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3 capítulo

Fandom: Nenhum. Apenas um casal

Creado: 19/5/2026

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Sintonias no Balcão de Granito

A semana parecia ter se arrastado por décadas. Para João, cada minuto no trabalho e cada hora de estudo eram pontuados pela lembrança do perfume de baunilha de Eloá e pelo calor daquela noite de apagão que mudara tudo entre eles. O silêncio da casa, que antes era seu refúgio, agora parecia vazio demais sem a risada vibrante dela ecoando pelos corredores.

Quando o sábado finalmente chegou, o sol parecia brilhar com uma intensidade diferente. Dona Marisa, com aquele olhar de quem sabe muito mais do que diz, havia saído cedo para visitar uma irmã no interior, avisando que só voltaria no domingo à noite. O caminho estava livre.

No quarto de João, o brilho azulado da televisão iluminava os rostos concentrados. O PlayStation 2, fiel companheiro de tantas tardes solitárias, agora era o centro de uma disputa acirrada.

— Não vale, João! Você conhece esse mapa de cor! — Eloá protestou, apertando os botões do controle com uma agilidade frenética enquanto tentava ultrapassar o carro dele no Need for Speed.

João soltou uma risada baixa, aquele som rouco e suave que sempre fazia o estômago de Eloá dar voltas. Ele era muito mais alto que ela, e vê-lo ali, sentado no chão com as pernas longas dobradas, concentrado e com os cabelos levemente bagunçados, era uma visão que ela nunca cansaria de apreciar.

— É uma questão de estratégia, Elo — ele respondeu, desviando de um obstáculo na tela com precisão. — Você que é apressada demais.

— Eu não sou apressada, eu sou eficiente! — Ela deu um leve empurrão no ombro dele, tentando desestabilizá-lo.

João cambaleou para o lado, rindo, e acabou perdendo a curva, batendo o carro virtual contra o muro. Eloá soltou um grito de vitória ao cruzar a linha de chegada em primeiro lugar.

— Ganhei! O mestre foi derrotado! — Ela se jogou sobre ele, abraçando-o pelo pescoço.

João a segurou pela cintura, sentindo a leveza do corpo dela contra o seu. A timidez que antes o paralisava ainda existia, mas agora era uma camada fina, quase transparente, que ele conseguia atravessar com um pouco de esforço. Ele a apertou com carinho, enterrando o rosto no pescoço dela por um momento.

— Você trapaceou — sussurrou ele, a voz vibrando contra a pele dela.

— Trapaça é uma palavra muito forte. Eu diria que usei recursos externos — ela brincou, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dele.

O silêncio que se seguiu não era desconfortável. Era carregado de uma eletricidade nova, uma intimidade que eles ainda estavam aprendendo a manejar. João acariciou o rosto de Eloá com o polegar, admirando a doçura de seus traços. Ele ainda se sentia um pouco inseguro sobre o próprio corpo, sobre ser "grande demais" ou "desajeitado", mas a forma como ela o olhava — como se ele fosse a coisa mais incrível do mundo — acalmava seus monstros internos.

— João... — começou ela, com um brilho travesso nos olhos. — Eu estou com fome. De novo.

Ele soltou uma gargalhada genuína.

— Você acabou de comer um pacote inteiro de salgadinho, Elo!

— Jogar exige muita energia mental — ela justificou, levantando-se e estendendo a mão para ele. — Vamos, faz aquele sanduíche especial que só você sabe fazer.

Eles desceram para a cozinha em meio a risos e empurrões leves. A casa estava silenciosa, apenas o som dos passos deles e o zumbido da geladeira preenchiam o ambiente. João começou a separar os ingredientes no balcão de granito escuro, enquanto Eloá se encostava na pia, observando cada movimento dele.

Ele se sentia observado, mas de um jeito bom. Gostava de como ela prestava atenção em suas mãos grandes cortando o queijo com delicadeza. João sempre fora cuidadoso, quase temeroso de quebrar as coisas ao seu redor, mas com Eloá, ele sentia que sua força era um porto seguro, não uma ameaça.

Enquanto João estava de costas, concentrado em montar os lanches, sentiu dois braços pequenos envolverem sua cintura. Eloá colou o corpo nas costas dele, apoiando o rosto entre suas escápulas.

