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No casamento..?

Fandom: Batfamily (DC)

Creado: 9/5/2026

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O Retorno da Ovelha Negra (e do Pequeno Lobo Russo)

Gotham City sempre teve um cheiro específico: uma mistura de chuva ácida, asfalto molhado e segredos mal enterrados. Evangeline Wayne inspirou profundamente assim que o jato particular pousou, sentindo um calafrio familiar subir pela espinha. Não era medo. Era aquela sensação de quem entra em um ringue de boxe sabendo exatamente onde estão as cordas.

— Sabe, Dmitri, eu quase esqueci como o céu aqui é permanentemente cinza — comentou Eva, ajustando o sobretudo de lã sobre os ombros. — É como se o sol tivesse processado a cidade por difamação e se recusasse a aparecer.

Dmitri Volkov, parado ao lado dela com a postura de quem poderia derrubar um prédio apenas com o olhar, soltou uma risada baixa e rouca. Ele carregava uma bolsa de viagem em uma mão e, com o outro braço, equilibrava uma pequena criatura loira que parecia muito interessada em tentar comer o botão da sua farda militar de gala.

— É uma atmosfera... dramática, dorogaya — Dmitri respondeu, sua voz sendo um barulho profundo e reconfortante. — Combina com as histórias que você me contou sobre seu irmão.

— Bruce não é dramático, ele é o próprio roteiro de uma tragédia grega — Eva deu um sorriso debochado, ajeitando a franja lateral que insistia em cair sobre seus olhos azuis cristalinos. — Mas hoje ele é apenas um noivo. Um noivo muito, muito surpreso.

Ela olhou para o filho. Nikolas, com apenas dois anos, tinha herdado os cabelos loiros e lisos do pai, mas os olhos eram puramente Wayne: um azul-acinzentado que parecia analisar o mundo com uma seriedade quase cômica para uma criança daquela idade. Ele não chorava, não fazia birra; apenas observava tudo com uma melancolia herdada que Eva jurava ser genética.

— Pronto para conhecer seus primos, Kolya? — Eva acariciou o rosto do filho. — Eles são um pouco... intensos. Imagine um circo, mas com facas reais e traumas de infância.

O trajeto até a Mansão Wayne foi feito em um silêncio confortável, interrompido apenas pelas tentativas de Nikolas de dizer "Gotham", que acabavam soando como algo próximo a "Gootam". Quando o carro finalmente parou diante dos portões de ferro forjado, Eva sentiu o peso do sobrenome Wayne retornar aos seus ombros. Ela havia doado bilhões, vivido em vilas russas e dormido em tendas militares, mas aquela casa... aquela casa sempre seria o seu fantasma particular.

Ao entrarem no grande hall, o som dos saltos de Eva ecoou no mármore. Não demorou dois segundos para que a primeira "sentinela" aparecesse.

Dick Grayson desceu o corrimão da escada com uma agilidade que faria um gato ter inveja, parando abruptamente no último degrau. Seus olhos se arregalaram.

— Eu não acredito... — Dick sussurrou, antes de abrir um sorriso que poderia iluminar Gotham inteira. — Eva?!

— Cuidado para não babar no tapete, Dickie. Alfred acabou de encerar, eu presumo — Eva abriu os braços, aceitando o abraço esmagador do sobrinho de consideração.

— Você sumiu! — Dick a soltou, olhando-a de cima a baixo. — Você está... diferente. Mais...

— Russa? — ela sugeriu, apontando para o marido atrás dela.

Dmitri deu um passo à frente, estendendo a mão com uma formalidade impecável.

— Dmitri Volkov. É um prazer finalmente conhecer o "coração" da família.

Dick apertou a mão dele, visivelmente impressionado pelo tamanho do homem, mas seus olhos logo caíram para o pequeno ser loiro nos braços de Dmitri.

— Espera... isso é um... um mini-Wayne? — Dick apontou, chocado.

— Tecnicamente, ele é meio Volkov — Eva sorriu, pegando Nikolas no colo. — Diga olá para o seu primo barulhento, Nikolas.

