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Sua âncora
Fandom: Teen wolf
Creado: 1/4/2026
Etiquetas
RomanceFantasíaMisterioDramaHumorAventuraAmbientación CanonDetectivescoDolor/ConsueloEstudio de Personaje
O Eco do Primeiro Olhar
O Jeep azul de Stiles Stilinski estacionou com um solavanco característico no pátio da Beacon Hills High School. Para Stiles, aquele era apenas mais um dia de sobrevivência em meio ao caos que se tornara sua vida desde que seu melhor amigo, Scott McCall, fora mordido por "alguma coisa" na floresta. Stiles desceu do carro, ajeitando a mochila sobre a camisa xadrez aberta, seus dedos tamborilando nervosamente contra a coxa — um hábito comum quando sua mente processava cinco pensamentos diferentes ao mesmo tempo.
— Scott, você tem que focar — Stiles dizia, gesticulando freneticamente enquanto caminhavam em direção à entrada. — Se for um lobisomem, e as evidências apontam 99,9% para isso, a lua cheia vai ser um problema. E quando eu digo problema, quero dizer que você pode tentar comer o braço da Allison durante o encontro.
Scott, que parecia mais preocupado em procurar Allison Argent na multidão, suspirou.
— Stiles, eu só quero passar pela aula de inglês sem rosnar para o professor.
— Prioridades, Scott! — Stiles rebateu, revirando os olhos castanhos e expressivos. — Mas tudo bem, eu sou o cérebro, você é o... o projeto de canino. Vamos logo.
Enquanto isso, cruzando os portões da escola com uma postura que misturava elegância e uma melancolia profunda, estava Angel. Com seus longos cabelos castanhos caindo sobre os ombros e olhos que carregavam o peso de uma perda recente, ela se sentia como uma intrusa em um cenário de filme adolescente. Fazia seis meses que sua mãe morrera, deixando para trás apenas perguntas e um nome sussurrado: Beacon Hills. Angel sabia que seu pai estava ali. Ela sentia isso no sangue, uma vibração que sua natureza híbrida — parte bruxa, parte vampira — captava como um rádio sintonizando uma estação distante.
Ela caminhou pelos corredores, ignorando os olhares curiosos. Angel era irônica por defesa; o sarcasmo era a armadura que protegia a ferida aberta da solidão. Quando encontrou a sala de aula de inglês, respirou fundo e entrou.
O professor indicou uma mesa vazia. Por coincidência — ou talvez pelo destino que costuma brincar com os moradores daquela cidade —, a mesa ficava exatamente atrás de um garoto magro, de cabelo arrepiado e mãos inquietas que não paravam de girar uma caneta.
Stiles estava distraído, rabiscando o canto do caderno, quando sentiu um perfume diferente. Não era o perfume floral doce de Lydia Martin, que ele conhecia de cor. Era algo mais profundo, como floresta depois da chuva e um toque metálico, quase elétrico. Ele se virou para trás, pronto para fazer algum comentário sarcástico sobre o espaço pessoal, mas as palavras morreram em sua garganta.
Angel estava sentando-se, e quando seus olhos castanhos encontraram os dele, o mundo pareceu desacelerar. Para Angel, foi como se um choque percorresse sua espinha. Ela esperava encontrar mistério e perigo em Beacon Hills, mas não esperava ser atingida pela visão de um garoto desengonçado, com olheiras leves e um olhar que parecia enxergar através de todas as suas barreiras.
— Oi — Stiles conseguiu dizer, sua voz falhando levemente. Ele pigarreou, tentando recuperar a compostura. — Eu sou o Stiles. É um nome, quer dizer, é um apelido, porque meu nome real é uma ofensa à fonética humana. Você é nova? Obviamente é nova, eu conheço cada rosto aqui, inclusive os dos zeladores.
Angel arqueou uma sobrancelha, um sorriso irônico brincando nos lábios finos.
