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os opostos se atraem
Fandom: Harry Potter
Creado: 7/3/2026
Etiquetas
RomanceRecortes de VidaDramaEstudio de PersonajeRealismo MágicoCelosLirismoFantasíaHistoria Doméstica
O Início de Uma Melodia Inesperada
O sol da manhã espreitava timidamente pelas janelas da sala de aula de Transfiguração, lançando um brilho dourado sobre os pergaminhos e livros empilhados nas mesas. Paia, com seus fones de ouvido discretamente escondidos sob os cabelos, rabiscava notas musicais em um canto da sua folha de anotações, ignorando a monótona explicação da Professora McGonagall sobre a complexidade dos feitiços de transformação. Sua mente estava em outro lugar, em uma melodia que teimava em se formar em sua cabeça, uma mistura de acordes suaves e batidas ritmadas. Ele sempre foi assim, perdido em seu próprio mundo sonoro, um refúgio para sua natureza mais reservada.
Ao seu lado, Kate, com uma energia que parecia desafiar as leis da física, gesticulava animadamente para Star, sua melhor amiga. Seus olhos brilhavam com entusiasmo enquanto descrevia o mais recente projeto de arte que estava desenvolvendo para o clube de artes. "E se eu usasse tinta luminescente nas asas da fênix, Star? Imagina o efeito no escuro!" Kate era um furacão de ideias, sempre com um sorriso no rosto e uma risada contagiante. Ela não percebeu o olhar de Paia que, por um instante, se desviou de sua música para observar a intensidade com que ela falava sobre sua paixão. Havia algo nela que o fascinava, uma vitalidade que contrastava com sua própria quietude.
O sinal tocou, anunciando o fim da aula e o início do almoço. A sala se encheu de um burburinho de vozes e o arrastar de cadeiras. Paia guardou seus fones, a melodia ainda ecoando em sua mente. Ele observou Kate e Star se levantarem, ainda imersas em sua conversa sobre arte.
"Paia! Você vem?" A voz de Star o tirou de seus devaneios. Ela tinha um sorriso caloroso e sempre o incluía, mesmo sabendo de sua natureza mais introvertida.
"Já vou," ele respondeu, com um aceno de cabeça. Ele gostava de Star; ela era fácil de lidar e não o forçava a interagir mais do que ele se sentia confortável.
No Salão Principal, o cheiro de torta de abóbora e frango assado preenchia o ar. Paia se sentou em seu canto habitual, escolhendo uma mesa mais afastada, onde pudesse observar sem ser o centro das atenções. Ele pegou seu sanduíche, mas seus olhos foram atraídos para a mesa da Grifinória, onde Kate ria alto, cercada por seus amigos. Dexter, o capitão do time de futebol e seu "ficante", estava sentado ao lado dela, com uma mão possessiva em suas costas. Paia sentiu um leve desconforto, uma pontada estranha no peito que ele não conseguiu identificar. Ele desviou o olhar, concentrando-se em sua comida e na música que voltava a tocar em sua mente.
"Paia, você tá no mundo da lua de novo?" Era Star, que acabara de se sentar à sua frente, com uma bandeja cheia de comida. Kate estava logo atrás dela, com um sorriso largo.
"Só pensando em uma melodia," ele respondeu, um leve rubor colorindo suas bochechas. Ele não estava acostumado a ter a atenção de Kate direcionada a ele.
"Música? Que legal! Você compõe?" Kate perguntou, com um brilho de curiosidade nos olhos.
Paia ficou surpreso com o interesse dela. "Às vezes. Gosto de criar minhas próprias coisas."
"Isso é incrível! Eu amo arte, mas nunca pensei em música como arte de verdade, tipo, compor. Você devia me mostrar alguma coisa um dia!" Ela estava genuinamente animada, e Paia sentiu uma emoção inesperada. A ideia de compartilhar algo tão pessoal como sua música com ela era ao mesmo tempo assustadora e intrigante.
