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O plano macabro

Fandom: Telenovelas

Creado: 6/5/2026

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Sombras de uma Aliança Maldita

O despertar de Fernando Escandón foi uma descida lenta e torturante de um abismo de névoa escarlate para uma realidade que golpeava suas têmporas com a força de um martelo de ferro. O ar no quarto estava saturado com o cheiro acre de álcool destilado, o rastro pungente de charutos caros e algo mais — um perfume floral excessivamente doce que não pertencia às lembranças puras que ele guardava de Rosa. Seus olhos permaneciam fechados, as pálpebras pesadas como se tivessem sido seladas com chumbo, enquanto sua mente fragmentada tentava reconstruir os destroços da noite anterior. A última imagem nítida era o rosto de mármore de Tadeo na igreja, um baluarte de fé que o expulsara do paraíso, e depois... o fogo da tequila queimando sua garganta em La Malquerida.

Ele sentiu um calor macio pressionado contra seu flanco esquerdo. Um braço delicado repousava sobre seu abdômen, e o peso de uma cabeça descansava em seu peito, os fios de cabelo fazendo cócegas em sua pele nua. Um sorriso involuntário e sombrio esboçou-se em seus lábios ressecados. Em seu delírio pós-embriaguez, ele acreditou, por um segundo fugaz e desesperado, que o milagre havia acontecido. Rosa voltara. Rosa, sua esposa, sua obsessão, o único anjo capaz de caminhar ao lado de um demônio como ele, estava ali, buscando o calor de seu corpo após uma noite de reconciliação que ele não conseguia recordar. Ele a acolheu, movendo o braço com uma lentidão possessiva para apertar aquela figura contra si, aspirando o que esperava ser o aroma de chuva e rosas de sua amada.

Mas o feitiço quebrou-se antes mesmo de seus olhos se abrirem totalmente. O toque era familiar, sim, mas carregava uma eletricidade suja, uma urgência predatória que Rosa jamais possuiu. Quando Fernando finalmente forçou as pálpebras a se erguerem, a luz pálida da manhã de Puebla invadiu suas retinas como lâminas de vidro. Ele baixou o olhar e o mundo pareceu desmoronar sob seus pés. Não era o rosto angelical de Rosa que repousava sobre seu coração. Era Ruth.

A visão daquela mulher em sua cama, o cabelo negro como asa de corvo espalhado sobre seu peito, as marcas de unhas em seus ombros e a nudez descarada sob os lençóis de seda, provocaram uma reação visceral. Fernando sentiu um gosto de bile subir pela garganta. O choque foi como uma descarga elétrica que percorreu sua espinha, dissipando instantaneamente o torpor da tequila. Com um movimento brusco e violento, ele deu um sobressalto, empurrando o corpo dela para longe de si e saltando da cama, o coração martelando contra as costelas como um animal enjaulado.

— ¿Qué demonios...? — A voz de Fernando saiu como um rosnado rouco, carregado de uma incredulidade que beirava o pavor.

Ruth, despertada pela violência do movimento, espreguiçou-se com uma lentidão felina e obscena. Ela se apoiou nos cotovelos, os lençóis escorregando deliberadamente para revelar a curva de seus seios, e olhou para ele com olhos que brilhavam com uma malícia triunfante. O sorriso que se formou em seus lábios era uma ferida aberta de perversidade.

— Buenos días, mi amor — disse ela, a voz untuosa como veneno destilado. — ¿Por qué tanta prisa? Anoche no parecías tener tantas ganas de huir de mis brazos.

Fernando sentiu as mãos tremerem de fúria. Ele olhou ao redor do quarto, vendo suas roupas espalhadas pelo chão, a desordem que gritava uma intimidade que ele repudiava com cada fibra de seu ser. Como ela ousara? Como ele pudera permitir que aquela harpia profanasse o santuário que ele construíra para Rosa?

— ¡Cállate! — gritou ele, a voz ganhando força enquanto ele tentava processar a magnitude do desastre. — ¿Cómo entraste aquí? ¡Lárgate de mi cama, maldita sea!

Antes que Ruth pudesse responder com mais uma de suas provocações venenosas, o som de passos pequenos e rápidos ecoou no corredor, acompanhado pelo som de uma voz feminina ofegante. O sangue de Fernando gelou. Ele conhecia aqueles passos.

— ¡Papá! ¡Papá, ya es hora! — A voz de Luisito era um hino de inocência que cortava o ar carregado de pecado do quarto. — ¡Dijiste que hoy me enseñarías a montar!

— ¡Luisito, no! ¡Espera, niño! — Era a voz de Eva, carregada de um desespero que indicava que ela sabia exatamente o que poderia encontrar atrás daquela porta.

