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A escolha certa
Fandom: Pavuna cria do RJ
Creado: 17/5/2026
Etiquetas
RomanceDramaAngustiaRealismoCelosEmbarazo No Planificado/No DeseadoEmbarazo AdolescenteDolor/ConsueloRecortes de VidaEstudio de Personaje
O Eco do Passado e o Peso da Realidade
A luz do ring light refletia nos olhos de Karen Aluap, mas o brilho que incomodava não era o da lâmpada, e sim o das notificações incessantes em seu celular. O Rio de Janeiro continuava quente, mas o clima nas redes sociais estava abaixo de zero. Ser uma modelo internacionalmente reconhecida tinha seu preço, mas nada a preparara para o tribunal da internet. No centro do furacão, um triângulo amoroso que parecia roteiro de novela das nove, mas era a sua vida real.
Do outro lado da cidade, em um apartamento moderno na Barra, Karen Alencar ajustava o ângulo do seu celular. Ela era o rosto do TikTok, a menina carismática que viu sua vida virar de cabeça para baixo ao engravidar de um dos maiores nomes do trap atual. E no estúdio da Torre, Js sentia o peso do fone de ouvido. Ele não era apenas o artista; ele era o pivô.
Karen Aluap deu o primeiro passo. Apertou o "Iniciar Transmissão" e esperou que os números subissem. Dez mil, trinta mil, setenta mil pessoas em segundos.
— Boa noite, gente. — Ela suspirou, passando a mão pelo cabelo impecável. — Eu não queria estar aqui fazendo isso. Quem me acompanha sabe que eu prefiro os editoriais, as passarelas, o silêncio. Mas o nome da minha família e a minha própria história estão sendo jogados na lama por interpretações erradas.
Ela fez uma pausa, olhando diretamente para a câmera.
— Eu e o Js fomos o primeiro amor um do outro. Isso não é segredo. A Pavuna viu a gente crescer. Quando eu tive que ir para Minas com a minha família, meu coração ficou aqui. Eu não fui porque quis, eu fui porque era uma adolescente e não tinha escolha. O que aconteceu depois, enquanto eu estava longe, é o que todo mundo quer saber.
Enquanto Aluap falava, Alencar também abria sua live. O contraste era nítido. Alencar estava visivelmente abalada, a barriga de grávida já proeminente sob o vestido de malha.
— Eu estou vendo a live da "outra" — disse Alencar, com a voz embargada. — É muito fácil falar de amor de infância quando se ignora a responsabilidade do agora. Sim, eu e a Aluap éramos amigas. Inseparáveis. Mas a vida seguiu. O Js estava sozinho, eu estava aqui. A gente se envolveu, sim. E agora eu carrego um filho dele. Como alguém volta depois de anos e simplesmente retoma um lugar que já não existia mais?
O chat de ambas explodia. "Talarica", "A verdadeira sempre volta", "Pobre da criança", os comentários passavam como borrões.
Js da Torre, que assistia a ambas em monitores diferentes no estúdio, decidiu que era hora de intervir. Ele entrou em uma live conjunta, solicitando a participação das duas. O público foi ao delírio. O trap parou para ouvir o que o dono da voz de "Cria da Pavuna" tinha a dizer.
— Dá o papo, Js! — gritou um fã nos comentários.
As três telas se dividiram. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
— Papo reto agora, sem fofoca de página de fofoca — começou Js, a voz grave e cansada. — Alencar, tu sabe que eu tenho um carinho enorme por tu e que meu filho é minha prioridade máxima. Nunca vai faltar nada. Mas a verdade é que o meu coração nunca saiu do lugar onde a Aluap deixou ele.
— Isso é ridículo, Js! — interrompeu Alencar, limpando uma lágrima. — Você me dizia outras coisas. Você estava comigo quando ela chegou!
— Eu estava tentando seguir em frente, Alencar — rebateu Js, com sinceridade. — Mas seguir em frente não é amar. Eu errei com você, sim. Errei em deixar as coisas evoluírem sem ter certeza do que eu sentia. Mas a Aluap é a mulher da minha vida. Quando eu vi ela de novo, o mundo parou.
Aluap, que até então ouvia em silêncio, interveio.
— Alencar, a gente era irmã. Eu te contava os meus sonhos com ele. Você sabia que a gente nunca tinha terminado de verdade, foi uma interrupção forçada. Quando eu voltei e vi que você estava com ele, e ainda por cima grávida, meu mundo caiu. Mas eu não forcei nada. O Js tomou a decisão dele.
— Você me traiu como amiga! — Alencar disparou, apontando para a câmera. — Você sabia que eu estava vulnerável.
— Traição é uma palavra forte para quem ocupou um espaço sabendo de quem ele era — Aluap respondeu friamente, embora seus olhos mostrassem dor. — Eu sinto muito pelo que nossa amizade se tornou, mas eu não vou pedir desculpas por amar o homem que sempre foi meu. E tem mais uma coisa que a internet precisa saber, já que todo mundo gosta de opinar.
