
← Volver a la lista de fanfics
0 me gusta
Trono de vidro 2
Fandom: Trono de vidro
Creado: 29/12/2025
Etiquetas
FantasíaRomanceAventuraAcciónDramaDolor/ConsueloSupervivenciaDistopíaArreglo
Um Futuro Inesperado no Fim da Linha
O ar noturno de Rifthold era um cobertor gelado sobre a pele de Celaena, um lembrete constante da solidão que a cercava. Mas não esta noite. Não com Sam ao seu lado. A brisa trazia o cheiro de fumaça e de flores noturnas, uma mistura agridoce que parecia encapsular a própria essência de suas vidas. Eles estavam sentados em silêncio no telhado de um dos edifícios mais altos, os pés balançando sobre o vazio, as luzes da cidade cintilando abaixo como um mar de estrelas caídas.
Celaena sentiu o calor do ombro de Sam contra o seu, um conforto simples, mas profundo. Ele não precisava dizer nada. Seus gestos, seu olhar, a maneira como ele a segurava firmemente quando o mundo parecia desmoronar, eram mais eloquentes do que qualquer palavra. O peso da coroa, do reino que ela havia abandonado e que, de alguma forma, ainda a perseguia, parecia menos opressor quando ele estava perto.
"É estranho, não é?", Sam finalmente quebrou o silêncio, sua voz rouca. "Pensar que há apenas alguns meses, eu estaria tentando te matar."
Celaena riu, um som suave e melódico que ecoou na noite. "E eu estaria te chutando para fora da minha janela. Como as coisas mudam."
Ele se virou para encará-la, seus olhos azuis brilhando sob a luz da lua. "Sim, elas mudam. E eu não mudaria nada."
O coração de Celaena deu um salto. Ela sabia o que ele queria dizer. O caminho que os levou até ali, cheio de sangue, suor e lágrimas, era o caminho que os uniu. Ela se inclinou, e ele a recebeu, seus lábios se encontrando em um beijo terno que prometia um futuro que antes parecia inatingível.
Eles se separaram, mas Sam não soltou sua mão. Seus dedos se entrelaçaram, um laço invisível que os unia. "Nós precisamos conversar sobre o que aconteceu," ele disse, sua voz mais séria agora.
Celaena assentiu. O ataque. O plano de Archer Finn. A traição. Tudo havia se desenrolado de uma maneira que ninguém poderia ter previsto. O rei. Ela ainda sentia o arrepio de pavor ao pensar no olhar gélido do monarca, em sua crueldade sem limites. Mas, de alguma forma, eles haviam sobrevivido. E não apenas sobrevivido, eles haviam prevalecido.
"Archer está morto," Celaena disse, sua voz plana. "E os outros envolvidos..."
"...foram tratados," Sam completou, sua mandíbula endurecida. "O rei não descobriu a extensão total da sua participação, mas ele sabe que você foi uma peça central em desmantelar a rede de Archer. E ele sabe que eu te ajudei."
Celaena olhou para ele, preocupada. "Isso te coloca em perigo, Sam. Você deveria ter me deixado lidar com isso sozinha."
Ele riu, um som sem humor. "Deixar você lidar com isso sozinha? Você realmente me conhece tão pouco assim, Celaena Sardothien? Eu não vou deixar você enfrentar nada sozinha. Nunca mais."
Aquelas palavras aqueceram o peito de Celaena. Ela sabia que ele falava a verdade. A lealdade de Sam era inabalável, um porto seguro em meio à tempestade.
"O rei está furioso," Celaena continuou, sua voz baixa. "Ele esperava que eu fosse sua arma, sua marionete. Mas eu quebrei as correntes. E agora ele está buscando vingança. Não apenas contra mim, mas contra qualquer um que ele suspeite que esteja me apoiando."
"Eu sei," Sam disse, apertando sua mão. "É por isso que precisamos sair de Rifthold. Não podemos ficar aqui. Não é seguro para nós, nem para as pessoas que nos importam."
A ideia de deixar Rifthold era agridoce. Era a cidade que ela conhecia, a cidade que a moldou. Mas também era a cidade que a aprisionou, que a forçou a ser uma assassina. E agora, era a cidade que ameaçava sua vida e a vida de Sam.
"Para onde iríamos?", Celaena perguntou.
