
← Volver a la lista de fanfics
0 me gusta
Pânico
Fandom: Pânico,slasherrs
Creado: 6/5/2026
Etiquetas
TerrorMisterioThrillerHorror PsicológicoHorror de SupervivenciaCrimenDramaMuerte de PersonajeViolencia GráficaCelos
O Som do Silêncio em Harrisville
A pacata Harrisville nunca foi o tipo de cidade que estampava as capas dos jornais nacionais, mas o corpo de Casey Becker mudou tudo. A loira, conhecida por sua beleza estonteante e uma inteligência que muitos questionavam, fora encontrada pendurada no carvalho secular em frente à sua casa, as entranhas expostas como uma decoração macabra de Halloween que chegou cedo demais. O choque térmico do terror congelou o sangue dos habitantes, e agora, os corredores do Colégio West High exalavam o cheiro metálico do medo.
Glenda Parks caminhava pelo corredor principal com a postura rígida de quem carregava o mundo nos ombros. Como líder de classe, ela sentia que precisava manter a ordem, mesmo que seu próprio estômago estivesse dando nós. Ela odiava filmes de terror; odiava a forma como eles glorificavam a violência gratuita, e agora, a realidade parecia um roteiro de péssimo gosto que ela era obrigada a protagonizar.
— Glenda! Espere! — A voz de Lisa Brooks ecoou, tirando-a de seus pensamentos.
Lisa parecia pálida. Suas sessões de terapia tinham se tornado mais frequentes desde que o clima na cidade pesara, e a lealdade que sentia por Glenda era a única coisa que a mantinha sã.
— Você viu as notícias hoje de manhã? — perguntou Lisa, ajustando a alça da mochila. — O Policial Morph disse que ainda não têm suspeitos.
Glenda suspirou, parando em frente ao seu armário.
— O Policial Morph está tentando não causar pânico generalizado, Lisa. Mas olhe ao redor. Todo mundo é um suspeito agora.
— Menos você — Lisa forçou um sorriso. — Você é certinha demais para segurar uma faca, a menos que seja para cortar um bolo de aniversário.
— Eu não teria tanta certeza sobre o resto da escola — Glenda murmurou, fechando o armário com um estrondo metálico.
Nesse momento, Tyler Brooks se aproximou, envolvendo a cintura de Glenda com um braço possessivo. Ele tinha aquele sorriso de "garanhão" que costumava derreter Glenda, mas hoje, algo parecia forçado. Tyler carregava o peso do abandono da mãe em seus olhos, um trauma que ele escondia atrás de jaquetas de time e flertes baratos.
— Ei, gata. Você está muito tensa — disse Tyler, beijando o topo da cabeça dela. — É só um maluco querendo atenção. Casey era... bem, você sabe, ela não era a pessoa mais esperta do mundo. Provavelmente abriu a porta para o cara.
— Tyler, ela morreu — Lisa disparou, olhando para o irmão com desprezo. — Tenha um pouco de respeito.
— Eu tenho respeito, maninha. Só estou dizendo que não precisamos parar nossas vidas por causa disso. Aliás, vai ter um ensaio no teatro hoje?
— O Gabriel está surtando — respondeu Glenda. — Ele quer transformar o luto da escola em uma peça de vanguarda.
Do outro lado do corredor, uma risada estridente cortou o ar. Lucia Thurman caminhava como se fosse a dona do colégio, acompanhada por suas sombras fiéis, Tina e Anika Sawyer. Lucia era a definição de privilégio: rica, loira e cruel.
— Olha só, se não é a órfã e a louca — disse Lucia, parando na frente de Glenda e Lisa. — Planejando o próximo funeral, Parks? Talvez você devesse pedir dicas para o seu pai, ele parece entender de luto.
Glenda sentiu o sangue ferver. A menção à sua mãe era o botão de autodestruição que Lucia adorava apertar.
— Pelo menos meu pai está presente, Lucia — rebateu Glenda, a voz fria como gelo. — Onde estão os seus? Comprando o seu silêncio em algum resort na Europa?
Lucia estreitou os olhos azuis, mas antes que pudesse responder, Tyler interveio, embora seu olhar tenha demorado um segundo a mais nos lábios de Lucia do que Glenda gostaria de notar.
