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Um amor oculto

Fandom: Stray kids

Creado: 12/5/2026

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RomanceRecortes de VidaFluffHumorAmbientación CanonEstudio de Personaje
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Café Amargo e Sorrisos Inesperados

O relógio na parede do corredor da JYP Entertainment parecia zombar de Maya. Eram quase oito da noite, e o silêncio que pairava sobre o andar da diretoria era interrompido apenas pelo som rítmico de seus sapatos contra o piso polido. Maya ajeitou a alça da bolsa e apertou o passo, segurando com firmeza a pasta de documentos que precisava ser entregue na sala do "Grande Chefe".

Aos 23 anos, Maya ainda se sentia uma intrusa naquele mundo de ídolos e executivos. Seus cabelos longos, uma mistura rebelde de ondas e cachos, insistiam em cair sobre seus olhos castanhos enquanto ela lutava contra a timidez que a fazia querer desaparecer toda vez que um elevador se abria. Ela era alegre, sim, e quando estava com Lily, sua melhor amiga, falava até os cotovelos. Mas ali? Ali ela era apenas a assistente administrativa que tentava não tropeçar nos próprios pés.

— Ele ainda está lá? — Maya sussurrou para si mesma, parando diante da porta de madeira escura.

— Se você está falando do Sr. "Eu não durmo há três dias", sim, ele está — uma voz vibrante soou atrás dela.

Maya deu um pulinho, quase derrubando a pasta. Lily estava parada ali, com seus cabelos pretos impecavelmente lisos e um sorriso travesso que indicava que ela estava aprontando algo. Lily era o oposto de Maya: extrovertida, audaciosa e sem nenhum filtro.

— Lily! Você me assustou — Maya levou a mão ao peito, tentando acalmar o coração.

— Deixa de ser medrosa, Maya. É só o Christopher. Ele não morde... bom, a menos que você peça — Lily deu uma piscadela, fazendo Maya corar instantaneamente. — Eu vim trazer o jantar do Seungmin. Aquele rabugento está trancado com o Chan na sala de reuniões.

— O Seungmin também está? — Maya suspirou, sentindo-se um pouco mais aliviada. Kim Seungmin era o braço direito de Christopher Bang, um homem sério, de poucas palavras e um sorriso que aparecia uma vez a cada eclipse lunar. Mas, por algum motivo, ele e Lily viviam em um pé de guerra que cheirava a tensão não resolvida.

— Infelizmente. Vamos logo, antes que eu coma o sanduíche dele no caminho.

As duas entraram na ante-sala. Christopher Chan, ou simplesmente Bang Chan para os íntimos, era conhecido por sua seriedade impecável. Ele era alto, de pele clara e cabelos pretos que ele insistia em alisar, embora Maya tivesse notado algumas ondas naturais escapando perto da nuca em dias de chuva. Por fora, ele era a definição de autoridade. Por dentro... bom, Maya ainda não tinha certeza do que havia por dentro.

— Com licença — Maya disse baixinho, abrindo a porta da sala de reuniões.

O cenário era o de sempre: papéis espalhados, luzes baixas e dois homens que pareciam carregar o peso do mundo nos ombros. Christopher estava inclinado sobre a mesa, os olhos castanhos escuros fixos em um monitor. Seungmin estava ao lado dele, com uma expressão tão neutra que parecia esculpida em gelo.

— Os relatórios que o senhor pediu, Sr. Bang — Maya se aproximou, deixando a pasta sobre a mesa.

Christopher levantou o olhar. Por um segundo, a seriedade em seu rosto vacilou ao encontrar o olhar tímido de Maya. Ele limpou a garganta, ajeitando a postura.

— Obrigado, Maya. Achei que você já tivesse ido para casa.

— Eu queria terminar isso antes de sair — ela respondeu, dando um pequeno sorriso carismático que, sem que ela percebesse, fez o coração de Christopher dar uma batida fora do ritmo.

— E eu trouxe comida, porque se depender de vocês dois, vão morrer de inanição e eu vou perder meu emprego — Lily anunciou, entrando na sala e jogando um pacote de papel em cima de Seungmin.

Seungmin olhou para o pacote e depois para Lily, arqueando uma sobrancelha.

— Você está atrasada dez minutos, Lily. E eu não pedi picles.

— Então tira os picles com a mão, Seungmin. Ou quer que eu mastigue para você também? — Lily retrucou, cruzando os braços.

Christopher soltou um suspiro pesado, mas havia um brilho de diversão em seus olhos.

— Vocês dois não conseguem passar cinco minutos sem brigar?

— Ela começou — disse Seungmin, abrindo o sanduíche com uma precisão cirúrgica.