Sam olhou para o horizonte, seus olhos azuis refletindo as luzes distantes. "Eu tenho alguns contatos, pessoas que me devem favores. Podemos ir para o sul, para as Terras Selvagens. É um lugar perigoso, mas também é um lugar onde o alcance do rei é limitado. Podemos nos esconder, nos reerguer. E talvez, apenas talvez, encontrar uma maneira de lutar de volta."
Celaena sentiu uma pontada de esperança, algo que ela não sentia há muito tempo. A ideia de lutar, de realmente lutar por sua liberdade e pelo futuro de seu reino, era tentadora. Mas ela sabia que não seria fácil.
"As Terras Selvagens," ela murmurou, saboreando as palavras. "É um longo caminho."
"É," Sam concordou. "Mas nós temos um ao outro. E isso é tudo o que precisamos."
Ele a puxou para mais perto, e Celaena aninhou a cabeça em seu ombro, sentindo a batida firme de seu coração. Pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que havia um caminho a seguir, um futuro que valia a pena lutar.
A partida de Rifthold foi planejada com o máximo sigilo. Eles não podiam confiar em ninguém, exceto um no outro. Celaena sabia que o rei teria espiões em todos os lugares, e qualquer passo em falso poderia significar a morte.
Eles se encontraram com Arobynn Hamel, o Rei dos Assassinos, uma última vez. A reunião foi tensa, os olhares de desconfiança entre Celaena e seu antigo mestre eram palpáveis. Arobynn, com sua postura impecável e seu sorriso enigmático, parecia saber mais do que dizia.
"Então, você realmente vai embora," Arobynn disse, sua voz suave, mas com um toque de ironia. "Fugindo do seu destino, Celaena?"
Celaena o encarou, seus olhos dourados brilhando com desafio. "Eu não estou fugindo. Estou escolhendo meu próprio destino. E ele não inclui ser sua marionete ou a do rei."
Arobynn soltou um suspiro teatral. "Uma pena. Você tinha potencial, minha cara. Um potencial que você está desperdiçando com esse... garoto." Ele gesticulou para Sam, um desdém mal disfarçado em seu tom.
Sam deu um passo à frente, sua mão no punho de sua adaga. "Cuidado com o que você diz, Arobynn."
Arobynn apenas sorriu, uma expressão que não alcançou seus olhos frios. "Tão protetor. Que adorável." Ele se virou para Celaena novamente. "Você sabe, o rei não vai desistir de você tão facilmente. Você é um recurso valioso para ele, mesmo que ele não perceba isso ainda. Ele vai te caçar, não importa onde você vá."
"Então ele vai ter uma surpresa," Celaena respondeu, sua voz firme. "Porque ele não vai me encontrar."
Arobynn deu de ombros, como se o destino deles fosse de pouca importância para ele. "Bem, que assim seja. Mas lembre-se, Celaena: o mundo é um lugar perigoso, e o passado tem uma maneira peculiar de nos alcançar." Ele fez uma reverência superficial. "Adeus, minha cara. Que seus caminhos sejam... interessantes."
Celaena e Sam deixaram a mansão de Arobynn, o silêncio entre eles pesado com as palavras do Rei dos Assassinos. Eles sabiam que Arobynn estava certo. O rei não desistiria. Mas eles estavam determinados a lutar.
A jornada para o sul foi árdua e perigosa. Eles viajavam principalmente à noite, evitando estradas principais e cidades. Dormiam sob as estrelas, comiam o que conseguiam caçar ou encontrar, e confiavam apenas um no outro. Celaena, que estava acostumada ao luxo e à vida na corte, se adaptou surpreendentemente bem à vida selvagem. Seus instintos de sobrevivência, aguçados por anos como assassina, vieram à tona.
Sam era um companheiro valioso. Ele conhecia a terra, sabia como se mover sem ser detectado, e era um lutador formidável. Eles se complementavam, suas habilidades se misturando para formar uma equipe imbatível. E, o mais importante, eles se apoiavam. Nos momentos de dúvida, de medo, de exaustão, eles encontravam força um no outro.
Uma noite, enquanto acampavam perto de um rio, Celaena estava sentada, observando o fogo bruxulear. O silêncio da floresta era reconfortante, mas também trazia pensamentos indesejados. O rosto de Nehemia, a memória de sua risada, a dor da perda.
Sam se sentou ao lado dela, envolvendo-a em um abraço. "Você está pensando nela, não está?"
Celaena assentiu, sua voz embargada. "Eu sinto tanta falta dela, Sam. Eu sinto que a decepcionei. Que eu deveria ter feito mais."
