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O dono do morro

Fandom: Não tem.

Creado: 4/5/2026

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Herança de Sangue e Ouro

O sol de final de tarde no Rio de Janeiro batia contra as janelas de vidro blindado da mansão no topo da Rocinha, refletindo um dourado que parecia ostentação pura. Lá dentro, o clima era de uma paz que poucos ousariam desafiar. Guilherme Allegretti estava sentado em sua poltrona de couro legítimo no escritório, o ambiente exalava o cheiro de tabaco caro e madeira. À sua frente, sobre a mesa de carvalho, repousava um fuzil desmontado para limpeza, mas sua atenção não estava na arma.

Seus olhos verdes, afiados como os de um predador, estavam fixos na pequena figura que tentava, sem muito sucesso, escalar suas pernas.

— Papá! — Stella Lyara exclamou, esticando os bracinhos gordinhos. A pequena de um ano e sete meses era a cópia fiel da mãe, mas com os olhos claros de Guilherme.

O dono da Rocinha, o homem que fazia o asfalto tremer com um comando, desmanchou a postura marrenta na hora. Ele guardou a peça da arma na gaveta, trancou-a e pegou a filha no colo, sentindo o cheiro de talco e lavanda.

— Fala, minha Estrelinha. O que tu quer com o coroa, hein? — Guilherme murmurou, a voz rouca e carregada de um carinho que só a família conhecia. Ele beijou o topo da cabeça da menina, ignorando o fato de que Ragnar, o Cane Corso gigante e negro, estava deitado aos seus pés, vigiando cada movimento como uma sombra fiel. Próximo a eles, Theodoro, o filhote de Golden Retriever, tentava morder a orelha de Ragnar, que apenas suspirava com paciência milenar.

A porta do escritório se abriu sem cerimônias. Letícia entrou, e o ar pareceu ficar mais leve. Aos 35 anos, ela continuava parando o morro. O vestido de seda justo realçava cada curva que, mesmo após três gestações, parecia esculpida à mão.

— Eu sabia que ela estava aqui — Letícia disse, com aquele sorriso que ainda desarmava Guilherme depois de quase duas décadas. — Solta a menina, amor. Ela tem que banhar.

Guilherme levantou, os 1,92m de puro músculo e tatuagens se impondo no espaço, mas seus olhos só tinham devoção para a esposa.

— Deixa a princesa aqui mais um pouco, coração. O pai tá com saudade — ele disse, aproximando-se e envolvendo a cintura de Letícia com o braço livre, puxando-a para um selinho demorado. — Tu tá cheirosa pra caralho, sabia?

— Eu sei, meu rabugento — ela riu, dando um tapa leve no ombro dele. — Mas se a gente não descer agora, o Kael e o Bernardo vão acabar com o estoque de lanche da cozinha antes do jantar.

No andar de baixo, o clima era bem mais caótico e carregado de hormônios. Na área da piscina, os gêmeos Allegretti aproveitavam o finalzinho de sol. Ambos de bermuda de tactel, exibindo os corpos de atletas que deixavam qualquer um de queixo caído.

Kaelton, ou apenas Kael para os íntimos, estava sentado na beira da espreguiçadeira, o cabelo platinado brilhando sob a luz. Ele tinha os braços em volta de Lua, que estava sentada entre suas pernas. Kael era o tipo de cara que parecia estar sempre pronto para explodir, mas com Lua, ele era puro dengo.

— Para de me olhar assim, Kael — Lua murmurou, as bochechas coradas. A ascendência chinesa dava a ela um rosto de boneca, mas as curvas do corpo "pera" eram o tormento constante do ciúme de Kael.

— Assim como, docinho? — Ele roçou o nariz no pescoço dela, inalando o perfume doce. — Tu sabe que eu sou louco por tu. Se algum otário olhar demais pra esse teu corpo hoje, eu não respondo por mim.

— Deixa de ser estressado, vida — ela riu, virando-se para dar um beijo rápido nos lábios dele, o que só serviu para Kael apertar mais a cintura dela, possessivo.

Ao lado deles, Bernardo Henrique, o segundo gêmeo, estava jogado em um sofá externo com Merllya. O mullet com luzes estava bagunçado, e ele ostentava o mesmo olhar de "poucos amigos" do pai e do irmão.

