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Flor de cerejeira

Fandom: Dorama chinês

Creado: 22/3/2026

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O Encontro Além do Roteiro

O sol da manhã em Xangai filtrava-se pelas janelas da prestigiada Academia de Artes Cênicas, criando padrões dourados no chão de mármore. Maya ajustou a alça de sua mochila, sentindo o peso familiar de seus cadernos de anotações e o frio na barriga que nunca a abandonava. Ser uma estudante de intercâmbio brasileira na China já era um desafio por si só, mas estar ali, entre os futuros grandes nomes do entretenimento asiático, era quase surreal.

Maya era uma visão que interrompia conversas por onde passava. Seus cabelos cacheados, uma cascata densa e escura que descia até a altura dos joelhos, eram sua marca registrada, balançando suavemente conforme ela caminhava. Seus olhos verdes, herdados de uma mistura rara, contrastavam de forma hipnotizante com sua pele parda, e o corpo em formato de pera, com curvas suaves e elegantes, era acentuado pelo vestido leve que escolhera para o dia de hoje.

— Maya! Rápido, o ônibus já vai sair! — gritou Li Wei, sua colega de quarto, acenando freneticamente perto do portão principal.

— Já estou indo! — respondeu Maya, apressando o passo.

Hoje não era um dia comum de aulas teóricas sobre Stanislavski ou história do teatro chinês. A faculdade havia organizado uma excursão exclusiva aos estúdios de Hengdian, a "Hollywood da China". O objetivo era observar o set de filmagens de *A Promessa do Vento*, o drama histórico mais aguardado do ano, protagonizado por ninguém menos que Zhang Linghe.

Durante a viagem de ônibus, Maya tentava manter a calma, mas suas mãos tremiam levemente. Ela conhecia o trabalho de Linghe. Ele era mais do que apenas um "ídolo"; era um ator de uma profundidade emocional que a inspirava em cada ensaio.

Ao chegarem ao set, o cenário era de tirar o fôlego. Uma réplica perfeita de um palácio da Dinastia Tang se erguia contra o céu azul. Centenas de figurantes vestidos com sedas coloridas moviam-se como formigas, e o som de câmeras sendo ajustadas preenchia o ar.

— Lembrem-se — instruiu o professor Wang —, vocês estão aqui como observadores. Mantenham a distância, fiquem em silêncio e absorvam a técnica.

Maya se afastou um pouco do grupo principal, buscando um ângulo onde pudesse ver melhor a área de iluminação. Ela estava tão concentrada em observar como os refletores eram posicionados para suavizar as sombras no rosto dos atores que não percebeu que havia ultrapassado a linha de isolamento.

— Ação! — ecoou a voz do diretor.

No centro do pátio, Zhang Linghe estava parado sob uma cerejeira artificial. Ele vestia um robe azul-celeste bordado com fios de prata, o cabelo longo preso em um penteado tradicional que realçava suas feições aristocráticas e o olhar intenso. Ele estava no meio de uma cena dramática, declarando seu amor impossível a uma princesa que não estava lá — a atriz principal estava em seu trailer, e ele contracenava com o vazio para um *close-up*.

A entrega dele foi tão visceral que Maya prendeu a respiração. O modo como a voz dele vacilou ao dizer a última frase fez uma lágrima solitária escorrer pelo rosto da brasileira.

— Corta! Perfeito, Linghe! — exclamou o diretor.

Linghe relaxou os ombros, saindo do personagem instantaneamente. Ele aceitou uma garrafa de água de um assistente e começou a olhar ao redor, seus olhos varrendo o set até que pararam em uma figura que definitivamente não pertencia ao elenco de apoio.

Maya, percebendo que ele a olhava, sentiu o sangue subir às bochechas. Ela tentou recuar, mas seus cabelos longos acabaram se prendendo em um gancho de um suporte de luz atrás dela.

— Ai... — sussurrou ela, tentando se soltar sem chamar atenção, o que era impossível dado o comprimento de suas mechas.

— Espere, não puxe. Você vai acabar se machucando.

A voz era profunda, melodiosa e estava muito mais perto do que Maya esperava. Ela congelou. Zhang Linghe estava a apenas dois passos de distância, estendendo a mão para ajudá-la.

