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amor não correspondido
Fandom: My Demon
Creado: 13/2/2026
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RomanceDramaRecortes de VidaAlmas GemelasEstudio de PersonajeRealismoAngustiaDolor/ConsueloCelosTragedia
Um Novo Começo, Três Corações em Jogo
O sol da manhã mal despontava no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados, mas o burburinho da Escola Secundária Jeongsan já era audível. Carregando minha mochila pesada e um misto de nervosismo e excitação, dei meus primeiros passos por aquele novo território. A mudança para Seul havia sido repentina, e começar em uma escola no meio do ano letivo não era o ideal, mas eu estava determinada a fazer o melhor.
Meus olhos percorriam os corredores lotados, tentando decifrar o mapa mental que eu havia estudado na noite anterior. A sala dos professores ficava no segundo andar, e eu precisava pegar meu horário e o número do meu armário. Enquanto subia as escadas, uma colisão inevitável aconteceu. Minhas mãos, já suadas, escorregaram da alça da mochila, e uma pilha de livros desabou no chão com um baque seco.
"Oh, meu Deus! Me desculpe, eu sou tão desastrada!", exclamei, abaixando-me para recolher meus pertences.
Uma sombra alta pairou sobre mim. Levantei os olhos e me deparei com um garoto que parecia ter saído de uma revista de moda. Ele era alto, com cabelos escuros que caíam perfeitamente sobre a testa e olhos profundos que me observavam com uma intensidade que me fez corar. Ele não disse nada, apenas se agachou e começou a me ajudar a recolher os livros, seus dedos longos e elegantes manuseando os volumes com uma delicadeza surpreendente.
"Obrigada", eu disse, sentindo o calor subir às minhas bochechas.
Ele apenas assentiu, seus lábios finos mal se movendo, e me entregou o último livro. Sua expressão era um misto de seriedade e algo que eu não conseguia decifrar. Havia uma aura de mistério ao seu redor, e a ausência de palavras apenas intensificava isso.
"Sou [Seu Nome]", apresentei-me, estendendo a mão.
Ele hesitou por um segundo antes de apertar minha mão. Seu toque era firme, mas gentil. "Henry", ele murmurou, sua voz baixa e um pouco rouca, como um sussurro.
"Você sabe onde fica a sala dos professores?", perguntei, sentindo um pingo de esperança de que ele pudesse me ajudar a navegar por aquele labirinto.
Ele apontou para o final do corredor com um movimento sutil da cabeça. "Segundo andar", ele disse, sua voz sumindo no burburinho.
"Obrigada, Henry", eu disse, sorrindo. Ele apenas assentiu novamente, e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele se virou e se afastou, desaparecendo na multidão.
Henry. O primeiro rosto amigável (ou pelo menos neutro) que eu havia encontrado. Ele era bonito, sem dúvida, mas sua quietude e a forma como ele parecia evitar o contato visual me deixaram curiosa. Havia algo nele que me atraía, uma espécie de magnetismo silencioso.
Depois de finalmente encontrar a sala dos professores e pegar meu horário, fui para o meu armário. Minha primeira aula era de literatura coreana, e eu estava um pouco apreensiva. Enquanto tentava abrir o armário, que parecia emperrado, uma voz melodiosa me tirou dos meus pensamentos.
"Está com problemas, novata?"
Virei-me e vi um garoto encostado no armário ao lado, com um sorriso largo e deslumbrante nos lábios. Ele tinha cabelos castanhos claros que caíam em um penteado despojado, e seus olhos, de um tom âmbar quente, brilhavam com uma energia contagiante. Sua jaqueta de couro preta e a forma como ele a usava casualmente davam-lhe um ar de rebeldia charmosa.
"Sim, este armário parece não gostar de mim", eu disse, rindo.
Ele se aproximou, e eu pude sentir o cheiro suave de seu perfume, uma mistura de sândalo e algo cítrico. "Deixe-me ver." Ele pegou o cadeado, e com um movimento rápido e confiante, ele o abriu. "Prontinho. Parece que ele só precisava de um pouco de persuasão."
"Uau, obrigada! Sou [Seu Nome]", eu disse, novamente estendendo a mão.
Ele apertou minha mão com um aperto firme e quente. "Leo. Prazer, [Seu Nome]. Você é nova por aqui, certo? Nunca te vi antes."