Aluap respirou fundo e colocou a mão sobre o próprio ventre, ainda plano.
— Eu também estou grávida.
O silêncio que se seguiu na live foi absoluto por cinco segundos, até que o chat subiu tão rápido que o aplicativo travou momentaneamente para alguns usuários.
— É isso — disse Js, assumindo o controle da narrativa. — A situação é complexa? É. É polêmica? Muito. Mas eu não vou me esconder. Eu amo a Aluap, e a gente vai construir nossa família. E eu vou ser o melhor pai do mundo para o filho da Alencar também. A gente vai ter que aprender a conviver, porque essas crianças são irmãos.
Alencar balançou a cabeça, incrédula.
— Vocês planejaram isso? Para me humilhar?
— Ninguém planejou nada, Alencar — disse Js. — A vida acontece. Eu errei com você na forma como conduzi as coisas, e te peço perdão publicamente por isso. Você não merecia ser a "segunda opção" enquanto eu ainda pensava em outra. Mas eu não posso mentir para o mundo e nem para mim mesmo. O amor venceu, mas o preço foi alto.
— O amor venceu... — ironizou Alencar. — E a amizade morreu. Espero que vocês sejam felizes com o que construíram em cima do meu sofrimento.
Alencar encerrou a sua parte na transmissão abruptamente. A tela dela ficou preta, deixando apenas Js e Aluap.
— Muita gente vai falar — disse Aluap para os seus seguidores. — Vão dizer que sou modelo e deveria manter a postura, que sou isso ou aquilo. Mas antes de ser modelo, eu sou a Karen da Pavuna. E aquela menina nunca deixou de amar o Js. A gente se perdeu no tempo, mas se reencontrou na alma.
— É isso, família — finalizou Js. — O papo tá dado. Quem é fã de verdade vai entender que a gente é ser humano. Eu vou cuidar dos meus filhos, vou honrar minha palavra, mas vou viver com quem eu amo. O resto é barulho de quem não tem o que fazer.
Ele encerrou a live. No estúdio, Js encostou a cabeça na mesa de som. Segundos depois, seu celular vibrou. Era uma mensagem de Aluap.
"Vem pra casa. Precisamos descansar."
Ele saiu do estúdio, sentindo o ar da noite carioca. A polêmica ainda renderia semanas de vídeos de fofoca, análises de especialistas em linguagem corporal e ataques de haters. Mas, ao entrar no carro e dirigir em direção à mulher que nunca saiu de seus pensamentos, Js sentiu uma paz que o sucesso do trap nunca lhe deu.
A estrada entre a Pavuna e o resto do mundo era longa, mas ele finalmente tinha pegado o caminho certo de volta para casa. O amor deles era uma melodia complicada, cheia de notas dissonantes e ritmos quebrados, mas ainda era a canção mais bonita que ele já tinha escrito. E dessa vez, ele não deixaria ninguém mudar a estação.
Do outro lado da cidade, em um apartamento moderno na Barra, Karen Alencar ajustava o ângulo do seu celular. Ela era o rosto do TikTok, a menina carismática que viu sua vida virar de cabeça para baixo ao engravidar de um dos maiores nomes do trap atual. E no estúdio da Torre, Js sentia o peso do fone de ouvido. Ele não era apenas o artista; ele era o pivô.
Karen Aluap deu o primeiro passo. Apertou o "Iniciar Transmissão" e esperou que os números subissem. Dez mil, trinta mil, setenta mil pessoas em segundos.
— Boa noite, gente. — Ela suspirou, passando a mão pelo cabelo impecável. — Eu não queria estar aqui fazendo isso. Quem me acompanha sabe que eu prefiro os editoriais, as passarelas, o silêncio. Mas o nome da minha família e a minha própria história estão sendo jogados na lama por interpretações erradas.
Ela fez uma pausa, olhando diretamente para a câmera.
— Eu e o Js fomos o primeiro amor um do outro. Isso não é segredo. A Pavuna viu a gente crescer. Quando eu tive que ir para Minas com a minha família, meu coração ficou aqui. Eu não fui porque quis, eu fui porque era uma adolescente e não tinha escolha. O que aconteceu depois, enquanto eu estava longe, é o que todo mundo quer saber.
Enquanto Aluap falava, Alencar também abria sua live. O contraste era nítido. Alencar estava visivelmente abalada, a barriga de grávida já proeminente sob o vestido de malha.
— Eu estou vendo a live da "outra" — disse Alencar, com a voz embargada. — É muito fácil falar de amor de infância quando se ignora a responsabilidade do agora. Sim, eu e a Aluap éramos amigas. Inseparáveis. Mas a vida seguiu. O Js estava sozinho, eu estava aqui. A gente se envolveu, sim. E agora eu carrego um filho dele. Como alguém volta depois de anos e simplesmente retoma um lugar que já não existia mais?
O chat de ambas explodia. "Talarica", "A verdadeira sempre volta", "Pobre da criança", os comentários passavam como borrões.