— Eu terminei! — Lily rebateu. — Maya, vamos embora. Deixa esses dois robôs trabalhando.

Maya riu baixinho, a timidez dando lugar à sua natureza alegre por um momento.

— Eu só preciso organizar essas planilhas rapidinho, Lily. Pode ir indo se quiser.

— Nada disso, eu espero lá fora. Mas se em dez minutos você não sair, eu entro aqui e arrasto você pelos cabelos — Lily avisou, lançando um olhar mortal para Seungmin antes de sair da sala.

O silêncio voltou a reinar, mas era um silêncio diferente. Mais leve. Christopher observava Maya organizar os papéis com uma delicadeza que ele achava fascinante. Ele sempre fora um homem de negócios, focado e rígido, mas havia algo naquela garota de cabelos ondulados que o desarmava.

— Maya? — ele chamou, a voz mais suave do que o normal.

— Sim, Sr. Bang?

— Pode me chamar de Chan. Já disse isso antes — ele deu um sorriso de canto, um daqueles raros momentos em que sua fachada de "chefe sério" caía. — Você trabalha demais. Deveria descansar.

Maya sentiu o rosto esquentar. Ela se soltou um pouco, o que a tornava perigosamente falante.

— Ah, eu não me importo. Gosto de deixar tudo em ordem. Além disso, se eu for para casa agora, a Lily vai me obrigar a assistir aquele reality show de namoro coreano onde todo mundo chora por causa de um arroz mal cozido. Prefiro as planilhas.

Christopher soltou uma risada curta e genuína. Seungmin, que até então parecia ignorar o mundo, levantou os olhos do sanduíche, surpreso ao ouvir o amigo rir.

— Eu entendo o sentimento — disse Christopher. — Mas as planilhas não vão fugir daqui.

— Eu sei. É só que... — ela hesitou, perdendo o contato visual. — Eu gosto de ser útil.

— Você é muito mais do que útil, Maya — Christopher disse, e havia uma intensidade em suas palavras que a fez paralisar.

Seungmin pigarreou, quebrando o momento.

— Se vocês vão começar com o momento sentimental, eu vou para a copa. O cheiro de romance está me dando azia, ou talvez seja o picles que a Lily esqueceu de tirar.

— Deixa de ser ranzinza, Seungmin — Christopher jogou uma caneta no amigo, que se esquivou com facilidade.

Seungmin se levantou e, ao passar por Maya, deu um tapinha amigável em seu ombro. Ele era um ótimo amigo para Christopher, e embora não demonstrasse muito, respeitava a dedicação de Maya.

— Boa sorte com ele, Maya. Ele é teimoso como uma porta — Seungmin disse antes de sair.

Agora, estavam apenas os dois. O ar na sala parecia ter ficado mais denso, mas não de um jeito ruim. Maya terminou de organizar os papéis, sentindo o olhar de Christopher queimando em suas costas.

— Você está bem? — ele perguntou, levantando-se e caminhando até ela.

Christopher era alto, e quando parou ao lado dela, Maya sentiu-se minúscula. O perfume dele, uma mistura de café e algo amadeirado, envolveu seus sentidos.

— Estou. Só um pouco cansada — ela admitiu, olhando para cima.

— Deixe-me ver isso — ele pegou a pasta das mãos dela, mas seus dedos se roçaram no processo.

O toque foi breve, como um choque elétrico. Maya recuou um passo, o coração disparado. Christopher, por outro lado, não desviou o olhar. Ele era um homem gentil e educado com quem amava, e embora ainda não tivesse admitido para si mesmo, Maya estava começando a entrar nesse círculo restrito.

— Maya, eu queria te agradecer — ele começou, a voz baixa. — Por ser tão paciente comigo. Eu sei que sou... difícil às vezes.

— Você não é difícil, Chan — ela disse o nome dele com hesitação, sentindo a doçura da palavra em sua língua. — Você só é dedicado. E um pouco sério demais. Você deveria sorrir mais. Fica bem em você.

Christopher ficou em silêncio por um momento, processando a audácia carinhosa dela. Então, ele sorriu de verdade. Não o sorriso de negócios, mas um sorriso que iluminou seus olhos escuros.

— Vou tentar lembrar disso.

Enquanto isso, do lado de fora da sala, a cena era bem menos poética. Lily estava sentada na mesa da recepção, balançando as pernas, quando Seungmin saiu da sala de reuniões.

— Sobreviveu ao melaço? — Lily perguntou, arqueando uma sobrancelha.

— Quase me afoguei — Seungmin respondeu, sentando-se em uma cadeira próxima. — Por que você é tão barulhenta, Lily?

— E por que você é tão sem graça, Seungmin? — ela rebateu prontamente. — A vida é curta demais para ser um robô de escritório.

