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Verdade ou desafio?🩵💜

Fandom: Demon slayer

Creado: 6/5/2026

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Sob as Asas do Silêncio

A noite em que a mansão de Giyu Tomioka se tornou o cenário de um jogo perigoso começou com uma chuva fina, o tipo de garoa que parecia sussurrar segredos contra as janelas de madeira. Shinobu Kocho, a Hashira do Inseto, caminhava com sua elegância habitual, o haori de borboleta flutuando suavemente a cada passo, como se ela não tocasse o chão.

Ela havia sido convidada — ou melhor, ela se convidou — para uma pequena reunião informal. Mitsuri e Obanai já estavam lá, sentados ao redor de uma mesa baixa com uma garrafa de saquê e alguns petiscos. Giyu, o anfitrião relutante, estava sentado em um canto, observando tudo com sua expressão habitual de tédio profundo, embora Shinobu soubesse que, no fundo, ele apreciava a companhia.

— Tomioka-san, você parece tão isolado aí no canto — disse Shinobu, sentando-se ao lado dele com um sorriso radiante que não alcançava totalmente seus olhos astutos. — É por isso que ninguém gosta de você, sabia?

Giyu desviou o olhar, o rosto impassível como uma pedra.

— Eu não estou isolado. Só estou pensando.

— Pensando em como ser mais sociável? — provocou Mitsuri, soltando uma risadinha animada. — Que tal jogarmos algo para animar a noite? Verdade ou Desafio!

Obanai deu de ombros, mas não recusou. Giyu suspirou, sabendo que não tinha escapatória. Shinobu, por outro lado, sentiu uma faísca de diversão percorrer seu corpo. Ela adorava jogos onde podia usar suas palavras como agulhas.

As rodadas iniciais foram leves. Mitsuri teve que confessar seu prato favorito (o que levou dez minutos de explicação), e Obanai foi desafiado a dar um nó em uma corda usando apenas uma mão. Mas, conforme o saquê diminuía na garrafa, a atmosfera na sala mudava. O calor do álcool e a proximidade começaram a derreter as barreiras de gelo que Giyu mantinha ao seu redor.

— Minha vez — disse Shinobu, girando a garrafa vazia. O gargalo parou exatamente na direção de Giyu. — Verdade ou desafio, Tomioka-san?

Giyu olhou para os olhos roxos de Shinobu. Havia algo ali, uma intensidade que ele raramente via por trás da máscara de calma dela.

— Desafio — respondeu ele, com a voz rouca.

Shinobu inclinou a cabeça, um cacho de seu cabelo roxo caindo sobre o ombro.

— Eu te desafio a dizer algo que você nunca teve coragem de me dizer na frente de todos. Ou... — ela fez uma pausa dramática — você pode me levar até o seu quarto e me dizer em particular.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Mitsuri prendeu a respiração, e até Obanai pareceu surpreso com a audácia da Hashira do Inseto. Giyu sentiu o coração martelar contra as costelas. Ele sabia que Shinobu estava jogando, mas havia um convite real em sua voz, uma vulnerabilidade escondida sob a elegância.

Giyu levantou-se lentamente, sua figura alta projetando uma sombra longa sobre o tatame.

— Vamos — disse ele, sem olhar para trás.

Shinobu sorriu para os outros, um sorriso que desta vez era genuíno e um pouco travesso, e seguiu Giyu pelo corredor escuro da mansão. O som de seus passos era abafado pelo tapete, e o cheiro de incenso e madeira antiga preenchia o ar. Quando entraram no quarto de Giyu, ele fechou a porta, isolando os dois do resto do mundo.

O quarto era simples, organizado e silencioso. A luz da lua filtrava-se pelas frestas da janela, iluminando o rosto de Shinobu.

— E então? — perguntou ela, cruzando os braços e deixando o haori de borboleta escorregar levemente pelos ombros. — Qual é a grande confissão que você não podia fazer lá fora?