Dexter, que se aproximou da mesa, interrompeu a conversa. "Kate, você não vai acreditar no que o treinador me disse sobre o jogo de sábado!" Ele colocou a mão no ombro dela, virando-a para si, e lançou um olhar rápido e um tanto hostil para Paia. Paia sentiu a pontada de desconforto retornar, mais forte agora. Ele se encolheu ligeiramente, voltando a se concentrar em seu prato.
No dia seguinte, o treino de vôlei. Paia estava em seu elemento na quadra, seus movimentos precisos e elegantes. Ele era um jogador habilidoso, com uma calma que contrastava com a intensidade do jogo. Kate também brilhava na quadra, sua energia contagiante impulsionando a equipe. Star, como sempre, estava no meio da ação, gritando incentivos e distribuindo passes precisos.
Durante um intervalo, enquanto os jogadores bebiam água, Paia observou Kate rir com suas amigas. Seus olhos azuis brilhavam, e seus cabelos loiros balançavam enquanto ela falava. Ele se pegou admirando-a, a maneira como ela se movia, a paixão em seu olhar. Era difícil não notar.
"Paia, você tá bem?" Star perguntou, percebendo o olhar fixo dele.
"Sim, só... pensando," ele respondeu, desviando o olhar rapidamente.
Star sorriu, um brilho de compreensão em seus olhos. Ela era perspicaz e percebia as coisas antes mesmo que as pessoas as percebessem. "Pensando na música ou em outra coisa?" Ela cutucou-o com o cotovelo, um sorriso maroto no rosto.
Paia sentiu o rosto esquentar. "Na música, Star. Sempre na música."
Mas Star sabia. Ela conhecia Kate como a palma da mão, e conhecia Paia o suficiente para saber que havia algo mais ali, algo que estava começando a florescer.
Nos dias que se seguiram, Paia se viu cada vez mais consciente da presença de Kate. Ele a via nos corredores, no Salão Principal, nos treinos de vôlei. Cada vez que seus olhares se cruzavam, um pequeno choque elétrico percorria seu corpo. Ele começou a prestar mais atenção nas coisas que ela dizia, nas suas risadas, nos seus gestos. E ele notou que, às vezes, ela também o observava.
Uma tarde, Paia estava na sala de música, tocando uma melodia suave no piano. Era uma composição sua, inspirada em um pôr do sol que ele havia visto no lago. A música era melancólica, mas com um toque de esperança. Ele estava tão absorto que não percebeu a presença de mais ninguém na sala.
"Isso é lindo, Paia."
A voz de Kate o fez pular. Ele virou-se rapidamente, um pouco envergonhado por ter sido pego em um momento tão vulnerável. Ela estava parada na porta, com os olhos arregalados de admiração.
"Kate! Eu... eu não te vi."
"Desculpa se te assustei. Eu estava passando e ouvi a música. É realmente... tocante." Ela se aproximou, sentando-se em um dos bancos vazios. "Você compôs isso?"
Ele assentiu, um pouco sem jeito. "Sim. É... um experimento."
"É mais do que um experimento, Paia. É arte pura." Os olhos dela brilhavam com uma intensidade que Paia nunca havia visto antes, uma intensidade que rivalizava com a paixão que ela demonstrava por suas próprias criações. "Tem uma história por trás disso, não tem?"
Paia hesitou por um momento, mas a sinceridade no olhar de Kate o encorajou. "Sim. É sobre... a beleza que surge mesmo depois de um dia difícil. A esperança que o amanhã traz."
Kate sorriu, um sorriso que iluminou todo o cômodo. "Eu entendi. É exatamente isso que eu sinto quando ouço. Você tem um talento incrível, Paia."
Naquele momento, Paia sentiu algo se acender dentro dele. Não era apenas a admiração dela por sua música, mas a forma como ela o fazia sentir, a maneira como ela o via. Ele nunca havia se sentido tão compreendido, tão... visto.
