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Fellings out
Fandom: One piece
Creado: 13/3/2026
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DramaAngustiaMisterioAcciónTragediaArregloAventuraMuerte de PersonajeOOC (Fuera de Personaje)
O Retorno da Atiradora Esquecida
O silêncio na Merry era pesado, mais denso que a névoa que por vezes cobria o Grand Line. Water 7 havia sido um turbilhão de emoções, de despedidas e de uma dor que ainda se recusava a esmaecer. Luffy, com a cabeça baixa, apertava o chapéu de palha, os olhos escondidos sob a aba. Sanji fumava, a fumaça se misturando aos suspiros pesados. Nami e Robin tinham os olhos vermelhos e inchados, as lágrimas ainda úmidas nas bochechas. Chopper fungava baixinho, abraçado à perna de Franky, que, mesmo recém-integrado, sentia o peso da perda. E Zoro… Zoro estava encostado ao mastro, a mão no cabo da Wado Ichimonji, os olhos fechados, mas a tensão em seu corpo era palpável.
Um mês. Um mês desde que o impensável aconteceu.
*Flashback*
A chuva caía impiedosa em Water 7. O Going Merry, irreparável, jazia em pedaços. A briga entre Luffy e Usopp havia deixado uma ferida aberta no coração da tripulação. Usopp, ou melhor, Usami, como gostava de ser chamada, uma garota de nariz pontudo, nem feia nem bonita, mas com um sorriso contagiante e uma energia nervosa que era sua marca registrada, havia se recusado a abandonar o navio.
“Eu não vou deixar a Merry! Ela é minha amiga! Ela nos levou por toda parte!” A voz de Usami estava embargada, os olhos cheios de lágrimas, mas a determinação era inabalável.
Luffy, furioso e magoado, havia proferido as palavras que ninguém queria ouvir. “Então saia da tripulação!”
A briga escalou, culminando em um duelo doloroso. Usami, apesar de sua bravura, não era páreo para o capitão. Derrotada, humilhada, ela se afastou, o coração em pedaços. A tripulação estava dividida, todos sentindo a dor daquela ruptura.
Mas então, a notícia do ataque da CP9, a revelação de Robin, a necessidade de salvá-la… tudo se misturou em um caos. Usami, sob o disfarce de Sogeking, havia lutado ao lado deles, apesar de tudo. Ela salvou Robin, ela ajudou a queimar a bandeira do Governo Mundial. Ela estava lá.
E depois de tudo, quando Enies Lobby desabou, quando a nova Merry foi enviada por Iceburg para salvá-los, Usami finalmente tomou coragem.
Ela correu pela ponte, os pés descalços batendo no convés ensopado. “Luffy! Pessoal! EU SINTO MUITO!” A voz dela, um misto de choro e alívio, cortou o ar. “Eu fui uma idiota! Eu… eu quero voltar! Por favor, me deixem voltar!”
Luffy, com um sorriso que iluminava o rosto, abriu os braços. “Claro que sim, Usami!”
Mas antes que ela pudesse alcançá-lo, antes que pudesse sentir o abraço caloroso de seus nakamas, um som seco e abafado ecoou. Um tiro.
Usami cambaleou, as mãos subindo para o peito. Uma mancha escura e úmida começou a se espalhar em sua camisa branca. Ela olhou para baixo, os olhos arregalados de surpresa. O rosto pálido.
“Usami?!” Luffy gritou, a alegria se transformando em horror.
Ela tentou dizer algo, mas apenas um suspiro fraco escapou de seus lábios. Os olhos dela encontraram os de Zoro, um lampejo de medo e desculpas neles. Depois, ela caiu, um corpo inerte na poça de sangue que se formava ao seu redor.
A tripulação congelou. O atirador, um agente do Governo Mundial que havia conseguido se infiltrar, já estava fugindo. Mas ninguém se importava com ele. Todos correram para Usami.
Chopper, em pânico, tentou estancar o sangramento, mas era inútil. O tiro havia sido certeiro, no coração.
“Não… não pode ser…” Nami soluçou, as mãos cobrindo a boca.
