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Amor entre rodas

Fandom: Velozes e fruruisos

Creado: 17/5/2026

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Entre o Asfalto e o Coração

O cheiro de borracha queimada e combustível era, para Karen Toretto, o melhor perfume do mundo. Nas suas veias não corria apenas sangue; corria nitrometano. Criada sob a sombra protetora de seu pai, Dominic Toretto, ela aprendeu cedo que a família era tudo, mas que a liberdade era encontrada a duzentos quilômetros por hora. Dom a vigiava como um falcão, tentando mantê-la longe do lado mais sombrio das corridas de rua, mas o DNA dos Toretto falava mais alto.

Naquela noite, o deserto da Califórnia fervilhava. Karen ajustou as luvas de couro, sentindo a vibração do motor do seu Mazda RX-7 modificado. Ela não deveria estar ali. Dom achava que ela estava estudando na casa de uma amiga, mas a adrenalina era um vício do qual ela não conseguia escapar. Ao olhar pelo retrovisor, ela viu um Skyline azul encostar ao seu lado. O motor roncava com uma precisão quase musical.

O motorista baixou o vidro. Era Brian O’Conner. Ele tinha um sorriso fácil, olhos azuis que pareciam ler a alma dela e uma confiança que a irritava e a atraía ao mesmo tempo.

— Bonito carro — disse Brian, inclinando a cabeça com um sorriso de canto. — Mas você sabe que beleza não ganha corrida, certo?

Karen sorriu, sentindo o coração disparar, e não era apenas pelo motor.

— Então é melhor você se preparar para comer poeira, loirinho — respondeu ela, engatando a primeira marcha. — Veremos se você consegue acompanhar uma Toretto.

Brian riu, um som que ficou gravado na mente dela enquanto o sinal de largada caía. O que começou como uma disputa de velocidade transformou-se, em poucas semanas, em algo muito mais profundo. Eles se encontravam às escondidas, longe dos olhos vigilantes de Dom e da intuição aguçada de sua tia Mia. Brian era diferente de todos os caras que Karen conhecia. Ele a ouvia, a desafiava e parecia entender a sua necessidade de voar sobre quatro rodas.

No entanto, o mundo de Karen desabou na noite em que a verdade veio à tona.

Ela estava escondida nos fundos da garagem de Dom, esperando por Brian, quando ouviu vozes alteradas. Ao se aproximar, viu seu pai confrontando Brian. O distintivo brilhava sob a luz fraca das lâmpadas de sódio. Brian era um policial infiltrado. Ele estava ali para vigiar sua família, para prender as pessoas que ela mais amava.

O choque foi físico, como se ela tivesse batido contra um muro de concreto a toda velocidade. Sem dizer uma palavra, Karen recuou para as sombras, pegou as chaves do seu carro e desapareceu na noite.

Três dias se passaram. Três dias de silêncio absoluto que deixaram Dominic Toretto à beira de um colapso e Brian O’Conner em um estado de desespero que nem ele sabia ser capaz de sentir. Dom tinha revirado a cidade atrás da filha, enquanto Brian, agora desonrado perante a polícia e odiado pelos Toretto, usava cada recurso que tinha para rastrear o sinal do rádio do carro dela.

Ele a encontrou finalmente em uma cabana isolada perto da costa, um lugar que Mia havia mencionado uma vez como o refúgio de infância deles. O Mazda de Karen estava estacionado sob uma árvore, coberto pela poeira da estrada.

Brian estacionou o Skyline a alguns metros de distância. Ele saiu do carro devagar, as mãos à mostra, sabendo que qualquer movimento errado poderia ser o seu último se Dom aparecesse por ali. Karen estava sentada na varanda, olhando para o mar, o rosto pálido e os olhos vermelhos de quem não dormia há muito tempo.

— Karen... — chamou ele, a voz rouca.

Ela não se virou. O silêncio entre eles era pesado, carregado de traição e de uma dor que as palavras dificilmente poderiam curar.

