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Fandom: EngLot FayeLotte

Creado: 20/5/2026

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O Caos Tem Nome, Sobrenome e Três Mães

A partida de Charlotte Austin para uma conferência de artes em Paris foi marcada por recomendações minuciosas, um cronograma colado na geladeira e um olhar de profunda desconfiança direcionado às duas mulheres que ficariam a cargo de Sonya. Charlotte conhecia bem a peça que o destino lhe pregara: sua ex-namorada, Faye, e sua atual namorada, Engfa, eram o ápice da hiperatividade e da falta de noção quando juntas.

— Eu deixei tudo etiquetado. As vitaminas da Sonya, o horário do colírio para o astigmatismo e, pelo amor de Deus, não deem açúcar para ela depois das seis da tarde — Charlotte disse, ajustando os óculos de Engfa no rosto da namorada. — Vocês prometem que vão ser responsáveis?

— Char, relaxa! — Engfa exclamou, vestindo uma de suas doze jaquetas de couro favoritas, apesar do calor de Bangkok. — Eu e a Faye somos a definição de maturidade. Não é, Faye?

Faye, que estava no sofá tentando ensinar o cachorro Sunny a equilibrar uma carta de baralho no focinho, levantou o polegar.

— Com certeza. Eu até baixuei um aplicativo de "Como não deixar uma criança botar fogo na casa". Estamos sob controle.

Charlotte suspirou, beijou Sonya — que já planejava como usaria a ausência da mãe mais sensata para conseguir o que queria — e partiu.

O caos começou exatamente quarenta e dois minutos depois que o táxi de Charlotte dobrou a esquina.

— Mamãe Engfa, eu estou com fome — anunciou Sonya, com aquele brilho no olhar que Engfa conhecia bem. Era o brilho da negociação.

— Eu faço um sanduíche, pequena — disse Engfa, levantando-se e quase tropeçando em Kiew, seu cachorrinho que corria atrás do próprio rabo.

— Mas a Mamãe Faye disse que hoje era o "Dia do Sorvete no Jantar" — Sonya mentiu descaradamente, olhando para Faye com uma carinha de anjo.

Faye, que era naturalmente lerda para detectar manipulações infantis e adorava uma aposta, largou o celular.

— Eu disse? Bom, se eu disse, eu cumpro! Mas só se você ganhar de mim no Blackjack com cartas de Pokémon.

— Faye! — Engfa protestou, embora estivesse rindo. — Charlotte vai matar a gente se a Sonya tiver um pico de glicose.

— A Charlotte está em outro fuso horário, Engfa. O que os olhos não veem, o coração não sente e a glicose não acusa — Faye respondeu com um sorriso idiota e sarcástico.

Duas horas depois, a sala de estar parecia um cenário de um dos casos criminais que Engfa tanto gostava de ler. Havia potes de sorvete derretidos, cartas de baralho espalhadas por todo o tapete, Sunny e Kiew disputando um pedaço de casquinha, e Sonya pulando no sofá como se tivesse molas nos pés.

— Eu sou a Rainha de Bangkok! — gritava a menina, a energia transbordando.

Engfa, usando seus óculos de grau que insistiam em escorregar pelo nariz, tentava ler um livro sobre a psicologia de serial killers enquanto Sonya usava suas costas como rampa para carrinhos.

— Faye, faz alguma coisa! — Engfa pediu, irônica. — Você é a mãe biológica, usa seu instinto maternal ou sei lá.

— Meu instinto maternal diz que eu perdi duzentos bahts imaginários para uma criança de seis anos — Faye resmungou, deitada no chão. — Ela é boa demais negociando, Engfa. Ela puxou a Charlotte na lábia e a mim na vontade de apostar. É uma combinação perigosa.

De repente, Sonya parou de pular e olhou para as duas com uma expressão séria.

— Mamães, o Phalo parece triste.

Phalo, o coelhinho de Charlotte, estava em seu cercado, observando a bagunça com o julgamento silencioso que só os coelhos possuem.

— Ele deve estar com saudade da Char — Engfa comentou, sentindo uma pontada de culpa. — Vamos dar um banho nele?

Faye levantou-se num pulo, a ideia idiota brilhando em seus olhos.

— Banho de espuma! Coelhos amam espuma, eu vi em um desenho animado uma vez.