— Você sempre fala tanto assim ou eu apenas dei sorte no meu primeiro dia? — perguntou ela, a voz suave, mas carregada de um tom provocador.
Stiles sentiu suas orelhas esquentarem.
— Geralmente eu falo mais quando estou nervoso. Ou animado. Ou respirando. — Ele deu um sorriso torto, aquele sorriso nervoso que costumava afastar as pessoas, mas que Angel achou estranhamente cativante.
— Sou Angel — disse ela, abrindo o caderno. — E sim, sou nova. Acabei de me mudar.
— De onde? — Stiles se inclinou para frente, a curiosidade brilhando em seus olhos castanhos. — E por que Beacon Hills? Não me entenda mal, é uma cidade ótima se você gosta de árvores e... bem, mais árvores. Mas não é exatamente o centro do universo.
— Procuro alguém — respondeu Angel, sua expressão ficando momentaneamente séria. — Meu pai.
Stiles sentiu uma pontada de empatia. Ele sabia o que era ter buracos na família. O xerife Stilinski era seu mundo, mas a ausência de sua mãe era uma sombra constante.
— Bom, se ele estiver na cidade, eu provavelmente sei quem é — Stiles afirmou com uma confiança renovada. — Meu pai é o xerife. Eu tenho acesso a... digamos, arquivos. Que eu não deveria ter. Mas eu tenho.
Angel soltou uma risada curta e genuína, o que fez o coração de Stiles dar um salto estranho, algo que ele sempre achou que era exclusividade de quando Lydia Martin passava por ele.
— Um detetive amador e filho da lei. Interessante — comentou Angel.
A aula começou, mas Stiles mal conseguia focar em Shakespeare. Ele sentia a presença de Angel atrás dele como se fosse um campo magnético. Ele arriscava olhares por cima do ombro a cada cinco minutos, fingindo que estava apenas esticando o pescoço.
No intervalo, Scott puxou Stiles pelo braço perto dos armários.
— Cara, quem era aquela garota? — perguntou Scott, seus sentidos de lobisomem captando algo incomum. — Ela tem um cheiro... diferente. Não é humano, Stiles. Mas também não é como o meu.
Stiles balançou a cabeça, descartando a preocupação do amigo com um gesto de mão.
— Scott, ela é incrível. E ela falou comigo. Tipo, uma conversa real, com frases completas e sem me olhar como se eu fosse um surto psicótico.
— Stiles, foca! — Scott sussurrou, olhando ao redor. — Ela pode ser perigosa. Derek disse que há outros por aí.
— O Derek é um maníaco deprimido que mora em uma casa queimada, Scott. Nem tudo é um monstro querendo nos matar — Stiles retrucou, embora uma parte de sua mente estratégica já estivesse processando a informação. — Ela disse que está procurando o pai. Talvez ela seja apenas... especial.
Enquanto isso, Angel caminhava pelo campo de lacrosse, sentindo o sol de Beacon Hills em sua pele. Ela parou perto da arquibancada quando viu um homem de pé, à sombra das árvores próximas à floresta. Ele tinha cabelos escuros, uma postura impecável e olhos que pareciam guardar segredos milenares. Era Peter Hale.
Angel sentiu um aperto no peito. O sangue dela ferveu, uma reação instintiva à proximidade de alguém com o mesmo DNA. Mas antes que pudesse se aproximar, ele desapareceu entre as sombras como um fantasma.
— Ei! — A voz de Stiles a trouxe de volta à realidade. Ele vinha correndo em sua direção, quase tropeçando nos próprios pés. — Angel! Você quer... quer dizer, o Scott e eu vamos comer alguma coisa depois do treino. Quer vir com a gente? A Allison também vai. Ela é legal, não morde. Ao contrário de alguns membros do grupo que estão em fase de adaptação.
Angel olhou para Stiles. Ele parecia tão genuíno, tão ansioso para que ela dissesse sim, que a armadura de ironia dela vacilou.