— Me desculpe — disse Maya em um mandarim cuidadoso, mas levemente trêmulo. — Eu não queria atrapalhar.

— Você não atrapalhou — disse ele, concentrado em desvencilhar cuidadosamente os cachos escuros do metal. — Seus cabelos são... impressionantes. Nunca vi nada parecido.

— Obrigada — respondeu ela, sentindo o perfume amadeirado dele. — Eu sou estudante da Academia. Viemos para a excursão.

— Uma estudante brasileira? — perguntou ele, finalmente soltando a última mecha e olhando diretamente nos olhos verdes dela. Ele pareceu momentaneamente sem fôlego. — Seus olhos... eles mudam de cor com a luz?

Maya soltou um riso nervoso, ajeitando o cabelo sobre o ombro.

— Acho que é apenas o reflexo do sol, Sr. Zhang.

— Por favor, apenas Linghe — disse ele, abrindo um sorriso que raramente mostrava às câmeras de paparazzi. Um sorriso genuíno. — E como se chama a dona de olhos tão intrigantes?

— Maya. Meu nome é Maya.

— Maya — ele repetiu, testando a sonoridade do nome em sua língua. — É um nome bonito. Combina com a sua aura. Por que você estava chorando agora há pouco?

Maya baixou o olhar, envergonhada.

— A sua atuação... foi muito real. Eu senti a dor do personagem. Estudar aqui na China tem sido difícil, e às vezes a arte é a única coisa que nos faz sentir em casa, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância.

Linghe ficou em silêncio por um momento, observando a jovem estrangeira. Havia algo nela que irradiava uma beleza que ia além do físico; era uma mistura de vulnerabilidade e força.

— Você também quer ser atriz? — perguntou ele, genuinamente interessado.

— Sim. É o meu sonho. Mas às vezes sinto que sou diferente demais para os padrões daqui.

— O mundo está mudando, Maya — disse Linghe, dando um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — O que te faz diferente é exatamente o que te torna inesquecível. Olhe para você. Ninguém neste set consegue tirar os olhos de você desde que você chegou. Inclusive eu.

O coração de Maya deu um salto. Ela não sabia se era o calor de Xangai ou a intensidade do olhar de Linghe, mas sentia que o chão estava desaparecendo sob seus pés.

— Linghe! Precisamos de você para o próximo ângulo! — gritou o assistente de direção.

Ele suspirou, parecendo relutante em encerrar a conversa.

— Eu preciso ir. Mas não quero que essa seja a nossa única conversa.

Ele olhou ao redor e, vendo que ninguém estava prestando atenção direta, pegou o roteiro que estava em sua mão e arrancou um pedaço pequeno do papel em branco na última página. Ele escreveu algo rapidamente e entregou a ela.

— Este é o meu WeChat pessoal — sussurrou ele. — Me mande uma mensagem. Quero saber mais sobre como uma brasileira veio parar nos meus sets de filmagem.

Maya pegou o papel, seus dedos roçando os dele. Uma faísca elétrica pareceu percorrer seu braço.

— Eu vou mandar — prometeu ela, com um sorriso que iluminou seu rosto pardo.

— Vou esperar, Maya.

Ele se afastou, voltando para o centro do set, mas antes de começar a cena, ele olhou para trás uma última vez e piscou.

Maya voltou para o grupo de estudantes como se estivesse caminhando nas nuvens. Li Wei a cercou imediatamente.

— O que foi aquilo? O Zhang Linghe falou com você? O que ele disse?

Maya guardou o papel cuidadosamente no bolso interno do seu vestido, sentindo o peso precioso daquela pequena anotação.

— Ele só... me ajudou com o cabelo — mentiu ela, sentindo o rosto arder.

— Só ajudou com o cabelo? Maya, ele parecia estar olhando para uma deusa!

Maya não respondeu, apenas observou Linghe retomar sua posição. Ele era um grande ator, mas ela sabia que o brilho que vira nos olhos dele quando falava com ela não fazia parte de nenhum roteiro.

Naquela noite, de volta ao dormitório, Maya sentou-se em sua cama e soltou os cabelos, que caíram como um manto ao seu redor. Ela pegou o celular e digitou o ID que estava no papel. O perfil apareceu: uma foto simples de uma paisagem de montanha.