— Qual é, Lucia, deixa elas em paz — disse Tyler, com um tom que soava mais como um pedido do que uma ordem.
— Você é um fofo, Tyler — Lucia sorriu de forma enigmática, passando a mão pelo ombro dele antes de se afastar com Tina.
Anika Sawyer, no entanto, permaneceu um segundo atrás. Ela revirou os olhos para a atitude da "amiga". Anika era a rebeldia em pessoa, com o cabelo bagunçado e um ódio profundo pelas regras impostas por seu pai, o Diretor Saw.
— Não liga para ela, Glenda — disse Anika, ajeitando o piercing no nariz. — Lucia está apenas nervosa porque o assassino pode preferir loiras.
— Anika! — A voz ranzinza do Diretor Saw ecoou pelo corredor. — Para a sala, agora! E tire essa jaqueta rasgada, você parece uma delinquente.
Anika bufou e saiu andando, mas não antes de trocar um olhar cúmplice com Gustavo Uriana, que estava encostado na parede próxima. Gustavo era o tipo de cara que todo mundo gostava; era bonito, engraçado e tinha uma queda óbvia pela filha do diretor, o que era um convite para o desastre.
— O clima está ótimo, não acham? — ironizou Gustavo, aproximando-se do grupo. — Se o Ghostface aparecer, espero que ele comece pelo Diretor Saw. Aquele homem é um dementador.
— Não brinque com isso, Gustavo — pediu Lisa, abraçando os próprios braços. — Isso não é um filme.
— Para o Gabriel Letsdie, tudo é um filme — comentou Tyler, apontando para o final do corredor.
Gabriel, o diretor do teatro, vinha caminhando com passos dramáticos, carregando um roteiro debaixo do braço. Ele odiava Tyler com todas as suas forças, em parte porque Tyler era tudo o que Gabriel desprezava, e em parte porque Gabriel guardava um sentimento confuso e irritante pelo próprio Tyler, algo que ele tentava enterrar sob camadas de sarcasmo e amor por filmes de terror.
— O horror! O horror puro e absoluto! — exclamou Gabriel, parando diante deles. — Vocês viram a composição da cena do crime? A simetria, o uso do espaço... Casey Becker foi o sacrifício que esta cidade medíocre precisava para acordar.
— Você é um doente, Gabriel — disse Glenda, enojada.
— Eu sou um artista, Glenda. E como artista, eu entendo que o Ghostface está tentando nos dizer algo. Ele não é apenas um matador; ele é um crítico.
— Ele é um assassino — corrigiu o Policial Morph, surgindo por trás de Gabriel. O policial parecia exausto, as olheiras profundas sob o chapéu. — E eu sugiro que todos vocês vão para as suas aulas. O toque de recolher começa às oito. Não quero ninguém na rua.
O grupo se dispersou, mas a tensão permaneceu no ar como uma névoa espessa.
Mais tarde, no vestiário masculino, Tyler estava terminando de se trocar quando sentiu mãos macias cobrirem seus olhos. Ele sorriu, sabendo exatamente quem era.
— Você está sendo muito descuidada — sussurrou Tyler, virando-se para encontrar Lucia Thurman.
— Eu gosto do perigo — respondeu ela, puxando-o pela gola da camisa para um beijo ardente. — Além disso, Glenda é inteligente demais para o próprio bem, mas é cega quando se trata de você.
— Eu me sinto mal por ela — mentiu Tyler, embora o prazer da traição fosse o que realmente o movia. — O pai dela, Maurice, está sendo um fofo, cuidando de tudo, e ela nem imagina que o namorado está...
— Shhh — Lucia o calou com outro beijo. — Não estrague o momento com nomes de pessoas chatas. Me encontre depois do ensaio no teatro.
Enquanto isso, na sala de estudos, Glenda e Lisa tentavam se concentrar nos livros, mas o silêncio da biblioteca era interrompido pelo som da chuva que começava a cair lá fora.
— Você acha que o Tyler está escondendo algo? — perguntou Lisa de repente.
Glenda parou de escrever.
— Por que você diz isso?
— Não sei... ele está estranho. Mais do que o normal. E ele e a Lucia... eu vi como eles se olharam hoje.
— Tyler me ama, Lisa. Ele passou por muita coisa quando a mãe o abandonou. Ele só é... instável às vezes.