— Faye, eu acho que coelhos não tomam banho de espuma... — Engfa começou a dizer, mas sua hiperatividade falou mais alto. — Mas se a gente usar aquele shampoo de morango da Charlotte, ele vai ficar cheiroso!

O que se seguiu foi uma sucessão de erros catastróficos. Em dez minutos, o banheiro principal estava coberto de água e sabão. Phalo, que obviamente odiava banhos, conseguiu escapar das mãos de Faye, correu pelo corredor deixando pegadas brancas e saltou para dentro do armário de jaquetas de Engfa.

— Não! Minhas jaquetas! — Engfa gritou, correndo atrás do coelho. — Phalo, saia daí agora! Isso é couro legítimo!

— Pega ele, Mamãe Engfa! — Sonya incentivava, achando tudo aquilo a melhor brincadeira do mundo. — Se você pegar, eu deixo você ler seu livro de crimes por dez minutos sem te interromper!

— Negócio fechado! — Engfa mergulhou no armário, derrubando uma fileira de cabides.

Faye, enquanto isso, tentava secar o chão com uma toalha, mas acabou escorregando e caindo de costas, rindo da própria desgraça.

— Engfa, a gente é muito ruim nisso — Faye disse entre gargalhadas. — Como a Charlotte aguenta a gente?

Engfa saiu do armário com Phalo nos braços, o coelho parecia um pequeno monstro de espuma furioso. Ela olhou para Faye, depois para a bagunça, e soltou uma risada sarcástica.

— Ela nos ama porque somos o entretenimento pessoal dela. Mas se ela ver esse chão, ela pede o divórcio e a ordem de restrição contra você no mesmo dia.

Depois de limparem o coelho (da maneira certa, após uma busca rápida no Google que Engfa deveria ter feito antes), as três se amontoaram na cama grande de Charlotte e Engfa. A energia de Sonya finalmente estava baixando, o que era um milagre.

— Mamãe Faye? — Sonya chamou baixinho, abraçada a um urso de pelúcia.

— Oi, pestinha?

— Você vai jogar cartas comigo amanhã de novo?

Faye sorriu, acariciando o cabelo da filha.

— Só se você prometer não contar para a Mamãe Charlotte que a gente jantou sorvete.

— Chantagem? — Engfa interveio, ajeitando a jaqueta jeans que usava como pijama. — Gostei. Ela está aprendendo com a melhor.

— Eu quero negociar — Sonya disse, sentando-se. — Eu não conto do sorvete, mas eu quero ir no treino de Muay-Thai com a Mamãe Engfa amanhã. E quero luvas rosas.

Engfa soltou uma gargalhada e beijou a testa da menina.

— Você é impossível, Sonya. Mas tudo bem, luvas rosas serão providenciadas. Agora, sono. Se a Charlotte ligar por vídeo e vir essas olheiras em você, ela volta de Paris no próximo voo só para me dar uma surra.

O silêncio finalmente reinou na casa, mas durou pouco. No meio da noite, Engfa acordou com um barulho na cozinha. Sendo a entusiasta de casos criminais que era, ela imediatamente pensou no pior.

— Faye! — ela sussurrou, cutucando a outra mulher que dormia pesadamente ao seu lado. — Faye, acorda! Tem um intruso na cozinha.

Faye abriu um olho, confusa.

— É a Charlotte? Ela voltou cedo para nos prender?

— Não, idiota! Um ladrão! Pega o Sunny, eu pego o Kiew. Vamos fazer uma emboscada.

As duas desceram as escadas na ponta dos pés. Engfa empunhava uma espátula de cozinha e Faye segurava um baralho, como se fosse arremessar cartas como um ninja. Ao acenderem a luz, depararam-se com Sonya sentada na bancada, tentando alcançar o pote de cookies que Charlotte tinha escondido no alto do armário.

— Sonya! — as duas exclamaram em uníssono.

— Eu perdi o sono — a menina explicou, com a maior calma do mundo. — E como eu ganhei da Mamãe Faye no jogo, eu achei que tinha direito a um prêmio de consolação.

Faye olhou para Engfa.

— Ela usou lógica, Engfa. Eu não consigo argumentar contra lógica.

