Fanfy
.studio
Cargando...
Imagen de fondo

Amor secreto

Fandom: Avatar:o caminho das águas

Creado: 20/3/2026

Etiquetas

RomanceDramaAngustiaFantasíaCiencia FicciónEstudio de PersonajeMención de IncestoAmbientación CanonDolor/Consuelo
Índice

Entre Correntes e Marés

O ar de Awa'atlu era pesado, carregado com o cheiro de sal e a umidade constante que parecia grudar na pele azul de Neteyam. Diferente da floresta, onde o som do vento nas folhas era um sussurro constante e familiar, o oceano era um rugido rítmico, uma pulsação que ele ainda não conseguia entender completamente.

Neteyam estava sentado na borda do mariri, observando o horizonte onde o céu se fundia com o mar em tons de laranja e violeta. Ele sentia o peso da responsabilidade em seus ombros, uma carga que parecia ter dobrado desde que deixaram High Camp. Ele era o filho mais velho, o futuro líder, o escudo da família. Mas, por dentro, ele sentia que estava rachando.

— Você está pensando demais de novo. Eu consigo ouvir as engrenagens da sua cabeça daqui.

Neteyam não precisou se virar para saber quem era. A voz de Lo’ak tinha aquele tom de audácia misturado com uma suavidade que ele reservava apenas para os momentos em que estavam a sós.

Lo’ak sentou-se ao lado dele, as pernas balançando sobre a água cristalina. Seus dedos roçaram propositalmente o braço de Neteyam, um contato breve que enviou uma descarga elétrica pelo corpo do mais velho.

— É meu trabalho pensar, Lo’ak — respondeu Neteyam, tentando manter a voz firme. — Alguém precisa garantir que não seremos expulsos antes da próxima lua cheia.

— O pai está cuidando disso. E a mãe está... bem, sendo a mãe — Lo’ak deu de ombros, aproximando-se um pouco mais, quebrando a barreira do espaço pessoal que Neteyam tentava desesperadamente manter. — Aqui, ninguém nos conhece. Ninguém sabe quem devemos ser. Por que você não relaxa um pouco?

Neteyam finalmente olhou para o irmão. Os olhos de Lo’ak brilhavam com aquela intensidade selvagem que sempre o metia em problemas, mas havia algo mais profundo ali. Uma fome, um reconhecimento.

— Esse é o problema, Lo’ak — sussurrou Neteyam, olhando ao redor para garantir que Tuk ou os pais não estivessem por perto. — Aqui é onde corremos o maior risco. Em casa, tínhamos a floresta. Tínhamos esconderijos. Aqui, tudo é aberto. Tudo é visível.

Lo’ak soltou uma risada baixa e amarga.

— Visível para quem? Os Metkayina acham que somos aberrações com sangue de demônio. Eles mal olham nos nossos olhos, quanto mais notar o jeito que eu olho para você.

— Lo’ak, pare — pediu Neteyam, embora seu coração batesse contra as costelas como um animal enclausurado.

— Parar com o quê? — Lo’ak se inclinou, o rosto a centímetros do de Neteyam. — Com isso? Com o fato de que eu não consigo respirar direito quando você está longe? Ou com o fato de que eu sei que você sente o mesmo, por mais que tente ser o "filho perfeito"?

Neteyam sentiu a respiração falhar. Ele se lembrou da última noite na floresta, antes da invasão que mudou tudo. Eles estavam escondidos sob as raízes de uma árvore milenar, a chuva abafando o som de seus suspiros. O que começou como um conforto mútuo diante do medo da guerra transformou-se em algo proibido, algo que Eywa talvez nunca tivesse planejado para dois irmãos.

— O que temos... — começou Neteyam, a voz trêmula — ...é perigoso. Se o pai descobrir, ele nunca vai nos perdoar. Ele já perdeu tanto, Lo’ak.

— O pai se importa com a sobrevivência da família — rebateu Lo’ak, a voz subindo de tom antes de ele se controlar. — E eu estou tentando sobreviver, Neteyam. Mas não consigo fazer isso se tiver que fingir que você é apenas meu irmão o tempo todo.

Antes que Neteyam pudesse responder, o som de passos sobre o mariri os fez se afastarem abruptamente. Tsireya apareceu, nadando graciosamente até a borda da plataforma, com um sorriso gentil no rosto.

— O treino de respiração vai começar em breve — disse ela, olhando de um para o outro com curiosidade. — Vocês vêm?

— Já estamos indo, Tsireya — respondeu Neteyam, assumindo instantaneamente sua postura de herdeiro, as costas retas e a expressão neutra.

Lo’ak revirou os olhos, mas seguiu o irmão. Enquanto mergulhavam na água morna do recife, a tensão entre eles não desapareceu; ela apenas mudou de forma. Sob a água, o mundo era silencioso e azul. Neteyam observava Lo’ak se mover, a agilidade do irmão sendo testada pelas correntes desconhecidas.