— Eu só não quero que você se machuque — disse Lisa, com sinceridade. — Você já perdeu sua mãe. Não quero que perca o chão de novo.
O telefone de Glenda vibrou sobre a mesa. Era um número desconhecido. Ela hesitou antes de atender.
— Alô?
— Olá, Glenda — uma voz distorcida e metálica respondeu do outro lado. — Você gosta de filmes de terror?
O coração de Glenda falhou uma batida. Ela olhou ao redor, mas a biblioteca parecia vazia, exceto por Lisa, que a observava com preocupação.
— Quem é? — perguntou Glenda, a voz trêmula.
— Alguém que sabe que você odeia o gênero. Mas sabe o que é engraçado sobre o terror, Glenda? Ele não se importa se você gosta dele. Ele vem até você de qualquer maneira.
— É uma brincadeira do Gabriel, não é? Gabriel, se for você, eu vou te matar!
— O Gabriel está ocupado ensaiando a morte de alguém — a voz riu, um som seco e assustador. — Mas você... você é a líder. Você deveria saber as regras. Regra número um: nunca pergunte "quem está aí?".
— Desligue isso, Glenda — sussurrou Lisa, percebendo a palidez da amiga.
— Eu vou chamar a polícia — ameaçou Glenda.
— O Policial Morph não conseguiu salvar a Casey. O que te faz pensar que ele salvaria a garota que se recusa a ver o que está bem debaixo do próprio nariz? O Tyler manda lembranças, Glenda. Ou melhor... a Lucia manda.
A ligação caiu. Glenda ficou olhando para a tela do celular, o suor frio escorrendo por sua nuca.
— O que ele disse? — perguntou Lisa, levantando-se.
— Ele sabia sobre o Tyler e a Lucia — sussurrou Glenda, as lágrimas começando a arder em seus olhos. — E ele disse que o horror está vindo.
Longe dali, no auditório escuro da escola, Gabriel Letsdie estava sozinho no palco, ajustando a iluminação. As luzes vermelhas criavam sombras longas e distorcidas nas cortinas de veludo.
— Ficou perfeito — murmurou Gabriel para si mesmo. — A tragédia em três atos.
De repente, um movimento nas sombras do fundo do palco chamou sua atenção. Uma figura alta, vestindo um manto negro e uma máscara branca e alongada, observava-o imóvel.
— Ah, muito engraçado, Gustavo! — gritou Gabriel, rindo. — O figurino ficou ótimo, mas eu não pedi para você testar agora.
A figura não respondeu. Em vez disso, ela inclinou a cabeça para o lado e puxou uma faca de caça de dentro do manto. O brilho da lâmina sob a luz vermelha era real demais.
— Gustavo? — o sorriso de Gabriel desapareceu. — Não tem graça, cara.
A figura começou a caminhar lentamente em sua direção, o som dos passos ecoando no palco de madeira. Gabriel recuou, tropeçando em um cabo de luz.
— Diretor Saw? É o senhor?
O Ghostface investiu com uma velocidade surpreendente. Gabriel gritou, correndo para os bastidores, mas a porta estava trancada. Ele se virou, ofegante, enquanto o assassino cercava sua presa.
— Por favor... — implorou Gabriel. — Eu amo filmes de terror! Eu conheço todas as regras!
O assassino parou por um segundo, a máscara inexpressiva encarando o jovem diretor. Então, com um movimento rápido, o Ghostface limpou a lâmina na palma da mão enluvada.
— Em Harrisville — a voz distorcida ecoou pelo sistema de som do teatro —, as regras mudaram.
O grito de Gabriel foi abafado pelo som pesado das cortinas se fechando.
Enquanto isso, na delegacia, Maurice Parks abraçava a filha, que acabara de chegar em prantos com Lisa. O Policial Morph anotava os detalhes, mas seus olhos mostravam que ele estava perdendo o controle da situação.
— Vai ficar tudo bem, querida — dizia Maurice, beijando a testa de Glenda. — Eu estou aqui. Ninguém vai tocar em você.
Mas no fundo de sua mente, Glenda sabia que a segurança era uma ilusão. O assassino não estava apenas matando alunos; ele estava destruindo os segredos da cidade, um por um. E ela tinha a sensação de que o segredo de Tyler e Lucia era apenas a ponta do iceberg que afundaria Harrisville em um mar de sangue.
