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Amor mais velho
Fandom: As aventuras de Poliana
Creado: 19/5/2026
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RomanceUA (Universo Alternativo)DramaAngustiaEmbarazo No Planificado/No DeseadoDiscriminaciónEstudio de Personaje
Entre Segredos e o Cheiro de Pão Doce
O sol da manhã entrava pelas janelas da Padaria Ora Pães Pães, iluminando as partículas de farinha que flutuavam no ar. Clara, com seus dezenove anos e um sorriso que parecia capaz de iluminar toda a Vila, ajeitava o avental sobre suas curvas generosas. Ela gostava do que via no espelho, embora soubesse que o mundo às vezes olhava torto. Mas Clara era puro movimento, gargalhada alta e uma energia que contagiava qualquer cliente mal-humorado.
— Bom dia, Durval! — exclamou ela, pegando uma bandeja de sonhos recém-saídos do forno. — Hoje o dia promete, sinto que o movimento vai ser grande.
— Espero que sim, Clara. Se depender da sua animação, a gente vende até as prateleiras — Durval respondeu, soltando uma risada curta enquanto limpava o balcão.
Poliana entrou na padaria saltitando, como sempre fazia antes de ir para a escola ou para a Ruth Goulart. Ao ver Clara, os olhos da menina brilharam. Poliana tinha uma admiração genuína pela jovem. Para ela, Clara era a personificação do "Jogo do Contente": sempre via o lado bom de tudo, mesmo morando em um quartinho apertado e contando as moedas no final do mês.
— Clara! Você viu que dia lindo? — Poliana se aproximou, apoiando os cotovelos no balcão.
— Vi sim, Poli! E guardei o seu pão de queijo favorito, aquele bem cascudinho — Clara piscou para a menina, entregando um saquinho de papel.
— Você é a melhor do mundo. Queria que todo mundo tivesse o seu coração — Poliana sorriu, mas logo sua atenção foi desviada para a porta. — Ah, olha só! O meu pai chegou.
Clara sentiu o coração dar um solavanco. Otto Pendleton entrou no estabelecimento com sua postura impecável, o rosto sério que escondia um intelecto brilhante e, para muitos, uma frieza inalcançável. Mas, para Clara, Otto era outra coisa.
— Bom dia, Poliana. Bom dia, Durval — Otto disse, sua voz grave ressoando no ambiente pequeno. Seus olhos, no entanto, pousaram em Clara por um segundo a mais do que o necessário. — Bom dia, Clara.
— Bom dia, Sr. Pendleton — ela respondeu, tentando manter a voz firme, embora suas bochechas estivessem queimando. — O café de sempre? Forte, sem açúcar e com uma gota de silêncio?
Otto permitiu que o canto dos lábios subisse em um quase sorriso.
— Exatamente. Você me conhece bem.
Ninguém ali suspeitava. Nem Poliana, nem Durval, nem os vizinhos fofoqueiros da Vila. Há cinco meses, Clara e Otto viviam em um universo paralelo. Tudo começou com uma conversa sobre tecnologia e pães artesanais tarde da noite, quando ele a encontrou fechando a padaria. O que era para ser um encontro casual de interesses opostos transformou-se em uma paixão avassaladora e clandestina.
Otto, o bilionário reservado, e Clara, a atendente extrovertida da padaria.
Mais tarde naquela noite, o encontro aconteceu como de costume. Clara caminhou até a entrada lateral da mansão Pendleton, onde o segurança já a conhecia e tinha ordens estritas de silêncio. Otto a esperava no escritório, cercado por telas e livros antigos, mas sua expressão mudou completamente quando ela entrou. O homem rígido deu lugar a um ser humano vulnerável.
— Achei que você não viria hoje — disse Otto, levantando-se e indo ao encontro dela. — O dia foi longo na Onze.
— E quando é que eu falto, Otto? — Clara riu, deixando-se envolver pelos braços dele. — Eu sei que você morre de saudade do meu barulho nessa casa tão silenciosa.
— Você não faz ideia do quanto — ele sussurrou, mergulhando o rosto no pescoço dela, sentindo o cheiro de baunilha e fermento que sempre a acompanhava. — Eu amo você, Clara. Do meu jeito torto, mas amo.
— Eu também amo você — ela respondeu, embora uma ponta de tristeza apertasse seu peito.
A condição financeira de Clara era um abismo entre eles que Otto tentava ignorar com presentes caros que ela recusava sistematicamente. Ela não queria o dinheiro dele; ela queria o homem. Mas o segredo estava começando a pesar. Cinco meses escondidos em sombras, entre beijos roubados nos corredores da mansão e mensagens apagadas logo após serem lidas.
