Fanfy
.studio
Cargando...
Imagen de fondo

Guns n.. girls?

Fandom: Guns n roses

Creado: 9/5/2026

Etiquetas

DramaRecortes de VidaDolor/ConsueloFluffHistoria DomésticaEstudio de PersonajeUA (Universo Alternativo)PoesíaAngustiaCelosRomanceHumor
Índice

O Som do Silêncio e o Rugido do Ruivo

O corredor da escola secundária de Los Angeles cheirava a cera de chão barata, desinfetante e hormônios adolescentes. Para Axl Rose, aquele ambiente era mais aterrorizante do que qualquer estádio lotado com cem mil pessoas gritando seu nome. Ele se sentia um peixe fora d’água, ou melhor, um tubarão em um aquário de peixinhos dourados. Usava óculos escuros para esconder o cansaço da noite anterior no estúdio e uma bandana amarrada na testa, tentando, sem muito sucesso, passar despercebido.

Ele prometera a Evie que a buscaria. Duff o havia provocado pela manhã, dizendo que Axl não conseguiria acordar antes das três da tarde, e Izzy apenas soltara uma fumaça de cigarro lenta, duvidando silenciosamente. Mas Axl estava ali. Ele sempre tentava estar ali, mesmo que sua vida fosse um turbilhão de processos, turnês e brigas de ego.

Ele dobrou o corredor do bloco C, pronto para assobiar e chamar a atenção da filha, quando seus pés estancaram no linóleo.

Lá estava ela. Evie Rose parecia uma pintura de outra década que ganhou vida. Usava um vestido de algodão com estampa floral em tons de mostarda e marrom, uma faixa de camurça prendendo os cachos ruivos volumosos que eram a cópia exata dos dele, e botas de cano alto que Slash a ajudara a escolher em um brechó em Londres. Ela segurava os livros contra o peito, os olhos castanho-dourados brilhando com uma doçura que Axl temia que o mundo destruísse.

E na frente dela, fechando o espaço de forma invasiva, estava um garoto. Um garoto de jaqueta de time, com o braço apoiado no armário, cercando Evie. Ele sorria, e ela retribuía com uma risadinha tímida, as bochechas sardentas ganhando um tom rosado.

O sangue de Axl ferveu instantaneamente. A "sensibilidade extrema" que os críticos tanto mencionavam se transformou em uma possessividade puramente instintiva.

— Mas que p*rra é essa? — rosnou ele, baixinho, antes de marchar pelo corredor.

O som de suas botas de couro batendo no chão ecoou como tiros. Alguns alunos se viraram, reconhecendo a figura icônica, mas Axl não deu a mínima. Ele parou a dois metros do casal, cruzando os braços sobre a camiseta do Alice Cooper.

— Evangeline Rose. — A voz dele saiu grave, carregada de uma autoridade que ele raramente usava em casa, mas que era sua marca registrada no palco.

A menina deu um pulo, os olhos arregalados. O garoto da jaqueta de time se virou lentamente, o sorriso confiante desaparecendo conforme seus olhos subiam do cinto de fivela de Axl até o rosto tenso do vocalista mais perigoso do mundo.

— Pai! — Evie exclamou, a voz oscilando entre a surpresa e o pavor absoluto. — Você... você chegou cedo.

— Pelo visto, cheguei na hora exata — disse Axl, retirando os óculos escuros para fixar seus olhos azuis glaciais no rapaz. — E quem é o projeto de Tom Cruise aqui?

O garoto engoliu em seco. Ele era pelo menos uma cabeça mais alto que Axl, mas parecia estar encolhendo diante da aura de fúria contida do ruivo.

— Eu... eu sou o Tyler, senhor — gaguejou o jovem. — Eu só estava ajudando a Evie com... com a matéria de história.

— História, é? — Axl deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal de Tyler. — Engraçado. Eu não sabia que precisava ficar a cinco centímetros do rosto de alguém para explicar a Guerra Civil. A menos que você estivesse tentando sussurrar algum segredo de estado no ouvido dela.

— Pai, para com isso! — Evie interveio, o rosto agora vermelho de pura vergonha. — Nós só estávamos conversando. O Tyler é legal.

— Legal? O Steven é legal. O Duff é aceitável. Esse aqui parece que saiu de um comercial de pasta de dente — retruquou Axl, sem desviar os olhos do garoto. — Escuta aqui, Tyler. Você sabe quem eu sou?

O garoto assentiu freneticamente.

