
← Volver a la lista de fanfics
0 me gusta
Meu animal favorito.
Fandom: não tem
Creado: 23/1/2026
Etiquetas
RomanceDramaRecortes de VidaRealismoEstudio de PersonajeCelosHistoria DomésticaAngustia
O Primeiro Saque para o Coração
O cheiro de antisséptico e pelos de animais misturava-se no ar, uma sinfonia olfativa que para Janete Vitória era tão familiar quanto o som do seu próprio coração batendo. A clínica veterinária, apesar de ser apenas um estágio, já era seu segundo lar. Com 18 anos, cabelos cacheados que teimavam em desafiar a gravidade e um estilo gótico que a fazia se destacar em qualquer multidão, Janete era uma força da natureza – extrovertida na maior parte do tempo, mas com lampejos de uma bipolaridade que a tornava imprevisível, e intensamente apegada a quem conquistava seu afeto.
Naquela terça-feira, o movimento estava tranquilo, o que lhe dava tempo para folhear um livro sobre doenças parasitárias em felinos enquanto esperava o próximo paciente. Foi então que a porta de vidro da recepção se abriu, e um vulto alto e imponente preencheu o batente. Janete levantou os olhos, e o livro escorregou levemente de suas mãos.
Era João Vitor.
Ele era um quadro vivo. Pele negra reluzente, cabelos ondulados que emolduravam um rosto de traços fortes, e uma altura que o fazia parecer ainda maior do que os 1,87m que ela imaginava. Ao seu lado, com a guia na mão, um Golden Retriever enorme e peludo, que abanava o rabo com uma alegria contagiante.
"Boa tarde", a voz dele era grave, mas não fria. Havia um tom de cansaço, talvez, ou apenas a seriedade que Janete descobriria ser uma de suas marcas. "Tenho horário para o Zeus."
Janete piscou, recuperando a compostura. "Ah, sim. Zeus, certo? Primeiro atendimento?"
"Sim. Ele estava meio apático hoje, e o nariz está um pouco seco. Achei melhor trazer." João Vitor se abaixou para acariciar a cabeça do cachorro, e Janete notou a delicadeza do gesto, contrastando com a imponência de sua figura.
"Certo. Pode vir por aqui, por favor."
No consultório, enquanto Janete examinava Zeus com a perícia que já havia desenvolvido, João Vitor observava cada movimento dela. Ele percebeu os anéis nos dedos finos, a maquiagem escura que realçava os olhos expressivos e a forma como ela falava com o cachorro, usando uma voz doce e tranquilizadora. Havia algo nela, uma energia magnética que o intrigava. Ele, um levantador titular na liga estadual de vôlei, acostumado à disciplina e à rotina, raramente se deixava desviar por algo que não fosse a quadra. Mas ali, naquele consultório de cheiro peculiar, algo diferente estava acontecendo.
"Ele está com uma pequena infecção nas vias aéreas superiores, nada grave", Janete anunciou, levantando-se. "Vou passar um antibiótico e um anti-inflamatório. Ele vai ficar bem em poucos dias."
João Vitor assentiu, aliviado. "Obrigado, doutora."
Janete riu, um som que era a melodia mais inesperada para ele. "Estagiária, por enquanto. Mas pode me chamar de Janete. Doutora ainda é um título muito grande para mim."
"João Vitor", ele respondeu, estendendo a mão. O aperto dela foi firme, e por um instante, o contato fez uma corrente elétrica percorrer ambos.
Enquanto Janete preenchia a receita e dava as instruções, João Vitor hesitou. Ele nunca tinha feito algo assim. Sua vida era vôlei, treinos, jogos, disciplina. Relacionamentos eram um campo desconhecido, um território inexplorado. Mas a curiosidade era mais forte.
"Janete", ele começou, a voz um pouco mais suave, "eu sei que é um pouco inusitado, mas... você se importaria de me passar seu número? Gostaria de saber como o Zeus está se recuperando, e talvez... talvez a gente possa conversar mais sobre coisas de cachorro." Ele sabia que a desculpa do cachorro era esfarrapada, mas era o melhor que conseguia naquele momento.