Eles passaram a próxima hora conversando sobre música e arte, trocando ideias e inspirações. Paia se sentiu à vontade de uma forma que raramente se sentia com outras pessoas. Kate, por sua vez, estava fascinada pela profundidade e sensibilidade de Paia. Ela o via de uma forma diferente agora, não apenas o colega de time quieto, mas alguém com uma alma artística e uma sensibilidade única.
Enquanto voltavam para seus respectivos dormitórios, a mente de Kate estava em turbilhão. Ela sempre pensou em Dexter como seu "ficante", alguém divertido para sair, mas nunca sentiu a conexão profunda que ela acabara de experimentar com Paia. A conversa na sala de música havia mexido com algo dentro dela.
No dia seguinte, durante o almoço, Kate estava sentada com Star, mas sua mente estava em outro lugar. Dexter se aproximou, com sua usual autoconfiança. "Kate, você não vai acreditar no que acabei de fazer no treino! Marquei três gols seguidos!" Ele se sentou ao lado dela, com um sorriso presunçoso.
Kate sorriu educadamente, mas sua atenção estava dividida. Ela olhou para a mesa de Paia, que estava sozinho em seu canto, com seus fones de ouvido. Ele parecia tão em paz, tão imerso em seu próprio mundo. Uma pontada de algo que ela não conseguia identificar a atingiu.
Star, sempre atenta, percebeu a mudança no comportamento de Kate. "O que foi, amiga? Você está aérea hoje."
Kate suspirou. "É que... eu estava conversando com o Paia ontem na sala de música. Ele tocou uma composição dele. Era linda, Star. De verdade."
Star sorriu, um brilho de satisfação em seus olhos. "Eu sabia que ele tinha talento! E você, o que achou dele?"
Kate hesitou. "Ele é diferente, sabe? Tão... sensível. E ele me entende de um jeito que ninguém mais entende."
Dexter, que estava ocupado falando sobre seus feitos no campo, finalmente percebeu que Kate não estava prestando atenção. Ele franziu a testa. "Quem é Paia? Aquele esquisitão que fica sempre nos cantos?"
Kate sentiu uma pontada de raiva. "Ele não é esquisitão, Dexter! Ele é talentoso e uma pessoa muito legal."
Dexter riu, desdenhoso. "Ah, Kate, não me diga que você está perdendo tempo com aquele tipo. Ele é um zero à esquerda."
As palavras de Dexter atingiram Kate como um tapa. Ela sentiu uma necessidade protetora em relação a Paia. "Você não o conhece, Dexter. E não tem o direito de falar assim dele." Ela se levantou abruptly, sentindo uma onda de frustração e raiva. "Eu perdi a fome."
Ela se afastou da mesa, deixando Dexter confuso e Star sorrindo discretamente. Kate caminhou até o pátio, sentando-se sozinha em um banco. Ela estava confusa. Por que as palavras de Dexter a haviam irritado tanto? Por que ela sentia essa necessidade de defender Paia?
Enquanto isso, Paia sentiu o olhar de Dexter sobre ele durante o almoço. Ele notou a discussão entre Kate e Dexter, e a forma como Kate se levantou abruptamente. Ele sentiu uma pontada de preocupação. Ele queria saber o que havia acontecido, mas sua natureza reservada o impedia de se aproximar.
Mais tarde, no treino de vôlei, o clima estava tenso. Dexter, com um ar de superioridade, lançava olhares hostis para Paia. Ele havia percebido a proximidade entre Kate e Paia e não gostou nada disso. Ele era possessivo em relação a Kate, mesmo sem ter um compromisso sério com ela.
Durante o jogo, Dexter, que estava observando da arquibancada, começou a fazer comentários sarcásticos a cada erro de Paia. "Que passe horrível, Paia! Parece que você está com a cabeça nas nuvens, como sempre!"