Js da Torre, que assistia a ambas em monitores diferentes no estúdio, decidiu que era hora de intervir. Ele entrou em uma live conjunta, solicitando a participação das duas. O público foi ao delírio. O trap parou para ouvir o que o dono da voz de "Cria da Pavuna" tinha a dizer.
— Dá o papo, Js! — gritou um fã nos comentários.
As três telas se dividiram. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.
— Papo reto agora, sem fofoca de página de fofoca — começou Js, a voz grave e cansada. — Alencar, tu sabe que eu tenho um carinho enorme por tu e que meu filho é minha prioridade máxima. Nunca vai faltar nada. Mas a verdade é que o meu coração nunca saiu do lugar onde a Aluap deixou ele.
— Isso é ridículo, Js! — interrompeu Alencar, limpando uma lágrima. — Você me dizia outras coisas. Você estava comigo quando ela chegou!
— Eu estava tentando seguir em frente, Alencar — rebateu Js, com sinceridade. — Mas seguir em frente não é amar. Eu errei com você, sim. Errei em deixar as coisas evoluírem sem ter certeza do que eu sentia. Mas a Aluap é a mulher da minha vida. Quando eu vi ela de novo, o mundo parou.
Aluap, que até então ouvia em silêncio, interveio.
— Alencar, a gente era irmã. Eu te contava os meus sonhos com ele. Você sabia que a gente nunca tinha terminado de verdade, foi uma interrupção forçada. Quando eu voltei e vi que você estava com ele, e ainda por cima grávida, meu mundo caiu. Mas eu não forcei nada. O Js tomou a decisão dele.
— Você me traiu como amiga! — Alencar disparou, apontando para a câmera. — Você sabia que eu estava vulnerável.
— Traição é uma palavra forte para quem ocupou um espaço sabendo de quem ele era — Aluap respondeu friamente, embora seus olhos mostrassem dor. — Eu sinto muito pelo que nossa amizade se tornou, mas eu não vou pedir desculpas por amar o homem que sempre foi meu. E tem mais uma coisa que a internet precisa saber, já que todo mundo gosta de opinar.
Aluap respirou fundo e colocou a mão sobre o próprio ventre, ainda plano.
— Eu também estou grávida.
O silêncio que se seguiu na live foi absoluto por cinco segundos, até que o chat subiu tão rápido que o aplicativo travou momentaneamente para alguns usuários.
— É isso — disse Js, assumindo o controle da narrativa. — A situação é complexa? É. É polêmica? Muito. Mas eu não vou me esconder. Eu amo a Aluap, e a gente vai construir nossa família. E eu vou ser o melhor pai do mundo para o filho da Alencar também. A gente vai ter que aprender a conviver, porque essas crianças são irmãos.
Alencar balançou a cabeça, incrédula.
— Vocês planejaram isso? Para me humilhar?
— Ninguém planejou nada, Alencar — disse Js. — A vida acontece. Eu errei com você na forma como conduzi as coisas, e te peço perdão publicamente por isso. Você não merecia ser a "segunda opção" enquanto eu ainda pensava em outra. Mas eu não posso mentir para o mundo e nem para mim mesmo. O amor venceu, mas o preço foi alto.
— O amor venceu... — ironizou Alencar. — E a amizade morreu. Espero que vocês sejam felizes com o que construíram em cima do meu sofrimento.
Alencar encerrou a sua parte na transmissão abruptamente. A tela dela ficou preta, deixando apenas Js e Aluap.
— Muita gente vai falar — disse Aluap para os seus seguidores. — Vão dizer que sou modelo e deveria manter a postura, que sou isso ou aquilo. Mas antes de ser modelo, eu sou a Karen da Pavuna. E aquela menina nunca deixou de amar o Js. A gente se perdeu no tempo, mas se reencontrou na alma.
— É isso, família — finalizou Js. — O papo tá dado. Quem é fã de verdade vai entender que a gente é ser humano. Eu vou cuidar dos meus filhos, vou honrar minha palavra, mas vou viver com quem eu amo. O resto é barulho de quem não tem o que fazer.
Ele encerrou a live. No estúdio, Js encostou a cabeça na mesa de som. Segundos depois, seu celular vibrou. Era uma mensagem de Aluap.
"Vem pra casa. Precisamos descansar."
Ele saiu do estúdio, sentindo o ar da noite carioca. A polêmica ainda renderia semanas de vídeos de fofoca, análises de especialistas em linguagem corporal e ataques de haters. Mas, ao entrar no carro e dirigir em direção à mulher que nunca saiu de seus pensamentos, Js sentiu uma paz que o sucesso do trap nunca lhe deu.
A estrada entre a Pavuna e o resto do mundo era longa, mas ele finalmente tinha pegado o caminho certo de volta para casa. O amor deles era uma melodia complicada, cheia de notas dissonantes e ritmos quebrados, mas ainda era a canção mais bonita que ele já tinha escrito. E dessa vez, ele não deixaria ninguém mudar a estação.