Janete o encarou, um sorriso maroto brincando em seus lábios pintados de preto. Ela havia notado os olhares dele, a forma como ele a observava. "Ah, é? Conversar sobre 'coisas de cachorro'?" Ela pegou um pequeno bloco de notas e uma caneta, rabiscando rapidamente. "Tudo bem, João Vitor. Mas não aceito desculpas esfarrapadas para não me mandar mensagem."
Ele pegou o papel, o coração batendo um pouco mais rápido. "Não vai ter desculpa. Obrigado, Janete."
No dia seguinte, a mensagem de João Vitor chegou pontualmente.
*João Vitor: "Bom dia, Janete. Zeus acordou bem melhor hoje, já comeu tudo. Obrigado de novo."*
Janete sorriu para o celular.
*Janete: "Que bom! Fico feliz em saber. Ele é um fofo. E você, João Vitor? Como está o dia de um jogador de vôlei?"*
A partir daquele dia, as mensagens se tornaram uma constante. Eram curtas no início, depois se estenderam. Ele falava sobre os treinos exaustivos, a pressão dos jogos, a rotina de um atleta profissional. Ela compartilhava as peculiaridades de seu estágio, as histórias engraçadas dos animais, os desafios de conciliar a faculdade com o trabalho.
Eles descobriram que, apesar de mundos tão diferentes, havia uma conexão surpreendente. João Vitor, com sua seriedade e responsabilidade, apreciava a espontaneidade de Janete. Ela, por sua vez, achava fascinante a disciplina e o foco dele.
Um mês depois, eles já eram amigos. Ele a chamava para tomar café depois dos treinos, e ela o convidava para almoçar nos dias de folga. Os encontros eram sempre em lugares públicos, discretos, mas a tensão entre eles era palpável. Era um jogo de olhares, de toques acidentais, de risadas que se estendiam um pouco mais do que o necessário.
Uma noite, após um jogo decisivo em que o time de João Vitor havia garantido a vaga para as semifinais, ele ligou para Janete.
"Janete? Você está acordada?" A voz dele estava rouca, e Janete imaginou a adrenalina ainda correndo em suas veias.
"Acordadíssima. Parabéns pelo jogo, João! Eu vi os destaques, você estava impecável."
"Obrigado. Eu... estou comemorando aqui com o time, mas queria te ligar. Queria ouvir sua voz."
O coração de Janete deu um salto. Ela se sentou na cama, os lençóis de seda frios contra sua pele. "Sério? Fico feliz em saber."
"Sim. Janete, eu preciso te perguntar uma coisa." A voz dele ficou mais séria, e Janete sentiu um arrepio. "Você toparia sair comigo? Tipo, um encontro de verdade. Não como amigos, mas como... algo mais."
Janete sorriu, um sorriso que iluminou o quarto escuro. "Finalmente, João Vitor. Eu achei que você nunca ia perguntar."
O primeiro encontro deles foi em um restaurante italiano charmoso, com luzes baixas e música suave. Janete usava um vestido preto justo, os cabelos cacheados soltos, e anéis prateados brilhavam em seus dedos. João Vitor estava impecável em uma camisa social e calças escuras, o que o fazia parecer ainda mais alto e elegante.
A conversa fluiu com uma naturalidade que assustou e encantou Janete. Eles falaram sobre sonhos, medos, paixões. Ele contou sobre o desejo de jogar em uma liga internacional, ela sobre o sonho de abrir seu próprio santuário para animais abandonados.
No final da noite, enquanto a levava para casa, o silêncio no carro era denso, carregado de expectativa. Parado em frente ao prédio dela, João Vitor se virou para encará-la.
"Janete", a voz dele era um sussurro. "Eu... eu não sei o que estou sentindo, mas é diferente de tudo que já senti."
