e envolveu o filho em um abraço tão apertado que Soluço soltou um ganido de surpresa.

— Pai... não consigo... respirar — reclamou o garoto, tentando se soltar.

Stoico o soltou, mas manteve as mãos nos ombros de Soluço, apertando-os com uma intensidade que assustou o jovem. Ele olhou para as pernas de Soluço, confirmando que tudo estava lá. Inteiro. Saudável.

— Soluço — disse Stoico, a voz ainda trêmula. — De hoje em diante, as coisas vão mudar.

— Mudar como? — perguntou Soluço, arqueando uma sobrancelha. — Você vai finalmente me deixar usar o machado de dois gumes?

— Não — disse Stoico, os olhos brilhando com uma determinação que Soluço nunca vira antes. — Nós vamos encontrar sua mãe. E vamos preparar este arquipélago para algo que está por vir. Algo que nenhum viking jamais imaginou.

Soluço franziu a testa, confuso, mas algo na postura do pai o impediu de fazer piadas. Havia um medo profundo nos olhos de Stoico, mas, acima desse medo, havia uma fúria protetora que poderia queimar o mundo.

— Tudo bem, pai — disse Soluço suavemente. — O que precisamos fazer?

Stoico olhou para a porta do salão, para além das montanhas de Berk, imaginando o horizonte onde o futuro que ele vira tentaria nascer.

— Primeiro — disse Stoico —, precisamos de aliados. E eu acho que você tem razão sobre aqueles seus... dragões. Se vamos enfrentar o fim do mundo, não o faremos a pé.

Soluço arregalou os olhos, a surpresa superando o medo.

— Você está falando sério?

— Mais sério do que a morte, meu filho — respondeu Stoico, caminhando em direção à saída. — Mais sério do que a própria morte.

Enquanto Stoico abria as portas pesadas do salão, o vento frio de Berk atingiu seu rosto. Ele não viu apenas a neve e os barcos. Ele viu a responsabilidade de um futuro que ele agora tinha o poder — e o fardo — de reescrever. O eco do grito de Soluço ainda ressoava em sua mente, mas agora, servia apenas para guiar cada um de seus passos. O apocalipse poderia vir, mas Stoico, o Imenso, estaria esperando por ele com fogo nos olhos e o filho ao seu lado.
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