— Você veio terminar o serviço? — perguntou ela, a voz fria como o vento do oceano. — Veio prender o resto da família?

Brian deu um passo à frente, parando nos degraus da varanda.

— Eu nunca quis que fosse assim. No começo, era apenas o meu trabalho. Eu tinha uma missão. Mas aí eu conheci você.

— Você mentiu para mim todos os dias — disse ela, finalmente virando o rosto para encará-lo. — Cada beijo, cada promessa... tudo foi parte do disfarce?

— Não! — exclamou Brian, com uma urgência que a fez estremecer. — Nada disso foi mentira. Eu me apaixonei por você antes mesmo de perceber o que estava acontecendo. Eu joguei minha carreira fora por vocês. Eu deixei o Dom ir embora porque eu não podia destruir a família da mulher que eu amo.

Karen se levantou, sentindo uma tontura repentina. Ela se apoiou no corrimão, a mão instintivamente indo para o ventre ainda plano.

— Você não entende, Brian. Você não destruiu apenas a confiança do meu pai. Você destruiu a minha vida.

— Eu posso consertar isso — implorou ele, aproximando-se mais. — Eu não me importo com a polícia, eu não me importo com mais nada. Eu só quero você. Eu te amo, Karen.

— É tarde demais para ser apenas nós dois — sussurrou ela, as lágrimas começando a escorrer novamente.

Brian franziu a testa, confuso com o tom de voz dela.

— Do que você está falando?

Karen respirou fundo, tentando conter o soluço que subia pela garganta.

— Eu sumi porque eu precisava pensar. Porque eu estava passando mal e não sabia o porquê. Eu fui ao médico ontem, Brian.

O coração de Brian falhou uma batida. Ele olhou para a mão dela sobre a barriga e o mundo pareceu parar de girar.

— Karen... você está...?

— Eu estou grávida — disse ela, finalmente deixando o choro transbordar. — Eu estou carregando o filho de um homem que traiu a minha família. Como eu vou dizer isso ao meu pai? Como eu vou olhar para esse bebê e não lembrar que o pai dele era o homem que quase colocou o Dom atrás das grades?

Brian subiu os degraus em um salto e a envolveu em seus braços. Karen tentou resistir no início, empurrando o peito dele, mas a exaustão e o amor que ela ainda sentia falaram mais alto. Ela desabou contra ele, soluçando alto enquanto Brian a apertava, beijando o topo de sua cabeça.

— Eu não vou a lugar nenhum — prometeu Brian, com a voz embargada. — Eu vou enfrentar o seu pai. Eu vou passar o resto da minha vida provando para você e para esse bebê que eu sou o homem que você conheceu naquelas pistas. Eu amo você, Karen. Mais do que a minha própria vida.

— Ele vai matar você — disse ela entre soluços, referindo-se a Dom.

— Deixe que ele tente — respondeu Brian com um sorriso triste, mas determinado. — Se o preço para ficar com vocês for enfrentar o Dom, eu aceito o desafio. Nós somos uma família agora. E, como seu pai sempre diz, você nunca vira as costas para a família.

Karen se afastou um pouco para olhar nos olhos dele. Ela viu a sinceridade, a dor e a promessa de um futuro que, embora incerto e perigoso, era o único que ela queria viver.

— Você vai ter que correr muito, O’Conner — disse ela, limpando as lágrimas. — Porque se o meu pai não te pegar, eu mesma te alcanço.

Brian sorriu, o mesmo sorriso que a fizera se apaixonar meses atrás.

— Eu nunca mais vou fugir de você.

Eles ficaram ali, abraçados diante do mar, sabendo que a estrada à frente seria cheia de curvas perigosas e obstáculos quase impossíveis. Mas, para dois corredores que viviam pelo perigo, não havia nada que o amor e a velocidade não pudessem vencer. A lealdade dos Toretto era lendária, e agora Brian teria que lutar para conquistar seu lugar naquele código de honra, não como um policial, mas como o homem que daria a vida pela filha de Dom e pelo novo herdeiro que estava a caminho.
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