— Ótimo. Então você sabe que eu tenho problemas de temperamento, uma coleção de facas e quatro amigos que são muito menos pacientes do que eu. Se eu vir esse seu braço esticado perto dela de novo, eu vou garantir que você só consiga tocar triângulo na banda da escola pelo resto da vida. Fui claro?

— Sim, senhor! Com licença, Evie. Tchau! — O garoto praticamente saiu correndo, os tênis derrapando no chão polido.

Evie ficou parada, em silêncio por um segundo, antes de soltar um suspiro longo e dramático. Ela ajustou a bolsa no ombro e começou a caminhar em direção à saída, ignorando o pai.

— Evie! Ei, volta aqui! — Axl a seguiu, tentando manter o passo. — Eu te protegi! Aquele moleque tinha cara de quem não sabe a diferença entre Led Zeppelin e uma geladeira.

— Você é impossível! — ela exclamou, empurrando as portas duplas da escola e saindo para o sol da tarde de Los Angeles. — Ele ia me convidar para o baile de primavera, Axl!

— Exatamente! — ele gritou de volta. — Bailes de primavera levam a carros estacionados em lugares escuros, que levam a... a coisas que eu não quero pensar! E não me chame de Axl quando estiver brava, eu sou seu pai.

— Às vezes você age como se fosse meu dono — ela disse, parando ao lado da limusine preta que os esperava. — O tio Slash nunca faria isso. Ele só perguntaria se o garoto tem bom gosto para discos.

Axl bufou, abrindo a porta para ela.

— O Slash é um relaxado. E o Duff passaria o tempo todo tentando ensinar o garoto a tocar baixo. Eu sou o único que mantém a guarda aqui.

O caminho de volta para a mansão foi silencioso. Evie cruzou os braços e olhou pela janela, observando as palmeiras da Sunset Boulevard passarem como vultos. Axl, por sua vez, sentia o remorso começar a rastejar. Ele sabia que era intenso demais. Ele sabia que sua proteção beirava a paranoia, mas quando olhava para Evie, ele não via apenas uma adolescente de dezesseis anos; ele via a única coisa pura que já havia acontecido em sua vida caótica.

Quando chegaram em casa, o caos habitual os recebeu. O som de uma linha de baixo distorcida vinha da sala de ensaios no porão — Duff e Slash estavam claramente trabalhando em algo. Izzy estava sentado na varanda, lendo um livro com um cigarro apagado no canto da boca, e Steven estava na cozinha, provavelmente tentando fazer algo comestível que terminaria em um incêndio.

Evie entrou como um furacão, passando por Izzy sem dizer oi.

— Alguém está de mau humor — comentou Izzy, sem tirar os olhos das páginas. — O que você fez dessa vez, William?

Axl se jogou na poltrona de couro ao lado dele, passando as mãos pelo rosto.

— Eu salvei a vida dela de um predador de jaqueta de time. E ela me odeia por isso.

— Ele só estava conversando com ela, Axl? — perguntou Duff, surgindo do corredor com o baixo ainda pendurado no pescoço e uma lata de cerveja na mão.

— Ele estava respirando o mesmo oxigênio que ela! — Axl se levantou, gesticulando dramaticamente. — Vocês não entendem. Ela é delicada. Ela gosta de flores, de discos de vinil velhos e de filmes em preto e branco. Ela não pertence a esse mundo de garotos idiotas que só pensam em... em...

— Em exatamente o que você pensava quando tinha a idade dele? — Slash apareceu atrás de Duff, a cartola ligeiramente inclinada sobre os olhos, segurando uma garrafa de Jack Daniel’s pela metade.

Axl lançou um olhar mortal para o guitarrista.

— Isso é diferente. Eu era um delinquente de Indiana. Aquele garoto era um... um nada.

— Você está sufocando a menina — disse Steven, entrando na sala com um prato de biscoitos queimados. — Ela tem dezesseis anos, cara. Nessa idade, eu já tinha sido expulso de três escolas e...

— Exatamente o meu ponto! — interrompeu Axl. — Eu não quero que ela chegue perto de ninguém que lembre qualquer um de nós!

Um silêncio pesado caiu sobre a sala. Os membros da banda se entreolharam. Eles sabiam que, por trás da agressividade de Axl, havia um medo profundo de que Evie descobrisse as partes mais sombrias de suas vidas e decidisse que não queria fazer parte daquilo. Eles a criaram em uma bolha, uma mistura estranha de excessos do rock e uma superproteção quase vitoriana.

