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Anatomia do amor

Fandom: Greys anatomy

Creado: 20/5/2026

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Segredos entre Bisturis e Lençóis

O sol mal havia começado a iluminar as janelas de vidro do Seattle Grace Mercy West quando Clara Sloan estacionou seu carro. Ela respirou fundo, ajustando o decote do seu scrub azul marinho que abraçava suas curvas de forma generosa. No banco do passageiro, Mark Sloan terminava de abotoar a camisa, exibindo aquele sorriso convencido que, em noventa por cento do tempo, dava a Clara uma vontade incontrolável de beijá-lo e, nos outros dez, de atirá-lo de uma ponte.

— Lembra das regras, Mark? — Clara perguntou, retocando o batom cor de boca enquanto se olhava no espelho retrovisor. — Nada de "querida", nada de tapinhas na bunda no corredor e, pelo amor de Deus, não mencione que dormimos na mesma cama ontem à noite.

Mark soltou uma risada anasalada, passando a mão pelo cabelo perfeitamente grisalho.

— Você é quem manda, Dra. Sloan. Ou devo dizer, Dra. "Ex-esposa-que-não-consegue-assinar-o-divórcio"?

Clara revirou os olhos, saindo do carro e batendo a porta com um pouco mais de força do que o necessário.

— Nós dois sabemos que quem "esqueceu" de levar os papéis para o cartório nas últimas cinco vezes foi você, Mark. Agora se apresse, ouvi dizer que o Chefe Webber odeia atrasos, e eu tenho uma substituição de válvula aórtica às oito.

Eles caminharam em direção à entrada do hospital com uma distância milimetricamente calculada. Para qualquer observador externo, eram apenas dois cirurgiões talentosos e extremamente atraentes chegando para mais um dia de trabalho. Ninguém desconfiaria que, meia hora antes, eles estavam disputando quem tinha usado todo o café na cozinha do apartamento que compartilhavam.

Ao cruzarem as portas automáticas, o caos familiar do hospital os envolveu. Derek Shepherd foi o primeiro a avistá-los próximo ao balcão das enfermeiras.

— Mark! E você deve ser a Dra. Clara. Webber me avisou que a nova estrela da cirurgia cardíaca chegaria hoje.

Clara sorriu, estendendo a mão para Derek com uma confiança que fez Mark apertar os olhos, levemente incomodado com a atenção.

— É um prazer, Dr. Shepherd. Ouvi dizer que você é o melhor neurocirurgião da costa oeste. Espero que suas mãos sejam tão boas quanto sua reputação.

— Elas são — Derek riu, apertando a mão dela — e Mark já me contou muito sobre você.

Clara lançou um olhar mortal para o marido, que apenas deu de ombros, fingindo ler um prontuário.

— Ah, tenho certeza que ele contou — disse Clara, o tom carregado de um deboche ácido que só Mark entendia. — Ele provavelmente mencionou como eu costumo consertar os estragos que cirurgiões plásticos fazem quando tentam ser ambiciosos demais.

— Ei! — Mark protestou, finalmente fechando o prontuário. — Eu sou um artista, Clara. Você é apenas uma encanadora de luxo que mexe em tubulações entupidas.

— Uma encanadora que mantém os pacientes vivos para que você possa deixá-los bonitos no caixão, Sloan — ela rebateu, aproximando-se dele o suficiente para que apenas ele sentisse o perfume dela. — Agora, se me dão licença, tenho vidas para salvar. Coisas que pessoas com ego menor que o seu fazem.

Ela se afastou, o quadril balançando de forma provocante. Mark ficou parado por um segundo a mais do que o socialmente aceitável, observando-a ir.

— Ela é... intensa — comentou Derek, arqueando uma sobrancelha. — Como vocês se conhecem mesmo?

— Faculdade — mentiu Mark, sem hesitar. — Ela era a garota chata que tirava notas melhores que as minhas e nunca me dava bola. Algumas coisas nunca mudam.

***

O dia seguiu em um ritmo frenético. Clara provou em poucas horas por que era considerada uma das melhores. Sua técnica era impecável, sua calma sob pressão era lendária e sua presença na sala de cirurgia comandava respeito. No entanto, o destino — ou o quadro de cirurgias — parecia determinado a testar o segredo deles.

Por volta das duas da tarde, um trauma grave chegou à emergência: um acidente de carro que exigia reparo cardíaco e reconstrução facial imediata.

— Eu preciso de campo! — gritou Clara, com as mãos mergulhadas no peito aberto do paciente enquanto o sangue espirrava em seu protetor facial. — Cadê a plástica?

— Estou bem aqui, Sloan. Pare de gritar, está assustando as enfermeiras — Mark entrou na sala, já devidamente paramentado.

