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O mundo imperfeito

Fandom: Stranger thinks

Creado: 11/3/2026

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O Sussurro da Floresta Negra

A tarde em Hawkins era um mosaico de cores outonais e a melodia constante dos grilos. O sol, já declinando no horizonte, banhava as árvores da Floresta Negra com tons dourados e avermelhados, criando sombras longas e dançantes que pareciam estender seus dedos famintos em direção à cidade. Na velha e familiar casa dos Wheeler, a atmosfera estava carregada de uma energia peculiar. Maycon, com seus olhos intensos e mente sempre em efervescência, estava debruçado sobre um mapa rabiscado, a testa franzida em concentração. Ao seu lado, 011, ou Jane, como Maycon insistia em chamá-la, observava-o com uma mistura de curiosidade e preocupação, seus dedos traçando padrões invisíveis na madeira da mesa.

"É aqui," Maycon murmurou, apontando para um ponto vago no mapa que ele mesmo havia desenhado, uma representação rudimentar da Floresta Negra e seus arredores. "Eu sei que é."

Lucas, apoiado na porta da cozinha com os braços cruzados, soltou um suspiro impaciente. "Maycon, você tem certeza? Já vasculhamos aquela floresta de cima a baixo umas dez vezes. E a Floresta Negra é... bem, escura e assustadora. Não é como o Parque Nacional de Hawkins."

Dustin, que estava tentando, sem muito sucesso, consertar a antena de seu rádio amador, levantou a cabeça. "Lucas tem razão. E se o Xerife Hopper descobrir que estamos nos metendo lá de novo, ele vai nos trancar em alguma delegacia de faz de conta para sempre."

Will, sentado no sofá, desenhava em seu caderno. Seus traços eram rápidos e nervosos, e as imagens que surgiam no papel eram perturbadoras: criaturas sombrias com olhos vermelhos, árvores retorcidas e uma sensação de opressão que parecia se materializar no ar. Ele não disse nada, mas o nervosismo em seus olhos era evidente.

Maycon se virou para eles, seus olhos brilhando com uma convicção inabalável. "Vocês não entendem. Eu senti. Foi como um... eco. Como se algo estivesse chamando. E não é o Devorador de Mentes, não desta vez. É outra coisa. Algo que estava lá antes. Algo... antigo."

011 assentiu, seus olhos fixos em Maycon. "Ele está certo. Sinto também. Uma frieza. Diferente."

A confirmação de 011, com sua sensibilidade sobrenatural, era sempre um peso a mais na balança. Se ela sentia, havia algo. Lucas massageou as têmporas. "Ok, ok. Mas 'antigo' não nos ajuda muito, Maycon. Antigo tipo... dinossauros? Ou tipo... o monstro do lago Ness com asas?"

Dustin riu, mas parou abruptamente ao ver o olhar sério de Maycon. "Brincadeira, Maycon. Mas a Floresta Negra, cara. Ninguém vai lá. Há lendas, sabe? Sobre pessoas que entram e nunca mais saem. Sobre sussurros na escuridão e olhos que te seguem."

Steve, que estava na cozinha preparando sanduíches, entrou na sala com uma bandeja. "Lendas ou não, se Maycon e 011 acham que tem algo lá, então tem. E se tem algo, precisamos ir. Não podemos deixar que as coisas fiquem fora de controle de novo." Ele olhou para Will com um toque de preocupação. "E especialmente não podemos deixar que o Will sinta nada disso sozinho."

Will levantou os olhos do desenho, um leve sorriso de gratidão em seu rosto. "Obrigado, Steve."

Steve deu de ombros. "Sem problemas, Byers. Agora, quem quer um sanduíche? Eu fiz com o queijo mais radioativo da geladeira."

A piada relaxou um pouco a tensão, mas a determinação de Maycon era inabalável. "Vamos amanhã de manhã. Antes que o sol nasça. Assim teremos o dia todo."

Naquela noite, o sono de Maycon foi perturbado por sonhos fragmentados. Visões de árvores retorcidas que se estendiam como garras, um cheiro de terra úmida e algo indescritível, um som baixo e gutural que parecia vir do fundo da terra. Ele acordou com um sobressalto, o coração batendo forte, e um arrepio percorreu sua espinha. Sabia que não estava sonhando. Era um presságio.

O amanhecer chegou frio e úmido. A neblina pairava baixa sobre Hawkins, engolindo os telhados e as ruas. O grupo se encontrou na entrada da Floresta Negra, mochilas nas costas e lanternas em mãos. Steve, como sempre, estava com seu taco de beisebol, agora aprimorado com pregos ainda mais afiados.

"Prontos para mais uma aventura no escuro?" Steve tentou soar animado, mas havia uma tensão em sua voz.

Lucas ajustou sua mochila. "Contanto que não haja mais demogorgons ou devoradores de mentes, estou dentro."

Dustin, com seu rádio amador preso à cintura, estava mais silencioso do que o normal. "Só espero que não seja nada que a gente precise de uma bazuca para combater."