Fernando mal teve tempo de reagir. A maçaneta girou com a energia impaciente de uma criança. A porta se escancarou, e Luisito entrou correndo, o rosto iluminado por uma expectativa vibrante que morreu no exato instante em que seus olhos captaram a cena. Logo atrás, Eva parou no limiar, o rosto empalidecendo até atingir a cor da cera.

— Santo Dios... — murmurou a governanta, sua voz falhando enquanto o horror se estampava em suas feições.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Luisito parou abruptamente, seus olhos pequenos e puros alternando entre o pai, que estava de pé, seminu e frenético, e a mulher desconhecida que sorria de forma predatória entre os lençóis da cama de sua mãe. O choque no rosto da criança foi como uma punhalada no peito de Fernando, uma ferida que doía mais do que qualquer crime que ele já tivesse cometido.

Eva, agindo por um instinto de proteção quase desesperado, avançou dois passos e cobriu os olhos do menino com as mãos trêmulas. Suas lágrimas começaram a rolar, silenciosas e amargas, enquanto ela olhava para Fernando com uma decepção que o despojava de toda a sua autoridade.

— Vámonos, Luisito... vámonos de aquí — soluçou ela, sua voz saindo em um sussurro quebrado. — Te llevaré a ver los caballos, sí... vamos ahora mismo.

Ela girou o menino com força, arrastando-o para fora do quarto enquanto ele ainda tentava entender o que vira. A porta foi fechada com um baque surdo, mas o eco do "Santo Dios" de Eva continuou a ressoar nas paredes, como uma condenação eterna.

Fernando permaneceu estático, os punhos cerrados com tanta força que as juntas estavam brancas. Ele sentia a repulsa subir como uma maré negra. Ruth, no entanto, não demonstrou um pingo de remorso. Pelo contrário, ela soltou uma risada curta e cristalina, sentando-se na cama com uma arrogância que desafiava a própria morte.

— Vaya... qué entrada tan dramática — comentou ela, ajeitando o cabelo com um gesto de triunfo.

Fernando girou sobre os calcanhares, a fúria explodindo em seus olhos negros. Ele agarrou o lençol da cama, enrolando-o em volta da cintura com um gesto brusco, e avançou sobre ela.

— ¿Qué crees que estás haciendo, Ruth? — sibilou ele, a voz vibrando com um ódio mortal. — ¿Cómo te atreves a permitir que mi hijo veja esta porquería? ¡Te voy a matar!

— ¿Yo? — Ela riu novamente, uma risada que soava como vidro quebrando. — Tú me buscaste, Fernando. Me trataste como si fuera la única mujer en el mundo durante toda la noche. ¿Ahora vas a negar que disfrutaste cada segundo de mi cuerpo?

— ¡Mientes! — berrou ele, a veia em sua testa pulsando violentamente. — ¡Eres una maldita arpía! ¡Yo amo a Rosa! ¡Tú no eres nada para mí!

Em um movimento cego de raiva, Fernando saltou sobre a cama e envolveu o pescoço fino de Ruth com sua mão direita. Seus dedos se fecharam com uma força bruta, apertando a traqueia da mulher até que o rosto dela começasse a mudar de cor, passando do pálido para um vermelho profundo. Os olhos de Ruth se arregalaram, as mãos agarrando o pulso de Fernando em uma tentativa inútil de se libertar, mas ele estava possuído por um demônio de fúria e culpa.

— ¿Qué hiciste? — perguntou ele, o rosto a centímetros do dela, o hálito ainda cheirando a álcool. — ¿Qué veneno pusiste en mi bebida para que terminara así? Sé que tramaste esto. ¡Dime la verdad antes de que te rompa el cuello!

Ruth tentou falar, mas apenas um som sufocado saiu de sua garganta. Fernando a encarou com um olhar que prometia o inferno, mas, no último segundo, a imagem de Rosa chorando na igreja cruzou sua mente. Ele não podia se tornar um assassino vulgar diante dos olhos de Deus e da memória de sua esposa. Com um rosnado de asco, ele a soltou, empurrando-a com força contra o colchão.

Ruth caiu de lado, tossindo violentamente e levando as mãos ao pescoço, tentando recuperar o ar que lhe fora roubado. Fernando deu as costas a ela, caminhando até a janela e apoiando as mãos no parapeito, a respiração pesada e errática. Seu pensamento era um turbilhão. Rosa. O que aconteceria quando a notícia dessa manhã chegasse aos ouvidos dela? Eva certamente contaria. E Tadeo... o padre usaria aquilo como a prova final da podridão de sua alma.