"Sim, acabei de me mudar para Seul", eu respondi. "Estou um pouco perdida, para ser honesta."
"Não se preocupe, eu te ajudo a se localizar", Leo disse, seu sorriso se alargando. "Qual sua primeira aula?"
"Literatura coreana, na sala 203."
"Que coincidência! A minha também é lá", ele exclamou, e um brilho travesso surgiu em seus olhos. "Parece que o destino quer que sejamos amigos, não é?"
Eu ri. "Talvez sim."
Caminhamos juntos até a sala de aula, e Leo foi uma fonte inesgotável de informações sobre a escola, os professores e até mesmo os melhores lugares para almoçar. Ele era popular, isso era óbvio. Várias pessoas acenavam para ele nos corredores, e ele respondia a todos com um sorriso e um aceno. Sua energia era contagiante, e eu me senti imediatamente à vontade com ele.
Durante a aula, Leo sentou-se ao meu lado e me ajudou a entender algumas das nuances da literatura coreana que eu ainda não havia compreendido. Ele era atencioso, e a forma como ele explicava as coisas demonstrava que ele não era apenas um rosto bonito, mas também inteligente.
No almoço, Leo me apresentou ao seu grupo de amigos, um grupo animado e acolhedor que me fez sentir menos como uma estranha. Enquanto conversávamos e ríamos, meus olhos vagaram pela cafeteria lotada, e eu o vi.
Ele estava sentado em uma mesa no canto mais afastado, sozinho. Seus cabelos castanhos claros caíam sobre os olhos, e ele estava absorto em um livro, alheio ao barulho ao seu redor. Havia algo nele que me chamou a atenção. Ele não era tão alto quanto Henry, mas tinha uma beleza delicada, quase etérea. Seu rosto, embora sério, era harmonioso, e a forma como a luz batia em seus cabelos criava um halo dourado ao redor dele.
"Quem é aquele?", perguntei a Leo, apontando discretamente para o garoto.
Leo seguiu meu olhar. "Ah, aquele é o Ben. Ele é um pouco... solitário."
"Ele sempre fica sozinho?", perguntei, sentindo uma pontada de curiosidade.
"Quase sempre", Leo respondeu, seu tom um pouco melancólico. "Ele é um bom garoto, mas não fala muito. Ninguém realmente entende o que se passa na cabeça dele."
Algo em sua solidão me atraiu. Eu me identificava um pouco com a sensação de ser um peixe fora d'água, e talvez por isso, senti uma vontade de me aproximar dele.
Depois do almoço, na saída da aula de matemática, vi Ben novamente, caminhando sozinho pelo corredor. A mochila pendurada em um ombro, o olhar fixo no chão. Tomei coragem e decidi abordá-lo.
"Oi", eu disse, tentando parecer o mais amigável possível.
Ele parou, levantando os olhos lentamente. Seus olhos eram de um tom de castanho profundo, quase preto, e havia uma tristeza velada neles. Ele não disse nada, apenas me olhou com uma expressão neutra.
"Sou [Seu Nome]", eu disse, estendendo a mão. "Sou nova na escola."
Ele hesitou por um momento, mas então, para minha surpresa, apertou minha mão. Seu toque era frio, quase gélido, e sua mão era pequena e delicada. "Ben", ele murmurou, sua voz era tão suave que eu mal pude ouvi-lo.
"Você está indo para a biblioteca?", perguntei, notando o livro que ele segurava.
Ele assentiu.
"Eu também!" menti um pouco, mas a biblioteca era um bom lugar para começar uma conversa. "Posso ir com você?"
Ele me olhou por um segundo, e eu pensei que ele diria não, mas então ele apenas assentiu novamente e começou a andar. Acompanhei-o, mantendo um ritmo constante ao seu lado. O silêncio entre nós não era constrangedor, mas sim... confortável. Era um silêncio diferente do de Henry. O silêncio de Henry parecia guardado, enquanto o de Ben parecia mais uma forma de expressão, uma linguagem própria.
Na biblioteca, Ben encontrou uma mesa isolada e se sentou, imediatamente abrindo seu livro. Eu me sentei na cadeira à sua frente.
"O que você está lendo?", perguntei, tentando quebrar o gelo.
Ele me mostrou a capa. Era um romance de fantasia, um gênero que eu adorava. "É bom?", perguntei.
Ele assentiu, seus olhos fixos nas páginas.
