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Uma paixão escolar
Fandom: Moyses alfa (bi) e Luanzinho-chan (femboy)
Creado: 15/5/2026
Etiquetas
RomanceOmegaversoRecortes de VidaFluffDramaAmbientación Canon
Entre Saias de Renda e Olhares de Lobo
O corredor do Colégio Central parecia mais barulhento do que o normal naquela manhã de terça-feira. O som de armários batendo, risadas estridentes e o burburinho constante sobre o jogo de futebol do final de semana criavam uma cacofonia que, para a maioria, era apenas o som da rotina. Mas para Luanzinho-chan, cada passo dado sobre o piso de linóleo era uma performance cuidadosamente planejada.
Ele ajustou a saia plissada rosa, garantindo que as meias 7/8 brancas estivessem perfeitamente alinhadas acima dos joelhos. Luanzinho sabia que atraía olhares. Alguns eram de confusão, outros de admiração contida, mas ele não se importava. Ele se sentia ele mesmo naquela estética delicada, com os cabelos levemente cacheados adornados por um laço discreto e o brilho labial de cereja que refletia a luz das lâmpadas fluorescentes.
— Ele está vindo — sussurrou uma voz interna, fazendo o coração de Luanzinho falhar uma batida.
No final do corredor, a multidão parecia se abrir naturalmente. Moysés caminhava como se fosse o dono do prédio. Ele era a definição de um alfa: postura impecável, ombros largos sob a jaqueta de couro preta e um olhar que parecia atravessar qualquer um que ousasse cruzar seu caminho. Ele era marrento, conhecido por sua pouca paciência e por sua aura de autoridade inata.
Luanzinho parou perto do seu armário, fingindo procurar um caderno, mas seus olhos estavam fixos na figura que se aproximava. Foi naquele momento, quando Moysés passou por ele, que algo aconteceu. O perfume de Moysés — uma mistura de sândalo e algo metálico, como chuva no asfalto — atingiu Luanzinho com a força de um furacão.
O alfa não parou, mas seus olhos castanhos e profundos deslizaram lateralmente, encontrando os de Luanzinho por um milésimo de segundo. Foi o suficiente. Luanzinho sentiu os joelhos fraquejarem. Ele nunca tinha visto alguém tão... posturado. Tão intensamente másculo. Foi paixão à primeira vista, um choque elétrico que percorreu sua espinha e o deixou sem fôlego.
— Meu Deus... — murmurou Luanzinho para si mesmo, fechando a porta do armário com as mãos trêmulas.
Do outro lado, Moysés continuou caminhando, mantendo o rosto impassível. Sua expressão era de puro tédio, a máscara perfeita que ele usava para o mundo. No entanto, por dentro, seu coração martelava contra as costelas. Ele sentiu o perfume de baunilha e talco que emanava do garoto de saia, um contraste gritante com o ambiente rústico da escola.
Moysés entrou no banheiro masculino, verificando se estava sozinho. Quando confirmou que não havia ninguém, ele se apoiou na pia e respirou fundo, olhando para o próprio reflexo no espelho manchado.
— Droga, Luanzinho... — resmungou ele, passando a mão pelo cabelo curto e bem cortado. — Por que você tem que ser tão adorável?
Ninguém desconfiava. Moysés tinha uma reputação a zelar. Ele era o alfa, o cara que não se abalava por nada. Mas, secretamente, ele passava horas observando Luanzinho de longe, admirando a coragem dele de ser quem era, e a forma como aquela saia balançava quando ele corria para não perder o ônibus. Moysés estava perdidamente apaixonado, mas o medo de quebrar sua imagem de "durão" o mantinha em silêncio.
As aulas passaram como um borrão. Luanzinho não conseguia se concentrar em nada que não fosse a imagem de Moysés. Ele precisava falar com ele. Precisava de um sinal, qualquer coisa. No intervalo, ele tomou coragem. Ele sabia que Moysés costumava ficar na parte de trás da biblioteca, um lugar silencioso onde poucos alunos se aventuravam.
Luanzinho caminhou silenciosamente entre as estantes de livros antigos. O cheiro de papel velho o acalmava. Ele dobrou o corredor da seção de história e lá estava ele. Moysés estava sentado em uma mesa de madeira escura, com um livro aberto, mas seus olhos estavam perdidos na janela.
— Com licença... — a voz de Luanzinho saiu pequena, quase um sussurro.
Moysés deu um sobressalto imperceptível, recuperando a postura marrenta instantaneamente. Ele fechou o livro com um estrondo e olhou para cima, franzindo o cenho.
