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Amor secreto

Fandom: Avatar:o caminho das águas

Creado: 20/3/2026

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O Peso do Sangue e do Mar

O sol de Awa'atlu estava começando a mergulhar no horizonte, tingindo o oceano com matizes de laranja, rosa e violeta profundo. Para qualquer outro Na'vi, aquele seria o momento de agradecer a Eywa por mais um dia de fartura. Para Lo'ak, no entanto, a beleza do entardecer era apenas um pano de fundo para a queimação incômoda que subia por sua garganta.

Ele estava sentado na borda de uma das passarelas tecidas, observando a praia. Seus dedos brincavam com a areia, mas seus olhos estavam fixos em dois vultos perto da água. Um era Neteyam, seu irmão mais velho, o "filho perfeito", o orgulho de Jake Sully. O outro era uma jovem Metkayina que ria de algo que Neteyam havia dito, tocando levemente o braço dele com uma familiaridade que fazia o sangue de Lo'ak ferver.

— Por que ele tem que ser tão simpático com todo mundo? — resmungou Lo'ak para si mesmo, as orelhas baixas e a cauda chicoteando a areia com irritação.

Ele sabia que não tinha o direito de sentir aquilo. Eles eram irmãos. O que sentiam um pelo outro — ou melhor, o que haviam começado a explorar nas sombras das cavernas marinhas e sob o manto da noite — era algo que desafiava as leis do clã e a própria natureza de sua linhagem. Mas o toque de Neteyam, a forma como ele sussurrava o nome de Lo'ak quando estavam sozinhos, era a única coisa que fazia Lo'ak se sentir verdadeiramente visto.

— Você vai acabar cavando um buraco até o fundo do oceano se continuar chutando a areia desse jeito.

A voz de Neteyam soou atrás dele, calma e melodiosa. Lo'ak não se virou de imediato. Ele sentiu o irmão se aproximar e sentar ao seu lado, o calor do corpo dele irradiando contra o seu, uma tentação constante.

— Ela pareceu gostar muito da sua companhia — disse Lo'ak, o tom carregado de um sarcasmo que ele não conseguiu esconder.

Neteyam soltou um suspiro curto, inclinando a cabeça para o lado.

— Ela estava apenas me perguntando sobre as técnicas de arco da floresta. Nada mais, Lo'ak. Não seja difícil.

— Eu não sou difícil — retrucou Lo'ak, finalmente olhando para o irmão. Os olhos amarelos de Lo'ak brilhavam com uma mistura de mágoa e possessividade. — Eu só não entendo por que você precisa sorrir para ela daquele jeito. Como se ela fosse a coisa mais interessante do mundo.

Neteyam olhou ao redor rapidamente, garantindo que nenhum outro Na'vi estivesse perto o suficiente para ouvir. Sua expressão suavizou, e ele estendeu a mão, hesitando por um segundo antes de tocar levemente o ombro de Lo'ak. O toque foi breve, quase imperceptível para quem olhasse de longe, mas para Lo'ak, foi como uma descarga elétrica.

— Você sabe que ninguém é mais interessante para mim do que você — sussurrou Neteyam, a voz baixa e rouca. — Mas temos que manter as aparências. Você sabe o que aconteceria se o pai... ou qualquer pessoa... suspeitasse.

— Eu sei — disse Lo'ak, a raiva murchando para dar lugar a uma melancolia pesada. — Mas dói, Neteyam. Ver você fingindo que é apenas meu irmão na frente deles, e depois ter que fingir que eu não quero te puxar para longe de cada Na'vi que chega perto de você.

Neteyam apertou o ombro dele uma última vez antes de retirar a mão.

— Venha. Vamos nadar. O eclipse está chegando, e ninguém vai nos procurar nos recifes mais distantes.

O mergulho foi uma libertação. Sob a água, o mundo era silencioso e azul, preenchido apenas pelo som das bolhas e pelo movimento rítmico de suas caudas. Eles nadaram para longe da vila, passando pelos corais luminescentes até chegarem a uma pequena gruta subaquática que haviam descoberto semanas atrás. Era o único lugar onde o segredo deles parecia seguro, um santuário protegido pelas correntes.

Assim que emergiram dentro da caverna, onde o ar era úmido e o som das ondas se transformava em um eco suave, Lo'ak não esperou. Ele avançou sobre Neteyam, empurrando-o contra a parede de rocha lisa.

— Eu odeio isso — murmurou Lo'ak, encostando a testa na de Neteyam. — Odeio cada segundo que tenho que agir como se você fosse apenas o meu "irmão mais velho".

Neteyam fechou os olhos, absorvendo a proximidade. Suas mãos subiram para a cintura de Lo'ak, puxando-o para mais perto, eliminando qualquer espaço entre eles.

— Eu também odeio — confessou Neteyam, a fachada de guerreiro perfeito desmoronando apenas para Lo'ak. — Mas é o preço que pagamos para estarmos juntos. Se Eywa nos deu esse sentimento, por que parece tão errado para o resto do mundo?

— Eu não me importo com o mundo — disse Lo'ak, sua mão subindo para acariciar o rosto de Neteyam, traçando as marcas brilhantes em sua pele. — Eu só me importo com você. Eu vejo você, Neteyam. De verdade.