Giyu não respondeu de imediato. Ele se aproximou dela, parando a apenas alguns centímetros de distância. Ele podia sentir o perfume de flores de glicínia que sempre a acompanhava.

— Você sempre fala demais, Shinobu — disse ele em um sussurro baixo.

— E você fala de menos — retrucou ela, embora sua voz estivesse falhando. — É um equilíbrio perfeito, não acha?

Giyu estendeu a mão, tocando suavemente a bochecha dela. A pele de Shinobu era fria, mas ela estremeceu ao toque dele. O jogo de "verdade ou desafio" havia acabado, e o que restava era algo muito mais real e cru.

— A verdade — começou Giyu, os olhos fixos nos dela — é que eu não suporto a ideia de não ter você por perto. Mesmo quando você está me irritando. Especialmente quando você está me irritando.

Shinobu sentiu seu coração acelerar. Ela sempre soube que havia uma conexão entre eles, uma compreensão mútua nascida de perdas e batalhas, mas ouvir Giyu admitir aquilo era diferente.

— Tomioka-san... — começou ela, mas ele a interrompeu, puxando-a para mais perto.

— Eu não sou bom com palavras, você sabe disso — disse ele, a voz carregada de uma emoção que ele raramente permitia que viesse à tona. — Mas eu sinto... eu sinto que o mundo é um pouco menos vazio quando você está nele.

Shinobu relaxou contra o peito dele, a calma e a elegância dando lugar a uma necessidade profunda de afeto. Ela envolveu os braços em volta do pescoço dele, sentindo o tecido áspero de seu uniforme contra suas mãos.

— Você é um idiota, Giyu — sussurrou ela contra o pescoço dele. — Um idiota solitário que eu amo.

O beijo que se seguiu foi uma explosão de sentimentos contidos. Começou hesitante, como se ambos tivessem medo de quebrar o momento, mas logo se tornou urgente e apaixonado. Giyu a conduziu até a cama, seus movimentos cautelosos, como se estivesse segurando algo precioso e frágil.

Enquanto se deitavam, o haori de borboleta de Shinobu foi deixado de lado, uma mancha de cor contra o lençol escuro. Naquele espaço privado, longe dos demônios e das responsabilidades de serem Hashiras, eles eram apenas dois jovens em busca de conforto um no outro.

— Tem certeza disso? — perguntou Giyu, afastando-se por um segundo para olhar nos olhos dela.

Shinobu sorriu, um sorriso doce e cansado, e puxou-o de volta para si.

— Pela primeira vez na vida, Tomioka-san, eu nunca tive tanta certeza de nada.

A noite continuou lá fora, a chuva batendo ritmicamente no telhado, mas dentro daquele quarto, o tempo parecia ter parado. Entre carícias suaves e confissões sussurradas, a barreira entre o "amigo" e o "amante" desapareceu completamente.

Horas depois, quando a primeira luz cinzenta da manhã começou a aparecer no horizonte, Shinobu estava aninhada nos braços de Giyu. O silêncio entre eles não era mais desconfortável ou tenso; era o silêncio de duas almas que finalmente haviam encontrado um porto seguro.

— Shinobu? — chamou ele baixinho, pensando que ela estivesse dormindo.

— Sim? — respondeu ela, a voz sonolenta.

— Se alguém perguntar sobre o desafio... o que vamos dizer?

Shinobu soltou uma risadinha abafada, fechando os olhos e se aconchegando mais ao calor do corpo dele.

— Vamos dizer que a verdade foi demais para eles lidarem. E que o desafio... bem, o desafio foi a melhor coisa que já me aconteceu.

Giyu sorriu, um gesto raro que apenas Shinobu tinha o privilégio de ver, e beijou o topo da cabeça dela, onde o cabelo roxo se espalhava como pétalas sobre o travesseiro. A noite de jogos terminara, mas para eles, uma nova história estava apenas começando sob as asas do silêncio e do desejo.
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