— O que você quer, Luanzinho? — A voz dele era grave, rouca, carregada de uma autoridade que fez o estômago do garoto dar voltas.
— Eu... eu vi que você estava aqui sozinho. — Luanzinho brincava com a barra da saia, um gesto nervoso que não passou despercebido pelos olhos atentos do alfa. — Queria saber se você não quer companhia.
Moysés sentiu um nó na garganta. Ele queria dizer "sim", queria puxar a cadeira para que Luanzinho se sentasse ao seu lado e queria passar horas ouvindo-o falar. Mas a máscara de alfa era pesada.
— Eu estou ocupado — disse Moysés, voltando os olhos para o livro fechado. — Você não deveria estar com suas amigas ou algo assim?
Luanzinho sentiu uma pontada no peito, mas não recuou. Ele percebeu algo nos olhos de Moysés. Uma faísca de algo que não era irritação. Era... desejo? Ou talvez medo?
— Por que você sempre fala assim comigo? — perguntou Luanzinho, dando um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — Eu nunca te fiz nada.
Moysés finalmente levantou o olhar. A proximidade era perigosa. Ele conseguia ver os detalhes da maquiagem leve de Luanzinho, a forma como os cílios dele eram longos e como ele parecia tão frágil e, ao mesmo tempo, tão desafiador.
— Eu falo do jeito que eu quero — respondeu Moysés, embora sua voz tivesse perdido um pouco da firmeza. — Eu sou um alfa, Luanzinho. Eu não tenho tempo para delicadezas.
Luanzinho soltou uma risadinha suave, um som que Moysés achou que poderia ouvir pelo resto da vida.
— Um alfa, é? — Luanzinho se inclinou sobre a mesa, apoiando as mãos pequenas na madeira. — E os alfas não podem ser gentis com quem eles gostam?
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Moysés sentiu o suor frio na nuca. Ele estava sendo encurralado por um garoto que mal chegava aos seus ombros e que usava um laço no cabelo. A ironia da situação era quase cômica, se não fosse tão intensa.
— Quem disse que eu gosto de você? — Moysés tentou manter o tom seco, mas falhou miseravelmente.
— Seus olhos dizem isso toda vez que eu passo pelo corredor — afirmou Luanzinho, ganhando uma confiança que ele nem sabia que possuía. — Você tenta esconder, Moysés. Mas você olha. E eu também olho para você.
Moysés levantou-se bruscamente, a cadeira arrastando no chão com um ruído estridente. Ele era muito mais alto que Luanzinho, e sua presença física era esmagadora. Ele deu um passo para o lado da mesa, ficando frente a frente com o femboy.
— Você não sabe do que está falando — rosnou Moysés, mas ele não se afastou. Pelo contrário, ele se inclinou para mais perto, o suficiente para que Luanzinho sentisse o calor que emanava de seu corpo.
— Eu sei exatamente o que estou sentindo — rebateu Luanzinho, olhando fixamente nos olhos castanhos à sua frente. — E eu acho que você também sabe.
Moysés sentiu as barreiras que construiu ao longo de anos começarem a ruir. A marra, a postura, o controle... tudo parecia irrelevante diante daquele par de olhos brilhantes. Ele olhou para os lados, garantindo que as estantes de livros os escondiam de qualquer olhar curioso.
— Você é um problema, sabia? — disse Moysés em voz baixa, sua mão subindo hesitante até tocar o rosto de Luanzinho.
A pele era macia, exatamente como ele imaginara. Luanzinho fechou os olhos ao sentir o toque áspero e quente da mão do alfa em sua bochecha. Ele suspirou, inclinando a cabeça para o toque.
— Eu posso ser o seu problema favorito — sussurrou Luanzinho.
Moysés soltou um riso curto, quase um rosnado de frustração consigo mesmo. Ele se aproximou mais, invadindo o espaço pessoal de Luanzinho até que suas testas se encostassem.
— Se alguém souber disso... — começou Moysés, a voz carregada de uma advertência vazia.
— Ninguém precisa saber — interrompeu Luanzinho, abrindo os olhos e encontrando o olhar agora suavizado do alfa. — Pode ser o nosso segredo. O alfa posturado e o garoto de saia.
Moysés não aguentou mais. A tensão acumulada durante semanas explodiu. Ele segurou a nuca de Luanzinho com firmeza, mas com uma doçura surpreendente, e selou seus lábios nos dele.