— Eu não estou gritando, estou sendo eficiente. Algo que você entenderia se não passasse tanto tempo admirando seu próprio reflexo nas lâmpadas da sala de cirurgia — ela retrucou, sem desviar os olhos do coração que batia irregularmente.

— Você está tensa — Mark comentou, posicionando-se do outro lado da mesa. — Talvez precise de uma massagem. Eu conheço um ótimo lugar... ouvi dizer que as mãos do terapeuta são mágicas.

Clara sentiu o rosto esquentar por baixo da máscara. Ela sabia exatamente a que "lugar" e a que "mãos" ele estava se referindo.

— Dr. Sloan, se você disser mais uma palavra que não seja relacionada à reconstrução do osso zigomático desse paciente, eu vou pedir para a segurança retirá-lo da minha sala.

— Sua sala? — Mark riu, começando a trabalhar com delicadeza. — Eu não vejo seu nome na porta.

— Veja o prontuário. Eu sou a cirurgiã responsável. Você é o acessório estético.

Os internos que auxiliavam na cirurgia, incluindo uma Meredith Grey curiosa e um Alex Karev confuso, trocavam olhares rápidos. A tensão entre os dois era palpável, mas não parecia ser ódio puro. Era algo mais elétrico, uma faísca que ameaçava incendiar o oxigênio da sala.

— Vocês sempre brigam assim? — perguntou Karev, incapaz de segurar a língua.

— Sempre — responderam Clara e Mark em uníssono.

— Ela é insuportável — completou Mark.

— Ele é um idiota egocêntrico — finalizou Clara, dando um ponto final perfeito na sutura do átrio.

***

Ao final do turno de doze horas, Clara estava exausta. Seus pés latejavam e tudo o que ela queria era um banho quente e silêncio. Ela entrou na sala de descanso dos médicos, acreditando estar sozinha, mas encontrou Mark sentado no sofá, com os pés em cima da mesa de centro, comendo um sanduíche de aparência duvidosa da lanchonete.

— Você sabe que é proibido colocar os pés aí — ela disse, fechando a porta atrás de si e encostando a cabeça na madeira fria.

— As regras não se aplicam a mim, você sabe disso.

Clara caminhou até ele, parando entre suas pernas abertas. Ela o encarou com um olhar de cansaço, mas também de afeição mal disfarçada.

— Você foi bem hoje — ela admitiu em voz baixa. — A reconstrução ficou perfeita. O paciente não vai ter sequer uma cicatriz visível.

Mark largou o sanduíche e envolveu a cintura dela com os braços, puxando-a para mais perto. O corpo gordinho e macio de Clara era o seu porto seguro, o contraste perfeito para a rigidez da sua vida no hospital.

— E você salvou o coração dele para que ele pudesse sentir o rosto — Mark murmurou, a voz agora rouca e desprovida de deboche. — Você é incrível, Clara. Mesmo sendo uma mandona de primeira categoria.

— E você continua sendo um convencido que não sabe onde guardou os papéis do divórcio — ela sussurrou, passando os dedos pelos cabelos dele.

— Eu sei exatamente onde eles estão — Mark sorriu, puxando-a para um beijo lento e profundo que drenou o restante da energia de Clara, substituindo-a por um calor familiar. — Estão no fundo da gaveta de meias, debaixo de uma pilha de fotos da nossa lua de mel em Paris. E é lá que vão ficar.

Clara se afastou apenas alguns centímetros, o suficiente para olhar nos olhos azuis dele.

— O pessoal vai desconfiar, Mark. A forma como você me olha... não é como você olha para as enfermeiras.

— E como eu te olho?

— Como se eu fosse a única pessoa nesta droga de hospital que realmente importa.

Mark deu um beijo casto na ponta do nariz dela.

— Talvez porque você seja. Mas não se preocupe, amanhã eu volto a ser o Dr. Sloan, o garanhão da plástica, e você volta a ser a Dra. Sloan, a carrasca da cardíaca.

— Justo — ela concordou, sentando-se no colo dele. — Mas agora... a sala de suprimentos do segundo andar está vazia. E eu ouvi dizer que a tranca daquela porta é excelente.

Mark levantou-se num salto, segurando-a nos braços com uma facilidade que sempre a surpreendia.

— Dra. Sloan, eu adoro o seu modo de pensar.

— Menos conversa, Sloan. Mais ação.

Eles saíram da sala de descanso com a cautela de dois adolescentes fugindo de casa, sem saber que, no corredor ao lado, Callie Torres os observava com um sorriso malicioso, tendo acabado de descobrir o segredo mais bem guardado do Seattle Grace. O jogo de deboche e brigas estava apenas começando, e o hospital nunca mais seria o mesmo com os dois Sloan ocupando os corredores.
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