"Você gosta de ler?", eu continuei, persistindo.
Ele finalmente tirou os olhos do livro e me olhou. Havia um leve sorriso em seus lábios, quase imperceptível. "Sim", ele disse, sua voz um pouco mais audível desta vez.
Passamos o resto da tarde na biblioteca, eu lendo meus próprios livros, e ele absorto no dele. Ocasionalmente, eu tentava puxar conversa, e ele respondia com monossílabos ou acenos, mas eu não me importava. Havia algo na sua presença silenciosa que me acalmava.
Os dias se transformaram em semanas, e as semanas em meses. Eu me tornei amiga dos três.
Henry, o misterioso e silencioso. Ele era meu porto seguro. Sempre que eu precisava de um ombro para chorar ou apenas de um momento de paz, ele estava lá. Ele não falava muito, mas suas ações falavam por si. Ele me deixava bilhetes com doces na minha mesa da biblioteca, me esperava na saída da escola quando chovia, e seus olhos me seguiam com uma ternura que eu não conseguia ignorar. Ele era como um guardião silencioso, sempre presente, sempre cuidando de mim à sua maneira discreta.
Leo, o charmoso e popular. Ele era a luz do meu dia. Suas risadas eram contagiantes, suas piadas me faziam esquecer qualquer problema, e sua energia me impulsionava para cima. Ele me convidava para festas, me apresentava a pessoas novas e me fazia sentir como se eu pertencesse. Ele era um raio de sol, sempre me fazendo rir e me sentir especial com seus elogios sinceros e sua atenção constante. Ele era atencioso, lembrando-se dos meus pratos favoritos e das minhas músicas preferidas, e ele se esforçava para me fazer feliz.
Ben, o solitário e introspectivo. Ele era meu confidente silencioso. Com ele, eu podia ser eu mesma, sem máscaras. Compartilhávamos livros, conversávamos sobre filosofia e a vida, e em seus olhos, eu encontrava uma compreensão profunda que eu não encontrava em mais ninguém. Ele era um enigma que eu estava desesperada para decifrar, e cada pequena revelação sobre sua personalidade era um tesouro. Ele me mostrava desenhos incríveis que fazia, contava histórias sobre os mundos que criava em sua mente, e sua timidez se quebrava quando ele falava sobre suas paixões. Era uma conexão mais profunda, quase espiritual.
Eu sabia que estava em apuros. Meus sentimentos por cada um deles cresciam a cada dia, e eu me via dividida entre três corações que, de maneiras tão diferentes, haviam se apegado a mim.
A primeira vez que percebi que Henry sentia algo mais por mim foi em uma tarde chuvosa. Eu tinha esquecido meu guarda-chuva, e ele apareceu do nada, segurando o seu sobre minha cabeça. Não disse uma palavra, apenas me acompanhou até em casa, o silêncio preenchido apenas pelo som da chuva caindo. Quando chegamos à minha porta, ele não se despediu, apenas me olhou com aqueles olhos profundos, e eu pude ver neles um brilho de algo que ia além da amizade. Ele tocou meu cabelo molhado com a ponta dos dedos, um gesto tão delicado que me fez prender a respiração.
Leo, por outro lado, era mais explícito em suas demonstrações de afeto. Ele me dava flores, me levava para passear em lugares bonitos e não perdia uma oportunidade de me elogiar. Uma vez, em um festival escolar, ele me puxou para dançar, e enquanto girávamos sob as luzes coloridas, ele segurou meu rosto em suas mãos e me disse, com um sorriso arrebatador, que eu era a garota mais linda que ele já havia conhecido. Meu coração disparou, e eu sabia que ele estava apaixonado.
Ben, apesar de sua natureza reservada, também começou a me mostrar seus sentimentos. Ele começou a me deixar pequenos desenhos em meu armário, retratando coisas que conversávamos ou momentos que compartilhávamos. Eram obras de arte, cheias de emoção e significado. Uma vez, ele me deu um livro de poesia, e quando eu o abri, encontrei uma passagem sublinhada que falava sobre a beleza de encontrar uma alma gêmea. Ele me olhou com aqueles olhos profundos, e eu soube que era sua forma de dizer que me amava.
Eu estava em uma encruzilhada. Cada um deles me oferecia algo único e precioso. Henry me oferecia segurança e uma conexão profunda e silenciosa. Leo me oferecia alegria e uma paixão vibrante. Ben me oferecia compreensão e uma intimidade intelectual e emocional.