"Você fez tudo o que pôde, Celaena," Sam disse, beijando o topo de sua cabeça. "Nehemia teria orgulho de você. Ela teria orgulho de como você está lutando por sua própria vida, por sua liberdade."
"Mas e o meu reino?", Celaena perguntou, sua voz baixa. "E Aelin Galathynius? Eu a abandonei."
Sam a virou para encará-lo, seus olhos azuis cheios de compreensão. "Você é Aelin Galathynius, Celaena. Você nunca a abandonou. Você está apenas se preparando para o momento certo de reivindicá-la. E quando esse momento chegar, você terá todo o meu apoio. Nós teremos todo o meu apoio."
As palavras de Sam foram um bálsamo para sua alma. Ele não a via apenas como Celaena, a assassina. Ele a via como Aelin, a rainha perdida, e ele estava disposto a lutar ao seu lado para que ela recuperasse o que era seu por direito.
A jornada os levou através de montanhas escarpadas, florestas densas e desertos áridos. Eles enfrentaram feras selvagens, ladrões de estrada e, em uma ocasião, um pequeno grupo de soldados do rei que eles conseguiram despistar com sucesso. Cada desafio os tornava mais fortes, mais resilientes.
Finalmente, após semanas de viagem exaustiva, eles chegaram às Terras Selvagens. A paisagem era vasta e indomável, com montanhas imponentes e florestas antigas que pareciam se estender até o fim do mundo. Era um lugar de beleza selvagem e perigo oculto, um refúgio perfeito para aqueles que buscavam se esconder do alcance do rei.
Eles encontraram um pequeno vilarejo escondido nas profundezas das montanhas, habitado por pessoas que viviam à margem da sociedade, longe das leis e do controle de Rifthold. Sam tinha contatos lá, velhos amigos e conhecidos que estavam dispostos a ajudá-los.
O vilarejo era rústico, mas acolhedor. As pessoas eram duras, mas gentis, e a comunidade era unida por um senso de independência e autossuficiência. Celaena e Sam foram recebidos com cautela, mas com uma eventual aceitação. Eles encontraram um pequeno chalé de madeira na orla da floresta, um lugar simples, mas que se tornaria seu lar temporário.
Pela primeira vez em anos, Celaena sentiu uma sensação de paz. Longe das intrigas da corte, das expectativas de Arobynn, da sombra do rei, ela podia ser ela mesma. Ela podia treinar, ler, e passar tempo com Sam, sem a constante ameaça de ser descoberta.
Eles passavam os dias aprimorando suas habilidades de combate, explorando a vasta paisagem ao redor do vilarejo, e aprendendo sobre as ervas e os segredos da natureza com os habitantes locais. Celaena descobriu que o ar puro das montanhas e o ritmo de vida mais simples a ajudavam a se reconectar com uma parte de si mesma que ela havia esquecido.
Uma noite, enquanto observavam o pôr do sol pintar o céu com tons de laranja e roxo, Sam a abraçou por trás, seu queixo apoiado em seu ombro. "É diferente aqui, não é?"
"Sim," Celaena sussurrou, apreciando o momento. "É... real. Longe de tudo o que conhecíamos."
"Você está feliz?", ele perguntou, sua voz suave.
Celaena se virou em seus braços, beijando-o ternamente. "Mais feliz do que pensei que seria possível, Sam. Com você ao meu lado, eu sinto que posso enfrentar qualquer coisa."
Ele sorriu, seus olhos azuis brilhando com amor. "E eu sinto o mesmo, Celaena. Nós vamos construir uma vida aqui. E quando chegar a hora, nós vamos lutar de volta."
Celaena olhou para o horizonte, onde as últimas luzes do dia desapareciam. Ela sabia que a luta ainda estava por vir. O rei não esqueceria sua traição, e o destino de Terrasen ainda estava em jogo. Mas agora, ela não estava sozinha. Ela tinha Sam, seu amor, seu companheiro, seu porto seguro. E com ele ao seu lado, ela sabia que não importa o que o futuro trouxesse, eles o enfrentariam juntos. Aelin Galathynius estava adormecida, mas não morta, e um dia, ela ressurgiria, mais forte e mais determinada do que nunca, com o homem que a amava incondicionalmente ao seu lado. O fim da linha em Rifthold havia se tornado o começo de um futuro inesperado e promissor nas Terras Selvagens.