Nikolas olhou para Dick com uma seriedade profunda, inclinou a cabeça e disse uma única palavra em russo que fez Eva rir e Dmitri tossir para disfarçar o riso.

— O que ele disse? — Dick perguntou, curioso.

— Que você se move muito rápido e isso é suspeito — Eva traduziu, piscando.

— Gostei dele — uma voz rouca veio das sombras do corredor. Jason Todd apareceu, encostado em uma pilastra, com os braços cruzados. — Ele tem o olhar de quem já viu coisas demais para alguém que ainda usa fraldas.

— Jason — Eva sorriu, genuína. — Ainda usando o visual de "bad boy incompreendido"?

— É um clássico, não se mexe no que está ganhando — Jason se aproximou, cumprimentando Dmitri com um aceno de cabeça respeitoso e dando um toque de leveza no topo da cabeça de Nikolas. — E aí, garoto. Bem-vindo ao manicômio.

A reunião foi interrompida pelo som de passos pesados e lentos. No topo da escada, Bruce Wayne apareceu. Ele não usava o capuz, mas a aura de Batman estava lá, presente em cada linha de seu rosto cansado. Ao ver a irmã, ele parou. O tempo pareceu congelar.

Eva não recuou. Ela sustentou o olhar do irmão com aquela ironia afiada que sempre fora sua melhor armadura.

— Você demorou para casar, Bruce — ela disse, sua voz ecoando pelo hall. — Achei que eu teria que voltar para o seu funeral antes de voltar para o seu casamento.

Bruce desceu as escadas lentamente. Ele ignorou as piadas, ignorou o sarcasmo. Ele parou diante dela e, por um breve momento, o bilionário frio desapareceu.

— Você voltou — foi tudo o que ele disse.

— Eu disse que viria se você fizesse algo estúpido — ela sorriu, indicando o anel de noivado que ele provavelmente daria a Selina. — Casar se encaixa na categoria.

Bruce então olhou para Dmitri. O escrutínio foi intenso. Dois homens que conheciam a violência de formas diferentes se medindo em silêncio. Dmitri não baixou o olhar; ele apenas inclinou a cabeça, reconhecendo o alfa daquela casa, mas deixando claro que sua lealdade pertencia à mulher ao seu lado.

— Bruce Wayne — disse Dmitri. — Eva fala muito de você. Nem tudo é elogio, devo admitir.

— Eu imagino que não — Bruce respondeu, e então seus olhos pousaram em Nikolas.

O choque no rosto de Bruce foi quase imperceptível para qualquer um, menos para Eva. O pequeno Nikolas, sentindo a intensidade do homem à sua frente, esticou a mãozinha e tocou o queixo de Bruce, analisando a barba por fazer com uma expressão de profunda desaprovação russa.

— Ele acha que você precisa de um barbeiro — Eva brincou.

— Ele tem os seus olhos — Bruce murmurou, e por um segundo, seus dedos tocaram a mão pequena do sobrinho. — E o cabelo do pai.

— Ele tem a melancolia de Gotham e a disciplina de Moscou — Dmitri acrescentou. — É uma combinação perigosa.

Nesse momento, Tim Drake e Damian Wayne apareceram. Tim carregava um tablet e parecia ter esquecido como se respira ao ver Eva. Damian, por outro lado, caminhava com a coluna tão reta que parecia ter engolido uma espada.

— Tia Evangeline — Damian disse, parando a uma distância segura. — Meus informantes disseram que você havia renunciado ao seu legado por uma vida de servidão militar na Sibéria.

— "Informantes"? — Eva riu. — Você quer dizer que o Bruce fofocou sobre mim enquanto você treinava com katanas? E não foi servidão, Damian. Foi escolha. Há uma diferença que eu adoraria te explicar um dia, se você conseguir ficar parado por cinco minutos.

— Ela é exatamente como as fotos — Tim comentou, ajustando os óculos. — Só que... mais intimidadora pessoalmente.

— É o bigode do marido dela, Tim — Jason provocou. — Dá um ar de autoridade.

— O bigode de Dmitri é uma instituição nacional, respeite — Eva defendeu, abraçando o braço do marido.