Paia tentava ignorar, mas as palavras de Dexter o atingiam. Ele sentia a pressão e começou a cometer mais erros. Kate percebeu o que estava acontecendo e sentiu uma raiva crescente. Ela não podia tolerar o bullying de Dexter.
"Dexter, pare com isso!" Kate gritou, com os olhos faiscando de raiva. "Deixe o Paia em paz! Você não tem o direito de fazer isso!"
Dexter ficou surpreso com a explosão de Kate. Ele não estava acostumado a ser desafiado, especialmente por ela. "Qual é, Kate? Estou apenas me divertindo."
"Não é divertido, Dexter! É cruel! Se você não tem nada de bom para dizer, cale a boca!" Kate estava furiosa, e todos na quadra puderam sentir a intensidade de sua raiva.
Paia, que estava paralisado pela situação, sentiu uma onda de gratidão por Kate. Ela o havia defendido, sem hesitação. Ele a olhou, e seus olhos se encontraram. Naquele momento, Paia percebeu que seus sentimentos por Kate eram muito mais profundos do que ele havia imaginado. Não era apenas admiração, mas algo mais forte, mais intenso.
Dexter, humilhado pela repreensão de Kate, levantou-se e saiu da quadra, com o rosto vermelho de raiva. Ele lançou um último olhar de ódio para Paia. Aquilo não ficaria assim.
Depois do treino, Star se aproximou de Kate, com um sorriso de satisfação. "Você foi incrível, amiga! Ninguém coloca o Dexter no lugar dele como você."
Kate suspirou, ainda sentindo a adrenalina. "Ele me irrita. E ele não tinha o direito de falar daquele jeito com o Paia." Ela olhou para Paia, que estava guardando suas coisas, ainda um pouco atordoado.
Paia se aproximou delas. "Obrigado, Kate. De verdade. Ninguém nunca me defendeu assim antes."
Kate sorriu, um sorriso genuíno e caloroso. "Não precisa agradecer, Paia. Ninguém merece ser tratado assim."
Seus olhos se encontraram novamente, e na troca de olhares, havia algo mais profundo do que gratidão ou amizade. Havia uma conexão, um reconhecimento mútuo de sentimentos que estavam apenas começando a florescer. O coração de Kate acelerou, e ela percebeu que a melodia que Paia havia tocado no piano não era a única música que estava começando a tocar em sua vida. A melodia de seus próprios sentimentos por ele estava apenas começando. E Paia, em seu mundo de notas e acordes, sentiu que finalmente havia encontrado a inspiração para a mais bela de suas composições.
Ao seu lado, Kate, com uma energia que parecia desafiar as leis da física, gesticulava animadamente para Star, sua melhor amiga. Seus olhos brilhavam com entusiasmo enquanto descrevia o mais recente projeto de arte que estava desenvolvendo para o clube de artes. "E se eu usasse tinta luminescente nas asas da fênix, Star? Imagina o efeito no escuro!" Kate era um furacão de ideias, sempre com um sorriso no rosto e uma risada contagiante. Ela não percebeu o olhar de Paia que, por um instante, se desviou de sua música para observar a intensidade com que ela falava sobre sua paixão. Havia algo nela que o fascinava, uma vitalidade que contrastava com sua própria quietude.
O sinal tocou, anunciando o fim da aula e o início do almoço. A sala se encheu de um burburinho de vozes e o arrastar de cadeiras. Paia guardou seus fones, a melodia ainda ecoando em sua mente. Ele observou Kate e Star se levantarem, ainda imersas em sua conversa sobre arte.
"Paia! Você vem?" A voz de Star o tirou de seus devaneios. Ela tinha um sorriso caloroso e sempre o incluía, mesmo sabendo de sua natureza mais introvertida.
"Já vou," ele respondeu, com um aceno de cabeça. Ele gostava de Star; ela era fácil de lidar e não o forçava a interagir mais do que ele se sentia confortável.
