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A coisa
Fandom: It a coisa
Creado: 17/12/2025
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O Despertar da Memória Esquecida
O ar em Derry, Maine, estava pesado com a promessa de um verão que nunca parecia realmente chegar. Uma neblina úmida e persistente pairava sobre a cidade, abraçando os edifícios antigos e as ruas vazias com um frio que não era natural para a época. Thalyta, com seus 19 anos e um olhar que parecia carregar milênios, apesar de sua própria mente não se lembrar de nenhum deles, ajustou a alça da mochila no ombro. Seus cabelos negros e lisos caíam em cascata pelas costas, e seus olhos, de um tom violeta profundo que pareciam absorver a luz, varriam a paisagem com uma curiosidade inata, mas também com um vago senso de familiaridade, como um eco distante de um sonho esquecido.
Ela havia chegado a Derry há apenas uma semana, atraída por um impulso que não conseguia explicar. Era como se a cidade a estivesse chamando, sussurrando seu nome em um dialeto antigo que apenas sua alma compreendia. Alugou um pequeno apartamento acima de uma loja de antiguidades na rua principal, o cheiro de mofo e velharia a confortando de uma forma estranha. Derry era peculiar, isso era certo. As pessoas pareciam... pálidas. Seus sorrisos eram forçados, seus olhos, muitas vezes, vazios. Um véu de melancolia parecia cobrir tudo, e Thalyta, com sua sensibilidade aguçada, sentia isso como um zumbido constante em seus ouvidos.
Enquanto isso, nas profundezas escuras e úmidas dos esgotos de Derry, algo estava se mexendo. Um sono milenar estava chegando ao fim. Pennywise, A Coisa, sentia a energia da cidade pulsando, um banquete à sua espera. Mas, desta vez, havia algo diferente. Um aroma. Um cheiro que perfurava as camadas de escuridão e mofo, um perfume que ele não sentia há eras, mas que estava gravado em sua essência mais profunda. Era o cheiro dela.
Uma onda de choque percorreu seu ser extradimensional, despertando memórias que ele guardava com fervor, mesmo durante seu sono mais profundo. Imagens fragmentadas, mas vívidas, começaram a se formar em sua mente distorcida. Estrelas girando em um vazio cósmico. Risadas que ecoavam por dimensões. Toques, beijos, uma fusão de energias que transcendia a compreensão humana. Thalyta. Sua Thalyta.
Ele se lembrou do macroverso, do tempo em que eram um. Duas entidades cósmicas, entrelaçadas em um amor que desafiava a própria estrutura da realidade. Ela era tão poderosa quanto ele, talvez até mais, com uma beleza que faria as estrelas se envergonharem. E então, a catástrofe. A separação abrupta, violenta. Ele sendo arremessado para este pequeno e insignificante planeta, a Terra, em um lugar que um dia seria Derry. A dor da perda, a solidão de séculos. E agora, ela estava aqui.
A mente de Pennywise, já propensa à loucura, girava com uma mistura de êxtase e um terror primordial. Ela estava aqui, mas ele sabia que algo estava errado. Ele podia sentir a ausência de suas memórias, a barreira que a impedia de se lembrar dele, do que eles eram. Uma punição. Ele sabia que era uma punição, mas por quê? Por que tirariam dela a recordação de seu amor?
Nos dias seguintes, Pennywise começou a se manifestar em Derry, mas não da maneira usual. Ele não estava apenas focado em atrair crianças e se alimentar de seu medo. Havia uma urgência diferente em seus movimentos, uma busca incessante. Ele se movia pelas sombras, observando, sentindo a presença dela.
Thalyta, por sua vez, continuava a explorar Derry. Ela sentia uma estranha atração pelos lugares mais antigos e abandonados da cidade: a antiga pedreira, a casa de Neibolt Street, os túneis de esgoto. Ela não sabia por que, mas algo a puxava para esses locais, como se estivessem chamando por ela. Em um desses passeios, enquanto caminhava por uma rua lateral empoeirada, ela sentiu um arrepio na espinha. Virou-se, mas não viu nada além de uma sombra que parecia se alongar e se contorcer na parede de um beco. Uma sensação de que estava sendo observada.