Zoro se ajoelhou, a mão trêmula alcançando o rosto de Usami. Ela estava fria. Os olhos dela estavam abertos, fixos no céu cinzento.
“Usami…” Luffy sussurrou, a voz quebrada.
E assim, em meio à chuva e à dor, a atiradora dos Chapéus de Palha se foi, justo quando havia encontrado seu caminho de volta.
*Fim do Flashback*
A dor daquela lembrança ainda apertava o peito de todos. Eles haviam velado seu corpo em uma ilha deserta, um túmulo simples marcado por um pedaço de madeira. Ninguém havia se recuperado totalmente. A ausência de Usami era um buraco profundo no coração da tripulação.
Agora, eles estavam em uma nova ilha, um mês depois. Uma ilha vibrante e colorida, que se preparava para um festival. O festival da "Elite dos Mares", um evento anual onde os melhores atiradores, espadachins e estrategistas da ilha eram apresentados.
“Luffy, temos que ser cuidadosos”, Nami alertou, olhando para o mapa. “Essa ilha é conhecida por ter uma forte presença da Marinha, mesmo que seja neutra.”
“Eu só quero comida!” Luffy exclamou, já correndo em direção ao cheiro de um churrasco.
“Luffy, espere! Não seja tão imprudente!” Sanji gritou, correndo atrás dele.
Zoro, como sempre, havia se perdido. Robin e Franky estavam explorando a arquitetura da ilha, e Chopper estava fascinado com a flora local.
À noite, a praça principal estava lotada. O festival estava em pleno vapor. Luzes coloridas pendiam de todos os edifícios, músicas animadas tocavam e o cheiro de comida de rua enchia o ar. A tripulação, reunida (com exceção de Zoro, que provavelmente estava dormindo em algum beco), observava o palco principal, onde a cerimônia da Elite dos Mares estava prestes a começar.
“Senhoras e senhores! Sejam bem-vindos ao Festival da Elite dos Mares!” O mestre de cerimônias, um homem corpulento com uma voz retumbante, anunciou. “Hoje, apresentaremos os novos membros que defenderão nossa ilha com sua força e habilidade!”
A multidão aplaudiu. Vários guerreiros foram apresentados: um mestre de artes marciais, um espadachim habilidoso, um estrategista brilhante. A tripulação dos Chapéus de Palha assistia com interesse, mas sem grande entusiasmo. Eles ainda sentiam o fardo da perda.
“E agora”, o mestre de cerimônias continuou, a voz subindo de tom, “para o membro mais esperado! A atiradora furtiva! A Senhora dos Disfarces! Aquela que nunca erra o alvo! Dêem as boas-vindas à nossa nova elite… KAYA!”
A multidão explodiu em aplausos. Os Chapéus de Palha, no entanto, congelaram.
Uma figura feminina, esguia e elegante, subiu ao palco. Ela usava um casaco longo e escuro que cobria a maior parte de seu corpo, mas seu rosto… o rosto era inconfundível.
Nariz pontudo. Olhos grandes e expressivos. Um sorriso, talvez um pouco mais contido do que o que eles se lembravam, mas ainda assim familiar.
Era Usami.
Mas ela estava diferente. Seu cabelo, antes amarrado em um rabo de cavalo bagunçado, estava agora solto e ondulado, emoldurando seu rosto. Havia uma confiança em sua postura que eles nunca tinham visto antes, uma graça que contrastava com sua antiga nervosa energia.
“Não… não pode ser…” Nami sussurrou, a mão na boca.
Luffy arregalou os olhos. “Usami…?”
Sanji deixou o cigarro cair da boca. Chopper começou a chorar, mas não de tristeza, e sim de pura incredulidade. Robin tinha uma expressão de choque, um misto de esperança e confusão.
Zoro, que havia chegado momentos antes e estava encostado a uma parede observando a cena, sentiu um arrepio na espinha. Seus olhos se estreitaram, focando na figura no palco. O coração dele, que havia se tornado uma pedra após a morte dela, deu um salto doloroso.
Usami, ou Kaya, como era chamada, acenou para a multidão, um sorriso discreto nos lábios. Ela parecia… mais madura. Mais forte. Mas ainda era ela.