A pressão começou a aumentar. Os amigos de Leo começaram a fazer perguntas, os olhares de Henry se tornaram mais intensos, e os pequenos gestos de Ben eram cada vez mais carregados de significado. Eu não podia mais adiar a decisão.
Uma noite, deitada na minha cama, olhando para o teto, eu me peguei pensando em cada um deles.
Henry. Eu me lembrava da primeira vez que o vi, da sua quietude, da forma como ele se agachou para me ajudar com os livros. Ele era como uma árvore forte, enraizada, sempre ali para mim. Sua presença era calmante, e eu sabia que com ele, eu estaria sempre protegida. Mas a falta de comunicação às vezes me deixava com dúvidas. Seria eu capaz de viver em um relacionamento onde as palavras eram tão escassas?
Leo. Eu me lembrava do seu sorriso, da sua risada contagiante, da forma como ele me fazia sentir a garota mais especial do mundo. Com ele, a vida era uma aventura, cheia de risadas e momentos inesquecíveis. Ele era o sol, me aquecendo com sua energia. Mas eu me perguntava se toda aquela popularidade e energia não ofuscariam a mim mesma. Eu seria capaz de acompanhar seu ritmo?
Ben. Eu me lembrava dos seus olhos profundos, da sua mente brilhante, da forma como ele me entendia sem que eu precisasse dizer uma palavra. Com ele, eu sentia uma conexão de alma, como se fôssemos feitos um para o outro. Ele era a lua, me guiando com sua luz suave e misteriosa. Mas sua timidez e sua tendência a se isolar me preocupavam. Eu seria capaz de tirá-lo de sua bolha, ou me juntaria a ele lá dentro?
Eu sabia que precisava tomar uma decisão, mas como escolher entre três corações que haviam se enlaçado ao meu de maneiras tão diferentes e igualmente intensas? O que eu realmente queria? O que eu realmente precisava?
A resposta não era fácil, e eu sabia que, não importa quem eu escolhesse, eu partiria o coração de dois deles. A escola Jeongsan havia me dado mais do que apenas um novo começo; ela havia me dado três amores, e agora, a difícil tarefa de escolher apenas um. O destino havia me colocado nesta situação, e agora, eu precisava encontrar a força para seguir meu próprio coração, mesmo que isso significasse dor para os outros. A jornada de escolher o meu demônio, o meu amor, estava apenas começando.
Meus olhos percorriam os corredores lotados, tentando decifrar o mapa mental que eu havia estudado na noite anterior. A sala dos professores ficava no segundo andar, e eu precisava pegar meu horário e o número do meu armário. Enquanto subia as escadas, uma colisão inevitável aconteceu. Minhas mãos, já suadas, escorregaram da alça da mochila, e uma pilha de livros desabou no chão com um baque seco.
"Oh, meu Deus! Me desculpe, eu sou tão desastrada!", exclamei, abaixando-me para recolher meus pertences.
Uma sombra alta pairou sobre mim. Levantei os olhos e me deparei com um garoto que parecia ter saído de uma revista de moda. Ele era alto, com cabelos escuros que caíam perfeitamente sobre a testa e olhos profundos que me observavam com uma intensidade que me fez corar. Ele não disse nada, apenas se agachou e começou a me ajudar a recolher os livros, seus dedos longos e elegantes manuseando os volumes com uma delicadeza surpreendente.
"Obrigada", eu disse, sentindo o calor subir às minhas bochechas.
Ele apenas assentiu, seus lábios finos mal se movendo, e me entregou o último livro. Sua expressão era um misto de seriedade e algo que eu não conseguia decifrar. Havia uma aura de mistério ao seu redor, e a ausência de palavras apenas intensificava isso.
"Sou [Seu Nome]", apresentei-me, estendendo a mão.
Ele hesitou por um segundo antes de apertar minha mão. Seu toque era firme, mas gentil. "Henry", ele murmurou, sua voz baixa e um pouco rouca, como um sussurro.
"Você sabe onde fica a sala dos professores?", perguntei, sentindo um pingo de esperança de que ele pudesse me ajudar a navegar por aquele labirinto.
Ele apontou para o final do corredor com um movimento sutil da cabeça. "Segundo andar", ele disse, sua voz sumindo no burburinho.