Lá fora, a chuva caía impiedosa, lavando o sangue de Casey Becker do carvalho, mas o cheiro da morte permanecia, impregnado em cada esquina, em cada armário e em cada sorriso falso que os sobreviventes trocavam entre si. O jogo estava apenas começando, e em Harrisville, ninguém era verdadeiramente inocente.
Glenda Parks caminhava pelo corredor principal com a postura rígida de quem carregava o mundo nos ombros. Como líder de classe, ela sentia que precisava manter a ordem, mesmo que seu próprio estômago estivesse dando nós. Ela odiava filmes de terror; odiava a forma como eles glorificavam a violência gratuita, e agora, a realidade parecia um roteiro de péssimo gosto que ela era obrigada a protagonizar.
— Glenda! Espere! — A voz de Lisa Brooks ecoou, tirando-a de seus pensamentos.
Lisa parecia pálida. Suas sessões de terapia tinham se tornado mais frequentes desde que o clima na cidade pesara, e a lealdade que sentia por Glenda era a única coisa que a mantinha sã.
— Você viu as notícias hoje de manhã? — perguntou Lisa, ajustando a alça da mochila. — O Policial Morph disse que ainda não têm suspeitos.
Glenda suspirou, parando em frente ao seu armário.
— O Policial Morph está tentando não causar pânico generalizado, Lisa. Mas olhe ao redor. Todo mundo é um suspeito agora.
— Menos você — Lisa forçou um sorriso. — Você é certinha demais para segurar uma faca, a menos que seja para cortar um bolo de aniversário.
— Eu não teria tanta certeza sobre o resto da escola — Glenda murmurou, fechando o armário com um estrondo metálico.
Nesse momento, Tyler Brooks se aproximou, envolvendo a cintura de Glenda com um braço possessivo. Ele tinha aquele sorriso de "garanhão" que costumava derreter Glenda, mas hoje, algo parecia forçado. Tyler carregava o peso do abandono da mãe em seus olhos, um trauma que ele escondia atrás de jaquetas de time e flertes baratos.
— Ei, gata. Você está muito tensa — disse Tyler, beijando o topo da cabeça dela. — É só um maluco querendo atenção. Casey era... bem, você sabe, ela não era a pessoa mais esperta do mundo. Provavelmente abriu a porta para o cara.
— Tyler, ela morreu — Lisa disparou, olhando para o irmão com desprezo. — Tenha um pouco de respeito.
— Eu tenho respeito, maninha. Só estou dizendo que não precisamos parar nossas vidas por causa disso. Aliás, vai ter um ensaio no teatro hoje?
— O Gabriel está surtando — respondeu Glenda. — Ele quer transformar o luto da escola em uma peça de vanguarda.
Do outro lado do corredor, uma risada estridente cortou o ar. Lucia Thurman caminhava como se fosse a dona do colégio, acompanhada por suas sombras fiéis, Tina e Anika Sawyer. Lucia era a definição de privilégio: rica, loira e cruel.
— Olha só, se não é a órfã e a louca — disse Lucia, parando na frente de Glenda e Lisa. — Planejando o próximo funeral, Parks? Talvez você devesse pedir dicas para o seu pai, ele parece entender de luto.
Glenda sentiu o sangue ferver. A menção à sua mãe era o botão de autodestruição que Lucia adorava apertar.
— Pelo menos meu pai está presente, Lucia — rebateu Glenda, a voz fria como gelo. — Onde estão os seus? Comprando o seu silêncio em algum resort na Europa?
Lucia estreitou os olhos azuis, mas antes que pudesse responder, Tyler interveio, embora seu olhar tenha demorado um segundo a mais nos lábios de Lucia do que Glenda gostaria de notar.
— Qual é, Lucia, deixa elas em paz — disse Tyler, com um tom que soava mais como um pedido do que uma ordem.
— Você é um fofo, Tyler — Lucia sorriu de forma enigmática, passando a mão pelo ombro dele antes de se afastar com Tina.
Anika Sawyer, no entanto, permaneceu um segundo atrás. Ela revirou os olhos para a atitude da "amiga". Anika era a rebeldia em pessoa, com o cabelo bagunçado e um ódio profundo pelas regras impostas por seu pai, o Diretor Saw.
