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O jogo do amor proibido

Fandom: Benfica

Creado: 3/5/2026

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Entre o Ódio e o Vermelho: O Preço de um Segredo

A luz do sol de Lisboa refletia-se de forma intensa no relvado do Seixal, mas o clima dentro do balneário do Benfica estava longe de ser caloroso. Richard Ríos, recém-chegado do Palmeiras, ainda tentava adaptar-se ao ritmo europeu, mas o seu maior obstáculo não era a tática de jogo, e sim o capitão da equipa. Nicolás Otamendi, com a sua experiência de 38 anos e um olhar que impunha respeito a qualquer um, não facilitava a vida ao colombiano. A "treta" entre os dois vinha de confrontos antigos na América do Sul, e o gelo entre eles parecia inquebrável.

Contudo, o futebol tem formas estranhas de unir as pessoas. Após uma vitória suada na Supertaça contra o Sporting, a adrenalina e a euforia da conquista acabaram por quebrar as barreiras. Num momento de celebração, Otamendi e Ríos trocaram um aperto de mão que selou uma trégua inesperada. Para oficializar a nova amizade e celebrar o troféu, o capitão decidiu organizar um almoço com toda a equipa numa quinta privada nos arredores da capital.

— Estão todos convidados — anunciou Otamendi, ainda no balneário. — E tragam a família. A minha irmã também vem, por isso, juízo.

Richard Ríos, com os seus 1,85m e as mechas loiras que o destacavam na multidão, chegou ao almoço descontraído. Enquanto caminhava em direção à mesa das bebidas, distraído com o telemóvel, sentiu um impacto forte contra o seu peito. O copo de sumo que a outra pessoa segurava acabou por se espalhar pela sua camisa branca.

— Olha por onde andas, ó nabo! — exclamou a rapariga, ajeitando o cabelo castanho com irritação.

Richard olhou para baixo e viu uma jovem de 1,67m, com um olhar feroz que o fez arquear as sobrancelhas. Era Nayara, a irmã de Otamendi, embora ele ainda não o soubesse.

— Eu é que estava a andar? Tu é que apareceste do nada, ó lampiã! — retorquiu Richard, usando a gíria que tinha aprendido recentemente sobre os adeptos do clube, mas num tom provocador.

— Lampiã com muito orgulho, já tu... deves ser algum brasileiro falsificado que se perdeu a caminho do treino — disparou Nayara, cruzando os braços. — Sabes quem eu sou?

— Não sei e não quero saber. Só sei que estragaste a minha camisa — Richard limpava o tecido, enquanto Nayara bufava de raiva.

— Pois fica a saber que tens muita sorte de eu não contar ao meu irmão que me andas a insultar.

Aquele foi o início de uma guerra particular. Durante todo o almoço, trocaram olhares de desprezo e farpas constantes. Mas, como o destino gosta de pregar partidas, a "inimizade" rapidamente se transformou numa tensão elétrica que nenhum dos dois conseguia ignorar. Passaram-se semanas e os encontros casuais tornaram-se encontros marcados. O problema? Otamendi tinha uma regra de ouro: ninguém do plantel tocava na sua irmã.

O namoro começou às escondidas, entre mensagens trocadas durante as concentrações e beijos roubados nos corredores da Luz. No entanto, o segredo tinha os dias contados.

Numa tarde de treino intenso, Richard pediu para ir ao balneário mais cedo, alegando um desconforto muscular. Nayara, que tinha ido levar umas chaves ao irmão, aproveitou a oportunidade para o encontrar. O que eles não esperavam era que Otamendi, desconfiado com a demora do colega, decidisse ir ver o que se passava.

Ao abrir a porta do balneário, o mundo de Otamendi parou. Richard e Nayara estavam encostados aos cacifos, num beijo apaixonado que não deixava margens para dúvidas.

— MAS QUE MERDA É ESTA? — O grito de Otamendi ecoou pelas paredes de azulejo.

Richard separou-se bruscamente de Nayara, protegendo-a instintivamente.

— Nico, espera, eu posso explicar... — começou Richard, com o coração a bater a mil.

— Explicar o quê? — Otamendi avançou, com o rosto vermelho de fúria e os punhos cerrados. — Eu disse-te, Ríos! Eu disse que a minha família era sagrada!

O capitão partiu para cima do colombiano, mas a porta abriu-se novamente e Leandro Barreiro, Pavlidis e Florentino entraram a correr, tendo ouvido os gritos.

— Calma, Nico! Larga-o! — gritou Barreiro, agarrando o argentino pelos ombros enquanto Richard recuava, mantendo Nayara atrás de si.

— Sai daqui, Nayara! Vai para casa agora! — ordenou Otamendi, a voz rouca de raiva. — E tu, Ríos... tu estás morto para mim.

Quatro dias depois, o Benfica viajava para defrontar o Tondela. O ambiente no autocarro era fúnebre. A discussão no balneário tinha fragmentado a equipa. O treinador tentara apaziguar os ânimos, mas a tensão entre o capitão e o médio era palpável.