“Vamos lá!” Luffy gritou, já se impulsionando para o palco.
“Luffy, espere!” Nami tentou detê-lo, mas era tarde demais.
Luffy saltou para o palco, ignorando os guardas e a multidão. “Usami! É você! Você está viva!”
A música parou. Todos os olhos se voltaram para o intruso. Os guardas rapidamente se aproximaram de Luffy.
Usami, com uma expressão confusa, olhou para Luffy. Ela não parecia reconhecê-lo.
“Quem é você?” A voz dela era calma, serena, mas com um tom de estranhamento. “Por que está me chamando por esse nome?”
A tripulação, que havia seguido Luffy, parou abruptamente. As palavras dela atingiram-os como um soco.
“Usami, sou eu! Luffy! Seu capitão!” Luffy tentou alcançá-la, mas os guardas o detiveram.
Usami recuou ligeiramente, os olhos fixos em Luffy. “Capitão? Eu não tenho capitão. E nunca ouvi esse nome antes.”
“Não seja boba, Usami”, Nami interveio, seus olhos marejados. “Éramos nós! Sua tripulação! Você estava com a gente! Você foi baleada!”
Usami franziu a testa, uma expressão de pura confusão em seu rosto. “Baleada? Eu não entendo o que vocês estão dizendo. Meu nome é Kaya, e eu sou a atiradora desta ilha. Eu não conheço nenhum de vocês.”
A tripulação ficou em choque. Memória apagada. Era a única explicação.
Zoro, que havia se mantido em segundo plano, deu um passo à frente. Seus olhos encontraram os de Usami. Ele viu um lampejo de algo familiar, mas rapidamente substituído por uma estranheza.
“Usami”, ele disse, a voz rouca. “Você se lembra do Going Merry? Do nosso navio? Do chapéu de palha do Luffy? Do meu nome? Zoro?”
Usami o olhou, um vislumbre de curiosidade em seus olhos, mas nada de reconhecimento. “Sinto muito. Eu não me lembro de nada disso. Eu… eu não os conheço.”
A multidão começou a murmurar, os guardas se preparando para remover os Chapéus de Palha.
“Por favor, Kaya, diga a eles para irem embora”, o mestre de cerimônias pediu, com um sorriso forçado. “Eles estão perturbando a cerimônia.”
Usami, com um suspiro, assentiu. “Por favor, senhores. Eu não sei quem vocês são, mas estão causando um tumulto. Peço que se retirem.”
A voz dela era firme, mas havia uma nota de tristeza em seus olhos, como se ela sentisse algo, mas não conseguisse identificar o quê.
Os Chapéus de Palha foram forçados a se retirar do palco, os corações pesados. Eles observaram Usami, agora Kaya, terminar a cerimônia com uma elegância que eles nunca haviam visto nela. Ela era a mesma, mas não era.
Enquanto voltavam para o navio, o silêncio era esmagador.
“Ela… ela não se lembra da gente”, Chopper soluçou, agarrado a Sanji.
“O que aconteceu com ela?” Nami perguntou, as lágrimas escorrendo pelo rosto. “Como ela está viva? E por que não se lembra de nós?”
Luffy estava com os punhos cerrados, a raiva borbulhando dentro dele. “Alguém fez isso com ela. Apagaram as memórias dela.”
Robin, pensativa, tocou o queixo. “É possível. Existem técnicas e até mesmo Frutas do Diabo que podem manipular a memória. O Governo Mundial tem muitos segredos.”
“Mas por quê?” Franky perguntou, os olhos estreitos. “E por que eles não a mataram de verdade?”
“Talvez eles a quisessem para algo”, Zoro disse, a voz baixa e perigosa. Ele ainda podia sentir o toque frio da pele dela quando a segurou pela última vez. E agora, vê-la viva, mas sem memória… era uma tortura.
Naquela noite, a tripulação se reuniu na cozinha do Sunny. A atmosfera era tensa, carregada de frustração e tristeza.
“Não podemos deixá-la aqui”, Luffy declarou, batendo na mesa. “Ela é nossa nakama! Nós vamos trazê-la de volta!”