No Salão Principal, o cheiro de torta de abóbora e frango assado preenchia o ar. Paia se sentou em seu canto habitual, escolhendo uma mesa mais afastada, onde pudesse observar sem ser o centro das atenções. Ele pegou seu sanduíche, mas seus olhos foram atraídos para a mesa da Grifinória, onde Kate ria alto, cercada por seus amigos. Dexter, o capitão do time de futebol e seu "ficante", estava sentado ao lado dela, com uma mão possessiva em suas costas. Paia sentiu um leve desconforto, uma pontada estranha no peito que ele não conseguiu identificar. Ele desviou o olhar, concentrando-se em sua comida e na música que voltava a tocar em sua mente.
"Paia, você tá no mundo da lua de novo?" Era Star, que acabara de se sentar à sua frente, com uma bandeja cheia de comida. Kate estava logo atrás dela, com um sorriso largo.
"Só pensando em uma melodia," ele respondeu, um leve rubor colorindo suas bochechas. Ele não estava acostumado a ter a atenção de Kate direcionada a ele.
"Música? Que legal! Você compõe?" Kate perguntou, com um brilho de curiosidade nos olhos.
Paia ficou surpreso com o interesse dela. "Às vezes. Gosto de criar minhas próprias coisas."
"Isso é incrível! Eu amo arte, mas nunca pensei em música como arte de verdade, tipo, compor. Você devia me mostrar alguma coisa um dia!" Ela estava genuinamente animada, e Paia sentiu uma emoção inesperada. A ideia de compartilhar algo tão pessoal como sua música com ela era ao mesmo tempo assustadora e intrigante.
Dexter, que se aproximou da mesa, interrompeu a conversa. "Kate, você não vai acreditar no que o treinador me disse sobre o jogo de sábado!" Ele colocou a mão no ombro dela, virando-a para si, e lançou um olhar rápido e um tanto hostil para Paia. Paia sentiu a pontada de desconforto retornar, mais forte agora. Ele se encolheu ligeiramente, voltando a se concentrar em seu prato.
No dia seguinte, o treino de vôlei. Paia estava em seu elemento na quadra, seus movimentos precisos e elegantes. Ele era um jogador habilidoso, com uma calma que contrastava com a intensidade do jogo. Kate também brilhava na quadra, sua energia contagiante impulsionando a equipe. Star, como sempre, estava no meio da ação, gritando incentivos e distribuindo passes precisos.
Durante um intervalo, enquanto os jogadores bebiam água, Paia observou Kate rir com suas amigas. Seus olhos azuis brilhavam, e seus cabelos loiros balançavam enquanto ela falava. Ele se pegou admirando-a, a maneira como ela se movia, a paixão em seu olhar. Era difícil não notar.
"Paia, você tá bem?" Star perguntou, percebendo o olhar fixo dele.
"Sim, só... pensando," ele respondeu, desviando o olhar rapidamente.
Star sorriu, um brilho de compreensão em seus olhos. Ela era perspicaz e percebia as coisas antes mesmo que as pessoas as percebessem. "Pensando na música ou em outra coisa?" Ela cutucou-o com o cotovelo, um sorriso maroto no rosto.
Paia sentiu o rosto esquentar. "Na música, Star. Sempre na música."
Mas Star sabia. Ela conhecia Kate como a palma da mão, e conhecia Paia o suficiente para saber que havia algo mais ali, algo que estava começando a florescer.
Nos dias que se seguiram, Paia se viu cada vez mais consciente da presença de Kate. Ele a via nos corredores, no Salão Principal, nos treinos de vôlei. Cada vez que seus olhares se cruzavam, um pequeno choque elétrico percorria seu corpo. Ele começou a prestar mais atenção nas coisas que ela dizia, nas suas risadas, nos seus gestos. E ele notou que, às vezes, ela também o observava.
Uma tarde, Paia estava na sala de música, tocando uma melodia suave no piano. Era uma composição sua, inspirada em um pôr do sol que ele havia visto no lago. A música era melancólica, mas com um toque de esperança. Ele estava tão absorto que não percebeu a presença de mais ninguém na sala.