Janete inclinou-se, o rosto tão perto que ela podia sentir o calor da respiração dele. "Eu também, João Vitor."
Ele a beijou.
Foi um beijo lento, hesitante no início, depois aprofundou-se, carregado de toda a tensão e o desejo reprimidos por meses. Os lábios dele eram macios, e o gosto de café e menta preencheu a boca de Janete. Ela sentiu as mãos dele em sua cintura, puxando-a para mais perto, e suas próprias mãos se enroscaram nos cabelos ondulados dele.
Quando se separaram, ofegantes, Janete sentiu o rosto corado, o coração disparado.
"Uau", ela conseguiu balbuciar.
João Vitor sorriu, um sorriso que ela nunca tinha visto antes – um sorriso genuíno, sem a seriedade habitual. "Uau, de fato."
A partir daquele beijo, a relação deles decolou. Os encontros se tornaram mais frequentes, os beijos mais intensos. Eles passavam horas conversando, explorando um ao outro, desvendando as camadas que cada um carregava.
Janete descobriu que, por trás da fachada séria, João Vitor era um homem com um coração enorme, leal e extremamente protetor. Ele, por sua vez, aprendeu a lidar com a personalidade multifacetada de Janete, entendendo que sua bipolaridade não era um defeito, mas uma parte dela, e que sua intensidade era o que a tornava tão vibrante.
A vida deles, no entanto, era uma montanha-russa. A agenda de João Vitor era implacável. Treinos diários, viagens para jogos em outras cidades, a pressão constante de ser um atleta de alto nível. Janete, com seu estágio e a faculdade de veterinária, também tinha uma rotina apertada.
Certa vez, João Vitor teve que viajar para um campeonato importante que duraria duas semanas. A distância foi um teste. Janete sentia falta dele de uma forma que a assustava. As mensagens e as chamadas de vídeo ajudavam, mas não preenchiam o vazio.
Uma noite, ela estava de plantão na clínica, exausta, quando uma mensagem dele chegou.
*João Vitor: "Saudades de você. Saudades do seu cheiro, da sua risada, da forma como você me faz sentir leve."*
Janete sentiu os olhos marejarem. Ela respondeu:
*Janete: "Também sinto sua falta, João. É difícil sem você aqui. Mas sei que você está arrasando."*
A distância trouxe um drama sutil para a relação. Os ciúmes, antes inexistentes, começaram a surgir, pequenos pontinhos de insegurança. Janete via fotos dele com o time, cercado por fãs, e se perguntava se ela era o suficiente para um homem com um futuro tão brilhante. João Vitor, por sua vez, ficava preocupado com os longos turnos dela na clínica, com os colegas de trabalho – embora ele confiasse nela, o medo de perdê-la era um fantasma que o assombrava.
Em um fim de semana raro em que ele estava na cidade, eles decidiram ir a um festival de música. Janete, no seu estilo gótico habitual, estava deslumbrante em um top de renda preta e uma saia longa. João Vitor, de camiseta e jeans, era o contraste perfeito.
A noite era vibrante, cheia de música e risadas. Eles dançaram, cantaram, e por um momento, o mundo exterior parecia desaparecer. Mas então, Janete notou os olhares. As pessoas os observavam, alguns com curiosidade, outros com admiração. A diferença entre eles era evidente – ela, com seu estilo alternativo, e ele, o atleta famoso.
No meio da multidão, uma garota se aproximou de João Vitor, pedindo uma foto. Ele, gentilmente, atendeu. Janete sentiu um aperto no peito, uma sensação incômoda.
Mais tarde, em casa de Janete, a tensão explodiu.
"Você viu como todo mundo te olhava?", Janete perguntou, a voz um pouco mais alta do que o normal. "Como se eu fosse... sei lá, seu projeto de caridade."
João Vitor a encarou, surpreso com a explosão. "Janete, o que você está falando? Ninguém estava olhando assim. E mesmo que estivessem, quem se importa? Eu estou com você."
