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Severus filho de Poseidon

Fandom: Harry Potter

Creado: 14/12/2025

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O Despertar da Maré


A noite era fria e úmida, como tantas outras no castelo de Hogwarts, mas esta em particular prometia ser memorável por razões que ninguém, muito menos Severus Snape, poderia prever. O ar gelado da primavera cortava a pele, e as estrelas cintilavam em um céu sem nuvens, indiferentes à pequena tragédia pessoal que estava prestes a se desenrolar às margens do Lago Negro.

Severus, com seus quinze anos e a habitual expressão de desdém presa ao rosto, caminhava de volta aos dormitórios da Sonserina após mais uma sessão tediosa na biblioteca. Ele ansiava pelo silêncio reconfortante de seu canto isolado, longe dos olhares curiosos e, mais importante, dos Marotos. O quarteto infernal, como ele os chamava em seus pensamentos mais sombrios, era a praga de sua existência em Hogwarts, e hoje, o pressentimento de que algo ruim estava por vir era quase palpável.

Mal sabia ele que seu pressentimento era terrivelmente preciso.

Ao se aproximar da orla do Lago Negro, um grupo de figuras se destacava na penumbra. Seus corações afundaram. Lá estavam eles: James Potter, com seu cabelo despenteado e sorriso arrogante; Sirius Black, com sua beleza rebelde e olhar de diversão perigosa; Remo Lupin, o mais contido, mas ainda cúmplice; e Pedro Pettigrew, o sempre leal, mas covarde, seguidor.

"Ora, ora, vejam só quem o vento trouxe," zombou James, sua voz ecoando na quietude da noite. "O Pequeno Príncipe da Escuridão, passeando sozinho. Perdido, talvez, Snape?"

Severus apertou os lábios, a raiva fervendo sob sua pele. Ele tentou ignorá-los, passar direto, mas Potter e Black eram como ímãs para problemas, e ele, infelizmente, era o polo oposto.

"Não perca seu tempo comigo, Potter," Severus respondeu, sua voz um sibilo baixo e controlado. "Tenho coisas mais importantes a fazer do que aturar a sua insolência."

Sirius riu, um som estridente que perfurou o silêncio. "Ah, mas nós temos todo o tempo do mundo, Snivellus. E hoje, temos um presente especial para você."

Antes que Severus pudesse reagir, Potter e Black se moveram com a velocidade de apanhadores em uma partida de Quadribol. Eles o encurralaram em segundos, suas mãos fortes agarrando seus braços. Severus lutou, mas era dois contra um, e a surpresa o pegou desprevenido.

"Soltem-me, seus brutos imundos!" ele rosnou, o pânico começando a se misturar à sua raiva.

"Não seja tão dramático, Snivellus," disse James, seu sorriso se alargando. "É só um banho rápido. Para refrescar suas ideias."

E com uma força combinada, eles o levantaram. Severus se debateu furiosamente, suas vestes esvoaçando, mas era inútil. Em questão de segundos, ele estava de cabeça para baixo, suspenso sobre as águas escuras e geladas do Lago Negro.

O riso dos Marotos reverberou na noite, acompanhado pelos murmúrios e risinhos de outros estudantes que, atraídos pela comoção, começaram a se aglomerar nas margens, observando o espetáculo humilhante. O coração de Severus batia forte, não apenas pelo medo do frio iminente, mas pela profunda e avassaladora vergonha.

Ele podia sentir o sangue correndo para sua cabeça, seu cabelo escuro pendurado frouxamente, quase tocando a superfície do lago. As gotas frias da água já salpicavam seu rosto. Ele ouviu Lily, sua melhor amiga, gritar de algum lugar na multidão: "Parem com isso! Deixem-no em paz!" Mas sua voz se perdeu no coro de risos e zombarias.

"É hora do mergulho, Snivellus!" James gritou, e então, sem aviso, ele e Sirius o soltaram.

Severus caiu.

A água gelada o envolveu em um choque brutal, cortando sua respiração. Ele afundou, a escuridão do lago o engolindo. O frio era excruciante, penetrando em seus ossos, e o pânico se apoderou dele. Ele tentou nadar, se impulsionar para cima, mas suas vestes pesadas o puxavam para baixo. A sensação de afogamento era sufocante, a água invadindo seus pulmões.

Mas então, algo estranho aconteceu.

No fundo do lago, no limiar da consciência, uma sensação estranha e poderosa começou a se manifestar. Não era o frio paralisante, nem o pânico. Era uma força, uma energia que pulsava em suas veias, respondendo à sua aflição. A água ao seu redor, que antes parecia uma ameaça, de repente não era mais tão hostil. Em vez disso, parecia... familiar. Como se fosse uma parte dele.

Uma raiva primordial, algo muito mais profundo do que a humilhação comum, irrompeu dentro dele. Não era a raiva mesquinha contra os Marotos, mas uma fúria ancestral, uma indignação que parecia vir de dentro do próprio lago. Ele sentiu uma conexão inegável com a vastidão aquática, uma voz silenciosa que lhe sussurrava segredos antigos.

Ele não estava se afogando. Ele estava... respirando.

