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Amigos a amores

Fandom: Off campus série

Creado: 16/5/2026

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RomanceDramaAngustiaDolor/ConsueloFluffSongficHistoria DomésticaEstudio de Personaje
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Alinhamento Milenar e Discos de Vinil

O ar gelado de Briar costumava ser um lembrete constante de que Maya Rozwadowski estava longe de casa. Aos 21 anos, a estudante de jornalismo carregava o Brasil na pele e na alma, mas o luto pelos pais — uma ferida aberta e latejante desde o crime brutal que os levou — a fazia buscar refúgio no caos controlado da universidade. Naquela noite, o refúgio tinha nome e sobrenome: Hannah Wells e Allie Hayes.

As três estavam amontoadas no sofá do apartamento que Hannah dividia com Garrett Graham. O som baixo de Fleetwood Mac preenchia o ambiente, e Maya batucava o ritmo de "Silver Springs" na lateral de sua caneca de chá. Seus cabelos cacheados cor de mel estavam presos em um coque frouxo, revelando a TARDIS tatuada no pescoço e a frase "Carpe Diem" que servia como seu mantra de sobrevivência.

— Você precisa sair dessa bolha, May — Allie disse, ajeitando a franja desfiada enquanto conferia o visual no reflexo da janela. — O Garrett e os meninos estão chegando. O Logan não para de perguntar de você.

Maya sentiu um frio no estômago que não tinha nada a ver com o clima de Massachusetts. John Logan. O capitão do time de hóquei, dono de um maxilar que parecia esculpido em mármore e de um cabelo castanho-escuro que sempre parecia implorar para ser bagunçado. Eles se tornaram amigos improváveis meses atrás, unidos por uma estranha afinidade e pelo fato de Logan ser um dos poucos que não a olhava com pena por causa de sua tragédia pessoal.

A porta se abriu com um estrondo típico de atletas com energia de sobra. Garrett entrou primeiro, beijando Hannah com uma intensidade que sempre fazia Maya sorrir, seguido por Tucker, Dean e, finalmente, Logan.

Logan parou na soleira da porta. O olhar expressivo dele, emoldurado por aquela barba rala de três dias, encontrou o de Maya instantaneamente. Ele ignorou o restante da sala e foi direto para o lado dela no sofá, ocupando o espaço com seu porte atlético e o cheiro de sabonete e gelo.

— Você sumiu, pequena — Logan murmurou, a voz rouca caindo sobre ela como um cobertor. — Fred e Jorge me disseram que você passou o dia trancada ouvindo ABBA e ignorando o mundo.

— Meus gatos são fofoqueiros, Logan — Maya riu, sentindo o peso do luto diminuir um pouco na presença dele. — Eu só precisava de um tempo com a Jo March e a Elizabeth Bennet. Elas me entendem.

— Livros de novo? — Dean Di Laurentis interveio, jogando-se em uma poltrona com sua arrogância charmosa. — Maya, você é a nerd mais gata que eu já conheci, mas precisa de uma dose de realidade. Ou de tequila.

— Ela sabe se virar, Dean — Logan defendeu, o tom de voz subindo uma oitava, protetor. Ele tocou levemente o pulso de Maya, onde a tatuagem inspirada na Rita Lee se destacava. — O que é isso novo?

— Uma homenagem à padroeira do rock brasileiro — ela respondeu, os olhos âmbar brilhando. — Sabe, Logan, um dia eu te ensino a falar português de verdade. "I love you" é fácil, quero ver você falar "meu amor, você é um chato".

— "Meu... amô..." — Logan tentou, a pronúncia arrastada e desajeitada fazendo Maya gargalhar. — Deixa pra lá. Vamos sair. Tem um bar novo perto do porto, o Black Velvet. Dizem que a banda de hoje é boa.

Maya congelou por um milésimo de segundo. O Black Velvet era onde ela cantava às sextas-feiras sob o pseudônimo de "Luz". Ninguém ali sabia. Nem Hannah, nem Allie, e certamente não Logan. Era seu segredo, seu altar sagrado onde ela transformava a dor da perda dos pais em melodia.

— Eu não sei se... — ela começou, mas Allie já estava puxando seu braço.

— Sem desculpas! Vamos logo.

Duas horas depois, o grupo ocupava uma mesa de canto no Black Velvet. O ambiente era esfumaçado, iluminado por luzes neon roxas e azuis. Jules, a irmã de Logan, estava lá também, com seu corte wolf cut platinado e o olhar atento de quem comandava a *Fifth Line*, a página de fofocas mais temida da universidade.

— Onde você vai, May? — Logan perguntou quando viu a amiga se levantar.

— Banheiro. Já volto — mentiu ela, o coração disparado contra as costelas.

Ela contornou o bar e entrou pela porta dos fundos do palco. O dono do bar, um velho barbudo que conhecia sua história, entregou-lhe o violão. Maya respirou fundo. Ela precisava disso. Precisava de "Tempo Perdido" da Legião Urbana, precisava de Jão, precisava de si mesma.

No salão, a conversa na mesa dos jogadores parou quando a luz do palco se acendeu. Uma figura pequena, de cabelos cacheados e olhos que brilhavam como fogo sob os refletores, aproximou-se do microfone.

— Puta merda — Garrett sussurrou, deixando o copo de cerveja a meio caminho da boca. — Aquela é a Maya?

Logan sentiu o mundo parar. Ele se inclinou para frente, os olhos fixos na mulher que ele achava que conhecia, mas que agora parecia uma divindade desconhecida. Maya ajustou o microfone e começou a dedilhar.

— Essa música é sobre as coisas que deixamos para trás — disse ela em inglês, antes de transicionar para o português com uma fluidez que arrepiou Logan do pescoço até a espinha. — "Todos os dias antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia..."

