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Um romance entre livros e óculos

Fandom: high school musical

Creado: 14/5/2026

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O Ritmo do Coração e o Roteiro Inesperado

O corredor do East High estava mais barulhento do que o normal naquela tarde de terça-feira. O eco das portas dos armários batendo e o burburinho constante sobre o próximo musical de primavera preenchiam o ar. Júlia apertou os livros contra o peito, sentindo o peso da sua mochila e o leve deslizar dos óculos pelo nariz. Ela parou em frente ao seu armário, tentando organizar os pensamentos, mas sua mente, como sempre, estava em outro lugar. Ou melhor, em outra pessoa.

Igor estava a poucos metros dali, rindo de alguma piada que Chad Danforth acabara de contar. Ele era a definição do que Júlia chamava de "charme nerd". Com seus óculos de armação escura que sempre pareciam um pouco tortos e aquele sorriso que iluminava o rosto inteiro, Igor tinha um jeito de ser cavalheiro e engraçado ao mesmo tempo. Ele não era o capitão do time de basquete, nem o protagonista nato como Troy Bolton, mas para Júlia, ele era o único que importava.

— Ei, Juli! — A voz dele a tirou do transe. Igor se aproximou com aquele andar descontraído, a mochila pendurada em apenas um ombro. — Estudando para a prova de química ou planejando como dominar o mundo com sua inteligência superior?

Júlia sentiu as bochechas esquentarem. Ela sorriu, ajeitando os próprios óculos.

— Na verdade, eu estava pensando se o East High sobreviveria se eu decidisse não fazer as anotações do grupo hoje — respondeu ela, tentando manter o tom divertido que sempre usavam um com o outro.

— Impossível — Igor disse, encostando-se no armário vizinho ao dela. — Sem você, o resto de nós estaria perdido em uma nuvem de confusão e notas cinco. Eu, especialmente. Sou um gênio incompreendido que tira notas na média apenas para não intimidar os professores.

Júlia soltou uma risadinha.

— Você é um bobo, Igor.

— Um bobo que sabe onde encontrar a melhor torta de maçã da cidade — ele retrucou, piscando para ela. — Minha mãe está me esperando no estacionamento. Ela quer passar na lanchonete antes de irmos para casa. Você quer vir? A Vanessa adora você, e ela vive dizendo que eu preciso de "influências inteligentes" por perto.

O coração de Júlia deu um salto. Ela adorava Vanessa, a mãe de Igor, que era sempre doce e acolhedora. Mas a ideia de passar mais tempo com Igor fora do ambiente escolar sempre a deixava nervosa. Em sua mente, ela já conseguia imaginar a cena: um encontro perfeito, como nos filmes que Sharpay Evans gostaria de estrelar, mas com muito menos drama e muito mais romance genuíno.

— Eu adoraria — disse ela, finalmente.

— Ótimo! Vamos lá, antes que a senhora minha mãe decida que a paciência dela acabou.

Eles caminharam juntos até o estacionamento. O sol da tarde refletia nos vidros dos carros, criando uma atmosfera dourada. Quando chegaram ao carro prata de Vanessa, ela já estava acenando com um sorriso radiante.

— Júlia, querida! Que bom ver você — disse Vanessa, inclinando-se para dar um beijo no rosto da menina assim que ela entrou no banco de trás, enquanto Igor se acomodava no banco do passageiro. — O Igor me disse que vocês tiveram um dia cheio hoje.

— Foi um pouco cansativo, Dona Vanessa, mas sobrevivemos — respondeu Júlia, sentindo-se em casa.

— Eu estava dizendo a ela, mãe, que ela é a única razão de eu ainda entender o que é uma ligação covalente — Igor brincou, virando-se para trás para olhar para Júlia.

— Ah, eu não duvido — Vanessa riu, dando partida no carro. — Meu filho tem muita sorte de ter uma amiga tão brilhante e bonita como você, Júlia.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som do rádio tocando uma melodia suave. Júlia olhou pela janela, tentando esconder o sorriso. "Amiga". Essa palavra sempre doía um pouco, embora fosse a realidade deles.

Chegaram à lanchonete, um lugar clássico com bancos de couro vermelho e balcões de fórmica. Vanessa insistiu em pagar os lanches e, depois de alguns minutos de conversa animada, ela recebeu uma ligação do trabalho.

— Crianças, eu vou ter que resolver isso no telefone lá fora. Igor, cuide da Júlia e não conte nenhuma piada muito ruim, por favor — pediu Vanessa, saindo com o celular no ouvido.

Agora estavam apenas os dois. O milkshake de chocolate de Igor e o de morango de Júlia estavam sobre a mesa, intocados por um momento. Igor parecia subitamente menos falante. Ele batucava os dedos na mesa, um hábito que tinha quando estava pensando profundamente.

— Juli? — ele chamou, a voz um pouco mais baixa do que o normal.

