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O sol da Espanha e a maresia tipo nossas vidas.
Fandom: Original
Creado: 3/1/2026
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RomanceAlmas GemelasHistoria DomésticaRealismoRecortes de VidaFluffDramaEstudio de PersonajeCelos
Reencontros e Revelações
A poeira amarelada subia preguiçosamente do chão de terra batida, enquanto o sol da tarde se espreguiçava sobre as árvores imponentes que cercavam a chácara. Era o último ano do fundamental II, e o ar vibrava com a promessa de um futuro incerto, mas excitante. Dalilla, com seus cabelos castanhos claros e olhos curiosos, tentava em vão ignorar a presença irritante de Everton. Ele, um ano e meio mais velho, já no segundo ano do ensino médio, tinha o dom de tirá-la do sério como ninguém.
"Olha lá o galã da turma, dando em cima de mais uma coitada", Dalilla murmurou para Joana, que riu baixinho.
Everton, com seu sorriso fácil e charme natural, parecia ter um ímã para as garotas. Dalilla sentia uma pontada incômoda no peito toda vez que o via cercado, mas jamais admitiria. Em vez disso, ela aprimorava sua arte de xingá-lo e implicar com ele. Era um esporte para ela, e ele parecia gostar do jogo.
"Dalilla, ainda com essa cara de azeda?", Everton provocou, passando por ela e esbarrando de leve em seu ombro. Um toque que parecia acidental, mas que Dalilla sabia que não era. Ele sempre encontrava um pretexto para tocá-la, seja com um empurrão brincalhão ou um esbarrão "sem querer".
"E você, ainda com essa cara de pau, Everton? Não cansa de ser inconveniente?", ela retrucou, o coração batendo um pouco mais rápido.
Essa dança de provocações e toques sutis era a linguagem secreta deles. Uma forma de flertar disfarçada de inimizade, para que ninguém, nem mesmo eles, percebesse a atração que fervilhava sob a superfície.
Enquanto isso, Joana e André viviam sua própria história de amor às claras. As famílias eram amigas, facilitando a interação, e o afeto entre eles era inegável. Eles não se importavam em esconder os olhares apaixonados ou os sorrisos bobos. Já Mathias e Gabriela, embora não tão explícitos, tinham uma conexão palpável. Gabriela, sempre com a agenda cheia, raramente conseguia participar dos encontros do grupo, mas quando estava presente, a química entre ela e Mathias era inegável. Eles faziam acontecer, mesmo com a distância e os compromissos.
A festa de despedida do nono ano foi o auge da convivência da turma. Três dias em uma chácara, com risadas, jogos e conversas até altas horas. Na primeira noite, Dalilla, vestindo um moletom folgado e uma regata, saiu do dormitório feminino em busca de um pouco de ar fresco. A lua cheia iluminava o caminho enquanto ela caminhava para um canto mais afastado. Ela estava com o celular na mão, mas, como sempre, não estava conversando com ninguém. A vida amorosa de Dalilla era um deserto; aos 15 anos, ela ainda era BV, apesar das inúmeras oportunidades que surgiam.
"Não consegue dormir também?", a voz rouca de Everton a sobressaltou. Ele estava parado a poucos metros dela, as mãos nos bolsos, o olhar fixo nela.
"Perdi o sono", ela respondeu, tentando parecer indiferente, mas o coração disparou.
Eles começaram a conversar, sobre o futuro, sobre o ensino médio, sobre as expectativas e os medos. A cada palavra, a barreira de provocações parecia se desfazer, revelando uma intimidade que eles nunca haviam explorado. Everton era diferente naquela noite; o ar de galã se desfez, dando lugar a uma vulnerabilidade que Dalilla nunca tinha visto.
"Sabe, Dalilla", ele disse, dando um passo em direção a ela, "eu sempre me perguntei com quem você conversava tanto no celular. Fico te observando, morrendo de ciúmes."
Dalilla sentiu um arrepio. "Ciúmes? Você? De mim?", ela zombou, mas um sorriso pequeno brincou em seus lábios.
"É, de você. Não sei por que, mas quando te vejo conversando, penso que pode ser algum cara e me dá uma raiva...", ele confessou, os olhos fixos nos dela. "Mas sei que você nunca fez nada, que você é... diferente."
A confissão de Everton a pegou de surpresa. A implicância, os toques "acidentais", tudo fez sentido agora. Naquela madrugada, a química entre eles era inebriante. Os olhares se intensificaram, os sorrisos se tornaram mais cúmplices. Everton se aproximou, e Dalilla não recuou. O primeiro beijo foi suave, hesitante, mas logo se transformou em algo mais intenso, mais apaixonado. As mãos de Everton exploraram sua cintura, puxando-a para mais perto, e Dalilla se entregou ao momento, sentindo a adrenalina percorrer seu corpo. Era um beijo que prometia o mundo, um beijo de despedida e de um novo começo.