— Fernando... escúchame — disse Ruth, a voz ainda rouca pela agressão, mas recuperando rapidamente sua cadência manipuladora.

Ele não se virou. O silêncio dele era como uma tempestade contida.

— Podemos ser más, Fernando — continuou ela, levantando-se da cama e aproximando-se dele com a furtividade de uma serpente. — Rosa es débil. Una tonta sentimental que solo te trae problemas y debilidad. Tú y yo... somos iguales. Somos de la misma estirpe. Podemos ser los dueños de todo Puebla.

Ela parou logo atrás dele, a mão deslizando cautelosamente pelas costas nuas de Fernando, sentindo a tensão nos músculos dele.

— Tengo un plan — sussurrou ela, o hálito quente em seu ombro. — Podemos deshacernos de ella. Un accidente, una desaparición... nadie sabrá nada. Como con los demás, Fernando. Tú sabes de lo que soy capaz. Seremos libres para gobernar San Agustín sin sombras.

As palavras de Ruth atingiram Fernando como descargas de artilharia. Cada sílaba era um insulto à memória de sua paixão por Rosa, uma profanação do que ele considerava sagrado. Seu sangue ferveu. A vontade de virar-se e esmagar o crânio daquela mulher contra a parede era quase incontrolável. Seus punhos se fecharam até as unhas enterrarem-se na palma das mãos.

Mas então, no meio daquele caos de ódio e desespero, a mente calculista de Fernando Escandón despertou. Ele não era apenas um homem de paixões violentas; ele era um estrategista da dor. Se ele matasse Ruth agora, ele perderia tudo. Se a expulsasse, ela revelaria seus segredos para se vingar. Ele precisava de algo mais refinado. Algo perverso.

Ele precisava que ela acreditasse que tinha vencido.

Fernando relaxou os ombros com uma lentidão teatral. Ele soltou um suspiro longo, como se estivesse finalmente aceitando uma verdade inevitável. Quando ele se virou para encarar Ruth, a fúria em seus olhos havia sido substituída por uma máscara de frieza gélida e um brilho de interesse sombrio. Um sorriso ladino, diabólico e perfeitamente ensaiado, curvou seus lábios.

— Tienes razón — disse ele, a voz agora baixa, firme e carregada de uma promessa que Ruth interpretou como aliança, mas que era, na verdade, sua sentença de morte.

Ruth paralisou, seus olhos brilhando com uma esperança malévola.

— ¿Lo dices en serio? — perguntou ela, um sorriso largo e vitorioso iluminando seu rosto.

— Rosa solo ha sido un estorbo — continuou Fernando, cada palavra saindo como uma mentira impecável que até o próprio diabo aplaudiria. — Me ha vuelto débil, me ha hecho dudar de mi propio poder. Si quieres que gobernemos juntos, si quieres que San Agustín sea nuestro imperio de sombras... entonces Rosa tiene que desaparecer.

Ele deu um passo em direção a ela, fechando a distância. Sua mente gritava de dor por proferir aquelas blasfêmias contra a mulher que amava, mas ele transformou essa dor em combustível para sua atuação. Ele era o mestre do engano, e Ruth seria sua maior vítima.

— Pero tenemos que ser inteligentes — sussurrou ele, segurando o rosto de Ruth com as duas mãos, os polegares acariciando as marcas que ele mesmo deixara em seu pescoço. — No podemos cometer errores.

Ruth, completamente seduzida pela perspectiva de poder e pela crença de que finalmente dobrara o gigante à sua vontade, soltou uma exclamação de prazer. Ela se ergueu de joelhos sobre a cama e envolveu o pescoço de Fernando em um abraço possessivo, puxando-o para um beijo carregado de uma loucura infernal.

Fernando correspondeu. Ele a beijou com uma ferocidade que ela confundiu com paixão, mas que era, no âmago, o selo de um pacto de vingança. Enquanto as mãos dela percorriam seu corpo, Fernando olhava por cima do ombro dela para o vazio do quarto, seus olhos negros fixos em um ponto invisível no horizonte.

Ele a destruiria. Ele a levaria ao topo de suas ambições apenas para empurrá-la para o abismo mais profundo. Ruth Uribe achava que havia capturado o lobo, mas não percebia que acabara de entrar, por vontade própria, na toca do demônio. E quando o momento chegasse, quando ele tivesse Rosa de volta e o caminho estivesse limpo, ele faria Ruth implorar pela morte que ele quase lhe dera naquela manhã.

Por Rosa, ele seria capaz de tudo. Inclusive de fingir que amava o próprio inferno.
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