Duas semanas depois, o clima mudou. A pressão de manter a fachada, as diferenças sociais e o medo de Otto sobre como a sociedade (e Poliana) reagiria àquela união começaram a criar rachaduras. Otto, em um momento de insegurança e medo de perder o controle de sua vida perfeitamente calculada, disse palavras que não podiam ser retiradas.
— Talvez... talvez a gente precise de um tempo, Clara — Otto disse, sem conseguir olhar nos olhos dela. — Isso está ficando complicado demais. A Poliana está começando a desconfiar, e a imprensa...
— A imprensa ou a sua vergonha de estar com alguém como eu? — Clara interrompeu, a voz trêmula. — Eu sou gorda, Otto. Eu sou pobre. Eu trabalho servindo café. É isso, não é?
— Não! Nunca foi isso! — ele exclamou, mas o tom de hesitação foi o suficiente.
— Chega, Otto. Eu cansei de ser o seu segredo favorito. Se você não tem coragem de segurar a minha mão na frente da sua filha ou do mundo, então você não me merece.
Ela saiu da mansão naquela noite sem olhar para trás, ignorando os chamados dele. O término foi seco, frio e deixou um rastro de destruição no coração de ambos. Otto se trancou em seu laboratório, tentando transformar a dor em código, enquanto Clara se afogava em trabalho na padaria, tentando não chorar toda vez que Poliana mencionava o nome do pai.
Um mês se passou. Clara sentia-se estranha. O cheiro dos pães doces, que antes era seu perfume favorito, agora a fazia correr para o banheiro nos fundos da padaria. A tontura era constante, e o cansaço parecia ter se instalado em seus ossos.
— Clara, você está pálida — Durval comentou, preocupado. — Quer ir para casa mais cedo?
— Não, Durval, eu estou bem. Deve ser só uma virose.
Mas não era uma virose. Clara comprou o teste na farmácia mais distante da Vila, para não correr o risco de encontrar ninguém conhecido. No quartinho simples onde morava, ela esperou os minutos mais longos de sua vida.
Dois traços vermelhos.
Ela se sentou na beira da cama, as mãos trêmulas repousando sobre o ventre ainda plano. Estava grávida de Otto Pendleton. O homem que a amava loucamente, mas que não teve coragem de assumi-la. O homem que agora vivia em uma mansão fria, a poucas quadras dali, sem saber que o fruto daquele amor escondido estava começando a crescer.
— E agora? — sussurrou para as paredes descascadas.
Clara tomou uma decisão difícil. Ela conhecia Otto; se contasse, ele assumiria a criança por dever, por honra, talvez até por amor, mas ela seria eternamente a "mãe do herdeiro", presa a um contrato ou a uma vida de aparências que ele tanto temia quebrar. Ela não queria ser um fardo ou uma obrigação.
Nas semanas que se seguiram, Clara tornou-se mestre em disfarçar. Usava roupas mais largas, culpava o estresse pelas náuseas e evitava Otto a todo custo. Quando ele ia à padaria, ela pedia para Durval atender ou se escondia no estoque.
Otto, por outro lado, estava definhando. Ele sentia falta da risada dela, do modo como ela não tinha medo de desafiá-lo. Ele percebia que ela estava diferente, mais retraída, mas atribuía isso à mágoa do término. Ele queria pedir perdão, queria gritar para o mundo que a amava, mas o orgulho e o medo de ser rejeitado novamente o travavam.
Certo dia, Poliana parou na padaria com um convite.
— Clara, vai ter um jantar na minha casa. O meu pai está muito triste, sabe? Eu acho que ele sente sua falta, embora ele não admita. Você não quer ir?
Clara sentiu um aperto no coração. Ela olhou para Poliana, a menina que seria irmã do bebê que ela carregava. A culpa quase a sufocou.
— Ah, Poli... eu adoraria, mas tenho muito trabalho. Diga ao seu pai que... — ela hesitou, sentindo uma ponta de enjoo — ...diga que eu desejo que ele encontre a paz que procura.
Poliana saiu triste, e Clara teve que se segurar no balcão para não cair. A gravidez estava avançando, e logo seria impossível esconder. Ela precisava de um plano. Precisava decidir se continuaria guardando aquele segredo ou se daria a Otto a chance de ser o pai que ela sabia que ele poderia ser.
Enquanto isso, na mansão, Otto olhava para uma pequena foto que havia tirado de Clara distraída na padaria meses atrás. Ele a amava loucamente. E, sem saber, o destino estava prestes a cobrar o preço de todos os segredos que eles cultivaram entre o cheiro de pão e as sombras do poder.