“Mas como, Luffy?” Nami perguntou, a voz embargada. “Ela não se lembra de nada. Ela pensa que somos estranhos.”
“Teremos que fazê-la lembrar”, Robin disse, com determinação. “Deve haver algo que possa despertar suas memórias.”
Sanji acendeu outro cigarro. “Ela é a Usami que conhecemos, mas ao mesmo tempo não é. Aquele ar de confiança… é diferente.”
“Sim”, Zoro concordou, os olhos fixos na mesa. “Ela mudou. Mas o nariz pontudo… e o jeito dela de se mexer… ainda é ela.”
Ele se lembrou da última vez que a viu, os olhos dela fixos nos dele, cheios de dor e desculpas. E agora, aqueles mesmos olhos o olharam com estranheza.
“Precisamos de um plano”, Luffy disse, com seriedade. “Não podemos simplesmente invadir e sequestrá-la. Se ela não se lembra de nós, isso só vai assustá-la e torná-la mais resistente.”
“Vamos ter que ser sutis”, Nami sugeriu. “Vamos nos aproximar dela, tentar interagir com ela, mostrar a ela quem éramos.”
“Mas ela é uma atiradora da Elite agora”, Chopper lembrou. “Ela vai estar cercada por guardas. E ela é poderosa. Vimos como ela se moveu no palco.”
“Isso não importa”, Luffy disse, os olhos fixos na porta. “Ela é nossa nakama. E nós vamos tirá-la de lá, não importa o que aconteça.”
Zoro assentiu, a mão no punho de sua espada. Ele sentia uma urgência em seu peito, um desejo avassalador de fazê-la lembrar. De ver aquele sorriso nervoso novamente, de ouvir suas histórias exageradas. De protegê-la.
“Eu vou com você, Luffy”, ele disse. “Não importa o que aconteça, nós a traremos de volta.”
A tripulação concordou. A missão era clara: recuperar Usami. Fazer com que ela se lembrasse de quem era, de quem eles eram, e do lugar dela entre os Chapéus de Palha.
Mas como eles fariam isso, considerando que ela não os reconhecia e estava sob a proteção da ilha? E o que havia acontecido com ela durante aquele mês? Quem a resgatou e por que apagou suas memórias?
As perguntas pairavam no ar, mas uma coisa era certa: a atiradora estava de volta. E os Chapéus de Palha fariam de tudo para que sua verdadeira identidade e suas memórias fossem restauradas. Especialmente Zoro, que sentia um aperto no coração que ele não conseguia ignorar. Ele não a perderia de novo. De jeito nenhum.
Um mês. Um mês desde que o impensável aconteceu.
*Flashback*
A chuva caía impiedosa em Water 7. O Going Merry, irreparável, jazia em pedaços. A briga entre Luffy e Usopp havia deixado uma ferida aberta no coração da tripulação. Usopp, ou melhor, Usami, como gostava de ser chamada, uma garota de nariz pontudo, nem feia nem bonita, mas com um sorriso contagiante e uma energia nervosa que era sua marca registrada, havia se recusado a abandonar o navio.
“Eu não vou deixar a Merry! Ela é minha amiga! Ela nos levou por toda parte!” A voz de Usami estava embargada, os olhos cheios de lágrimas, mas a determinação era inabalável.
Luffy, furioso e magoado, havia proferido as palavras que ninguém queria ouvir. “Então saia da tripulação!”
A briga escalou, culminando em um duelo doloroso. Usami, apesar de sua bravura, não era páreo para o capitão. Derrotada, humilhada, ela se afastou, o coração em pedaços. A tripulação estava dividida, todos sentindo a dor daquela ruptura.
Mas então, a notícia do ataque da CP9, a revelação de Robin, a necessidade de salvá-la… tudo se misturou em um caos. Usami, sob o disfarce de Sogeking, havia lutado ao lado deles, apesar de tudo. Ela salvou Robin, ela ajudou a queimar a bandeira do Governo Mundial. Ela estava lá.
E depois de tudo, quando Enies Lobby desabou, quando a nova Merry foi enviada por Iceburg para salvá-los, Usami finalmente tomou coragem.