A voz de Maya era uma força da natureza. Rica, profunda, carregada de uma saudade que fazia o peito de Logan doer. Ele a viu cantar "Back to be a friend", e a letra parecia um soco no estômago. Ele queria ser apenas amigo? Ou o ciúme que sentia toda vez que um cara olhava para ela era o sinal de que o "friends to lovers" já tinha acontecido na sua cabeça há muito tempo?

Quando ela começou "Alinhamento Milenar" do Jão, Logan sentiu Jules cutucar seu braço.

— Ela está cantando para você, idiota — Jules sibilou, o sorriso de canto provocador. — Olha para ela. Ela está te dizendo que você é o destino dela em todas as vidas.

Maya fechou os olhos, entregando-se à música. Ela sentia a vibração das cordas do baixo que tocava em algumas faixas, a energia do rock e a suavidade da MPB se fundindo. Ao terminar com uma versão acústica e intensa de "Heroes" do David Bowie, o bar explodiu em aplausos.

Ela desceu do palco trêmula e foi recebida por um Logan que parecia ter visto um fantasma. Ele a pegou pelo braço e a conduziu para fora, para o beco silencioso atrás do bar, longe dos gritos de Dean e Tucker.

— Por que você nunca me contou? — Logan perguntou, prensando-a levemente contra a parede de tijolos. O maxilar dele estava tenso.

— É a minha forma de lidar com tudo, Logan. Com a morte deles, com a solidão... — Maya desviou o olhar, mas ele segurou seu queixo, forçando-a a encará-lo.

— Você não está sozinha. Eu estou aqui. Eu sempre estive aqui — ele disse, a voz descendo para um sussurro perigoso. — Aquela música, "Alinhamento Milenar"... eu não entendi todas as palavras, mas eu entendi o que você sentiu.

— Logan...

— Não — ele a interrompeu. — Eu passei meses tentando ser o "bom amigo", respeitando seu espaço, seu luto. Mas ver você lá em cima, sendo essa mulher incrível, poderosa e... minha. Eu quero que você seja minha, Maya.

Antes que ela pudesse responder, ele a beijou. Não foi um beijo de filme, foi um beijo de sobrevivência. Tinha gosto de cerveja, de frio e de uma urgência guardada por meses. Maya envolveu o pescoço dele com as mãos, as unhas arranhando levemente a nuca onde o cabelo longo dele se perdia. O contato físico era elétrico, uma explosão de sentidos que silenciou qualquer dor que o luto trouxesse.

— Quero que você me ensine tudo — Logan murmurou contra os lábios dela, a respiração ofegante. — O português, as músicas, como ser o homem que você merece.

— Você já é, seu bobo — ela sorriu, as lágrimas brilhando nos olhos âmbar. — Mas vai ter que aprender a dançar funk se quiser ir na festa brasileira comigo amanhã.

Logan riu, um som vibrante que aqueceu o peito de Maya.

— Se envolver Pedro Sampaio e você rebolando, eu aprendo até a voar.

No dia seguinte, o clima no apartamento de Logan era de pura euforia. Maya tinha assumido o controle da playlist, e o som de "Olha a Explosão" do Kevinho ecoava pelas paredes, para o desespero e diversão de Tucker e Dean.

— Vamos lá, Logan! Quadril solto! — Maya comandava, rindo enquanto mostrava os passos. Ela usava um short curto e uma camiseta do *Wicked*, movendo-se com uma confiança que deixava todos boquiabertos.

— Eu sou um jogador de hóquei, May! Meu quadril só serve para dar check nos outros! — Logan protestava, mas estava tentando seguir o ritmo de "Envolver" da Anitta, falhando miseravelmente enquanto Garrett e Hannah tentavam imitá-los ao fundo.

— Mentira! — Allie gritou da cozinha. — O Logan tem gingado, ele só é tímido perto da namorada nova!

O termo "namorada" fez Maya parar por um segundo, o rosto corando. Logan se aproximou por trás, envolvendo a cintura dela com os braços fortes e depositando um beijo no topo de sua cabeça cacheada.

— Ela tem razão — ele sussurrou no ouvido dela. — Mas eu prefiro praticar minhas habilidades de "gingado" quando estivermos sozinhos.

A noite terminou com todos eles exaustos, jogados no tapete da sala rodeados por caixas de pizza e discos de vinil espalhados. Maya estava deitada com a cabeça no colo de Logan, enquanto ele acariciava suas tatuagens, traçando o contorno da TARDIS com o polegar.

— Sabe o que "Carpe Diem" realmente significa para mim hoje? — ela perguntou, olhando para os amigos que eram sua nova família.

— Aproveitar o dia? — Logan arriscou.

— Significa que, mesmo quando o mundo acaba, como acabou para os meus pais... a gente tem a obrigação de encontrar beleza no que restou. E você é a coisa mais bonita que me aconteceu em Briar, John Logan.

Logan se inclinou e a beijou com uma doçura que fez o coração de Maya finalmente se sentir em casa. Ali, entre discos do Fleetwood Mac, gírias brasileiras e o cheiro de gelo do hóquei, ela percebeu que o alinhamento milenar não era sobre estrelas, mas sobre encontrar a pessoa certa no meio do caos.

— Eu te amo — ele disse, e desta vez, a pronúncia em português foi perfeita. — "Eu te amo", Maya.

Ela sorriu, puxando-o para mais perto. O luto ainda estava lá, um fantasma silencioso, mas com Logan ao seu lado e o som de uma guitarra elétrica ao fundo, ela sabia que a música da sua vida estava apenas começando a ficar boa.
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