"Mas eu me importo!", ela respondeu, os olhos marejados. "Eu me sinto... pequena perto de você. Você é famoso, bem-sucedido, e eu sou só uma estagiária gótica que gosta de animais."
Ele se aproximou dela, os olhos fixos nos dela. "Janete, não diga isso. Você não é 'só' nada. Você é incrível. Você é inteligente, apaixonada, linda. Eu te escolhi. Eu quero estar com você, não importa o que as pessoas pensem."
Ele a beijou, um beijo que era uma promessa, um bálsamo para as inseguranças dela. Mas a semente da dúvida havia sido plantada.
A vida sexual deles era uma extensão da intensidade de sua relação. Era apaixonada, exploratória, e cheia de uma química inegável. João Vitor, que nunca havia se entregado a ninguém antes, descobriu em Janete uma liberdade que o libertava de suas próprias amarras. Ela, por sua vez, encontrou nele uma segurança que a permitia explorar seus desejos mais profundos.
As noites que passavam juntos eram um refúgio da rotina estressante. Era nos braços um do outro que eles encontravam paz, seja em uma explosão de paixão ou em um abraço apertado e silencioso.
Mesmo com as dificuldades, com as agendas apertadas e as inseguranças, eles continuavam lutando um pelo outro. João Vitor aprendia a ser mais expressivo, a verbalizar seus sentimentos, algo que era um desafio para ele. Janete aprendia a confiar mais, a não deixar que seus medos a dominassem.
Um dia, João Vitor apareceu na clínica com um buquê de rosas vermelhas e um sorriso que fez o coração de Janete derreter. Era o aniversário de três meses deles.
"Eu sei que é um dia de trabalho cansativo", ele disse, entregando as flores. "Mas queria te lembrar o quanto você é especial para mim."
Janete o abraçou forte, o cheiro dele inebriante. "Você é o melhor, João Vitor."
Naquele abraço, no meio do cheiro de antisséptico e pelos de animais, Janete sabia que, apesar de todos os desafios, apesar dos mundos diferentes que habitavam, eles tinham algo real. Algo que valia a pena lutar. E João Vitor, enquanto a abraçava, sentia a mesma certeza. Eles eram um time, e estavam prontos para qualquer jogo que a vida lhes apresentasse. O primeiro saque havia sido feito, e a partida, ele sabia, seria longa e cheia de emoções. Mas ele estava pronto para cada ponto.
Naquela terça-feira, o movimento estava tranquilo, o que lhe dava tempo para folhear um livro sobre doenças parasitárias em felinos enquanto esperava o próximo paciente. Foi então que a porta de vidro da recepção se abriu, e um vulto alto e imponente preencheu o batente. Janete levantou os olhos, e o livro escorregou levemente de suas mãos.
Era João Vitor.
Ele era um quadro vivo. Pele negra reluzente, cabelos ondulados que emolduravam um rosto de traços fortes, e uma altura que o fazia parecer ainda maior do que os 1,87m que ela imaginava. Ao seu lado, com a guia na mão, um Golden Retriever enorme e peludo, que abanava o rabo com uma alegria contagiante.
"Boa tarde", a voz dele era grave, mas não fria. Havia um tom de cansaço, talvez, ou apenas a seriedade que Janete descobriria ser uma de suas marcas. "Tenho horário para o Zeus."
Janete piscou, recuperando a compostura. "Ah, sim. Zeus, certo? Primeiro atendimento?"
"Sim. Ele estava meio apático hoje, e o nariz está um pouco seco. Achei melhor trazer." João Vitor se abaixou para acariciar a cabeça do cachorro, e Janete notou a delicadeza do gesto, contrastando com a imponência de sua figura.
"Certo. Pode vir por aqui, por favor."