"Obrigada, Henry", eu disse, sorrindo. Ele apenas assentiu novamente, e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele se virou e se afastou, desaparecendo na multidão.
Henry. O primeiro rosto amigável (ou pelo menos neutro) que eu havia encontrado. Ele era bonito, sem dúvida, mas sua quietude e a forma como ele parecia evitar o contato visual me deixaram curiosa. Havia algo nele que me atraía, uma espécie de magnetismo silencioso.
Depois de finalmente encontrar a sala dos professores e pegar meu horário, fui para o meu armário. Minha primeira aula era de literatura coreana, e eu estava um pouco apreensiva. Enquanto tentava abrir o armário, que parecia emperrado, uma voz melodiosa me tirou dos meus pensamentos.
"Está com problemas, novata?"
Virei-me e vi um garoto encostado no armário ao lado, com um sorriso largo e deslumbrante nos lábios. Ele tinha cabelos castanhos claros que caíam em um penteado despojado, e seus olhos, de um tom âmbar quente, brilhavam com uma energia contagiante. Sua jaqueta de couro preta e a forma como ele a usava casualmente davam-lhe um ar de rebeldia charmosa.
"Sim, este armário parece não gostar de mim", eu disse, rindo.
Ele se aproximou, e eu pude sentir o cheiro suave de seu perfume, uma mistura de sândalo e algo cítrico. "Deixe-me ver." Ele pegou o cadeado, e com um movimento rápido e confiante, ele o abriu. "Prontinho. Parece que ele só precisava de um pouco de persuasão."
"Uau, obrigada! Sou [Seu Nome]", eu disse, novamente estendendo a mão.
Ele apertou minha mão com um aperto firme e quente. "Leo. Prazer, [Seu Nome]. Você é nova por aqui, certo? Nunca te vi antes."
"Sim, acabei de me mudar para Seul", eu respondi. "Estou um pouco perdida, para ser honesta."
"Não se preocupe, eu te ajudo a se localizar", Leo disse, seu sorriso se alargando. "Qual sua primeira aula?"
"Literatura coreana, na sala 203."
"Que coincidência! A minha também é lá", ele exclamou, e um brilho travesso surgiu em seus olhos. "Parece que o destino quer que sejamos amigos, não é?"
Eu ri. "Talvez sim."
Caminhamos juntos até a sala de aula, e Leo foi uma fonte inesgotável de informações sobre a escola, os professores e até mesmo os melhores lugares para almoçar. Ele era popular, isso era óbvio. Várias pessoas acenavam para ele nos corredores, e ele respondia a todos com um sorriso e um aceno. Sua energia era contagiante, e eu me senti imediatamente à vontade com ele.
Durante a aula, Leo sentou-se ao meu lado e me ajudou a entender algumas das nuances da literatura coreana que eu ainda não havia compreendido. Ele era atencioso, e a forma como ele explicava as coisas demonstrava que ele não era apenas um rosto bonito, mas também inteligente.
No almoço, Leo me apresentou ao seu grupo de amigos, um grupo animado e acolhedor que me fez sentir menos como uma estranha. Enquanto conversávamos e ríamos, meus olhos vagaram pela cafeteria lotada, e eu o vi.
Ele estava sentado em uma mesa no canto mais afastado, sozinho. Seus cabelos castanhos claros caíam sobre os olhos, e ele estava absorto em um livro, alheio ao barulho ao seu redor. Havia algo nele que me chamou a atenção. Ele não era tão alto quanto Henry, mas tinha uma beleza delicada, quase etérea. Seu rosto, embora sério, era harmonioso, e a forma como a luz batia em seus cabelos criava um halo dourado ao redor dele.
"Quem é aquele?", perguntei a Leo, apontando discretamente para o garoto.
Leo seguiu meu olhar. "Ah, aquele é o Ben. Ele é um pouco... solitário."
"Ele sempre fica sozinho?", perguntei, sentindo uma pontada de curiosidade.
"Quase sempre", Leo respondeu, seu tom um pouco melancólico. "Ele é um bom garoto, mas não fala muito. Ninguém realmente entende o que se passa na cabeça dele."
Algo em sua solidão me atraiu. Eu me identificava um pouco com a sensação de ser um peixe fora d'água, e talvez por isso, senti uma vontade de me aproximar dele.