— Não liga para ela, Glenda — disse Anika, ajeitando o piercing no nariz. — Lucia está apenas nervosa porque o assassino pode preferir loiras.
— Anika! — A voz ranzinza do Diretor Saw ecoou pelo corredor. — Para a sala, agora! E tire essa jaqueta rasgada, você parece uma delinquente.
Anika bufou e saiu andando, mas não antes de trocar um olhar cúmplice com Gustavo Uriana, que estava encostado na parede próxima. Gustavo era o tipo de cara que todo mundo gostava; era bonito, engraçado e tinha uma queda óbvia pela filha do diretor, o que era um convite para o desastre.
— O clima está ótimo, não acham? — ironizou Gustavo, aproximando-se do grupo. — Se o Ghostface aparecer, espero que ele comece pelo Diretor Saw. Aquele homem é um dementador.
— Não brinque com isso, Gustavo — pediu Lisa, abraçando os próprios braços. — Isso não é um filme.
— Para o Gabriel Letsdie, tudo é um filme — comentou Tyler, apontando para o final do corredor.
Gabriel, o diretor do teatro, vinha caminhando com passos dramáticos, carregando um roteiro debaixo do braço. Ele odiava Tyler com todas as suas forças, em parte porque Tyler era tudo o que Gabriel desprezava, e em parte porque Gabriel guardava um sentimento confuso e irritante pelo próprio Tyler, algo que ele tentava enterrar sob camadas de sarcasmo e amor por filmes de terror.
— O horror! O horror puro e absoluto! — exclamou Gabriel, parando diante deles. — Vocês viram a composição da cena do crime? A simetria, o uso do espaço... Casey Becker foi o sacrifício que esta cidade medíocre precisava para acordar.
— Você é um doente, Gabriel — disse Glenda, enojada.
— Eu sou um artista, Glenda. E como artista, eu entendo que o Ghostface está tentando nos dizer algo. Ele não é apenas um matador; ele é um crítico.
— Ele é um assassino — corrigiu o Policial Morph, surgindo por trás de Gabriel. O policial parecia exausto, as olheiras profundas sob o chapéu. — E eu sugiro que todos vocês vão para as suas aulas. O toque de recolher começa às oito. Não quero ninguém na rua.
O grupo se dispersou, mas a tensão permaneceu no ar como uma névoa espessa.
Mais tarde, no vestiário masculino, Tyler estava terminando de se trocar quando sentiu mãos macias cobrirem seus olhos. Ele sorriu, sabendo exatamente quem era.
— Você está sendo muito descuidada — sussurrou Tyler, virando-se para encontrar Lucia Thurman.
— Eu gosto do perigo — respondeu ela, puxando-o pela gola da camisa para um beijo ardente. — Além disso, Glenda é inteligente demais para o próprio bem, mas é cega quando se trata de você.
— Eu me sinto mal por ela — mentiu Tyler, embora o prazer da traição fosse o que realmente o movia. — O pai dela, Maurice, está sendo um fofo, cuidando de tudo, e ela nem imagina que o namorado está...
— Shhh — Lucia o calou com outro beijo. — Não estrague o momento com nomes de pessoas chatas. Me encontre depois do ensaio no teatro.
Enquanto isso, na sala de estudos, Glenda e Lisa tentavam se concentrar nos livros, mas o silêncio da biblioteca era interrompido pelo som da chuva que começava a cair lá fora.
— Você acha que o Tyler está escondendo algo? — perguntou Lisa de repente.
Glenda parou de escrever.
— Por que você diz isso?
— Não sei... ele está estranho. Mais do que o normal. E ele e a Lucia... eu vi como eles se olharam hoje.
— Tyler me ama, Lisa. Ele passou por muita coisa quando a mãe o abandonou. Ele só é... instável às vezes.
— Eu só não quero que você se machuque — disse Lisa, com sinceridade. — Você já perdeu sua mãe. Não quero que perca o chão de novo.
O telefone de Glenda vibrou sobre a mesa. Era um número desconhecido. Ela hesitou antes de atender.
— Alô?
— Olá, Glenda — uma voz distorcida e metálica respondeu do outro lado. — Você gosta de filmes de terror?