Ela hesitou por um segundo, o polegar pairando sobre a tela. "Olá, Linghe. É a Maya. Obrigada por hoje."

A resposta veio em menos de um minuto.

— Eu estava esperando por você. O set ficou muito vazio depois que os estudantes foram embora.

Maya sorriu, deitando-se no travesseiro e enrolando uma mecha de cabelo no dedo.

— Ficou vazio ou ficou menos barulhento? — perguntou ela, sentindo-se audaciosa.

— Ficou sem cor — respondeu ele. — Maya, há um café perto da sua universidade que fica aberto até tarde. Chama-se 'A Lanterna de Papel'. Você estaria interessada em praticar seu mandarim comigo amanhã à noite?

O coração de Maya batia tão forte que ela achou que Li Wei poderia ouvir do outro lado do quarto.

— Eu adoraria. Mas você é famoso, Linghe. Não vai ser perigoso para você?

— Eu usarei um boné, uma máscara e o meu melhor disfarce — respondeu ele. — Mas, honestamente, se eu for pego, direi que estava apenas seguindo uma luz verde que encontrei no set hoje.

Maya riu baixinho, as lágrimas de felicidade ameaçando surgir. O intercâmbio na China deveria ser sobre estudos e carreira, mas, naquele momento, ela percebeu que a vida tinha roteiros que nenhum autor poderia prever.

— Estarei lá — digitou ela.

— Mal posso esperar para ver você de novo, Maya.

Ela desligou o celular e olhou pela janela para as luzes de Xangai. Ela viera para a China em busca de um sonho, mas parecia que o destino havia reservado para ela algo muito mais profundo: uma história de amor que estava apenas começando, entre as tradições de um império antigo e a alma vibrante de uma mulher brasileira.

No dia seguinte, o café "A Lanterna de Papel" estava silencioso. Maya chegou dez minutos antes, usando um vestido verde que realçava seus olhos e deixando seus cachos livres, fluindo até seus joelhos como uma cascata de ébano.

Quando a porta se abriu, um homem alto, vestindo um casaco preto comprido e uma máscara, entrou. Ele percorreu o recinto com o olhar até encontrar a mesa no canto. Ao se aproximar, ele retirou a máscara, revelando o rosto esculpido que estampava outdoors por toda a Ásia.

— Você está ainda mais bonita hoje — disse Zhang Linghe, sentando-se à frente dela.

— E você está menos... imperial — brincou ela, referindo-se aos trajes de época do dia anterior.

Ele riu, uma risada calorosa que fez Maya se sentir em casa.

— Eu prefiro ser apenas o Linghe quando estou com você.

Eles conversaram por horas. Maya contou sobre o Brasil, sobre o cheiro da chuva na terra quente, sobre o Carnaval e sobre a saudade da família. Linghe falou sobre a pressão da fama, sobre a solidão de estar sempre cercado de pessoas, mas raramente ser visto de verdade.

— Sabe — disse ele, segurando a mão dela sobre a mesa —, eu sempre interpretei heróis que atravessam oceanos por amor. Mas nunca imaginei que o meu próprio amor viria de outro oceano para me encontrar.

Maya sentiu um calor reconfortante. Ela percebeu que não importava o quão diferentes fossem suas culturas ou o quão longe estivessem de seus mundos habituais. Ali, naquele pequeno café, eram apenas duas almas conectadas pela arte e por uma curiosidade mútua que rapidamente se transformava em algo mais.

— Eu vim para estudar atuação — sussurrou Maya —, mas acho que a lição mais importante que aprendi é que a vida não precisa de ensaios quando o sentimento é real.

Linghe inclinou-se para frente, a mão acariciando suavemente o rosto pardo de Maya, os dedos perdendo-se na imensidão de seus cachos.

— Então vamos esquecer o roteiro, Maya. Vamos escrever nossa própria história, um dia de cada vez.

E ali, sob a luz suave das lanternas, o ator famoso e a estudante brasileira selaram uma promessa silenciosa. O intercâmbio de Maya havia se tornado muito mais do que um certificado acadêmico; era o início de um drama da vida real, onde o final feliz não era apenas uma cena escrita, mas uma realidade que eles construiriam juntos, entre os cenários de Xangai e o pulsar de seus corações.
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