A primeira parte do jogo foi um desastre. O Benfica, habitualmente dominador, parecia uma equipa de amadores. Richard não passava a bola a Otamendi, e Otamendi ignorava as movimentações de Richard, deixando o meio-campo desprotegido. O intervalo chegou com o marcador em 0-0 e o público descontente.

No balneário, a bomba explodiu.

— Estás a dormir, Ríos? — rugiu Otamendi, atirando uma garrafa de água ao chão. — Se passasses a bola em vez de estares a pensar na minha irmã, talvez já estivéssemos a ganhar!

— A culpa é tua, Otamendi! — Richard levantou-se, peito com peito com o capitão. — Estás tão focado em controlar a vida da Nayara que te esqueceste de como se joga futebol! Estás velho e lento, é por isso que eles passam por ti!

A paciência de Otamendi esgotou-se. O capitão desferiu um empurrão violento em Richard, que revidou de imediato. Em segundos, os dois estavam agarrados, trocando insultos e tentativas de agressão enquanto o resto do plantel tentava desesperadamente separá-los.

— JÁ CHEGA! — A voz do treinador cortou o caos como uma chicotada.

O silêncio instalou-se, apenas interrompido pela respiração ofegante dos dois jogadores. O treinador olhou para eles com um desprezo que doeu mais do que qualquer soco.

— Vocês os dois são uma vergonha para esta camisola. Acham que são maiores que o Benfica? — O treinador apontou para o banco de suplentes. — Ríos, Otamendi... fiquem aí sentados o resto do jogo. Estão castigados. Não quero ver nenhum de vocês em campo.

O Benfica acabou por vencer o jogo por 2-0, com golos de Leandro Barreiro e Pavlidis na segunda parte, mas a vitória teve um sabor amargo. A imprensa não falava de outra coisa senão da rutura entre as duas estrelas.

Passaram-se alguns dias. O treino seguinte no Seixal foi marcado por um silêncio desconfortável. Richard e Otamendi continuavam a "picar-se" em cada exercício, com entradas mais duras e comentários sarcásticos. O treinador, farto daquela situação que ameaçava a época, decidiu intervir de forma drástica. Chamou os dois ao seu gabinete após o treino.

— Eu não vou permitir que o vosso drama pessoal destrua o balneário — disse o treinador, de braços cruzados. — Ou vocês se resolvem agora, aqui dentro, ou nenhum de vocês volta a ser convocado enquanto eu for o treinador deste clube.

Os dois jogadores olharam-se. O silêncio prolongou-se por minutos. Richard foi o primeiro a falar, baixando a guarda.

— Nico... eu sinto muito pela forma como as coisas aconteceram. Eu não queria esconder nada de ti, mas eu sabia como ias reagir. Eu gosto mesmo da Nayara. Não é um passatempo, não é uma brincadeira.

Otamendi suspirou, o peso dos seus 38 anos parecendo cair sobre os ombros. Ele olhou para a fotografia da equipa na parede.

— Ela é a minha irmã mais nova, Richard. Eu sempre a protegi de tudo. E ver um colega de equipa, alguém com quem eu divido o campo, a... — Ele fez uma pausa, fechando os olhos. — Foi difícil de aceitar.

— Eu entendo — disse Richard, sinceramente. — Mas o que eu sinto por ela é real. E o que eu sinto por este clube também. Eu não quero que isto nos destrua.

Otamendi olhou para o colombiano por um longo tempo. Viu a sinceridade nos olhos de Richard e lembrou-se da felicidade que tinha visto no rosto de Nayara nos últimos tempos, uma luz que ele não tinha associado ao namorado secreto até aquele momento.

— Se a fizeres sofrer, Richard, não vai haver treinador nem plantel que me impeça de te dar uma lição — disse Otamendi, num tom sério, mas sem a fúria de antes.

Richard esboçou um meio sorriso.

— Eu não vou falhar.

— Então pronto — disse Otamendi, estendendo a mão. — Pelo Benfica. E pela Nayara. Mas se te apanho aos beijos no balneário outra vez, o castigo vai ser pior.

Os dois apertaram as mãos, selando finalmente a paz.

Alguns dias depois, num jantar de família em casa de Otamendi, o clima era finalmente de harmonia. Nayara estava sentada ao lado de Richard, com a mão entrelaçada na dele, enquanto o irmão observava do outro lado da mesa.

— Então, brasileiro falsificado — disse Nayara, provocando o namorado com um sorriso radiante —, parece que agora vais ter de me aturar com a bênção do capitão.

— Pois é, lampiã — respondeu Richard, beijando-lhe a testa. — Mas olha que o capitão é exigente.

Otamendi soltou uma gargalhada curta, levantando o seu copo de vinho.

— Exigente é pouco. Mas se vocês estão felizes... que seja. Só não esperem que eu te passe a bola no próximo jogo se estiveres mal posicionado, Ríos!

— Combinado, capitão! — respondeu Richard, enquanto a mesa se enchia de risos.

A paz tinha voltado à Luz, e o Benfica, agora mais unido do que nunca, estava pronto para conquistar tudo o que viesse pela frente. O amor e o futebol, afinal, falavam a mesma língua.
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