No consultório, enquanto Janete examinava Zeus com a perícia que já havia desenvolvido, João Vitor observava cada movimento dela. Ele percebeu os anéis nos dedos finos, a maquiagem escura que realçava os olhos expressivos e a forma como ela falava com o cachorro, usando uma voz doce e tranquilizadora. Havia algo nela, uma energia magnética que o intrigava. Ele, um levantador titular na liga estadual de vôlei, acostumado à disciplina e à rotina, raramente se deixava desviar por algo que não fosse a quadra. Mas ali, naquele consultório de cheiro peculiar, algo diferente estava acontecendo.
"Ele está com uma pequena infecção nas vias aéreas superiores, nada grave", Janete anunciou, levantando-se. "Vou passar um antibiótico e um anti-inflamatório. Ele vai ficar bem em poucos dias."
João Vitor assentiu, aliviado. "Obrigado, doutora."
Janete riu, um som que era a melodia mais inesperada para ele. "Estagiária, por enquanto. Mas pode me chamar de Janete. Doutora ainda é um título muito grande para mim."
"João Vitor", ele respondeu, estendendo a mão. O aperto dela foi firme, e por um instante, o contato fez uma corrente elétrica percorrer ambos.
Enquanto Janete preenchia a receita e dava as instruções, João Vitor hesitou. Ele nunca tinha feito algo assim. Sua vida era vôlei, treinos, jogos, disciplina. Relacionamentos eram um campo desconhecido, um território inexplorado. Mas a curiosidade era mais forte.
"Janete", ele começou, a voz um pouco mais suave, "eu sei que é um pouco inusitado, mas... você se importaria de me passar seu número? Gostaria de saber como o Zeus está se recuperando, e talvez... talvez a gente possa conversar mais sobre coisas de cachorro." Ele sabia que a desculpa do cachorro era esfarrapada, mas era o melhor que conseguia naquele momento.
Janete o encarou, um sorriso maroto brincando em seus lábios pintados de preto. Ela havia notado os olhares dele, a forma como ele a observava. "Ah, é? Conversar sobre 'coisas de cachorro'?" Ela pegou um pequeno bloco de notas e uma caneta, rabiscando rapidamente. "Tudo bem, João Vitor. Mas não aceito desculpas esfarrapadas para não me mandar mensagem."
Ele pegou o papel, o coração batendo um pouco mais rápido. "Não vai ter desculpa. Obrigado, Janete."
No dia seguinte, a mensagem de João Vitor chegou pontualmente.
*João Vitor: "Bom dia, Janete. Zeus acordou bem melhor hoje, já comeu tudo. Obrigado de novo."*
Janete sorriu para o celular.
*Janete: "Que bom! Fico feliz em saber. Ele é um fofo. E você, João Vitor? Como está o dia de um jogador de vôlei?"*
A partir daquele dia, as mensagens se tornaram uma constante. Eram curtas no início, depois se estenderam. Ele falava sobre os treinos exaustivos, a pressão dos jogos, a rotina de um atleta profissional. Ela compartilhava as peculiaridades de seu estágio, as histórias engraçadas dos animais, os desafios de conciliar a faculdade com o trabalho.
Eles descobriram que, apesar de mundos tão diferentes, havia uma conexão surpreendente. João Vitor, com sua seriedade e responsabilidade, apreciava a espontaneidade de Janete. Ela, por sua vez, achava fascinante a disciplina e o foco dele.
Um mês depois, eles já eram amigos. Ele a chamava para tomar café depois dos treinos, e ela o convidava para almoçar nos dias de folga. Os encontros eram sempre em lugares públicos, discretos, mas a tensão entre eles era palpável. Era um jogo de olhares, de toques acidentais, de risadas que se estendiam um pouco mais do que o necessário.
Uma noite, após um jogo decisivo em que o time de João Vitor havia garantido a vaga para as semifinais, ele ligou para Janete.
"Janete? Você está acordada?" A voz dele estava rouca, e Janete imaginou a adrenalina ainda correndo em suas veias.
"Acordadíssima. Parabéns pelo jogo, João! Eu vi os destaques, você estava impecável."