— Tá pensando em quê, amor? — Mell perguntou, passando a mão pelos cabelos dele. Os olhos azuis da loira brilhavam de admiração.

— Pensando que o Kael é um chato do caralho — Bernardo respondeu, a voz grave, ganhando um dedo do meio do irmão como resposta. — E pensando que tu tá linda pra porra com esse biquíni, gatinha. Mas se a gente não entrar, minha mãe vai vir aqui buscar a gente pelo ouvido.

— O Bê tem razão — Kael se levantou, puxando Lua junto. — O coroa já deve estar descendo. E tu sabe como o pai fica quando a gente se atrasa pro jantar de família.

Os quatro entraram na casa, rindo e trocando carícias discretas. Na sala de jantar, a mesa já estava posta. Guilherme e Letícia já estavam acomodados, com Stella em um cadeirão ao lado do pai, tentando dar comida para o filhote Theodoro, que pulava ao redor dela.

— Finalmente, né? — Letícia disse, cruzando os braços, mas o olhar era brincalhão. — Sentem logo. Lua, Mell, queridas, fiquem à vontade.

— Valeu, tia — as duas disseram em coro, sentando-se ao lado de seus respectivos namorados.

O jantar correu entre conversas sobre o movimento no morro — que Guilherme fazia questão de manter sob controle absoluto — e as notas dos meninos na escola, que, apesar da marra, eram impecáveis. Guilherme não aceitava nada menos que a excelência.

— Kaelton, Bernardo — Guilherme chamou, a voz séria que instantaneamente fez os dois pararem de brincar com as namoradas. — Amanhã cedo quero os dois comigo no arsenal. Vamos conferir o carregamento que chegou da fronteira. Sem atrasos.

— Pode deixar, pai — Kael respondeu, a expressão fechando-se no modo "trabalho".

— Fechou, coroa — Bernardo completou, ajustando o brinco de argola.

Após o jantar, a casa começou a silenciar. As meninas foram levadas para casa pelos seguranças, sob os protestos de Kael e Bernardo, que queriam que elas ficassem, mas Letícia era rígida com os horários das "noras".

No quarto principal, o clima era outro. Guilherme fechou a porta e trancou-a. Ele se virou para ver Letícia tirando as joias em frente ao espelho. O moreno caminhou até ela, abraçando-a por trás e enterrando o rosto em seu pescoço.

— Finalmente sozinhos, coração — ele sussurrou, as mãos grandes descendo pelas curvas do quadril dela. — O dia foi longo pra caralho.

— Tu tá muito carente hoje, meu bem — Letícia brincou, inclinando a cabeça para dar mais acesso a ele. — É a idade chegando?

Guilherme deu uma risada rouca, mordiscando o lóbulo da orelha dela.

— A idade só me deixou com mais fome de tu, Letícia. Tu sabe que eu não canso dessa tua boceta nem se eu vivesse mil anos.

Ele a virou de frente, pressionando o corpo malhado contra o dela. A diferença de altura era óbvia, mas o encaixe era perfeito. Guilherme a levantou pelas coxas, e ela prontamente entrelaçou as pernas na cintura dele.

— Me fode, amor — ela pediu em um sussurro, os olhos escuros brilhando de desejo. — Estava esperando por isso o dia todo.

— Vou te foder tanto que tu vai esquecer até como se chama, amor — ele prometeu, caminhando em direção à cama king size enquanto suas bocas se encontravam em um beijo urgente, faminto e cheio daquela paixão que, mesmo depois de tantos anos, nunca tinha esfriado.

Enquanto isso, no corredor dos quartos, Kael e Bernardo trocavam as últimas palavras antes de dormirem.

— Amanhã o bagulho vai ser doido — Kael comentou, encostado no batente da porta do irmão. — O pai tá com aquela cara de quem vai cobrar geral.

— Deixa cobrar — Bernardo deu de ombros, com um sorriso de canto. — A gente dá conta. A Rocinha é nossa, Kael. De sangue e de alma.

— É isso. Dorme com Deus, Bê.

— Tu também, Kaelton Matheus.

— Vai se foder, Bernardo! — Kael riu, jogando um chinelo no irmão antes de entrar no próprio quarto, o pensamento já voando para Lua e para o futuro que eles estavam construindo ali, no topo do mundo.
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