O coração de Glenda falhou uma batida. Ela olhou ao redor, mas a biblioteca parecia vazia, exceto por Lisa, que a observava com preocupação.
— Quem é? — perguntou Glenda, a voz trêmula.
— Alguém que sabe que você odeia o gênero. Mas sabe o que é engraçado sobre o terror, Glenda? Ele não se importa se você gosta dele. Ele vem até você de qualquer maneira.
— É uma brincadeira do Gabriel, não é? Gabriel, se for você, eu vou te matar!
— O Gabriel está ocupado ensaiando a morte de alguém — a voz riu, um som seco e assustador. — Mas você... você é a líder. Você deveria saber as regras. Regra número um: nunca pergunte "quem está aí?".
— Desligue isso, Glenda — sussurrou Lisa, percebendo a palidez da amiga.
— Eu vou chamar a polícia — ameaçou Glenda.
— O Policial Morph não conseguiu salvar a Casey. O que te faz pensar que ele salvaria a garota que se recusa a ver o que está bem debaixo do próprio nariz? O Tyler manda lembranças, Glenda. Ou melhor... a Lucia manda.
A ligação caiu. Glenda ficou olhando para a tela do celular, o suor frio escorrendo por sua nuca.
— O que ele disse? — perguntou Lisa, levantando-se.
— Ele sabia sobre o Tyler e a Lucia — sussurrou Glenda, as lágrimas começando a arder em seus olhos. — E ele disse que o horror está vindo.
Longe dali, no auditório escuro da escola, Gabriel Letsdie estava sozinho no palco, ajustando a iluminação. As luzes vermelhas criavam sombras longas e distorcidas nas cortinas de veludo.
— Ficou perfeito — murmurou Gabriel para si mesmo. — A tragédia em três atos.
De repente, um movimento nas sombras do fundo do palco chamou sua atenção. Uma figura alta, vestindo um manto negro e uma máscara branca e alongada, observava-o imóvel.
— Ah, muito engraçado, Gustavo! — gritou Gabriel, rindo. — O figurino ficou ótimo, mas eu não pedi para você testar agora.
A figura não respondeu. Em vez disso, ela inclinou a cabeça para o lado e puxou uma faca de caça de dentro do manto. O brilho da lâmina sob a luz vermelha era real demais.
— Gustavo? — o sorriso de Gabriel desapareceu. — Não tem graça, cara.
A figura começou a caminhar lentamente em sua direção, o som dos passos ecoando no palco de madeira. Gabriel recuou, tropeçando em um cabo de luz.
— Diretor Saw? É o senhor?
O Ghostface investiu com uma velocidade surpreendente. Gabriel gritou, correndo para os bastidores, mas a porta estava trancada. Ele se virou, ofegante, enquanto o assassino cercava sua presa.
— Por favor... — implorou Gabriel. — Eu amo filmes de terror! Eu conheço todas as regras!
O assassino parou por um segundo, a máscara inexpressiva encarando o jovem diretor. Então, com um movimento rápido, o Ghostface limpou a lâmina na palma da mão enluvada.
— Em Harrisville — a voz distorcida ecoou pelo sistema de som do teatro —, as regras mudaram.
O grito de Gabriel foi abafado pelo som pesado das cortinas se fechando.
Enquanto isso, na delegacia, Maurice Parks abraçava a filha, que acabara de chegar em prantos com Lisa. O Policial Morph anotava os detalhes, mas seus olhos mostravam que ele estava perdendo o controle da situação.
— Vai ficar tudo bem, querida — dizia Maurice, beijando a testa de Glenda. — Eu estou aqui. Ninguém vai tocar em você.
Mas no fundo de sua mente, Glenda sabia que a segurança era uma ilusão. O assassino não estava apenas matando alunos; ele estava destruindo os segredos da cidade, um por um. E ela tinha a sensação de que o segredo de Tyler e Lucia era apenas a ponta do iceberg que afundaria Harrisville em um mar de sangue.
Lá fora, a chuva caía impiedosa, lavando o sangue de Casey Becker do carvalho, mas o cheiro da morte permanecia, impregnado em cada esquina, em cada armário e em cada sorriso falso que os sobreviventes trocavam entre si. O jogo estava apenas começando, e em Harrisville, ninguém era verdadeiramente inocente.