Aquele beijo, sob o luar da chácara, marcou o fim de uma era e o início de outra. Um segredo guardado, um momento de pura paixão que nenhum dos dois esqueceria.
No ano seguinte, Dalilla se mudou para Roma para morar com uma tia. A vida seguiu seu curso, e o grupo se dispersou, cada um seguindo seu próprio caminho. O grupo de WhatsApp, antes efervescente, agora recebia mensagens esporádicas. Joana, com seus 25 anos, era a mais assídua, sempre compartilhando notícias de sua vida feliz ao lado de André, seu marido de 27. Sim, Joana e André haviam se casado, e o casamento deles foi a última vez que o grupo se reuniu por completo.
Everton, Gabriela e Mathias também davam notícias de vez em quando. Gabriela e Mathias estavam noivos, ela com 24 anos e ele com 27. Everton, aos 30, continuava o mesmo: trabalho, saídas com amigos, bebidas e mulheres. A vida de Dalilla, no entanto, era um mistério para a maioria. Ela nunca dava notícias, exceto para Joana e André, e mesmo assim, raramente.
Atualmente, Dalilla era uma perita renomada, aos 25 anos, vivendo em Roma. Sua vida era uma mistura de trabalho intenso, academia, jiu-jítsu, filmes de terror, a saga de Invocação do Mal, algumas noites de farra e bebida, e paixão por cozinhar. E, claro, homens. Ela não era de muitos, mas os poucos com quem passava a noite, ela se despedia antes do amanhecer.
Joana, advogada de sucesso, vivia a vida que sempre sonhou: um bom emprego, um marido maravilhoso. André, neurocirurgião, era igualmente realizado, perdidamente apaixonado por sua esposa. Mathias, bombeiro, amava seu trabalho e sua noiva. Gabriela, pediatra, era a melhor no que fazia, com um noivo que faria loucuras por ela. Everton, engenheiro bem-sucedido, ainda gostava de uma boa farra.
Ainda que a distância e o tempo tivessem criado barreiras, o fio invisível da amizade ainda os unia. E foi Everton quem decidiu puxar esse fio.
**Everton:** Gente, vejam, TODOS entram de férias dia 1 de dezembro e só voltam a trabalhar em Março! Ou seja, são três meses de férias! O que vocês acham?! Ganhei passagens para a Espanha! E tenho um casarão de praia lá! O que acham?
O grupo de WhatsApp explodiu em mensagens de surpresa e entusiasmo. Todos, menos Dalilla, que permaneceu em silêncio.
Chegou o dia da viagem. Todos se organizaram para chegar juntos. Everton estava à espera no aeroporto da Espanha, com um sorriso largo no rosto, ansioso para reencontrar seus amigos. Ele viu Joana e André se aproximando, de mãos dadas, radiantes. Em seguida, Mathias e Gabriela, com os olhos brilhando de felicidade. E então, ela apareceu.
Dalilla.
O coração de Everton deu um salto no peito. Ela estava diferente, mas ao mesmo tempo, a mesma Dalilla que ele conhecia. Os cabelos, antes castanhos claros, agora eram de um preto intenso, em um corte em camadas que emoldurava seu rosto. O corpo, sempre magro, agora exibia curvas mais definidas, fruto da academia e do jiu-jítsu. A pele, ainda branca e salpicada de sardas, contrastava com as tatuagens que adornavam seus braços. Uma frase nas costas, "Seja a força que eles não conseguem ir contra", se destacava. Havia uma pequena tatuagem entre os seios, outra atrás da orelha, uma abaixo dos seios e uma na costela. Um ramo elegante rodeava seu braço direito até os ombros. Ela não estava coberta de tatuagens, mas era o suficiente para notar a mudança. Ela era mais mulher, mais confiante, com uma aura de mistério que a tornava ainda mais atraente.
Ela vestia uma minissaia jeans que realçava suas pernas, uma regata preta básica que contornava seu busto, e um tênis branco que lhe dava um ar descontraído. Os cabelos soltos balançavam enquanto ela caminhava, e Everton sentiu o mesmo arrepio de anos atrás, na noite da chácara. A Dalilla que ele conhecia havia amadurecido, se transformado em uma mulher que transpirava poder e independência.
Os outros também ficaram surpresos. Joana soltou um gritinho de alegria e correu para abraçar a amiga, seguida por Gabriela. André e Mathias cumprimentaram Dalilla com abraços calorosos, mas era nos olhos de Everton que a surpresa e a admiração eram mais evidentes.
"Dalilla, é você mesmo?", Joana exclamou, afastando-se para observar a amiga de cima a baixo. "Que transformação! Você está... deslumbrante!"