Durante o exercício, eles precisavam segurar as mãos para manter a estabilidade enquanto aprendiam a controlar o batimento cardíaco. Quando a mão de Lo’ak encontrou a de Neteyam, o aperto foi firme, quase desesperado. Através do elo da pele, Neteyam podia sentir o coração de Lo’ak — rápido, forte, descompassado.

— "Acalme o seu coração" — a voz de Tonowari ecoava em sua mente, mas Neteyam não conseguia.

Como ele poderia acalmar o coração quando a pessoa que ele mais amava, e que menos deveria amar daquela forma, estava bem ali, ligada a ele pelo toque?

Mais tarde naquela noite, após a refeição comunitária, a família Sully se recolheu para sua tenda tecida. Jake e Neytiri conversavam em voz baixa sobre as defesas da vila, enquanto Kiri contava histórias para Tuk.

Neteyam sentiu que as paredes da tenda estavam se fechando sobre ele. Ele precisava de ar. Ele saiu silenciosamente, caminhando pela areia fina até uma parte isolada da praia, onde as árvores de mangue criavam sombras profundas.

Ele não ficou surpreso quando, minutos depois, Lo’ak apareceu entre as sombras.

— Você não consegue fugir de mim — disse Lo’ak, parando à frente dele.

— Eu não estou fugindo de você — mentiu Neteyam. — Estou fugindo de mim mesmo.

Lo’ak deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal de Neteyam com uma determinação que o mais velho nunca conseguia combater. Ele segurou o rosto de Neteyam com as duas mãos, os dedos longos acariciando as marcas de bioluminescência em suas bochechas.

— Pare de lutar, Neteyam — sussurrou Lo’ak. — Por favor. Só por um momento, esqueça o pai. Esqueça o povo. Esqueça que somos Sullys.

— Eu não posso — Neteyam fechou os olhos, encostando a testa na de Lo’ak. — Eu sou o filho mais velho. Eu tenho que ser o exemplo.

— Então seja o exemplo de alguém que segue o próprio coração — Lo’ak aproximou os lábios dos dele, o hálito quente contra sua pele. — Eu vejo você, Neteyam. Não o guerreiro. Não o filho. Eu vejo você.

O beijo foi inevitável, uma colisão de necessidade e medo. Tinha gosto de sal e de algo desesperadamente doce. Foi um beijo escondido, roubado das sombras, mas para Neteyam, parecia a única coisa real em um mundo que havia sido virado do avesso.

Ele puxou Lo’ak para mais perto, suas mãos agarrando os ombros do irmão com uma força que beirava a dor. Naquele momento, o oceano ao redor deles poderia ter engolido o mundo inteiro, e Neteyam não teria se importado.

Quando finalmente se separaram, ambos estavam ofegantes. A realidade voltou a cair sobre eles como uma rede pesada.

— Se alguém nos vir... — começou Neteyam, o pânico começando a surgir novamente.

— Ninguém viu — interrompeu Lo’ak, segurando as mãos dele. — E mesmo que vissem... eu não me importo mais. Eu prefiro ser um pária com você do que um herói sem você.

Neteyam olhou para o irmão, vendo a sinceridade crua em seus olhos. Ele queria ter a mesma coragem. Ele queria gritar para o oceano o que sentia, mas a voz de seu pai sempre ressoava em seus ouvidos: "Um Sully protege a família".

Como ele poderia proteger a família se ele era a maior ameaça à sua integridade?

— Precisamos voltar — disse Neteyam, embora não fizesse menção de soltar as mãos de Lo’ak. — Antes que percebam nossa ausência.

Lo’ak assentiu, mas antes de se afastarem, ele apertou os dedos de Neteyam uma última vez.

— Isso não vai embora, Neteyam. O oceano é profundo, mas o que eu sinto por você é mais.

Eles voltaram para a tenda separadamente, entrando com intervalos de alguns minutos. Neteyam deitou-se em sua rede, ouvindo o som da respiração de sua família. Ele olhou para o lado e viu Lo’ak, que já o observava no escuro.

O segredo deles era uma âncora, mantendo-os unidos enquanto o resto do mundo tentava separá-los. Mas Neteyam sabia que, em algum momento, a maré subiria. E ele não tinha certeza se eles seriam capazes de nadar contra ela ou se seriam arrastados para as profundezas pela verdade que carregavam.

Por enquanto, no silêncio da noite Metkayina, eles eram apenas dois corações batendo no mesmo ritmo, escondidos sob a vasta proteção de Eywa e o manto pesado do dever.

Neteyam fechou os olhos, permitindo-se uma última imagem de Lo’ak antes de dormir. Ele sabia que o amanhã traria novos treinos, novos olhares de julgamento e a pressão constante de ser o que todos esperavam. Mas ali, na escuridão, ele se permitiu ser apenas Neteyam. E Neteyam pertencia a Lo’ak, tanto quanto o mar pertencia à lua.
Índice

¿Quieres crear tu propio fanfic?

Regístrate en Fanfy y crea tus propias historias.

Crear mi fanfic