Ela correu pela ponte, os pés descalços batendo no convés ensopado. “Luffy! Pessoal! EU SINTO MUITO!” A voz dela, um misto de choro e alívio, cortou o ar. “Eu fui uma idiota! Eu… eu quero voltar! Por favor, me deixem voltar!”
Luffy, com um sorriso que iluminava o rosto, abriu os braços. “Claro que sim, Usami!”
Mas antes que ela pudesse alcançá-lo, antes que pudesse sentir o abraço caloroso de seus nakamas, um som seco e abafado ecoou. Um tiro.
Usami cambaleou, as mãos subindo para o peito. Uma mancha escura e úmida começou a se espalhar em sua camisa branca. Ela olhou para baixo, os olhos arregalados de surpresa. O rosto pálido.
“Usami?!” Luffy gritou, a alegria se transformando em horror.
Ela tentou dizer algo, mas apenas um suspiro fraco escapou de seus lábios. Os olhos dela encontraram os de Zoro, um lampejo de medo e desculpas neles. Depois, ela caiu, um corpo inerte na poça de sangue que se formava ao seu redor.
A tripulação congelou. O atirador, um agente do Governo Mundial que havia conseguido se infiltrar, já estava fugindo. Mas ninguém se importava com ele. Todos correram para Usami.
Chopper, em pânico, tentou estancar o sangramento, mas era inútil. O tiro havia sido certeiro, no coração.
“Não… não pode ser…” Nami soluçou, as mãos cobrindo a boca.
Zoro se ajoelhou, a mão trêmula alcançando o rosto de Usami. Ela estava fria. Os olhos dela estavam abertos, fixos no céu cinzento.
“Usami…” Luffy sussurrou, a voz quebrada.
E assim, em meio à chuva e à dor, a atiradora dos Chapéus de Palha se foi, justo quando havia encontrado seu caminho de volta.
*Fim do Flashback*
A dor daquela lembrança ainda apertava o peito de todos. Eles haviam velado seu corpo em uma ilha deserta, um túmulo simples marcado por um pedaço de madeira. Ninguém havia se recuperado totalmente. A ausência de Usami era um buraco profundo no coração da tripulação.
Agora, eles estavam em uma nova ilha, um mês depois. Uma ilha vibrante e colorida, que se preparava para um festival. O festival da "Elite dos Mares", um evento anual onde os melhores atiradores, espadachins e estrategistas da ilha eram apresentados.
“Luffy, temos que ser cuidadosos”, Nami alertou, olhando para o mapa. “Essa ilha é conhecida por ter uma forte presença da Marinha, mesmo que seja neutra.”
“Eu só quero comida!” Luffy exclamou, já correndo em direção ao cheiro de um churrasco.
“Luffy, espere! Não seja tão imprudente!” Sanji gritou, correndo atrás dele.
Zoro, como sempre, havia se perdido. Robin e Franky estavam explorando a arquitetura da ilha, e Chopper estava fascinado com a flora local.
À noite, a praça principal estava lotada. O festival estava em pleno vapor. Luzes coloridas pendiam de todos os edifícios, músicas animadas tocavam e o cheiro de comida de rua enchia o ar. A tripulação, reunida (com exceção de Zoro, que provavelmente estava dormindo em algum beco), observava o palco principal, onde a cerimônia da Elite dos Mares estava prestes a começar.
“Senhoras e senhores! Sejam bem-vindos ao Festival da Elite dos Mares!” O mestre de cerimônias, um homem corpulento com uma voz retumbante, anunciou. “Hoje, apresentaremos os novos membros que defenderão nossa ilha com sua força e habilidade!”
A multidão aplaudiu. Vários guerreiros foram apresentados: um mestre de artes marciais, um espadachim habilidoso, um estrategista brilhante. A tripulação dos Chapéus de Palha assistia com interesse, mas sem grande entusiasmo. Eles ainda sentiam o fardo da perda.
“E agora”, o mestre de cerimônias continuou, a voz subindo de tom, “para o membro mais esperado! A atiradora furtiva! A Senhora dos Disfarces! Aquela que nunca erra o alvo! Dêem as boas-vindas à nossa nova elite… KAYA!”
