Fanfy
.studio
Cargando...
Imagen de fondo

funnybunny

Fandom: digital circus

Creado: 27/3/2026

Etiquetas

DramaAngustiaDolor/ConsueloFluffPsicológicoEstudio de PersonajeAmbientación Canon
Índice

Memórias de Feltro e Sorrisos Reais

O corredor do Incrível Circo Digital parecia mais silencioso do que o normal, se é que isso era possível em um lugar onde a sanidade era um conceito meramente ilustrativo. Pomni caminhava com passos leves, o tilintar discreto dos guizos em seu chapéu de boba da corte marcando o ritmo de sua hesitação. Ela parou diante da porta com o rosto de Jax. Aquele sorriso de coelho debochado estampado na madeira parecia observá-la, desafiando-a a entrar.

Pomni sabia que Jax era um mestre em erguer muros feitos de sarcasmo e piadas de mau gosto. Ele era o tipo de pessoa que atearia fogo no seu quarto e depois perguntaria por que você estava suando, mas, nos últimos dias, algo estava diferente. O brilho malicioso em seus olhos amarelos parecia opaco, e suas provocações careciam do entusiasmo habitual.

Ela respirou fundo e girou a maçaneta. A porta não estava trancada.

O quarto de Jax era uma bagunça organizada de itens aleatórios que ele provavelmente tinha roubado de outros residentes ao longo dos ciclos. O coelho roxo estava deitado em sua cama, com as mãos atrás da cabeça, encarando o teto com uma expressão vazia que desapareceu no instante em que ele notou a presença da pequena boba da corte.

— Sabe, Pomni, existe uma invenção maravilhosa chamada "bater na porta" — disse Jax, sentando-se com sua habitual agilidade preguiçosa. — Ou será que você sentiu tanto a minha falta que não conseguiu segurar seus impulsos? Eu sei, eu sou irresistível.

Pomni fechou a porta atrás de si e caminhou até o centro do quarto, ignorando o tom provocativo. Ela cruzou os braços e o encarou com aqueles olhos grandes e expressivos, que brilhavam com uma mistura de doçura e determinação.

— Jax, para com isso — disse ela, sua voz suave, mas firme. — Eu sei que tem algo errado. Você está mais quieto que o normal, e não é do tipo "estou planejando uma pegadinha", é do tipo "estou escondendo algo".

Jax soltou uma risada curta e anasalada, revirando os olhos.

— Ah, pronto. Agora a novata virou psicóloga? — Ele saltou da cama, caminhando até ela com passos largos, parando a poucos centímetros de distância para tentar intimidá-la com sua altura. — É só frescura sua, baixinha. Eu estou ótimo. Na verdade, estava prestes a ir esconder as peças de xadrez do Kinger, então, se me der licença, deixe-me em paz.

Pomni não recuou. Pelo contrário, ela deu um passo à frente, estreitando os olhos. Ela sabia que precisava tocar em um ponto sensível se quisesse quebrar aquela máscara de porcelana.

— É sobre a Ribbit, não é? — perguntou ela, quase em um sussurro.

O efeito foi imediato. Jax paralisou. O sorriso presunçoso que ele sempre mantinha no rosto vacilou por um segundo antes de desaparecer completamente. Seus ombros ficaram tensos, e ele desviou o olhar para um canto obscuro do quarto. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de uma eletricidade desconfortável.

— Onde você ouviu esse nome? — a voz de Jax saiu baixa, desprovida de qualquer ironia.

— Eu vi umas anotações antigas... e ouvi o Ragatha mencionar algo uma vez, por acidente — mentiu Pomni parcialmente, aproximando-se mais. — Jax, quem era ela?

Jax soltou um suspiro longo, passando a mão pelas orelhas longas e caídas. Por um momento, ele pareceu muito menor do que realmente era.

— Ela era... uma amiga — começou ele, a voz falhando levemente. — Estava aqui muito antes de você chegar. Ela era uma rã de pelúcia, sempre otimista, sempre tentando achar uma saída. Uma idiota, basicamente.

Ele soltou uma risada amarga, mas seus olhos estavam fixos no chão.

— Nós fazíamos pegadinhas juntos. Ela era a única que conseguia me acompanhar. Mas este lugar... ele morde a sua mente aos poucos, Pomni. Um dia ela simplesmente não aguentou mais. As cores sumiram dos olhos dela e... ela abstraiu. Eu vi acontecer. Eu vi ela se transformar naquela massa de olhos e desespero.

Pomni sentiu um aperto no peito. Ela sabia o horror que era ver alguém perder a si mesmo naquele mundo digital. Sem pensar duas vezes, ela deu o passo final e envolveu Jax em um abraço apertado. Seus braços pequenos mal rodeavam a cintura do coelho, mas ela apertou com toda a força que tinha, oferecendo o calor e a empatia que ele tanto tentava rejeitar.