"Isso é lindo, Paia."
A voz de Kate o fez pular. Ele virou-se rapidamente, um pouco envergonhado por ter sido pego em um momento tão vulnerável. Ela estava parada na porta, com os olhos arregalados de admiração.
"Kate! Eu... eu não te vi."
"Desculpa se te assustei. Eu estava passando e ouvi a música. É realmente... tocante." Ela se aproximou, sentando-se em um dos bancos vazios. "Você compôs isso?"
Ele assentiu, um pouco sem jeito. "Sim. É... um experimento."
"É mais do que um experimento, Paia. É arte pura." Os olhos dela brilhavam com uma intensidade que Paia nunca havia visto antes, uma intensidade que rivalizava com a paixão que ela demonstrava por suas próprias criações. "Tem uma história por trás disso, não tem?"
Paia hesitou por um momento, mas a sinceridade no olhar de Kate o encorajou. "Sim. É sobre... a beleza que surge mesmo depois de um dia difícil. A esperança que o amanhã traz."
Kate sorriu, um sorriso que iluminou todo o cômodo. "Eu entendi. É exatamente isso que eu sinto quando ouço. Você tem um talento incrível, Paia."
Naquele momento, Paia sentiu algo se acender dentro dele. Não era apenas a admiração dela por sua música, mas a forma como ela o fazia sentir, a maneira como ela o via. Ele nunca havia se sentido tão compreendido, tão... visto.
Eles passaram a próxima hora conversando sobre música e arte, trocando ideias e inspirações. Paia se sentiu à vontade de uma forma que raramente se sentia com outras pessoas. Kate, por sua vez, estava fascinada pela profundidade e sensibilidade de Paia. Ela o via de uma forma diferente agora, não apenas o colega de time quieto, mas alguém com uma alma artística e uma sensibilidade única.
Enquanto voltavam para seus respectivos dormitórios, a mente de Kate estava em turbilhão. Ela sempre pensou em Dexter como seu "ficante", alguém divertido para sair, mas nunca sentiu a conexão profunda que ela acabara de experimentar com Paia. A conversa na sala de música havia mexido com algo dentro dela.
No dia seguinte, durante o almoço, Kate estava sentada com Star, mas sua mente estava em outro lugar. Dexter se aproximou, com sua usual autoconfiança. "Kate, você não vai acreditar no que acabei de fazer no treino! Marquei três gols seguidos!" Ele se sentou ao lado dela, com um sorriso presunçoso.
Kate sorriu educadamente, mas sua atenção estava dividida. Ela olhou para a mesa de Paia, que estava sozinho em seu canto, com seus fones de ouvido. Ele parecia tão em paz, tão imerso em seu próprio mundo. Uma pontada de algo que ela não conseguia identificar a atingiu.
Star, sempre atenta, percebeu a mudança no comportamento de Kate. "O que foi, amiga? Você está aérea hoje."
Kate suspirou. "É que... eu estava conversando com o Paia ontem na sala de música. Ele tocou uma composição dele. Era linda, Star. De verdade."
Star sorriu, um brilho de satisfação em seus olhos. "Eu sabia que ele tinha talento! E você, o que achou dele?"
Kate hesitou. "Ele é diferente, sabe? Tão... sensível. E ele me entende de um jeito que ninguém mais entende."
Dexter, que estava ocupado falando sobre seus feitos no campo, finalmente percebeu que Kate não estava prestando atenção. Ele franziu a testa. "Quem é Paia? Aquele esquisitão que fica sempre nos cantos?"
Kate sentiu uma pontada de raiva. "Ele não é esquisitão, Dexter! Ele é talentoso e uma pessoa muito legal."
Dexter riu, desdenhoso. "Ah, Kate, não me diga que você está perdendo tempo com aquele tipo. Ele é um zero à esquerda."