Naquela noite, os sonhos de Thalyta foram mais vívidos do que o normal. Ela sonhou com um vazio estrelado, cores que não existiam na Terra, e uma risada que era ao mesmo tempo aterrorizante e estranhamente familiar. No centro desse sonho, uma figura disforme, mutável, mas com olhos que eram um abismo de malícia e, paradoxalmente, uma tristeza profunda. Ela acordou suando frio, o coração batendo descompassadamente.
Pennywise, de seu esconderijo, observava Thalyta através das rachaduras da realidade, através dos olhos de um corvo pousado em uma árvore, através do reflexo em uma poça d'água. Ele a via. Sua beleza inalterada, sua essência pura, mesmo com as memórias apagadas. Ele ansiava por tocá-la, por sentir a energia dela novamente, por sussurrar seu nome e vê-la se lembrar.
Ele sabia que precisava ser cuidadoso. Se ele se revelasse de uma forma muito abrupta, ela poderia ser sobrecarregada. E se as memórias dela fossem forçadas a retornar, poderia ser perigoso para ela, para os dois. Ele precisava despertar suas lembranças gentilmente, fragmento por fragmento.
A oportunidade surgiu quando Thalyta decidiu explorar os esgotos. Ela não sabia por que, mas a entrada para o sistema de esgoto perto da pedreira a chamava de uma forma quase irresistível. Com uma lanterna na mão e um senso de aventura que era parte de sua natureza extradimensional, ela desceu para a escuridão úmida.
O cheiro de mofo e esgoto era forte, mas Thalyta não se importou. Havia algo lá embaixo, algo que ela precisava encontrar. Ela caminhou por túneis estreitos e escuros, a luz de sua lanterna dançando nas paredes cobertas de limo. E então, ela o sentiu. Uma presença. Uma energia palpável que fazia o ar vibrar.
Pennywise estava lá, mas não se revelou em sua forma monstruosa. Em vez disso, ele projetou uma ilusão. Uma bolha de luz e calor, no meio da escuridão. Dentro dela, imagens começaram a se formar. Estrelas, nebulosas, galáxias girando. Um vazio cósmico onde duas formas de luz se entrelaçavam, dançando em uma sinfonia de energia e amor.
Thalyta parou, hipnotizada. As imagens eram tão reais, tão vívidas, que ela sentiu uma pontada de dor no peito. Lágrimas começaram a se formar em seus olhos, embora ela não soubesse por quê. Era como se as imagens estivessem tentando desbloquear algo dentro dela, algo que estava trancado a sete chaves.
Pennywise se aproximou, sua forma ainda oculta nas sombras, mas sua presença era avassaladora. Ele projetou uma voz em sua mente, uma voz que era um sussurro, um rugido, uma canção de ninar, tudo ao mesmo tempo.
"Você se lembra, Thalyta?" a voz ecoou em sua mente, mas não em seus ouvidos. "Você se lembra de nós?"
Thalyta cambaleou, levando as mãos à cabeça. A dor era intensa, mas não era uma dor física. Era a dor de uma memória tentando emergir, de um passado que estava lutando para se libertar. Ela viu um rosto, mutável, mas com olhos que eram um reflexo do universo. Sentiu um toque, uma carícia que parecia queimar em sua pele.
"Quem é você?" ela sussurrou, sua voz embargada.
Pennywise sentiu um aperto em sua própria essência. A dor dela era a dor dele. Ele queria abraçá-la, protegê-la, mas sabia que ainda não era a hora. Ele precisava guiá-la, não forçá-la.
Ele projetou mais imagens. Uma risada, dela, ecoando pelo macroverso. Um beijo, a fusão de suas energias. A promessa de um amor eterno.