O beijo foi um choque de realidades. O sabor de cereja de Luanzinho misturado com o hálito de menta de Moysés. Era algo novo para ambos. Luanzinho sentiu-se protegido, envolto pelos braços fortes de Moysés, enquanto o alfa sentia que, pela primeira vez, não precisava carregar o peso do mundo nas costas. Ele podia apenas ser Moysés.
Quando se separaram, ambos estavam ofegantes. Moysés ainda mantinha as mãos na cintura de Luanzinho, segurando o tecido da saia entre os dedos.
— Eu odeio o fato de você ter razão — admitiu Moysés, com um meio sorriso que Luanzinho nunca tinha visto antes. Era um sorriso verdadeiro, sem a máscara de marrento.
— Eu costumo ter razão sobre muitas coisas — brincou Luanzinho, ajeitando a gola da jaqueta de Moysés. — Especialmente sobre o que as pessoas escondem.
Moysés suspirou, recuperando um pouco de sua postura, mas sem soltar Luanzinho.
— Escuta, eu ainda tenho uma imagem a manter lá fora — disse ele, voltando ao tom sério, embora seus olhos estivessem brilhando. — Mas aqui, ou em qualquer lugar onde estejamos sozinhos... eu sou seu. Entendeu?
Luanzinho sorriu, sentindo o coração transbordar. Era tudo o que ele queria ouvir.
— Entendido, meu alfa — respondeu ele, dando um selinho rápido em Moysés antes de se afastar. — Agora, volta para o seu livro de história. A gente se vê na saída?
Moysés observou Luanzinho se afastar, o movimento da saia rosa desaparecendo entre as estantes. Ele sentou-se novamente, mas o livro de história era a última coisa em sua mente. Ele passou o polegar pelos lábios, ainda sentindo o gosto de cereja.
— É, eu estou ferrado — murmurou Moysés, mas, pela primeira vez, ele não se importava nem um pouco com isso.
O sinal tocou, anunciando o fim do intervalo. Moysés levantou-se, ajustou a jaqueta e recuperou sua expressão marrenta e posturada. Ele saiu da biblioteca com passos firmes, o alfa que todos conheciam. Mas, ao cruzar o corredor e ver Luanzinho-chan conversando com alguns amigos perto da escada, ele permitiu-se um único e imperceptível piscar de olhos para o garoto.
Luanzinho retribuiu com um sorriso radiante, o tipo de sorriso que só alguém que sabe um segredo muito especial consegue dar. O jogo tinha começado, e nenhum dos dois estava disposto a perder. Entre a marra de um e a doçura do outro, eles tinham encontrado um equilíbrio perfeito, escondido entre as sombras da escola e o brilho de um amor inesperado.
Ele ajustou a saia plissada rosa, garantindo que as meias 7/8 brancas estivessem perfeitamente alinhadas acima dos joelhos. Luanzinho sabia que atraía olhares. Alguns eram de confusão, outros de admiração contida, mas ele não se importava. Ele se sentia ele mesmo naquela estética delicada, com os cabelos levemente cacheados adornados por um laço discreto e o brilho labial de cereja que refletia a luz das lâmpadas fluorescentes.
— Ele está vindo — sussurrou uma voz interna, fazendo o coração de Luanzinho falhar uma batida.
No final do corredor, a multidão parecia se abrir naturalmente. Moysés caminhava como se fosse o dono do prédio. Ele era a definição de um alfa: postura impecável, ombros largos sob a jaqueta de couro preta e um olhar que parecia atravessar qualquer um que ousasse cruzar seu caminho. Ele era marrento, conhecido por sua pouca paciência e por sua aura de autoridade inata.
Luanzinho parou perto do seu armário, fingindo procurar um caderno, mas seus olhos estavam fixos na figura que se aproximava. Foi naquele momento, quando Moysés passou por ele, que algo aconteceu. O perfume de Moysés — uma mistura de sândalo e algo metálico, como chuva no asfalto — atingiu Luanzinho com a força de um furacão.
O alfa não parou, mas seus olhos castanhos e profundos deslizaram lateralmente, encontrando os de Luanzinho por um milésimo de segundo. Foi o suficiente. Luanzinho sentiu os joelhos fraquejarem. Ele nunca tinha visto alguém tão... posturado. Tão intensamente másculo. Foi paixão à primeira vista, um choque elétrico que percorreu sua espinha e o deixou sem fôlego.
— Meu Deus... — murmurou Luanzinho para si mesmo, fechando a porta do armário com as mãos trêmulas.