— São três da manhã, Sonya — Engfa disse, tentando parecer severa, mas falhando miseravelmente. — Se você comer esse cookie agora, vai ficar acordada até depois de amanhã.

— Se vocês me derem o cookie, eu ajudo a arrumar a bagunça das tintas que eu fiz no tapete do ateliê da Mamãe Charlotte enquanto vocês limpavam o Phalo — Sonya disparou a proposta com a precisão de uma negociadora experiente.

Engfa e Faye se entreolharam, o pânico subindo pela espinha.

— Que bagunça de tintas, Sonya? — Faye perguntou, a voz falhando.

— Uma tela nova. Eu chamei de "O Caos das Mamães". Tem muito azul e um pouco de glitter.

Engfa levou a mão à testa, derrubando os óculos.

— Faye, a gente está frita.

— Frita? Engfa, a gente está carbonizada.

O restante da madrugada foi passado em uma operação de limpeza de elite. Engfa usava suas habilidades de observação para remover manchas de tinta, enquanto Faye tentava, sem sucesso, distrair os cachorros que queriam lamber o glitter. Sonya, a verdadeira mestre das marionetes, observava tudo comendo seu cookie calmamente.

No quarto dia, quando Charlotte finalmente abriu a porta de casa, ela encontrou um cenário suspeitosamente perfeito. A casa estava brilhando, Phalo estava escovado, Sonya estava sentada lendo um livro (de cabeça para baixo, mas lendo) e as duas mulheres estavam sentadas no sofá com sorrisos amarelos.

— Cheguei! — Charlotte anunciou, deixando as malas de lado. — Como foram as coisas por aqui? Ninguém morreu? O Phalo está bem? Sonya, você comeu abacaxi?

— Tudo perfeito, meu amor — Engfa disse, levantando-se para dar um beijo na namorada, tentando esconder o fato de que sua jaqueta favorita agora tinha uma pequena mancha de tinta azul na manga.

— Foi super tranquilo, Char — Faye completou, levantando-se também. — Sonya foi um anjo. Quase não deu trabalho.

Charlotte caminhou pela sala, observando cada detalhe com seus olhos de águia. Ela parou em frente ao ateliê e viu a tela de Sonya, agora seca.

— "O Caos das Mamães"? — Charlotte leu o título que Sonya tinha escrito com canetinha no canto. — Que interessante. Tem muito glitter azul aqui... e por que o Phalo está cheirando a morango?

Engfa e Faye congelaram. Sonya se aproximou de Charlotte, pegou sua mão e sorriu com aquela doçura que desarmava qualquer um.

— É que a gente sentiu muito a sua falta, Mamãe. Aí a gente decidiu fazer arte para passar o tempo. Não foi, Mamãe Faye? Não foi, Mamãe Engfa?

Faye limpou a garganta, nervosa.

— É... arte. Exatamente. Uma expressão artística coletiva.

Charlotte olhou para as três. Ela viu a mancha na jaqueta de Engfa, o resto de glitter no cabelo de Faye e a satisfação no rosto de Sonya. Ela sabia exatamente o que tinha acontecido. O caos tinha reinado, e as duas "adultas" tinham sido completamente dominadas por uma criança de seis anos.

— Sei... — Charlotte sorriu, relaxando os ombros. — Bom, eu trouxe presentes de Paris. Mas só para quem não tentou dar banho de espuma no coelho.

Engfa e Faye baixaram a cabeça simultaneamente.

— Foi ideia da Faye! — Engfa acusou.

— Traidora! Você que pegou o shampoo! — Faye rebateu.

Sonya apenas estendeu a mão para Charlotte.

— Eu não tive ideia nenhuma, Mamãe. Eu só observei. Posso ver meu presente agora?

Charlotte riu, abraçando a filha. O caos era constante, a responsabilidade era um conceito fluido naquela casa, mas enquanto as três estivessem juntas — com seus cachorros, coelhos e jaquetas — tudo estava exatamente onde deveria estar.

— Da próxima vez — Charlotte sussurrou para Engfa enquanto a abraçava —, eu levo a Sonya e deixo você e a Faye sozinhas. Acho que a casa corre menos risco assim.

— Ei! — Engfa protestou, mas logo sorriu, ajustando os óculos. — Pelo menos o Phalo nunca esteve tão cheiroso.
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