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Timebomb

Fandom: Arcane/timebomb

Creado: 18/3/2026

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O Eco do Silêncio e o Cheiro de Lavanda

A luz do sol matutino atravessava as janelas altas do Colégio Piltover, mas para Jinx, o brilho parecia agressivo demais. Ela se sentou na última fileira, tamborilando as unhas pintadas alternadamente de rosa e azul sobre a superfície de madeira da carteira. O contraste era gritante: sua pele era tão pálida que chegava a ser quase translúcida, destacando a sombra preta carregada ao redor dos olhos e o batom roxo escuro que ela usava como uma armadura.

Ela ajustou a manga comprida da blusa, garantindo que o tecido cobrisse cada centímetro de seus antebraços. Ninguém precisava ver as cicatrizes, os cortes que contavam histórias de noites em que a mente dela gritava mais alto que qualquer som externo. Jinx exalava um perfume suave, algo que remetia a lavanda e bebê, um contraste bizarro com sua aparência rebelde e caótica.

A porta da sala se abriu com um estrondo suave. Ekko entrou, carregando o skate debaixo do braço com a confiança de quem era dono do mundo. Seus cabelos platinados em dreads estavam perfeitamente arrumados, e ele vestia uma jaqueta bomber que exalava um perfume masculino amadeirado e marcante, capaz de preencher o ambiente em segundos.

Os olhos dele varreram a sala até encontrarem os dela. Por um breve segundo, o tempo parou. Havia anos de história ali. Anos de amizade de infância, de segredos compartilhados em telhados, seguidos por uma briga tão violenta e destrutiva que os transformou em estranhos que se odiavam.

Ekko caminhou até a carteira ao lado da dela e jogou a mochila no chão.

— Que sorte a minha — murmurou ele, alto o suficiente para ela ouvir. — O ano mal começou e já tenho que aguentar o mau agouro na cadeira ao lado.

Jinx soltou uma risada anasalada, embora seu coração tivesse dado um solavanco.

— O sentimento é mútuo, "Garoto Prodígio". Achei que você estaria em alguma sala para gênios, longe dos meros mortais.

Ekko não respondeu de imediato. Ele abriu o caderno, ignorando o comentário dela com uma frieza que Jinx não esperava. Durante a primeira aula, ela tentou cutucá-lo, lançando bolinhas de papel e fazendo desenhos grotescos na borda do caderno dele.

— Ei, Ekko. Me empresta uma caneta? A minha "morreu" — ela provocou, esperando uma resposta ácida.

Ele nem sequer virou o rosto. Continuou escrevendo, focado na lousa, como se ela fosse feita de vidro.

— Qual é, tá surdo? — Ela insistiu, a voz subindo um tom. — Ou o platinado do cabelo afetou o cérebro?

Nada. O silêncio dele era uma barreira intransponível.

— Escuta aqui, Powder... — Ekko finalmente falou, mas não olhou para ela. O uso do nome antigo foi como uma facada no peito de Jinx. — Se você quer atenção, vai procurar em outro lugar. Eu cansei das suas criancices. Você é um peso morto, Powder. Sempre foi.

Jinx sentiu o sangue fugir do rosto. O nome "Powder" trazia consigo o cheiro de fumaça e o som de metal retorcido. O acidente que matou seu pai, o rosto devastado de sua mãe antes de ela simplesmente decidir que Jinx não existia mais... tudo voltou como uma avalanche.

— Não me chama assim — sussurrou ela, a voz trêmula.

Ekko deu de ombros, fechando o livro quando o sinal para o intervalo tocou.

— Tanto faz. Para mim, você nem está aqui.

Ele se levantou, pegou seu skate e saiu da sala sem olhar para trás. Jinx ficou estática. "Para mim, você nem está aqui". A frase ecoou. Sua mãe costumava olhar através dela da mesma forma. O vazio de ser invisível era o maior medo de Jinx, uma fobia que a sufocava mais do que qualquer ameaça física. Ser ignorada era ser abandonada. E ser abandonada era morrer.

Ela se levantou apressada, as pernas vacilantes. Precisava de ar. Precisava confrontá-lo. Precisava que ele a visse, mesmo que fosse para gritar com ela.

Jinx o encontrou na parte de trás da escola, perto da quadra abandonada onde os skatistas costumavam ficar. Ekko estava sentado em um banco de concreto, ajustando as rodas de seu skate.

— Você não pode fazer isso! — gritou ela, aproximando-se com os punhos cerrados. — Você não pode simplesmente fingir que eu não existo!

Ekko nem levantou a cabeça. Ele continuou girando a chave de fenda, o rosto impassível.

— Eu estou falando com você! — Jinx chutou o skate dele, fazendo-o deslizar alguns centímetros.

Ekko suspirou, levantou-se e pegou a mochila, começando a caminhar na direção oposta, em silêncio absoluto.

— Ekko! Para! — A voz dela quebrou.

Ele continuou andando.