"Obrigado. Eu... estou comemorando aqui com o time, mas queria te ligar. Queria ouvir sua voz."
O coração de Janete deu um salto. Ela se sentou na cama, os lençóis de seda frios contra sua pele. "Sério? Fico feliz em saber."
"Sim. Janete, eu preciso te perguntar uma coisa." A voz dele ficou mais séria, e Janete sentiu um arrepio. "Você toparia sair comigo? Tipo, um encontro de verdade. Não como amigos, mas como... algo mais."
Janete sorriu, um sorriso que iluminou o quarto escuro. "Finalmente, João Vitor. Eu achei que você nunca ia perguntar."
O primeiro encontro deles foi em um restaurante italiano charmoso, com luzes baixas e música suave. Janete usava um vestido preto justo, os cabelos cacheados soltos, e anéis prateados brilhavam em seus dedos. João Vitor estava impecável em uma camisa social e calças escuras, o que o fazia parecer ainda mais alto e elegante.
A conversa fluiu com uma naturalidade que assustou e encantou Janete. Eles falaram sobre sonhos, medos, paixões. Ele contou sobre o desejo de jogar em uma liga internacional, ela sobre o sonho de abrir seu próprio santuário para animais abandonados.
No final da noite, enquanto a levava para casa, o silêncio no carro era denso, carregado de expectativa. Parado em frente ao prédio dela, João Vitor se virou para encará-la.
"Janete", a voz dele era um sussurro. "Eu... eu não sei o que estou sentindo, mas é diferente de tudo que já senti."
Janete inclinou-se, o rosto tão perto que ela podia sentir o calor da respiração dele. "Eu também, João Vitor."
Ele a beijou.
Foi um beijo lento, hesitante no início, depois aprofundou-se, carregado de toda a tensão e o desejo reprimidos por meses. Os lábios dele eram macios, e o gosto de café e menta preencheu a boca de Janete. Ela sentiu as mãos dele em sua cintura, puxando-a para mais perto, e suas próprias mãos se enroscaram nos cabelos ondulados dele.
Quando se separaram, ofegantes, Janete sentiu o rosto corado, o coração disparado.
"Uau", ela conseguiu balbuciar.
João Vitor sorriu, um sorriso que ela nunca tinha visto antes – um sorriso genuíno, sem a seriedade habitual. "Uau, de fato."
A partir daquele beijo, a relação deles decolou. Os encontros se tornaram mais frequentes, os beijos mais intensos. Eles passavam horas conversando, explorando um ao outro, desvendando as camadas que cada um carregava.
Janete descobriu que, por trás da fachada séria, João Vitor era um homem com um coração enorme, leal e extremamente protetor. Ele, por sua vez, aprendeu a lidar com a personalidade multifacetada de Janete, entendendo que sua bipolaridade não era um defeito, mas uma parte dela, e que sua intensidade era o que a tornava tão vibrante.
A vida deles, no entanto, era uma montanha-russa. A agenda de João Vitor era implacável. Treinos diários, viagens para jogos em outras cidades, a pressão constante de ser um atleta de alto nível. Janete, com seu estágio e a faculdade de veterinária, também tinha uma rotina apertada.
Certa vez, João Vitor teve que viajar para um campeonato importante que duraria duas semanas. A distância foi um teste. Janete sentia falta dele de uma forma que a assustava. As mensagens e as chamadas de vídeo ajudavam, mas não preenchiam o vazio.
Uma noite, ela estava de plantão na clínica, exausta, quando uma mensagem dele chegou.
*João Vitor: "Saudades de você. Saudades do seu cheiro, da sua risada, da forma como você me faz sentir leve."*
Janete sentiu os olhos marejarem. Ela respondeu:
*Janete: "Também sinto sua falta, João. É difícil sem você aqui. Mas sei que você está arrasando."*
A distância trouxe um drama sutil para a relação. Os ciúmes, antes inexistentes, começaram a surgir, pequenos pontinhos de insegurança. Janete via fotos dele com o time, cercado por fãs, e se perguntava se ela era o suficiente para um homem com um futuro tão brilhante. João Vitor, por sua vez, ficava preocupado com os longos turnos dela na clínica, com os colegas de trabalho – embora ele confiasse nela, o medo de perdê-la era um fantasma que o assombrava.