— Você está muito quieto — disse ela, a voz abafada pela camiseta dele.

— Só estou tentando não errar o ponto do pão — ele respondeu, sentindo o coração acelerar. O toque dela sempre tinha esse efeito.

— Esquece o pão por um minuto — ela murmurou, deslizando as mãos para cima, sentindo os músculos das costas dele se contraírem sob o tecido.

João sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele deixou a faca de lado e respirou fundo. A semana de distância tinha deixado uma saudade física que ele mal conseguia conter. Ele virou-se devagar dentro do abraço dela, ficando de frente para a pequena jovem que o dominava sem precisar de esforço nenhum.

— Eloá... a gente devia comer primeiro — ele disse, embora sua voz soasse pouco convincente.

— O sanduíche pode esperar — ela retrucou, ficando na ponta dos pés para selar os lábios nos dele.

O beijo começou calmo, um reconhecimento de território, mas rapidamente ganhou intensidade. João sentiu uma onda de confiança crescer em seu peito. Ele não era mais apenas o garoto tímido que se escondia atrás de mangás; ele era o homem que ela escolhera.

Ele a segurou pela cintura e, com um movimento fluido que surpreendeu até a si mesmo, a ergueu e a sentou no balcão da cozinha. Eloá soltou um pequeno suspiro de surpresa, que logo se transformou em um gemido baixo quando as mãos de João subiram por suas coxas.

— João... — ela sussurrou, as mãos enroscadas nos cabelos da nuca dele.

— Você gosta de tomar a frente, não gosta? — Ele perguntou, a voz agora mais firme, carregada de uma autoridade suave que ela nunca tinha visto. — Mas hoje... hoje eu quero cuidar de você.

Ele a beijou com mais urgência, dominando o espaço entre eles. Suas mãos grandes encontravam o contraste perfeito na pele macia de Eloá. Ele se inclinou sobre ela, forçando-a a se reclinar levemente contra o balcão frio, criando um contraste excitante com o calor de seus corpos.

— Você está sendo muito ousado para um menino tímido — ela provocou entre beijos, a respiração ofegante.

— É culpa sua — ele respondeu, descendo os beijos para a linha do maxilar dela, chegando ao pescoço. — Você me faz querer ser mais.

João parou por um segundo, olhando para a marca leve que ainda restava no pescoço dela de um encontro anterior. Um lampejo de preocupação cruzou seus olhos.

— Sua mãe... ela viu a marca? — perguntou ele, a insegurança tentando retornar.

Eloá envolveu o rosto dele com as duas mãos, obrigando-o a olhar para ela.

— Ela viu. E sabe o que ela disse? — Ela deu um sorriso pequeno. — Disse que eu parecia feliz. João, não se preocupe tanto com o que os outros pensam. O que importa é o que a gente sente aqui, dentro dessa cozinha, nesse quarto, em qualquer lugar.

Ele sorriu, sentindo um peso sair de seus ombros. A aceitação dela era o seu combustível. Ele a puxou para mais perto, sentindo a conexão profunda que ia muito além da pele.

— Eu te amo, Elo — ele confessou, as palavras saindo naturais, sem a gagueira do passado.

— Eu também te amo, meu gigante delicado — ela respondeu, puxando-o para mais um beijo que prometia que a noite estava apenas começando.

O sanduíche, esquecido sobre a tábua, era apenas um detalhe. Naquela cozinha, sob a luz suave do exaustor, João e Eloá não eram apenas dois jovens descobrindo o amor; eram dois universos que finalmente tinham encontrado o ponto exato de colisão, onde a timidez se transformava em força e a amizade em um compromisso eterno.

Eles sabiam que haveria desafios. Sabiam que Dona Marisa provavelmente faria algum comentário sutil no café da manhã de domingo, ou que a reforma no quarto de João traria novas dinâmicas para o espaço deles. Mas, enquanto estivessem juntos, segurando-se um ao outro entre beijos e risadas, o resto do mundo era apenas um cenário distante. Eles eram o centro de sua própria história, e cada capítulo era escrito com a confiança de quem já não tinha medo de se entregar por inteiro.
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