011 apertou a mão de Maycon. "Vamos."

A Floresta Negra era um labirinto de árvores altas e densas, suas copas bloqueando a maior parte da luz do sol. O chão estava coberto por uma camada espessa de folhas secas e húmus, e o ar era pesado com o cheiro de terra e umidade. À medida que se aventuravam mais fundo, o silêncio se tornava quase opressor, quebrado apenas pelo ranger das folhas sob seus pés e o som distante de pássaros.

Maycon liderava o caminho, seus olhos varrendo a escuridão, procurando por qualquer sinal, qualquer anomalia. Ele seguia uma intuição, um puxão em seu peito que o guiava. 011 andava ao seu lado, seus sentidos aguçados, captando as mínimas vibrações do ambiente.

"É mais... quieto aqui," Lucas sussurrou, sua voz parecendo alta demais no silêncio.

"É por isso que é chamada de Floresta Negra," Dustin respondeu, sua voz um pouco trêmula. "Dizem que a vida não prospera muito aqui. Que algo drena a energia."

Will, que estava logo atrás de Maycon, parou de repente. Ele apertou a cabeça com as mãos, um gemido escapando de seus lábios. "Está... frio. Muito frio."

Maycon se virou, preocupado. "Will, o que você sente?"

Os olhos de Will estavam arregalados, e ele apontava para uma clareira à frente. No centro da clareira, havia uma rocha maciça, coberta de musgo e líquen, e emanava uma aura de frieza que não era natural.

"É de lá," 011 disse, seus olhos fixos na rocha. "A frieza. É forte."

À medida que se aproximavam da rocha, a temperatura caiu drasticamente. Seus hálitos se transformaram em névoa, e um arrepio percorreu cada um deles. A rocha não era apenas fria; parecia sugar o calor do ambiente, deixando um vazio gelado em seu rastro.

Steve, com seu taco pronto, se aproximou cautelosamente. "Que diabos é isso? Uma geladeira gigante da natureza?"

Dustin ligou sua lanterna e iluminou a rocha. Havia algo estranho nela. Marcas e símbolos antigos, esculpidos na superfície, que pareciam não pertencer a nenhuma cultura conhecida. Eles brilhavam com uma luz fraca e azulada, pulsando suavemente.

"São... runas?" Lucas perguntou, tentando decifrar os símbolos.

Maycon tocou a rocha, e uma onda de frio intenso o atingiu, fazendo-o recuar. Ele sentiu uma pontada de dor em sua mente, como se algo estivesse tentando se comunicar, ou talvez, se defender.

"Não toque," 011 alertou, seus olhos se estreitando. "É perigoso."

De repente, um sussurro ecoou na clareira. Não era um sussurro humano, mas um som etéreo, como o vento passando por folhas secas e ossos antigos. Parecia vir de todas as direções de uma vez, envolvendo-os em uma teia de sons ininteligíveis.

Will caiu de joelhos, as mãos sobre os ouvidos, os olhos fechados com força. "Está na minha cabeça! Está falando comigo!"

Maycon se ajoelhou ao lado de Will, tentando acalmá-lo. "O que ele está dizendo, Will?"

Will balançou a cabeça, lágrimas escorrendo pelo seu rosto. "Eu não sei! É confuso... imagens... escuridão... dor..."

011 estendeu a mão em direção à rocha, seus olhos brilhando com uma luz dourada. Ela estava tentando se conectar, tentando entender o que a rocha representava. Os sussurros se intensificaram, e a luz azulada das runas na rocha pulsava mais forte.

De repente, a rocha começou a vibrar. Pequenas rachaduras apareceram em sua superfície, e a frieza se intensificou, tornando o ar quase insuportável. Um zumbido baixo e profundo emanou da rocha, fazendo o chão tremer levemente.

"Acho que a geladeira gigante está com defeito!" Steve gritou, recuando alguns passos.

Dustin, com uma expressão de puro terror, apontou para a rocha. "Olhem!"

As rachaduras na rocha se expandiram rapidamente, e a luz azulada se tornou mais brilhante, quase cegante. Do interior da rocha, um brilho verde-azulado começou a vazar, acompanhado por um som de estalos, como se algo estivesse se partindo.

"O que está acontecendo?" Lucas perguntou, sua voz cheia de pânico.

011, com um esforço visível, puxou sua mão para trás, a testa franzida em concentração. "Está... acordando. Mas não é o Devorador de Mentes. É diferente. Mais... antigo."

A rocha se partiu com um estrondo ensurdecedor. Pedaços de pedra voaram em todas as direções, e uma nuvem de fumaça verde-azulada e gelada se espalhou pela clareira. Quando a fumaça se dissipou, o que restou não foi um monstro, mas algo muito mais estranho.

No centro da clareira, onde a rocha estivera, havia agora um pedestal de pedra escura, e sobre ele, flutuando a alguns centímetros do chão, estava um objeto. Era uma esfera de cristal, pulsando com a mesma luz verde-azulada que havia emanado da rocha. Dentro da esfera, padrões complexos de energia se moviam, como um universo em miniatura.