Depois do almoço, na saída da aula de matemática, vi Ben novamente, caminhando sozinho pelo corredor. A mochila pendurada em um ombro, o olhar fixo no chão. Tomei coragem e decidi abordá-lo.
"Oi", eu disse, tentando parecer o mais amigável possível.
Ele parou, levantando os olhos lentamente. Seus olhos eram de um tom de castanho profundo, quase preto, e havia uma tristeza velada neles. Ele não disse nada, apenas me olhou com uma expressão neutra.
"Sou [Seu Nome]", eu disse, estendendo a mão. "Sou nova na escola."
Ele hesitou por um momento, mas então, para minha surpresa, apertou minha mão. Seu toque era frio, quase gélido, e sua mão era pequena e delicada. "Ben", ele murmurou, sua voz era tão suave que eu mal pude ouvi-lo.
"Você está indo para a biblioteca?", perguntei, notando o livro que ele segurava.
Ele assentiu.
"Eu também!" menti um pouco, mas a biblioteca era um bom lugar para começar uma conversa. "Posso ir com você?"
Ele me olhou por um segundo, e eu pensei que ele diria não, mas então ele apenas assentiu novamente e começou a andar. Acompanhei-o, mantendo um ritmo constante ao seu lado. O silêncio entre nós não era constrangedor, mas sim... confortável. Era um silêncio diferente do de Henry. O silêncio de Henry parecia guardado, enquanto o de Ben parecia mais uma forma de expressão, uma linguagem própria.
Na biblioteca, Ben encontrou uma mesa isolada e se sentou, imediatamente abrindo seu livro. Eu me sentei na cadeira à sua frente.
"O que você está lendo?", perguntei, tentando quebrar o gelo.
Ele me mostrou a capa. Era um romance de fantasia, um gênero que eu adorava. "É bom?", perguntei.
Ele assentiu, seus olhos fixos nas páginas.
"Você gosta de ler?", eu continuei, persistindo.
Ele finalmente tirou os olhos do livro e me olhou. Havia um leve sorriso em seus lábios, quase imperceptível. "Sim", ele disse, sua voz um pouco mais audível desta vez.
Passamos o resto da tarde na biblioteca, eu lendo meus próprios livros, e ele absorto no dele. Ocasionalmente, eu tentava puxar conversa, e ele respondia com monossílabos ou acenos, mas eu não me importava. Havia algo na sua presença silenciosa que me acalmava.
Os dias se transformaram em semanas, e as semanas em meses. Eu me tornei amiga dos três.
Henry, o misterioso e silencioso. Ele era meu porto seguro. Sempre que eu precisava de um ombro para chorar ou apenas de um momento de paz, ele estava lá. Ele não falava muito, mas suas ações falavam por si. Ele me deixava bilhetes com doces na minha mesa da biblioteca, me esperava na saída da escola quando chovia, e seus olhos me seguiam com uma ternura que eu não conseguia ignorar. Ele era como um guardião silencioso, sempre presente, sempre cuidando de mim à sua maneira discreta.
Leo, o charmoso e popular. Ele era a luz do meu dia. Suas risadas eram contagiantes, suas piadas me faziam esquecer qualquer problema, e sua energia me impulsionava para cima. Ele me convidava para festas, me apresentava a pessoas novas e me fazia sentir como se eu pertencesse. Ele era um raio de sol, sempre me fazendo rir e me sentir especial com seus elogios sinceros e sua atenção constante. Ele era atencioso, lembrando-se dos meus pratos favoritos e das minhas músicas preferidas, e ele se esforçava para me fazer feliz.
Ben, o solitário e introspectivo. Ele era meu confidente silencioso. Com ele, eu podia ser eu mesma, sem máscaras. Compartilhávamos livros, conversávamos sobre filosofia e a vida, e em seus olhos, eu encontrava uma compreensão profunda que eu não encontrava em mais ninguém. Ele era um enigma que eu estava desesperada para decifrar, e cada pequena revelação sobre sua personalidade era um tesouro. Ele me mostrava desenhos incríveis que fazia, contava histórias sobre os mundos que criava em sua mente, e sua timidez se quebrava quando ele falava sobre suas paixões. Era uma conexão mais profunda, quase espiritual.
Eu sabia que estava em apuros. Meus sentimentos por cada um deles cresciam a cada dia, e eu me via dividida entre três corações que, de maneiras tão diferentes, haviam se apegado a mim.