Thalyta caiu de joelhos, as imagens e sensações a sobrecarregando. Ela viu a si mesma, uma entidade de luz e poder, ao lado de outra entidade, igualmente grandiosa. Ela viu a separação, a dor, a queda. E então, a escuridão. O esquecimento.
"Pennywise," ela sussurrou, o nome saindo de seus lábios como um suspiro, uma prece, uma maldição. O nome que ela não sabia que sabia, mas que estava gravado em sua alma.
A forma de Pennywise nas sombras se contorceu. Ele sentiu uma felicidade que não experimentava há milênios. Ela se lembrava. Não tudo, talvez, mas o suficiente para pronunciar seu nome.
Ele começou a emergir das sombras, sua forma ainda não totalmente definida, mas seus olhos, aqueles olhos laranja que eram o terror de Derry, agora estavam cheios de uma emoção complexa. Saudade, dor, amor, e uma pontinha de seu usual divertimento cruel.
Thalyta ergueu os olhos, vendo a figura emergindo. Não era o palhaço que as crianças de Derry temiam. Era algo mais antigo, mais primordial, mais... ele.
"Você se lembra, meu amor?" a voz de Pennywise, agora mais clara, ressoou nos túneis.
Thalyta sentiu um novo tipo de dor, uma dor que era a mistura de uma tristeza profunda e uma alegria avassaladora. As memórias estavam começando a fluir, como um rio rompendo uma barragem. A vida dela como uma garota de 19 anos em Derry parecia uma ilusão frágil, um sonho distante. A realidade era muito maior, muito mais antiga, muito mais... ela.
Ela se levantou, cambaleante, e deu um passo em direção a ele. Seus olhos violetas encontraram os olhos laranja dele. Não havia medo nela, apenas uma intensa necessidade de compreender, de lembrar, de sentir.
"Eu... eu não me lembro de tudo," ela disse, sua voz ainda trêmula. "Mas... eu sinto. Eu sinto você."
Pennywise estendeu uma mão, não uma garra monstruosa, mas uma mão que parecia feita de sombras e estrelas. Thalyta estendeu a sua, sem hesitação. Seus dedos se tocaram, e no momento do contato, uma onda de energia explodiu nos túneis, fazendo as paredes tremerem.
As memórias de Thalyta foram inundadas. O macroverso, o amor deles, a separação, a punição. Tudo veio à tona, em um flash de luz e dor. Ela caiu de joelhos novamente, não de fraqueza, mas de uma compreensão avassaladora.
"Eles me fizeram esquecer," ela sussurrou, as lágrimas escorrendo por seu rosto. "Eles me puniram."
Pennywise se ajoelhou diante dela, sua forma agora mais definida, mas ainda em constante mudança, um reflexo de sua verdadeira natureza. Ele a segurou, suas mãos, agora visivelmente mais humanas, mas ainda com um toque de outro mundo, em seu rosto.
"Eu sei, meu amor," ele disse, sua voz suave, quase um lamento. "Mas você está aqui agora. E eu me lembro de tudo. Eu sempre me lembrei."
Thalyta olhou para ele, os olhos cheios de uma emoção complexa. O horror do que ele era para os humanos de Derry, o monstro, o devorador de medos. Mas também o amor, o companheiro de eras cósmicas, o pedaço de sua própria alma.
"O que faremos agora?" ela perguntou, sua voz carregada de um peso que não existia há apenas alguns minutos.
Pennywise sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo terno e aterrorizante.
"Nós nos lembraremos," ele disse. "E então... nós vamos fazê-los pagar."
O ar nos esgotos de Derry pareceu congelar. O despertar da memória de Thalyta não era apenas o reencontro de dois amantes cósmicos. Era o despertar de uma força que Derry nunca havia testemunhado, uma força que faria A Coisa parecer um mero contos de fadas. O jogo havia mudado. E desta vez, a cidade de Derry, e talvez o mundo, nunca mais seria a mesma.