Em um fim de semana raro em que ele estava na cidade, eles decidiram ir a um festival de música. Janete, no seu estilo gótico habitual, estava deslumbrante em um top de renda preta e uma saia longa. João Vitor, de camiseta e jeans, era o contraste perfeito.
A noite era vibrante, cheia de música e risadas. Eles dançaram, cantaram, e por um momento, o mundo exterior parecia desaparecer. Mas então, Janete notou os olhares. As pessoas os observavam, alguns com curiosidade, outros com admiração. A diferença entre eles era evidente – ela, com seu estilo alternativo, e ele, o atleta famoso.
No meio da multidão, uma garota se aproximou de João Vitor, pedindo uma foto. Ele, gentilmente, atendeu. Janete sentiu um aperto no peito, uma sensação incômoda.
Mais tarde, em casa de Janete, a tensão explodiu.
"Você viu como todo mundo te olhava?", Janete perguntou, a voz um pouco mais alta do que o normal. "Como se eu fosse... sei lá, seu projeto de caridade."
João Vitor a encarou, surpreso com a explosão. "Janete, o que você está falando? Ninguém estava olhando assim. E mesmo que estivessem, quem se importa? Eu estou com você."
"Mas eu me importo!", ela respondeu, os olhos marejados. "Eu me sinto... pequena perto de você. Você é famoso, bem-sucedido, e eu sou só uma estagiária gótica que gosta de animais."
Ele se aproximou dela, os olhos fixos nos dela. "Janete, não diga isso. Você não é 'só' nada. Você é incrível. Você é inteligente, apaixonada, linda. Eu te escolhi. Eu quero estar com você, não importa o que as pessoas pensem."
Ele a beijou, um beijo que era uma promessa, um bálsamo para as inseguranças dela. Mas a semente da dúvida havia sido plantada.
A vida sexual deles era uma extensão da intensidade de sua relação. Era apaixonada, exploratória, e cheia de uma química inegável. João Vitor, que nunca havia se entregado a ninguém antes, descobriu em Janete uma liberdade que o libertava de suas próprias amarras. Ela, por sua vez, encontrou nele uma segurança que a permitia explorar seus desejos mais profundos.
As noites que passavam juntos eram um refúgio da rotina estressante. Era nos braços um do outro que eles encontravam paz, seja em uma explosão de paixão ou em um abraço apertado e silencioso.
Mesmo com as dificuldades, com as agendas apertadas e as inseguranças, eles continuavam lutando um pelo outro. João Vitor aprendia a ser mais expressivo, a verbalizar seus sentimentos, algo que era um desafio para ele. Janete aprendia a confiar mais, a não deixar que seus medos a dominassem.
Um dia, João Vitor apareceu na clínica com um buquê de rosas vermelhas e um sorriso que fez o coração de Janete derreter. Era o aniversário de três meses deles.
"Eu sei que é um dia de trabalho cansativo", ele disse, entregando as flores. "Mas queria te lembrar o quanto você é especial para mim."
Janete o abraçou forte, o cheiro dele inebriante. "Você é o melhor, João Vitor."
Naquele abraço, no meio do cheiro de antisséptico e pelos de animais, Janete sabia que, apesar de todos os desafios, apesar dos mundos diferentes que habitavam, eles tinham algo real. Algo que valia a pena lutar. E João Vitor, enquanto a abraçava, sentia a mesma certeza. Eles eram um time, e estavam prontos para qualquer jogo que a vida lhes apresentasse. O primeiro saque havia sido feito, e a partida, ele sabia, seria longa e cheia de emoções. Mas ele estava pronto para cada ponto.