Dalilla sorriu, um sorriso que iluminou seu rosto e revelou uma confiança que antes ela não possuía. "Digo o mesmo, Joana. Vocês estão todos ótimos!"
Os olhares de Dalilla e Everton se encontraram. Um turbilhão de memórias e emoções passou entre eles, um reconhecimento silencioso do passado que os unia. A implicância, os toques sutis, o beijo roubado sob a lua. Tudo isso estava ali, pulsando no ar, a expectativa de um reencontro que prometia muito mais do que uma simples reunião de amigos.
Everton, tentando disfarçar o impacto que a presença dela causava, abriu os braços. "Bem-vinda de volta, Dalilla. Ou devo dizer, bem-vinda à Espanha."
Ela aceitou o abraço, sentindo o calor do corpo dele, o cheiro familiar que sempre a desarmava. "Obrigada, Everton. Parece que você continua o mesmo, galã."
Ele riu, um som rouco que fez o coração de Dalilla acelerar. "E você, Dalilla, parece que finalmente parou de ser BV."
Um rubor subiu ao rosto dela, mas ela se recompôs rapidamente. "Algumas coisas mudam, Everton. Outras, nem tanto."
O grupo seguiu para o casarão de praia de Everton, um lugar paradisíaco com vista para o mar. A casa era enorme, com quartos espaçosos e uma piscina convidativa. A atmosfera era de festa, de reencontro, de celebração da amizade.
Na primeira noite, após um jantar animado, o grupo se reuniu na varanda, sob o céu estrelado. As conversas fluíam, as risadas ecoavam. Joana e André contavam sobre a vida de casados, Mathias e Gabriela sobre os planos do casamento, Everton sobre suas aventuras e conquistas. Dalilla, por sua vez, era mais reservada, observando e ouvindo, mas vez ou outra, seus olhos encontravam os de Everton, e uma corrente elétrica passava entre eles.
"Dalilla, ainda não nos contou sobre suas aventuras em Roma", Gabriela provocou. "Deve ter muitos italianos bonitos por lá."
Dalilla sorriu, um sorriso enigmático. "Roma é linda, e sim, há muitos homens bonitos. Mas minha vida é mais focada no trabalho e em mim mesma."
Everton, que estava ao lado dela, murmurou baixo, "Então você ainda não se prendeu a ninguém?"
Ela o olhou, um desafio em seus olhos. "Não que seja da sua conta, Everton. Mas não, não me prendi. Onde está o problema em aproveitar a vida sem amarras?"
"Nenhum", ele respondeu, um brilho nos olhos que Dalilla reconheceu. "Só achei que você já teria encontrado alguém para te... acompanhar."
Dalilla sentiu a provocação, a velha implicância ressurgindo. "Eu me acompanho muito bem, obrigada."
A noite avançou, e as conversas se tornaram mais profundas. Eles relembraram os tempos de escola, as travessuras, as festas. A nostalgia pairava no ar, misturada com a excitação do presente. Dalilla se sentia estranhamente à vontade, mais do que imaginava. A presença de Everton, embora a tirasse do sério, também a acalmava de uma forma inexplicável.
Enquanto todos se preparavam para dormir, Dalilla decidiu dar um último mergulho na piscina. A água fria era revigorante, e ela nadou por alguns minutos, sentindo a liberdade do movimento. Ao sair da piscina, ela encontrou Everton sentado na beira, observando-a.
"Não consegue dormir de novo?", ele perguntou, o tom de voz suave.
"Parece que não", ela respondeu, pegando uma toalha e se secando.
Ele se levantou e se aproximou dela, os olhos fixos em cada movimento. "Você mudou, Dalilla. Para melhor."
"Você também, Everton. Embora ainda seja um galinha", ela brincou, mas havia um toque de verdade em sua voz.
Ele sorriu, um sorriso que Dalilla conhecia muito bem. "Talvez algumas coisas nunca mudem. Mas outras, sim." Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. "Aquele beijo na chácara... eu nunca esqueci."
Dalilla sentiu o coração disparar. "Eu também não."
"E o que você acha de repetirmos a dose?", ele perguntou, a voz rouca, os olhos fixos nos lábios dela.
Dalilla o olhou, um misto de desejo e hesitação. A Dalilla de agora era diferente da Dalilla de 15 anos. Ela era mais forte, mais independente, e sabia o que queria. E naquele momento, o que ela queria era Everton.
"Talvez", ela sussurrou, um convite silencioso.
Everton sorriu, um sorriso conquistador. Ele se inclinou, e seus lábios se encontraram em um beijo que era a promessa de um novo começo, de um reencontro de almas que, apesar do tempo e da distância, nunca haviam se esquecido. O ar da Espanha, carregado de sal e mistério, testemunhava o renascimento de uma paixão que estava adormecida, esperando o momento certo para florescer novamente.