A multidão explodiu em aplausos. Os Chapéus de Palha, no entanto, congelaram.
Uma figura feminina, esguia e elegante, subiu ao palco. Ela usava um casaco longo e escuro que cobria a maior parte de seu corpo, mas seu rosto… o rosto era inconfundível.
Nariz pontudo. Olhos grandes e expressivos. Um sorriso, talvez um pouco mais contido do que o que eles se lembravam, mas ainda assim familiar.
Era Usami.
Mas ela estava diferente. Seu cabelo, antes amarrado em um rabo de cavalo bagunçado, estava agora solto e ondulado, emoldurando seu rosto. Havia uma confiança em sua postura que eles nunca tinham visto antes, uma graça que contrastava com sua antiga nervosa energia.
“Não… não pode ser…” Nami sussurrou, a mão na boca.
Luffy arregalou os olhos. “Usami…?”
Sanji deixou o cigarro cair da boca. Chopper começou a chorar, mas não de tristeza, e sim de pura incredulidade. Robin tinha uma expressão de choque, um misto de esperança e confusão.
Zoro, que havia chegado momentos antes e estava encostado a uma parede observando a cena, sentiu um arrepio na espinha. Seus olhos se estreitaram, focando na figura no palco. O coração dele, que havia se tornado uma pedra após a morte dela, deu um salto doloroso.
Usami, ou Kaya, como era chamada, acenou para a multidão, um sorriso discreto nos lábios. Ela parecia… mais madura. Mais forte. Mas ainda era ela.
“Vamos lá!” Luffy gritou, já se impulsionando para o palco.
“Luffy, espere!” Nami tentou detê-lo, mas era tarde demais.
Luffy saltou para o palco, ignorando os guardas e a multidão. “Usami! É você! Você está viva!”
A música parou. Todos os olhos se voltaram para o intruso. Os guardas rapidamente se aproximaram de Luffy.
Usami, com uma expressão confusa, olhou para Luffy. Ela não parecia reconhecê-lo.
“Quem é você?” A voz dela era calma, serena, mas com um tom de estranhamento. “Por que está me chamando por esse nome?”
A tripulação, que havia seguido Luffy, parou abruptamente. As palavras dela atingiram-os como um soco.
“Usami, sou eu! Luffy! Seu capitão!” Luffy tentou alcançá-la, mas os guardas o detiveram.
Usami recuou ligeiramente, os olhos fixos em Luffy. “Capitão? Eu não tenho capitão. E nunca ouvi esse nome antes.”
“Não seja boba, Usami”, Nami interveio, seus olhos marejados. “Éramos nós! Sua tripulação! Você estava com a gente! Você foi baleada!”
Usami franziu a testa, uma expressão de pura confusão em seu rosto. “Baleada? Eu não entendo o que vocês estão dizendo. Meu nome é Kaya, e eu sou a atiradora desta ilha. Eu não conheço nenhum de vocês.”
A tripulação ficou em choque. Memória apagada. Era a única explicação.
Zoro, que havia se mantido em segundo plano, deu um passo à frente. Seus olhos encontraram os de Usami. Ele viu um lampejo de algo familiar, mas rapidamente substituído por uma estranheza.
“Usami”, ele disse, a voz rouca. “Você se lembra do Going Merry? Do nosso navio? Do chapéu de palha do Luffy? Do meu nome? Zoro?”
Usami o olhou, um vislumbre de curiosidade em seus olhos, mas nada de reconhecimento. “Sinto muito. Eu não me lembro de nada disso. Eu… eu não os conheço.”
A multidão começou a murmurar, os guardas se preparando para remover os Chapéus de Palha.
“Por favor, Kaya, diga a eles para irem embora”, o mestre de cerimônias pediu, com um sorriso forçado. “Eles estão perturbando a cerimônia.”
Usami, com um suspiro, assentiu. “Por favor, senhores. Eu não sei quem vocês são, mas estão causando um tumulto. Peço que se retirem.”
A voz dela era firme, mas havia uma nota de tristeza em seus olhos, como se ela sentisse algo, mas não conseguisse identificar o quê.