Neteyam inclinou-se e selou seus lábios nos de Lo'ak. Foi um beijo urgente, faminto, nascido da frustração de horas de fingimento. Não havia a delicadeza dos rituais de acasalamento Na'vi; era algo mais cru, uma necessidade mútua de reafirmar que pertenciam um ao outro, apesar do sangue que compartilhavam.

As mãos de Neteyam exploravam as costas de Lo'ak, sentindo a musculatura tensa relaxar sob seu toque. Lo'ak soltou um gemido baixo contra a boca do irmão, as unhas cravando-se levemente nos ombros de Neteyam. Naquele momento, o ciúme que o corroía na praia desapareceu, substituído por uma certeza avassaladora.

— Você é meu — sussurrou Lo'ak entre beijos. — Diga.

Neteyam sorriu, um sorriso triste, mas cheio de adoração.

— Eu sou seu, Lo'ak. Em todos os sentidos que importam.

Eles ficaram ali por um longo tempo, abraçados, enquanto a luz do eclipse lá fora filtrava-se fracamente pelas aberturas da caverna. O silêncio era preenchido apenas pela respiração pesada de ambos.

— O que vamos fazer quando o pai decidir que você precisa de uma companheira? — perguntou Lo'ak de repente, a insegurança voltando a assombrá-lo. — Ou quando Tsireya...

Neteyam colocou um dedo sobre os lábios de Lo'ak, silenciando-o.

— Não pense no amanhã agora. O amanhã é um fardo que não podemos carregar hoje. Agora, somos apenas nós.

— Mas não podemos nos esconder para sempre — insistiu Lo'ak, os olhos suplicantes. — Eu não sei se consigo continuar vendo outras pessoas olharem para você e não poder dizer que você é meu.

Neteyam suspirou, encostando a nuca na rocha e puxando Lo'ak para o seu peito.

— Lo'ak, o que temos... é como as correntes profundas. Ninguém as vê da superfície, mas elas são as mais fortes do oceano. Elas movem tudo. O que sentimos não precisa de nomes ou de reconhecimento do clã para ser real.

— Eu só queria que fosse mais fácil — murmurou Lo'ak, fechando os olhos e ouvindo o coração de Neteyam batendo contra seu ouvido.

— Nada que vale a pena é fácil — respondeu Neteyam, beijando o topo da cabeça do irmão. — Especialmente para nós. Mas eu prefiro viver nesse segredo com você do que em uma verdade vazia com qualquer outra pessoa.

Eles sabiam que, em breve, teriam que voltar. Teriam que nadar de volta para Awa'atlu, caminhar pelas passarelas como irmãos, trocar saudações formais e evitar olhares prolongados durante a refeição noturna. Eles voltariam a ser o "filho obediente" e o "irmão problemático".

Mas ali, na penumbra da gruta, envoltos pelo cheiro de sal e pela presença um do outro, eles eram simplesmente duas almas conectadas por um laço que nem mesmo a linhagem de Jake Sully poderia explicar ou conter.

— Prometa-me uma coisa — disse Lo'ak, afastando-se apenas o suficiente para olhar Neteyam nos olhos.

— Qualquer coisa.

— Não deixe ninguém chegar perto de você como ela chegou hoje. Eu sei que é irracional, mas... eu sinto como se estivesse perdendo você toda vez que você sorri para outra pessoa.

Neteyam soltou uma risada baixa, uma vibração quente que confortou Lo'ak.

— Você é um tolo, meu irmãozinho. Ninguém poderia me tirar de você. Nem se tentassem por mil luas.

Ele puxou Lo'ak para um último abraço apertado, sentindo a força e a vulnerabilidade do irmão mais novo.

— Precisamos ir — disse Neteyam relutantemente. — A mãe vai começar a perguntar se não aparecermos para o jantar.

Lo'ak assentiu, limpando o rosto e recompondo sua expressão de indiferença. Ele observou Neteyam mergulhar primeiro, a silhueta graciosa sumindo na água escura. Lo'ak esperou alguns segundos, respirando fundo o ar da caverna, guardando aquele momento como um tesouro escondido em seu peito.

Ao emergirem perto da vila, a máscara já estava de volta. Neteyam nadou à frente, liderando o caminho como o líder que estava destinado a ser. Lo'ak o seguia a uma distância segura, o irmão rebelde em sua sombra.

Ao subirem nas passarelas, cruzaram com Tonowari e alguns outros caçadores.

— Neteyam! Lo'ak! — exclamou o Olo'eyktan. — Estávamos discutindo a patrulha de amanhã. Neteyam, sua precisão seria de grande ajuda.

Neteyam inclinou a cabeça em respeito, o sorriso educado e distante voltando ao seu rosto.

— Será uma honra, senhor.

Lo'ak sentiu a pontada de ciúme novamente, a vontade de gritar que aquele homem não conhecia o verdadeiro Neteyam. Mas ele sentiu o olhar rápido de Neteyam em sua direção — um relance que durou apenas um milésimo de segundo, mas que continha todo o calor da caverna.

Lo'ak baixou a cabeça e seguiu para a tenda da família. O segredo estava seguro por mais uma noite. O peso do sangue era grande, mas o peso do que sentiam era maior, e por enquanto, isso teria que ser o suficiente para mantê-los à tona.
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