A tensão inicial começou a se dissipar, substituída pelo caos habitual da família Wayne. Alfred apareceu logo em seguida, com uma bandeja de chá e um brilho nos olhos que ele raramente mostrava.

— Minha querida senhorita Eva — Alfred disse, com a voz levemente embargada. — O seu quarto foi mantido exatamente como a senhorita o deixou. Embora eu tenha tomado a liberdade de adicionar um berço.

— Obrigada, Alfred. Você é o único que realmente manda neste lugar — Eva deu um beijo no rosto do mordomo.

Enquanto Dick tentava ensinar Nikolas a fazer um "high five" (e falhava miseravelmente, já que o menino apenas o olhava como se Dick fosse um espécime biológico curioso), e Jason interrogava Dmitri sobre táticas de guerrilha urbana no frio, Eva se viu sozinha com Bruce por um momento perto da lareira.

— Você parece feliz, Eva — Bruce disse, sua voz baixa.

— Eu estou, Bruce. Pela primeira vez, eu não sinto que preciso carregar o peso de Gotham nas minhas costas. Eu doei o dinheiro, mas mantive a inteligência. E encontrei alguém que vê a Eva, não a "Herdeira Wayne".

Bruce olhou para Selina, que observava a cena de longe, encostada no batente da porta com um sorriso de canto.

— Eu entendo o sentimento — ele admitiu.

— Ela é boa para você? — Eva perguntou, referindo-se a Selina. — Ou ela só quer roubar os diamantes da família? Porque, honestamente, se ela quiser os diamantes, eu ajudo a arrombar o cofre.

Bruce soltou um suspiro que era quase uma risada.

— Ela é o que eu preciso.

— Ótimo. Porque se você a magoar, eu trago o exército do Dmitri para cá e transformamos a Batcaverna em uma sauna russa.

— Eu não duvido disso.

De repente, um estrondo veio da sala de jantar. Nikolas tinha conseguido, de alguma forma, pegar um dos bat-rangues decorativos (ou talvez não tão decorativos) que estava em uma vitrine e agora o examinava com uma curiosidade científica, enquanto Dick e Tim tentavam convencê-lo a devolver sem perderem os dedos.

— Nikolas, nyet! — Dmitri chamou, sua voz de comando fazendo o menino parar instantaneamente.

O pequeno loiro olhou para o pai, olhou para o objeto afiado na mão e depois para Bruce. Com uma calma perturbadora, ele caminhou até o tio e entregou a arma.

— "Spasibo" — Nikolas disse, a primeira palavra clara que Bruce ouviu dele.

— Ele disse "obrigado" — Eva traduziu, orgulhosa.

— Ele é um Wayne, afinal — Bruce murmurou, guardando o bat-rangue no bolso. — Ele sabe quem manda.

— Não se engane, Bruce — Eva piscou, pegando o filho no colo e se preparando para a longa noite de perguntas e memórias que viria pela frente. — Ele é um Volkov-Wayne. Ele não segue ordens. Ele apenas negocia tréguas.

Gotham podia não ter mudado, e a família Wayne continuava sendo o centro de todas as tempestades, mas enquanto Eva olhava para o marido e para o filho cercados pelos seus sobrinhos caóticos, ela percebeu que voltar não era mais sobre enfrentar fantasmas. Era sobre mostrar a eles que era possível sobreviver à escuridão e, de alguma forma, encontrar o sol — mesmo que ele estivesse escondido atrás das nuvens de Gotham e de um bigode russo muito bem aparado.

— Agora — Eva anunciou, elevando a voz para sobrepor o barulho —, quem vai me servir um drink e me contar como o Bruce conseguiu convencer uma mulher inteligente a se casar com ele? Eu quero detalhes sórdidos.

— Eu conto tudo! — Jason exclamou, já puxando uma cadeira.

— Jason, não — Bruce advertiu.

— Jason, sim! — Eva e Dick disseram em uníssono.

A noite estava apenas começando, e Gotham, pela primeira vez em anos, parecia um pouco menos fria para Evangeline Wayne.
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