— Sim? — Ela o encarou, notando como a luz da lanchonete refletia nas lentes dos óculos dele.

— Você já sentiu como se estivesse seguindo um roteiro, mas quisesse mudar o final? — Ele perguntou, tirando os óculos e começando a limpá-los na camiseta, um sinal claro de nervosismo.

Júlia franziu a testa, curiosa.

— Bom, no East High, todo mundo parece estar seguindo um roteiro. Por que a pergunta?

— É que... — Igor colocou os óculos de volta e olhou diretamente nos olhos dela. — Todo mundo espera que eu seja apenas o cara engraçado, o nerd que tira notas ok e faz piadas. E eu gosto disso. Mas tem uma parte de mim que queria ser o cara que tem coragem de dizer o que sente. Como nos contos de fada que eu sei que você gosta de ler.

O coração de Júlia começou a bater tão forte que ela teve certeza de que ele podia ouvir.

— E o que esse cara diria, Igor? — ela sussurrou, a voz trêmula.

Igor respirou fundo. Ele estendeu a mão sobre a mesa, hesitando por um segundo antes de cobrir a mão de Júlia com a dele. A pele dele era quente e o toque enviou uma corrente elétrica pelo corpo dela.

— Ele diria que não consegue parar de pensar na garota que senta ao lado dele na aula de química. Ele diria que as piadas são só um jeito de ver o sorriso dela, porque esse sorriso é a melhor parte do dia dele. E ele diria que, embora ele pareça um nerd desajeitado, ele queria ser o príncipe dela.

Júlia sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos, mas era uma emoção pura e feliz.

— Igor... eu também imagino essas coisas. Eu sempre achei que você só me via como a garota inteligente que te ajuda com os estudos.

— Eu te vejo como muito mais que isso, Juli — ele disse, com uma sinceridade que a desarmou. — Você é incrível. Você é doce, é engraçada do seu jeito quieto, e eu... eu gosto muito de você. Mais do que de qualquer outra coisa no East High.

Júlia sorriu, e desta vez não houve timidez.

— Eu também gosto muito de você, Igor. De verdade.

Igor soltou um suspiro de alívio, um sorriso enorme crescendo em seu rosto.

— Sério? Ufa. Eu estava praticando esse discurso mentalmente há três semanas. Achei que ia gaguejar e estragar tudo.

— Você foi perfeito — ela disse, apertando a mão dele.

Eles ficaram ali, apenas se olhando, o mundo ao redor parecendo desaparecer. O barulho da lanchonete, as pessoas passando na rua, as preocupações com as notas... nada disso importava.

— Juli? — Igor chamou novamente.

— Sim?

— O roteiro diz que agora é a parte em que eu deveria te beijar. O que você acha de mudarmos a cena para um lugar com um pouco mais de privacidade do que a frente do balcão de milkshakes?

Júlia riu, levantando-se junto com ele. Eles saíram da lanchonete e caminharam até um pequeno jardim que ficava ao lado do estabelecimento. O sol estava começando a se pôr, pintando o céu de laranja e violeta.

Igor parou e virou-se para ela. Ele colocou as mãos nos ombros de Júlia, aproximando-se lentamente.

— Posso? — ele perguntou, sendo o cavalheiro que sempre fora.

— Por favor — ela respondeu.

Igor inclinou a cabeça, e quando seus lábios finalmente encontraram os de Júlia, foi melhor do que qualquer conto de fada que ela já havia imaginado. Foi doce, suave e cheio de uma promessa que apenas o primeiro amor consegue carregar. Os óculos deles se chocaram levemente, mas nenhum dos dois se importou. Era real, era deles, e era perfeito.

Quando se separaram, Igor encostou a testa na dela, ambos respirando um pouco ofegantes.

— Definitivamente melhor do que o roteiro original — ele sussurrou.

— Com certeza — ela concordou, sentindo-se a garota mais sortuda de todo o Novo México.

Eles voltaram para o carro de mãos dadas. Vanessa estava encostada na porta, guardando o celular. Ela olhou para os dois, notando os rostos radiantes e as mãos entrelaçadas. Um sorriso cúmplice surgiu em seu rosto, mas ela decidiu não dizer nada para não deixá-los envergonhados.

— Prontos para ir, pombinhos? — ela perguntou, divertida.

— Prontos, mãe — disse Igor, abrindo a porta para Júlia entrar primeiro. — Mais do que prontos.

Enquanto o carro se afastava da lanchonete, Júlia olhou para Igor pelo espelho retrovisor e ele piscou para ela. O ensino médio poderia ser cheio de dramas e músicas coreografadas, mas para Júlia e Igor, a melodia mais bonita era aquela que eles estavam começando a escrever juntos, nota por nota, beijo por beijo. Naquele momento, no banco de trás de um carro comum, Júlia soube que seu conto de fadas pessoal estava apenas começando.
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