O pânico começou a subir pela garganta de Jinx. A visão dela ficou turva. O mundo ao redor parecia estar se desfazendo em sombras pretas, exatamente como no dia em que ela ficou esperando na porta de casa e sua mãe nunca voltou para buscá-la.

— Por favor... — soluçou ela, caindo de joelhos no asfalto áspero. — Não me deixa no escuro de novo. Por favor, olha para mim!

O som do choro dela não era um choro comum; era um lamento desesperado, visceral. Ekko parou. Algo naquele tom de voz o atingiu como um soco. Ele nunca a tinha ouvido soar tão... pequena.

Ele se virou e viu a garota que ele considerava sua maior rival encolhida no chão, tremendo violentamente. Jinx estava com as mãos cobrindo os ouvidos, balançando o corpo para frente e para trás.

— Desculpa, desculpa, desculpa... — as palavras saíam em uma metralhadora de sussurros. — Eu juro que vou ser boa, eu juro que não vou estragar nada. Desculpa, desculpa, desculpa...

Ekko largou o skate e correu até ela, o coração disparado.

— Jinx? Ei, o que foi? — Ele se abaixou, tentando tocar o ombro dela, mas ela recuou como se tivesse levado um choque.

— Não me ignora... por favor, não me ignora. Eu existo, eu estou aqui, eu juro que estou aqui! — Ela tremia tanto que os dentes batiam. — Desculpa, desculpa, desculpa...

— Ei, olha para mim! — Ekko segurou o rosto dela com as duas mãos, forçando-a a focar nos olhos dele. — Eu estou aqui. Eu estou vendo você. Calma. Respira.

Jinx agarrou os pulsos de Ekko com uma força surpreendente, as unhas coloridas cravando-se na pele dele. Seus olhos estavam arregalados, as lágrimas borrando toda a maquiagem preta, criando rastros escuros por suas bochechas pálidas.

— Você me chamou daquele nome... — ela arquejou, o peito subindo e descendo em espasmos. — Ele morreu para me salvar. Ele morreu e ela... ela parou de me ver. Ela me deixou em uma casa vazia por semanas antes de ir embora de vez. Eu era um fantasma, Ekko. Eu sou um fantasma?

Ekko sentiu um nó górdio se apertar em sua garganta. Ele não sabia. Ele achava que a mudança de nome era apenas uma rebeldia adolescente, uma forma de ela se distanciar do passado deles. Ele não tinha ideia do abandono, do silêncio ensurdecedor que ela viveu.

Sem dizer uma palavra, ele a puxou para um abraço apertado. Jinx resistiu por um segundo, rígida como um poste, mas então desmoronou contra o peito dele. O cheiro do perfume masculino de Ekko se misturou ao perfume de bebê dela, criando uma bolha de estranho conforto no meio do caos.

— Desculpa... desculpa por ser assim... — ela continuava murmurando, a voz abafada pela jaqueta dele.

— Shhh... para de pedir desculpa — disse Ekko, a voz suave, passando a mão pelos cabelos azuis e ondulados dela. — Eu não sabia, Jinx. Eu juro que não sabia. Eu nunca mais vou te ignorar, tá ouvindo? Nunca.

Ele a apertou mais forte, sentindo os tremores dela diminuírem aos poucos. Eles ficaram ali, no chão de uma quadra velha, dois adolescentes marcados por mágoas que eram grandes demais para suas idades.

— Eu mudei porque a Powder era fraca — ela confessou, com a voz rouca, afastando-se apenas o suficiente para olhar para ele. — A Powder era a menina que as pessoas podiam esquecer. A Jinx... a Jinx faz barulho. A Jinx ninguém consegue ignorar.

Ekko limpou uma lágrima preta da bochecha dela com o polegar.

— Você não precisa explodir o mundo para eu te notar, Jinx.

Ela soltou um riso fraco, ainda trêmula, mas o pânico nos olhos dela tinha sido substituído por uma exaustão profunda.

— Você ainda me odeia? — perguntou ela, a voz pequena.

Ekko suspirou, olhando para o horizonte por um momento antes de voltar a encarar os olhos dela.

— Eu tentei — admitiu ele com sinceridade. — Mas é difícil odiar alguém que conhece o seu toque de skate preferido e que cheira a lavanda de bebê.

Jinx encostou a cabeça no ombro dele, sentindo o calor do corpo de Ekko acalmar seus nervos ainda em frangalhos.

— Não me chama mais de Powder — pediu ela.

— Nunca mais — prometeu ele. — Vamos sair daqui. A aula já vai começar e você está um desastre.

— Um desastre lindo — ela corrigiu, recuperando uma ponta de sua audácia habitual.

Ekko sorriu, ajudando-a a se levantar. Ele não soltou a mão dela, nem mesmo quando atravessaram o pátio sob os olhares curiosos dos outros alunos. Ele sabia que as cicatrizes sob as mangas dela eram profundas, mas, pela primeira vez em anos, Jinx sentiu que não precisava mais gritar para ser vista. Alguém finalmente estava prestando atenção.
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