Do outro lado, Moysés continuou caminhando, mantendo o rosto impassível. Sua expressão era de puro tédio, a máscara perfeita que ele usava para o mundo. No entanto, por dentro, seu coração martelava contra as costelas. Ele sentiu o perfume de baunilha e talco que emanava do garoto de saia, um contraste gritante com o ambiente rústico da escola.
Moysés entrou no banheiro masculino, verificando se estava sozinho. Quando confirmou que não havia ninguém, ele se apoiou na pia e respirou fundo, olhando para o próprio reflexo no espelho manchado.
— Droga, Luanzinho... — resmungou ele, passando a mão pelo cabelo curto e bem cortado. — Por que você tem que ser tão adorável?
Ninguém desconfiava. Moysés tinha uma reputação a zelar. Ele era o alfa, o cara que não se abalava por nada. Mas, secretamente, ele passava horas observando Luanzinho de longe, admirando a coragem dele de ser quem era, e a forma como aquela saia balançava quando ele corria para não perder o ônibus. Moysés estava perdidamente apaixonado, mas o medo de quebrar sua imagem de "durão" o mantinha em silêncio.
As aulas passaram como um borrão. Luanzinho não conseguia se concentrar em nada que não fosse a imagem de Moysés. Ele precisava falar com ele. Precisava de um sinal, qualquer coisa. No intervalo, ele tomou coragem. Ele sabia que Moysés costumava ficar na parte de trás da biblioteca, um lugar silencioso onde poucos alunos se aventuravam.
Luanzinho caminhou silenciosamente entre as estantes de livros antigos. O cheiro de papel velho o acalmava. Ele dobrou o corredor da seção de história e lá estava ele. Moysés estava sentado em uma mesa de madeira escura, com um livro aberto, mas seus olhos estavam perdidos na janela.
— Com licença... — a voz de Luanzinho saiu pequena, quase um sussurro.
Moysés deu um sobressalto imperceptível, recuperando a postura marrenta instantaneamente. Ele fechou o livro com um estrondo e olhou para cima, franzindo o cenho.
— O que você quer, Luanzinho? — A voz dele era grave, rouca, carregada de uma autoridade que fez o estômago do garoto dar voltas.
— Eu... eu vi que você estava aqui sozinho. — Luanzinho brincava com a barra da saia, um gesto nervoso que não passou despercebido pelos olhos atentos do alfa. — Queria saber se você não quer companhia.
Moysés sentiu um nó na garganta. Ele queria dizer "sim", queria puxar a cadeira para que Luanzinho se sentasse ao seu lado e queria passar horas ouvindo-o falar. Mas a máscara de alfa era pesada.
— Eu estou ocupado — disse Moysés, voltando os olhos para o livro fechado. — Você não deveria estar com suas amigas ou algo assim?
Luanzinho sentiu uma pontada no peito, mas não recuou. Ele percebeu algo nos olhos de Moysés. Uma faísca de algo que não era irritação. Era... desejo? Ou talvez medo?
— Por que você sempre fala assim comigo? — perguntou Luanzinho, dando um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — Eu nunca te fiz nada.
Moysés finalmente levantou o olhar. A proximidade era perigosa. Ele conseguia ver os detalhes da maquiagem leve de Luanzinho, a forma como os cílios dele eram longos e como ele parecia tão frágil e, ao mesmo tempo, tão desafiador.
— Eu falo do jeito que eu quero — respondeu Moysés, embora sua voz tivesse perdido um pouco da firmeza. — Eu sou um alfa, Luanzinho. Eu não tenho tempo para delicadezas.
Luanzinho soltou uma risadinha suave, um som que Moysés achou que poderia ouvir pelo resto da vida.
— Um alfa, é? — Luanzinho se inclinou sobre a mesa, apoiando as mãos pequenas na madeira. — E os alfas não podem ser gentis com quem eles gostam?
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Moysés sentiu o suor frio na nuca. Ele estava sendo encurralado por um garoto que mal chegava aos seus ombros e que usava um laço no cabelo. A ironia da situação era quase cômica, se não fosse tão intensa.
— Quem disse que eu gosto de você? — Moysés tentou manter o tom seco, mas falhou miseravelmente.
— Seus olhos dizem isso toda vez que eu passo pelo corredor — afirmou Luanzinho, ganhando uma confiança que ele nem sabia que possuía. — Você tenta esconder, Moysés. Mas você olha. E eu também olho para você.
Moysés levantou-se bruscamente, a cadeira arrastando no chão com um ruído estridente. Ele era muito mais alto que Luanzinho, e sua presença física era esmagadora. Ele deu um passo para o lado da mesa, ficando frente a frente com o femboy.