Mesmo debaixo d'água, ele podia ouvir o riso abafado dos Marotos, as zombarias dos outros alunos. A imagem de James e Sirius, com seus sorrisos vitoriosos, gravou-se em sua mente. E então, algo se partiu dentro de Severus. Uma barreira, uma represa que ele nem sabia que existia.

Seus olhos, normalmente opacos e escuros, brilharam com uma intensidade nunca antes vista. Uma energia azul-esverdeada, quase luminosa, irradiava dele. Ele estendeu as mãos, instintivamente, e a água respondeu.

Lá em cima, nas margens, a cena de risos e escárnio parou abruptamente.

O Lago Negro, que sempre fora uma superfície calma e espelhada, começou a se agitar violentamente. Pequenas ondulações se transformaram em ondas maiores, batendo nas margens com força crescente. O vento soprou forte, mas não era um vento comum; era um vento úmido, salgado, carregado da essência do mar, e vinha do próprio lago.

Então, com um estrondo ensurdecedor que fez as janelas de Hogwarts tremerem, uma coluna de água gigantesca se ergueu do centro do lago. Era uma onda colossal, um tsunami em miniatura, que se elevou aos céus noturnos antes de desabar com fúria sobre as margens.

Os Marotos, ainda rindo um momento antes, foram os primeiros a serem atingidos. A onda os varreu como se fossem bonecos de pano, jogando-os para longe, encharcados e aterrorizados. James Potter, com seu cabelo molhado espetado, engasgou com a água, seus óculos voando para longe. Sirius Black, com seu rosto pálido, lutou para se manter de pé. Remo Lupin e Pedro Pettigrew foram arrastados pela correnteza, gritando de surpresa e pavor.

A onda não parou neles. Ela se estendeu, atingindo a multidão de alunos curiosos, que foram encharcados e jogados no chão, suas vestes coladas ao corpo. Gritos de choque e pânico preencheram o ar, substituindo os risos de escárnio.

Apenas um ponto permaneceu seco em meio ao caos aquático.

Severus Snape.

Ele emergiu do lago, não pingando ou tremendo de frio, mas completamente seco, como se a água tivesse simplesmente se afastado dele. Seus cabelos, antes molhados e grudados, estavam agora secos e esvoaçantes, e seus olhos brilhavam com uma luz sobrenatural. A água do lago parecia dançar ao seu redor, obedecendo a um comando silencioso.

A onda recuou, mas as águas do lago continuavam agitadas, como se estivessem em fúria. Um silêncio mortal caiu sobre a multidão, que agora observava Severus com uma mistura de medo e assombro.

Ele estava de pé, imponente, no meio da margem enlameada, cercado por alunos encharcados e assustados. Sua expressão não era de triunfo, mas de uma profunda e perturbadora realização. Uma voz, não de sua própria mente, mas de algum lugar profundo dentro dele, sussurrava: "Filho de Poseidon."

Severus olhou para os Marotos, que agora se levantavam, cambaleando e tossindo, seus rostos pálidos de choque. O sorriso arrogante de James Potter havia desaparecido, substituído por um olhar de terror puro. Sirius Black parecia ter visto um fantasma.

"Você..." James começou, sua voz falhando. "O que... o que foi isso?"

Severus não respondeu com palavras. Ele simplesmente estendeu uma mão em direção ao lago, e as águas se agitaram novamente, formando uma pequena e ameaçadora coluna que pairou no ar, apontada diretamente para os Marotos.

O pânico nos olhos deles era inegável.

"Severus!" A voz de Lily Evans, agora cheia de apreensão, rompeu o silêncio. Ela se aproximou, hesitante, seus olhos verdes fixos no amigo. Ela estava encharcada, mas seu olhar era de preocupação genuína, não de medo. "O que está acontecendo?"

Severus olhou para ela, e a raiva em seus olhos diminuiu um pouco, substituída por uma confusão. Ele não entendia o que havia acontecido, mas sabia que algo fundamental havia mudado. Ele sentia o poder pulsando em suas veias, uma conexão inegável com a água, com o próprio Lago Negro.

Ele era diferente.

A coluna de água que pairava sobre os Marotos baixou lentamente, mas a ameaça ainda estava lá. Severus sabia que poderia ter feito muito pior. Ele poderia ter os afogado, tê-los esmagado. Mas a presença de Lily, sua voz preocupada, o trouxe de volta à realidade, ou pelo menos, à sua nova realidade.

Ele se virou e, sem uma palavra, começou a andar. Não para os dormitórios da Sonserina, mas para a orla do lago, em direção à Floresta Proibida, como se fosse guiado por uma força invisível. A água do lago parecia se curvar a cada passo seu, abrindo caminho para ele, e suas vestes permaneciam secas e intocadas.

Os alunos, ainda em choque, observaram-no desaparecer na escuridão da floresta, deixando para trás um rastro de confusão, medo e a certeza de que algo extraordinário havia acontecido.

Severus Snape, o garoto humilhado e zombado, agora era algo mais. Ele era o filho do mar, um herdeiro de um poder ancestral, e o Lago Negro havia sido a testemunha de seu despertar. Sua vida, e o mundo bruxo, nunca mais seriam os mesmos. A maré havia virado.
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