Jax ficou estático. Seus braços penderam ao lado do corpo, e ele parecia não saber como reagir a um contato físico que não fosse uma empurrada ou um tapa.

— O que você está fazendo? — murmurou ele, embora sua voz soasse embargada. — Isso é ridículo. Eu não preciso de consolo, Pomni.

— Precisa sim — rebateu ela contra o peito dele. — Todo mundo precisa. Você não está sozinho nisso, Jax.

Ela sentiu o corpo dele tremer levemente. Uma única lágrima solitária escorreu pelo rosto do coelho, brilhando sob a luz artificial do quarto. No entanto, o orgulho de Jax ainda falava alto. Ele colocou as mãos nos ombros de Pomni e, com uma força gentil, mas decidida, a afastou.

— Tá, tá legal, já deu de momento sentimental — disse ele, limpando o rosto rapidamente com as costas da luva amarela. — Eu estou bem. Sério. Foi só um momento de fraqueza. Agora volta para o seu quarto antes que eu decida trancar você no porão com os Gloinks.

Pomni deu um passo para trás, mas não saiu. Ela colocou as mãos nos quadris e inclinou a cabeça, exibindo um sorriso provocativo e fofo ao mesmo tempo, o tipo de expressão que ela sabia que deixava Jax desconfortável.

— Sabe, Jax, para alguém tão "durão", você fica bem fofinho quando está emocionado — provocou ela, piscando um dos olhos. — Suas orelhas até ficam mais caídas. É quase adorável.

Jax sentiu o rosto esquentar. Ele tentou recuperar sua postura debochada, mas a provocação de Pomni tinha um efeito estranho sobre ele. Ele não conseguia ficar bravo; ele apenas se sentia... exposto.

— Cale a boca, boba da corte — resmungou ele, desviando o olhar, as bochechas assumindo um tom levemente mais escuro de roxo. — Você não sabe do que está falando.

— Eu sei sim — disse Pomni, voltando a ficar séria, mas mantendo a doçura na voz. — Eu sei que você sente falta dela. E sei que você tem medo de se aproximar de qualquer outra pessoa e vê-la abstrair também. Mas eu não vou a lugar nenhum, Jax. Agora nós somos amigos. E amigos cuidam uns dos outros, mesmo que um deles seja um coelho irritante e sarcástico.

Jax olhou para ela, buscando qualquer sinal de falsidade ou zombaria em seu rosto. Ele encontrou apenas sinceridade. O peso que ele carregava nos ombros desde a partida de Ribbit pareceu diminuir, apenas um pouco, mas o suficiente para ele respirar.

— Amigos, hein? — ele repetiu, a palavra soando estranha em sua boca. — Você é persistente, eu te dou esse crédito.

Pomni sorriu, um sorriso largo que iluminou seu rosto de jester.

— Eu sou. Então se acostume.

Jax soltou uma risada, mas desta vez não foi curta ou amarga. Foi uma risada leve, quase inaudível. Ele olhou para Pomni e, pela primeira vez desde que ela havia chegado ao circo, ele sorriu. Não era o sorriso de dentes arreganhados que ele usava para intimidar ou zombar. Era um sorriso pequeno, genuíno e verdadeiro, que chegava até seus olhos.

— Tudo bem, Pomni. Você venceu. Mas se contar para o Gangle ou para o Kinger que eu chorei, eu juro que troco o seu travesseiro por um bloco de concreto.

— Combinado — riu Pomni, caminhando em direção à porta. — Mas só se você prometer que não vai se esconder no seu quarto toda vez que se sentir triste.

Jax voltou a se deitar na cama, recuperando um pouco de sua arrogância habitual, mas o brilho em seus olhos era diferente agora. Era mais vivo.

— Vou pensar no seu caso, baixinha. Agora suma daqui. Tenho planos de caos para organizar.

Pomni saiu do quarto, fechando a porta suavemente. Enquanto caminhava de volta pelo corredor, o tilintar de seus guizos parecia mais alegre. Ela sabia que o Circo Digital era um lugar cruel, mas, naquele momento, o mundo parecia um pouco menos cinza.

Dentro do quarto, Jax encarava o teto novamente. Ele levou a mão ao peito, onde o abraço de Pomni ainda parecia aquecer seu código digital. Pela primeira vez em muito tempo, ele não se sentia apenas um personagem preso em um jogo de pesadelo. Ele se sentia visto. E, embora nunca admitisse em voz alta, ele estava ansioso para a próxima vez que aquela boba da corte irritante decidisse invadir seu espaço.
Índice

¿Quieres crear tu propio fanfic?

Regístrate en Fanfy y crea tus propias historias.

Crear mi fanfic