As palavras de Dexter atingiram Kate como um tapa. Ela sentiu uma necessidade protetora em relação a Paia. "Você não o conhece, Dexter. E não tem o direito de falar assim dele." Ela se levantou abruptly, sentindo uma onda de frustração e raiva. "Eu perdi a fome."
Ela se afastou da mesa, deixando Dexter confuso e Star sorrindo discretamente. Kate caminhou até o pátio, sentando-se sozinha em um banco. Ela estava confusa. Por que as palavras de Dexter a haviam irritado tanto? Por que ela sentia essa necessidade de defender Paia?
Enquanto isso, Paia sentiu o olhar de Dexter sobre ele durante o almoço. Ele notou a discussão entre Kate e Dexter, e a forma como Kate se levantou abruptamente. Ele sentiu uma pontada de preocupação. Ele queria saber o que havia acontecido, mas sua natureza reservada o impedia de se aproximar.
Mais tarde, no treino de vôlei, o clima estava tenso. Dexter, com um ar de superioridade, lançava olhares hostis para Paia. Ele havia percebido a proximidade entre Kate e Paia e não gostou nada disso. Ele era possessivo em relação a Kate, mesmo sem ter um compromisso sério com ela.
Durante o jogo, Dexter, que estava observando da arquibancada, começou a fazer comentários sarcásticos a cada erro de Paia. "Que passe horrível, Paia! Parece que você está com a cabeça nas nuvens, como sempre!"
Paia tentava ignorar, mas as palavras de Dexter o atingiam. Ele sentia a pressão e começou a cometer mais erros. Kate percebeu o que estava acontecendo e sentiu uma raiva crescente. Ela não podia tolerar o bullying de Dexter.
"Dexter, pare com isso!" Kate gritou, com os olhos faiscando de raiva. "Deixe o Paia em paz! Você não tem o direito de fazer isso!"
Dexter ficou surpreso com a explosão de Kate. Ele não estava acostumado a ser desafiado, especialmente por ela. "Qual é, Kate? Estou apenas me divertindo."
"Não é divertido, Dexter! É cruel! Se você não tem nada de bom para dizer, cale a boca!" Kate estava furiosa, e todos na quadra puderam sentir a intensidade de sua raiva.
Paia, que estava paralisado pela situação, sentiu uma onda de gratidão por Kate. Ela o havia defendido, sem hesitação. Ele a olhou, e seus olhos se encontraram. Naquele momento, Paia percebeu que seus sentimentos por Kate eram muito mais profundos do que ele havia imaginado. Não era apenas admiração, mas algo mais forte, mais intenso.
Dexter, humilhado pela repreensão de Kate, levantou-se e saiu da quadra, com o rosto vermelho de raiva. Ele lançou um último olhar de ódio para Paia. Aquilo não ficaria assim.
Depois do treino, Star se aproximou de Kate, com um sorriso de satisfação. "Você foi incrível, amiga! Ninguém coloca o Dexter no lugar dele como você."
Kate suspirou, ainda sentindo a adrenalina. "Ele me irrita. E ele não tinha o direito de falar daquele jeito com o Paia." Ela olhou para Paia, que estava guardando suas coisas, ainda um pouco atordoado.
Paia se aproximou delas. "Obrigado, Kate. De verdade. Ninguém nunca me defendeu assim antes."
Kate sorriu, um sorriso genuíno e caloroso. "Não precisa agradecer, Paia. Ninguém merece ser tratado assim."
Seus olhos se encontraram novamente, e na troca de olhares, havia algo mais profundo do que gratidão ou amizade. Havia uma conexão, um reconhecimento mútuo de sentimentos que estavam apenas começando a florescer. O coração de Kate acelerou, e ela percebeu que a melodia que Paia havia tocado no piano não era a única música que estava começando a tocar em sua vida. A melodia de seus próprios sentimentos por ele estava apenas começando. E Paia, em seu mundo de notas e acordes, sentiu que finalmente havia encontrado a inspiração para a mais bela de suas composições.