Seungmin olhou para ela. Lily tinha uma energia que o irritava e o atraía ao mesmo tempo. Ela era o caos que sua vida organizada não pedia, mas que talvez precisasse.

— Eu não sou um robô. Só sou eficiente.

— Eficiente em ser chato — ela riu, e o som da risada dela fez algo estranho no estômago de Seungmin. — Sabe, eu trouxe aquele sanduíche porque sabia que você não ia parar para comer. Não precisa ser um gênio para ver que você está exausto.

Seungmin desviou o olhar, sentindo as orelhas esquentarem.

— Obrigado. Pelo sanduíche.

— De nada, "eficiente" — Lily saltou da mesa e parou na frente dele. — Agora, me diz: você acha que aqueles dois lá dentro finalmente vão se tocar?

— O Chan é lento para essas coisas. E a Maya é tímida demais — Seungmin suspirou. — Vai levar um tempo.

— Pois eu acho que eles precisam de um empurrãozinho — Lily sorriu maliciosamente. — E talvez a gente também precise.

Seungmin olhou para ela, confuso.

— O que você quer dizer com...

Antes que ele pudesse terminar, Lily se inclinou e deixou um beijo rápido na bochecha dele, deixando-o completamente estático.

— Vamos, Seungmin. Me leva para tomar um café de verdade. Esse sanduíche estava horrível.

— Você que comprou! — ele exclamou, levantando-se e seguindo-a, a confusão em seu rosto sendo substituída por um pequeno, quase imperceptível, sorriso.

Dentro da sala, Christopher e Maya ainda estavam próximos. A tensão inicial tinha se transformado em algo mais confortável.

— Maya? — Christopher chamou novamente.

— Sim?

— Amanhã... — ele hesitou, passando a mão pelo cabelo. — Amanhã não venha trabalhar cedo.

Maya franziu a testa, a preocupação surgindo em seus olhos castanhos.

— Eu fiz algo errado?

— Não! — ele se apressou em dizer. — Pelo contrário. Eu quero que você descanse. E... talvez, se você não tiver planos, eu possa te levar para jantar. Sem planilhas. Sem relatórios.

Maya piscou, surpresa. O Christopher sério e imponente estava ali, na frente dela, visivelmente nervoso por convidá-la para sair. A timidez dela tentou assumir o controle, mas a parte alegre e carinhosa de sua personalidade falou mais alto.

— Eu adoraria, Chan. Mas só se você prometer que não vai falar de trabalho.

Christopher riu, sentindo um peso sair de seus ombros.

— Prometo.

Ele estendeu a mão e, desta vez, não foi um toque acidental. Ele afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, deixando os dedos descansarem por um segundo em sua bochecha. A pele branca de Maya ganhou um tom rosado, mas ela não se afastou.

— Então, está combinado — ele disse suavemente.

— Está combinado.

Maya pegou sua bolsa, sentindo-se mais leve do que nunca. Ao sair da sala, encontrou Lily e Seungmin no corredor, parados em uma discussão acalorada sobre qual cafeteria era a melhor, embora estivessem caminhando lado a lado de um jeito suspeitamente próximo.

— Finalmente! — Lily exclamou ao ver a amiga. — Vamos, Maya. O Seungmin vai pagar o café porque ele perdeu uma aposta imaginária que eu fiz comigo mesma.

— Eu não perdi nada! — Seungmin protestou, mas não se afastou quando Lily entrelaçou o braço no dele.

Maya olhou para trás uma última vez e viu Christopher parado na porta de sua sala, observando-a partir com um olhar que ela nunca tinha visto antes. Era um olhar de promessa.

A noite em Seul estava apenas começando, e para Maya, o caminho de volta para casa parecia muito mais brilhante. Ela sempre fora a menina tímida e alegre que se escondia nos cantos, mas ali, entre corredores de uma empresa de música e o sorriso de um homem sério, ela estava começando a encontrar sua própria melodia.

— Maya, você está sorrindo para o nada? — Lily perguntou, cutucando-a.

— Talvez — Maya respondeu, rindo. — Talvez eu só esteja feliz.

— É o amor, minha amiga. O amor deixa as pessoas bobas — Lily declarou dramaticamente.

— Fala a pessoa que está segurando o braço do Seungmin há dez minutos — Maya rebateu, fazendo Seungmin tossir e Lily rir alto.

O amor, de fato, não precisava ser meloso. Podia ser feito de implicâncias, de cafés tarde da noite, de planilhas organizadas e de sorrisos que surgiam quando menos se esperava. E para Maya e Christopher, aquele era apenas o primeiro capítulo de uma história que estava longe de terminar.
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