Os Chapéus de Palha foram forçados a se retirar do palco, os corações pesados. Eles observaram Usami, agora Kaya, terminar a cerimônia com uma elegância que eles nunca haviam visto nela. Ela era a mesma, mas não era.
Enquanto voltavam para o navio, o silêncio era esmagador.
“Ela… ela não se lembra da gente”, Chopper soluçou, agarrado a Sanji.
“O que aconteceu com ela?” Nami perguntou, as lágrimas escorrendo pelo rosto. “Como ela está viva? E por que não se lembra de nós?”
Luffy estava com os punhos cerrados, a raiva borbulhando dentro dele. “Alguém fez isso com ela. Apagaram as memórias dela.”
Robin, pensativa, tocou o queixo. “É possível. Existem técnicas e até mesmo Frutas do Diabo que podem manipular a memória. O Governo Mundial tem muitos segredos.”
“Mas por quê?” Franky perguntou, os olhos estreitos. “E por que eles não a mataram de verdade?”
“Talvez eles a quisessem para algo”, Zoro disse, a voz baixa e perigosa. Ele ainda podia sentir o toque frio da pele dela quando a segurou pela última vez. E agora, vê-la viva, mas sem memória… era uma tortura.
Naquela noite, a tripulação se reuniu na cozinha do Sunny. A atmosfera era tensa, carregada de frustração e tristeza.
“Não podemos deixá-la aqui”, Luffy declarou, batendo na mesa. “Ela é nossa nakama! Nós vamos trazê-la de volta!”
“Mas como, Luffy?” Nami perguntou, a voz embargada. “Ela não se lembra de nada. Ela pensa que somos estranhos.”
“Teremos que fazê-la lembrar”, Robin disse, com determinação. “Deve haver algo que possa despertar suas memórias.”
Sanji acendeu outro cigarro. “Ela é a Usami que conhecemos, mas ao mesmo tempo não é. Aquele ar de confiança… é diferente.”
“Sim”, Zoro concordou, os olhos fixos na mesa. “Ela mudou. Mas o nariz pontudo… e o jeito dela de se mexer… ainda é ela.”
Ele se lembrou da última vez que a viu, os olhos dela fixos nos dele, cheios de dor e desculpas. E agora, aqueles mesmos olhos o olharam com estranheza.
“Precisamos de um plano”, Luffy disse, com seriedade. “Não podemos simplesmente invadir e sequestrá-la. Se ela não se lembra de nós, isso só vai assustá-la e torná-la mais resistente.”
“Vamos ter que ser sutis”, Nami sugeriu. “Vamos nos aproximar dela, tentar interagir com ela, mostrar a ela quem éramos.”
“Mas ela é uma atiradora da Elite agora”, Chopper lembrou. “Ela vai estar cercada por guardas. E ela é poderosa. Vimos como ela se moveu no palco.”
“Isso não importa”, Luffy disse, os olhos fixos na porta. “Ela é nossa nakama. E nós vamos tirá-la de lá, não importa o que aconteça.”
Zoro assentiu, a mão no punho de sua espada. Ele sentia uma urgência em seu peito, um desejo avassalador de fazê-la lembrar. De ver aquele sorriso nervoso novamente, de ouvir suas histórias exageradas. De protegê-la.
“Eu vou com você, Luffy”, ele disse. “Não importa o que aconteça, nós a traremos de volta.”
A tripulação concordou. A missão era clara: recuperar Usami. Fazer com que ela se lembrasse de quem era, de quem eles eram, e do lugar dela entre os Chapéus de Palha.
Mas como eles fariam isso, considerando que ela não os reconhecia e estava sob a proteção da ilha? E o que havia acontecido com ela durante aquele mês? Quem a resgatou e por que apagou suas memórias?
As perguntas pairavam no ar, mas uma coisa era certa: a atiradora estava de volta. E os Chapéus de Palha fariam de tudo para que sua verdadeira identidade e suas memórias fossem restauradas. Especialmente Zoro, que sentia um aperto no coração que ele não conseguia ignorar. Ele não a perderia de novo. De jeito nenhum.