— Eu vou recuperar você, Clara — Otto prometeu para o vazio do escritório. — Custe o que custar.
Ele só não imaginava que o que custaria era muito mais do que dinheiro ou reputação; custaria a verdade que Clara guardava sob o coração.
— Bom dia, Durval! — exclamou ela, pegando uma bandeja de sonhos recém-saídos do forno. — Hoje o dia promete, sinto que o movimento vai ser grande.
— Espero que sim, Clara. Se depender da sua animação, a gente vende até as prateleiras — Durval respondeu, soltando uma risada curta enquanto limpava o balcão.
Poliana entrou na padaria saltitando, como sempre fazia antes de ir para a escola ou para a Ruth Goulart. Ao ver Clara, os olhos da menina brilharam. Poliana tinha uma admiração genuína pela jovem. Para ela, Clara era a personificação do "Jogo do Contente": sempre via o lado bom de tudo, mesmo morando em um quartinho apertado e contando as moedas no final do mês.
— Clara! Você viu que dia lindo? — Poliana se aproximou, apoiando os cotovelos no balcão.
— Vi sim, Poli! E guardei o seu pão de queijo favorito, aquele bem cascudinho — Clara piscou para a menina, entregando um saquinho de papel.
— Você é a melhor do mundo. Queria que todo mundo tivesse o seu coração — Poliana sorriu, mas logo sua atenção foi desviada para a porta. — Ah, olha só! O meu pai chegou.
Clara sentiu o coração dar um solavanco. Otto Pendleton entrou no estabelecimento com sua postura impecável, o rosto sério que escondia um intelecto brilhante e, para muitos, uma frieza inalcançável. Mas, para Clara, Otto era outra coisa.
— Bom dia, Poliana. Bom dia, Durval — Otto disse, sua voz grave ressoando no ambiente pequeno. Seus olhos, no entanto, pousaram em Clara por um segundo a mais do que o necessário. — Bom dia, Clara.
— Bom dia, Sr. Pendleton — ela respondeu, tentando manter a voz firme, embora suas bochechas estivessem queimando. — O café de sempre? Forte, sem açúcar e com uma gota de silêncio?
Otto permitiu que o canto dos lábios subisse em um quase sorriso.
— Exatamente. Você me conhece bem.
Ninguém ali suspeitava. Nem Poliana, nem Durval, nem os vizinhos fofoqueiros da Vila. Há cinco meses, Clara e Otto viviam em um universo paralelo. Tudo começou com uma conversa sobre tecnologia e pães artesanais tarde da noite, quando ele a encontrou fechando a padaria. O que era para ser um encontro casual de interesses opostos transformou-se em uma paixão avassaladora e clandestina.
Otto, o bilionário reservado, e Clara, a atendente extrovertida da padaria.
Mais tarde naquela noite, o encontro aconteceu como de costume. Clara caminhou até a entrada lateral da mansão Pendleton, onde o segurança já a conhecia e tinha ordens estritas de silêncio. Otto a esperava no escritório, cercado por telas e livros antigos, mas sua expressão mudou completamente quando ela entrou. O homem rígido deu lugar a um ser humano vulnerável.
— Achei que você não viria hoje — disse Otto, levantando-se e indo ao encontro dela. — O dia foi longo na Onze.
— E quando é que eu falto, Otto? — Clara riu, deixando-se envolver pelos braços dele. — Eu sei que você morre de saudade do meu barulho nessa casa tão silenciosa.
— Você não faz ideia do quanto — ele sussurrou, mergulhando o rosto no pescoço dela, sentindo o cheiro de baunilha e fermento que sempre a acompanhava. — Eu amo você, Clara. Do meu jeito torto, mas amo.
— Eu também amo você — ela respondeu, embora uma ponta de tristeza apertasse seu peito.
A condição financeira de Clara era um abismo entre eles que Otto tentava ignorar com presentes caros que ela recusava sistematicamente. Ela não queria o dinheiro dele; ela queria o homem. Mas o segredo estava começando a pesar. Cinco meses escondidos em sombras, entre beijos roubados nos corredores da mansão e mensagens apagadas logo após serem lidas.
Duas semanas depois, o clima mudou. A pressão de manter a fachada, as diferenças sociais e o medo de Otto sobre como a sociedade (e Poliana) reagiria àquela união começaram a criar rachaduras. Otto, em um momento de insegurança e medo de perder o controle de sua vida perfeitamente calculada, disse palavras que não podiam ser retiradas.