Os sussurros pararam. A frieza diminuiu um pouco, mas ainda estava presente, emanando da esfera.

Maycon, com uma mistura de fascínio e cautela, se aproximou da esfera. "O que é isso?"

011 balançou a cabeça. "Não sei. Mas tem poder. Muito poder."

Will, ainda abalado, levantou-se lentamente, seus olhos fixos na esfera. "Eu... eu sinto. É como se estivesse... viva. E me chamando."

De repente, a esfera pulsou mais forte, e um feixe de luz verde-azulada disparou dela, atingindo uma árvore próxima. A árvore, em questão de segundos, murchou e se desintegrou em pó, como se o tempo tivesse acelerado mil anos em um instante.

Steve ergueu seu taco. "Ok, isso não parece bom. Parece que essa coisa suga a vida das coisas."

Dustin, com seu rádio amador, tentou sintonizar alguma coisa, mas só ouvia estática. "Não consigo pegar nada. É como se a energia dessa coisa estivesse bloqueando tudo."

Maycon olhou para 011. "Você pode... parar isso?"

011 balançou a cabeça lentamente. "Não sei. É diferente de tudo que já senti."

A esfera começou a flutuar mais alto, e a luz verde-azulada se intensificou, iluminando a clareira com um brilho etéreo. Os padrões de energia dentro dela giravam mais rápido, e um som baixo, um murmúrio quase inaudível, começou a emanar dela.

"Está... crescendo," Lucas observou, sua voz cheia de apreensão.

Will deu um passo à frente, como se estivesse sendo atraído por uma força invisível. "Eu preciso... eu preciso tocar."

Maycon o segurou. "Não, Will! Não sabemos o que essa coisa faz!"

Mas Will estava em transe, seus olhos fixos na esfera. "Ela está me chamando... ela quer que eu a toque."

011, com um grito de esforço, estendeu as mãos em direção à esfera. Seus olhos brilhavam, e o sangue começou a escorrer de seu nariz. Ela estava tentando criar uma barreira psíquica, tentando conter o poder da esfera.

A esfera reagiu, disparando mais feixes de luz verde-azulada, que atingiram o chão ao redor deles, fazendo a terra chiar e borbulhar. O ar ficou pesado com o cheiro de ozônio e algo mais, algo metálico e antigo.

Steve, Lucas e Dustin se esquivaram dos feixes de luz, tentando se proteger atrás das árvores.

"Essa coisa é muito poderosa!" Steve gritou. "O que vamos fazer?"

Maycon olhou para 011, que estava tremendo com o esforço. Ele sabia que ela não aguentaria por muito tempo. Ele precisava fazer algo.

Ele se lembrou do que Will havia dito, sobre a esfera chamando-o. E se a esfera não fosse hostil, mas apenas... procurando algo? E se o que ela procurava fosse Will?

"Will," Maycon disse, sua voz firme. "Você acha que pode se comunicar com ela? Não apenas sentir, mas... falar?"

Will, ainda lutando contra a atração da esfera, olhou para Maycon. "Eu... eu posso tentar."

Com um aceno de cabeça, Maycon soltou Will. Will deu um passo hesitante em direção à esfera, estendendo a mão. A esfera pareceu reagir à sua aproximação, seus padrões de energia girando mais suavemente, e o murmúrio diminuindo.

011, com um último esforço, conseguiu conter os feixes de luz, embora o sangue continuasse a escorrer de seu nariz.

Will tocou a esfera.

No momento em que seus dedos fizeram contato, uma onda de choque de energia verde-azulada se espalhou pela clareira. Os olhos de Will se arregalaram, e ele caiu de joelhos, mas não havia dor em seu rosto, apenas uma expressão de... compreensão.

A esfera parou de flutuar e pousou suavemente nas mãos de Will. A luz verde-azulada diminuiu, e os padrões de energia dentro dela se aquietaram. Os sussurros cessaram completamente.

Houve um silêncio total na Floresta Negra, quebrado apenas pela respiração pesada do grupo.

Will levantou os olhos, e havia uma profundidade neles que não estava lá antes. "É uma chave," ele sussurrou, sua voz embargada. "Uma chave para algo... muito maior. E ela estava esperando por mim."

Maycon se ajoelhou ao lado de Will, olhando para a esfera em suas mãos. "Uma chave? Para o quê?"

Will olhou para a esfera, e um pequeno sorriso apareceu em seus lábios. "Para um lugar que nunca imaginamos. Para uma história que nunca foi contada."

E enquanto o sol finalmente se erguia sobre a Floresta Negra, banhando a clareira com uma luz dourada, o grupo sabia que sua aventura em Hawkins estava longe de terminar. A chave havia sido encontrada, e com ela, a promessa de mistérios ainda mais profundos e perigos ainda maiores. O sussurro da Floresta Negra havia sido respondido, e o que viria a seguir, ninguém poderia prever.
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