— Ela é uma Rose, Axl — disse Izzy, finalmente fechando o livro. — Ela tem o seu sangue. Você pode cercar a casa com arame farpado, mas ela ainda vai encontrar um jeito de ver o sol. E, honestamente? Ela é mais inteligente que todos nós juntos. Ela sabe se cuidar.

Axl não respondeu. Ele caminhou até o quarto de Evie e parou diante da porta fechada. Ele conseguia ouvir o som abafado de um disco de Janis Joplin tocando lá dentro. Era "Me and Bobby McGee". Ele encostou a testa na madeira da porta.

— Evie? — chamou ele, a voz agora suave, sem rastro do rockstar furioso do corredor da escola.

— Vai embora, pai.

— Eu trouxe chocolate. Daquele que você gosta, da loja suíça.

Houve um momento de hesitação, e então o som da agulha sendo retirada do disco ecoou. A porta se abriu apenas uma fresta. Evie olhava para ele com os olhos marejados, o que fez o coração de Axl apertar mais do que qualquer crítica negativa da Rolling Stone jamais faria.

— Você me envergonhou na frente de todo mundo — sussurrou ela. — Ele nunca mais vai falar comigo.

— Se ele for homem o suficiente, ele vai — disse Axl, estendendo a barra de chocolate. — E se ele não for, ele não merece nem o seu "olá".

Evie pegou o chocolate, mas não abriu espaço para ele entrar.

— Você não pode brigar com o mundo inteiro por mim.

— Eu posso tentar — respondeu ele, com um meio sorriso triste. — Olha, eu sei que eu sou um desastre. Eu sei que eu grito quando deveria falar baixo e que eu vejo inimigos em cada esquina. Mas é que... você é a única coisa que eu fiz certo, Evie. Todo o resto é barulho. Você é a melodia.

Evie suspirou, abrindo a porta e dando espaço para ele sentar na beirada da cama, que era coberta por colchas de retalhos e almofadas de veludo. O quarto dela era o seu santuário, cheio de pôsteres de festivais de jazz e fotos antigas de Hollywood.

— O Tyler é só um garoto, pai. Ele gosta de poesia. Ele me deu um livro do Byron.

Axl sentiu um tique nervoso no olho ao ouvir o nome de um poeta romântico, mas respirou fundo.

— Poesia, hein? — Ele forçou um tom de voz neutro. — Bom, pelo menos não é um catálogo de peças de carro. Mas se ele começar a escrever versos para você, eu quero ler primeiro. Para garantir que a métrica está correta.

Evie soltou uma risada curta, limpando uma lágrima solitária.

— Você é impossível.

— Eu sou o seu pai. É a minha descrição de cargo. — Ele a puxou para um abraço desajeitado. — Só... tente não crescer tão rápido, ok? O Slash ainda está tentando te ensinar o solo de "Sweet Child O' Mine" e o Duff quer que você aprenda economia para não acabar falida como nós no começo.

— Eu já sei o solo, pai — disse ela, encostando a cabeça no ombro dele. — Só não conto para o Slash para ele não ficar convencido.

Axl riu, um som raro e genuíno que iluminou seu rosto.

— Essa é a minha garota.

Lá embaixo, na sala, o resto da banda ouviu a risada e relaxou. Slash voltou a dedilhar sua Gibson, Duff abriu outra cerveja e Steven finalmente conseguiu comer um biscoito sem quebrar um dente.

— Ele vai enlouquecer quando ela começar a dirigir — comentou Duff.

— Ele vai enlouquecer quando ela trouxer o primeiro namorado para jantar — corrigiu Izzy. — E eu vou pagar para ver isso.

— Eu aposto cem dólares que o Axl tenta subornar o garoto para ele sumir no primeiro quarto de hora — disse Slash, com um sorriso escondido pelos cabelos.

No andar de cima, alheia às apostas dos "tios", Evie Rose olhava para o pai e via o homem que o mundo temia, mas que para ela era apenas o ruivo teimoso que tentava, todos os dias, aprender a ser a âncora em um mar que ele mesmo agitava. Ela sabia que o caminho não seria fácil, e que haveria muitas outras brigas em corredores de escola, mas enquanto Janis Joplin cantava sobre a liberdade, Evie sentia que, entre o caos e o rock n' roll, ela estava exatamente onde deveria estar.
Índice

¿Quieres crear tu propio fanfic?

Regístrate en Fanfy y crea tus propias historias.

Crear mi fanfic