— Talvez... talvez a gente precise de um tempo, Clara — Otto disse, sem conseguir olhar nos olhos dela. — Isso está ficando complicado demais. A Poliana está começando a desconfiar, e a imprensa...
— A imprensa ou a sua vergonha de estar com alguém como eu? — Clara interrompeu, a voz trêmula. — Eu sou gorda, Otto. Eu sou pobre. Eu trabalho servindo café. É isso, não é?
— Não! Nunca foi isso! — ele exclamou, mas o tom de hesitação foi o suficiente.
— Chega, Otto. Eu cansei de ser o seu segredo favorito. Se você não tem coragem de segurar a minha mão na frente da sua filha ou do mundo, então você não me merece.
Ela saiu da mansão naquela noite sem olhar para trás, ignorando os chamados dele. O término foi seco, frio e deixou um rastro de destruição no coração de ambos. Otto se trancou em seu laboratório, tentando transformar a dor em código, enquanto Clara se afogava em trabalho na padaria, tentando não chorar toda vez que Poliana mencionava o nome do pai.
Um mês se passou. Clara sentia-se estranha. O cheiro dos pães doces, que antes era seu perfume favorito, agora a fazia correr para o banheiro nos fundos da padaria. A tontura era constante, e o cansaço parecia ter se instalado em seus ossos.
— Clara, você está pálida — Durval comentou, preocupado. — Quer ir para casa mais cedo?
— Não, Durval, eu estou bem. Deve ser só uma virose.
Mas não era uma virose. Clara comprou o teste na farmácia mais distante da Vila, para não correr o risco de encontrar ninguém conhecido. No quartinho simples onde morava, ela esperou os minutos mais longos de sua vida.
Dois traços vermelhos.
Ela se sentou na beira da cama, as mãos trêmulas repousando sobre o ventre ainda plano. Estava grávida de Otto Pendleton. O homem que a amava loucamente, mas que não teve coragem de assumi-la. O homem que agora vivia em uma mansão fria, a poucas quadras dali, sem saber que o fruto daquele amor escondido estava começando a crescer.
— E agora? — sussurrou para as paredes descascadas.
Clara tomou uma decisão difícil. Ela conhecia Otto; se contasse, ele assumiria a criança por dever, por honra, talvez até por amor, mas ela seria eternamente a "mãe do herdeiro", presa a um contrato ou a uma vida de aparências que ele tanto temia quebrar. Ela não queria ser um fardo ou uma obrigação.
Nas semanas que se seguiram, Clara tornou-se mestre em disfarçar. Usava roupas mais largas, culpava o estresse pelas náuseas e evitava Otto a todo custo. Quando ele ia à padaria, ela pedia para Durval atender ou se escondia no estoque.
Otto, por outro lado, estava definhando. Ele sentia falta da risada dela, do modo como ela não tinha medo de desafiá-lo. Ele percebia que ela estava diferente, mais retraída, mas atribuía isso à mágoa do término. Ele queria pedir perdão, queria gritar para o mundo que a amava, mas o orgulho e o medo de ser rejeitado novamente o travavam.
Certo dia, Poliana parou na padaria com um convite.
— Clara, vai ter um jantar na minha casa. O meu pai está muito triste, sabe? Eu acho que ele sente sua falta, embora ele não admita. Você não quer ir?
Clara sentiu um aperto no coração. Ela olhou para Poliana, a menina que seria irmã do bebê que ela carregava. A culpa quase a sufocou.
— Ah, Poli... eu adoraria, mas tenho muito trabalho. Diga ao seu pai que... — ela hesitou, sentindo uma ponta de enjoo — ...diga que eu desejo que ele encontre a paz que procura.
Poliana saiu triste, e Clara teve que se segurar no balcão para não cair. A gravidez estava avançando, e logo seria impossível esconder. Ela precisava de um plano. Precisava decidir se continuaria guardando aquele segredo ou se daria a Otto a chance de ser o pai que ela sabia que ele poderia ser.
Enquanto isso, na mansão, Otto olhava para uma pequena foto que havia tirado de Clara distraída na padaria meses atrás. Ele a amava loucamente. E, sem saber, o destino estava prestes a cobrar o preço de todos os segredos que eles cultivaram entre o cheiro de pão e as sombras do poder.
— Eu vou recuperar você, Clara — Otto prometeu para o vazio do escritório. — Custe o que custar.
Ele só não imaginava que o que custaria era muito mais do que dinheiro ou reputação; custaria a verdade que Clara guardava sob o coração.