A primeira vez que percebi que Henry sentia algo mais por mim foi em uma tarde chuvosa. Eu tinha esquecido meu guarda-chuva, e ele apareceu do nada, segurando o seu sobre minha cabeça. Não disse uma palavra, apenas me acompanhou até em casa, o silêncio preenchido apenas pelo som da chuva caindo. Quando chegamos à minha porta, ele não se despediu, apenas me olhou com aqueles olhos profundos, e eu pude ver neles um brilho de algo que ia além da amizade. Ele tocou meu cabelo molhado com a ponta dos dedos, um gesto tão delicado que me fez prender a respiração.
Leo, por outro lado, era mais explícito em suas demonstrações de afeto. Ele me dava flores, me levava para passear em lugares bonitos e não perdia uma oportunidade de me elogiar. Uma vez, em um festival escolar, ele me puxou para dançar, e enquanto girávamos sob as luzes coloridas, ele segurou meu rosto em suas mãos e me disse, com um sorriso arrebatador, que eu era a garota mais linda que ele já havia conhecido. Meu coração disparou, e eu sabia que ele estava apaixonado.
Ben, apesar de sua natureza reservada, também começou a me mostrar seus sentimentos. Ele começou a me deixar pequenos desenhos em meu armário, retratando coisas que conversávamos ou momentos que compartilhávamos. Eram obras de arte, cheias de emoção e significado. Uma vez, ele me deu um livro de poesia, e quando eu o abri, encontrei uma passagem sublinhada que falava sobre a beleza de encontrar uma alma gêmea. Ele me olhou com aqueles olhos profundos, e eu soube que era sua forma de dizer que me amava.
Eu estava em uma encruzilhada. Cada um deles me oferecia algo único e precioso. Henry me oferecia segurança e uma conexão profunda e silenciosa. Leo me oferecia alegria e uma paixão vibrante. Ben me oferecia compreensão e uma intimidade intelectual e emocional.
A pressão começou a aumentar. Os amigos de Leo começaram a fazer perguntas, os olhares de Henry se tornaram mais intensos, e os pequenos gestos de Ben eram cada vez mais carregados de significado. Eu não podia mais adiar a decisão.
Uma noite, deitada na minha cama, olhando para o teto, eu me peguei pensando em cada um deles.
Henry. Eu me lembrava da primeira vez que o vi, da sua quietude, da forma como ele se agachou para me ajudar com os livros. Ele era como uma árvore forte, enraizada, sempre ali para mim. Sua presença era calmante, e eu sabia que com ele, eu estaria sempre protegida. Mas a falta de comunicação às vezes me deixava com dúvidas. Seria eu capaz de viver em um relacionamento onde as palavras eram tão escassas?
Leo. Eu me lembrava do seu sorriso, da sua risada contagiante, da forma como ele me fazia sentir a garota mais especial do mundo. Com ele, a vida era uma aventura, cheia de risadas e momentos inesquecíveis. Ele era o sol, me aquecendo com sua energia. Mas eu me perguntava se toda aquela popularidade e energia não ofuscariam a mim mesma. Eu seria capaz de acompanhar seu ritmo?
Ben. Eu me lembrava dos seus olhos profundos, da sua mente brilhante, da forma como ele me entendia sem que eu precisasse dizer uma palavra. Com ele, eu sentia uma conexão de alma, como se fôssemos feitos um para o outro. Ele era a lua, me guiando com sua luz suave e misteriosa. Mas sua timidez e sua tendência a se isolar me preocupavam. Eu seria capaz de tirá-lo de sua bolha, ou me juntaria a ele lá dentro?
Eu sabia que precisava tomar uma decisão, mas como escolher entre três corações que haviam se enlaçado ao meu de maneiras tão diferentes e igualmente intensas? O que eu realmente queria? O que eu realmente precisava?
A resposta não era fácil, e eu sabia que, não importa quem eu escolhesse, eu partiria o coração de dois deles. A escola Jeongsan havia me dado mais do que apenas um novo começo; ela havia me dado três amores, e agora, a difícil tarefa de escolher apenas um. O destino havia me colocado nesta situação, e agora, eu precisava encontrar a força para seguir meu próprio coração, mesmo que isso significasse dor para os outros. A jornada de escolher o meu demônio, o meu amor, estava apenas começando.