— Você não sabe do que está falando — rosnou Moysés, mas ele não se afastou. Pelo contrário, ele se inclinou para mais perto, o suficiente para que Luanzinho sentisse o calor que emanava de seu corpo.
— Eu sei exatamente o que estou sentindo — rebateu Luanzinho, olhando fixamente nos olhos castanhos à sua frente. — E eu acho que você também sabe.
Moysés sentiu as barreiras que construiu ao longo de anos começarem a ruir. A marra, a postura, o controle... tudo parecia irrelevante diante daquele par de olhos brilhantes. Ele olhou para os lados, garantindo que as estantes de livros os escondiam de qualquer olhar curioso.
— Você é um problema, sabia? — disse Moysés em voz baixa, sua mão subindo hesitante até tocar o rosto de Luanzinho.
A pele era macia, exatamente como ele imaginara. Luanzinho fechou os olhos ao sentir o toque áspero e quente da mão do alfa em sua bochecha. Ele suspirou, inclinando a cabeça para o toque.
— Eu posso ser o seu problema favorito — sussurrou Luanzinho.
Moysés soltou um riso curto, quase um rosnado de frustração consigo mesmo. Ele se aproximou mais, invadindo o espaço pessoal de Luanzinho até que suas testas se encostassem.
— Se alguém souber disso... — começou Moysés, a voz carregada de uma advertência vazia.
— Ninguém precisa saber — interrompeu Luanzinho, abrindo os olhos e encontrando o olhar agora suavizado do alfa. — Pode ser o nosso segredo. O alfa posturado e o garoto de saia.
Moysés não aguentou mais. A tensão acumulada durante semanas explodiu. Ele segurou a nuca de Luanzinho com firmeza, mas com uma doçura surpreendente, e selou seus lábios nos dele.
O beijo foi um choque de realidades. O sabor de cereja de Luanzinho misturado com o hálito de menta de Moysés. Era algo novo para ambos. Luanzinho sentiu-se protegido, envolto pelos braços fortes de Moysés, enquanto o alfa sentia que, pela primeira vez, não precisava carregar o peso do mundo nas costas. Ele podia apenas ser Moysés.
Quando se separaram, ambos estavam ofegantes. Moysés ainda mantinha as mãos na cintura de Luanzinho, segurando o tecido da saia entre os dedos.
— Eu odeio o fato de você ter razão — admitiu Moysés, com um meio sorriso que Luanzinho nunca tinha visto antes. Era um sorriso verdadeiro, sem a máscara de marrento.
— Eu costumo ter razão sobre muitas coisas — brincou Luanzinho, ajeitando a gola da jaqueta de Moysés. — Especialmente sobre o que as pessoas escondem.
Moysés suspirou, recuperando um pouco de sua postura, mas sem soltar Luanzinho.
— Escuta, eu ainda tenho uma imagem a manter lá fora — disse ele, voltando ao tom sério, embora seus olhos estivessem brilhando. — Mas aqui, ou em qualquer lugar onde estejamos sozinhos... eu sou seu. Entendeu?
Luanzinho sorriu, sentindo o coração transbordar. Era tudo o que ele queria ouvir.
— Entendido, meu alfa — respondeu ele, dando um selinho rápido em Moysés antes de se afastar. — Agora, volta para o seu livro de história. A gente se vê na saída?
Moysés observou Luanzinho se afastar, o movimento da saia rosa desaparecendo entre as estantes. Ele sentou-se novamente, mas o livro de história era a última coisa em sua mente. Ele passou o polegar pelos lábios, ainda sentindo o gosto de cereja.
— É, eu estou ferrado — murmurou Moysés, mas, pela primeira vez, ele não se importava nem um pouco com isso.
O sinal tocou, anunciando o fim do intervalo. Moysés levantou-se, ajustou a jaqueta e recuperou sua expressão marrenta e posturada. Ele saiu da biblioteca com passos firmes, o alfa que todos conheciam. Mas, ao cruzar o corredor e ver Luanzinho-chan conversando com alguns amigos perto da escada, ele permitiu-se um único e imperceptível piscar de olhos para o garoto.
Luanzinho retribuiu com um sorriso radiante, o tipo de sorriso que só alguém que sabe um segredo muito especial consegue dar. O jogo tinha começado, e nenhum dos dois estava disposto a perder. Entre a marra de um e a doçura do outro, eles tinham encontrado um equilíbrio perfeito, escondido entre as sombras da escola e o brilho de um amor inesperado.