— Stiles, você está me convidando para um encontro duplo disfarçado de lanche? — perguntou ela, cruzando os braços.
— O quê? Não! — Stiles começou a gesticular. — Bom, talvez? É mais uma integração sociocultural para alunos novos que podem ou não estar procurando pais desaparecidos e que precisam de um guia turístico que saiba onde servem as melhores batatas fritas da Califórnia.
Angel sorriu. Pela primeira vez em seis meses, ela não sentiu apenas a dor da perda.
— Tudo bem, Stilinski. Eu aceito. Mas se você começar a falar sobre teorias da conspiração, eu vou embora.
— Fechado! — Stiles exclamou, vitorioso. — Embora eu deva avisar que minhas teorias costumam estar certas.
Ao longe, Lydia Martin passava com seu grupo, o cabelo ruivo brilhando ao sol. Stiles olhou para ela por um segundo, o hábito de anos de paixão platônica agindo por reflexo. Mas então, ele voltou o olhar para Angel. Havia algo na garota nova, uma intensidade que o desafiava, uma inteligência que rivalizava com a dele, e uma vulnerabilidade que o fazia querer protegê-la de tudo.
Pela primeira vez em muito tempo, Stiles não sentiu o frio da indiferença de Lydia. Ele sentiu o calor do interesse de Angel.
Enquanto isso, na delegacia, o Xerife Noah Stilinski analisava um arquivo antigo sobre o incêndio na mansão Hale. Ele suspirou, esfregando os olhos cansados. Ele não sabia que a chegada de uma jovem híbrida e a curiosidade insaciável de seu filho estavam prestes a abrir feridas que a cidade tentara esquecer.
No final da tarde, o grupo se reuniu no estacionamento. Scott e Allison conversavam em voz baixa, o clima de romance adolescente evidente. Stiles estava encostado em seu Jeep, esperando por Angel. Quando ela apareceu, trocando a mochila de ombro, ele sentiu aquela ansiedade familiar, mas dessa vez era diferente. Não era o medo de ser rejeitado, era a antecipação de descobrir quem ela realmente era.
— Pronta para as melhores batatas fritas da sua vida? — perguntou Stiles, abrindo a porta do passageiro para ela.
— Estou pronta para ver se você é tão bom guia quanto é falante — rebateu Angel, entrando no carro.
— Oh, você não viu nada ainda — Stiles murmurou para si mesmo, fechando a porta com um sorriso bobo no rosto.
Ele deu a volta, pulou no banco do motorista e ligou o motor barulhento do Jeep. Enquanto saíam do estacionamento, Stiles não percebeu, mas no banco de trás da floresta, um par de olhos azuis gélidos os observava. Peter Hale sabia que sua filha estava na cidade. E ele sabia que o filho do xerife seria a chave — ou o obstáculo — para seus planos.
— Stiles? — Angel chamou, enquanto ele dirigia.
— Sim?
— Obrigada. Por me notar.
Stiles olhou para ela por um breve segundo, a expressão suavizando, as sobrancelhas grossas se arqueando em um gesto de carinho inesperado.
— Seria impossível não notar você, Angel.
A jornada em Beacon Hills estava apenas começando. Entre lobisomens, caçadores e segredos de família, Stiles e Angel haviam acabado de encontrar algo que nenhum deles esperava: um motivo para não enfrentarem a escuridão sozinhos. E Stiles, pela primeira vez, sentia que o sarcasmo não era mais sua única arma. Agora, ele tinha algo pelo qual lutar. E ele lutaria com tudo o que tinha, mesmo sendo apenas um humano magro em um mundo de monstros.
— Scott, você tem que focar — Stiles dizia, gesticulando freneticamente enquanto caminhavam em direção à entrada. — Se for um lobisomem, e as evidências apontam 99,9% para isso, a lua cheia vai ser um problema. E quando eu digo problema, quero dizer que você pode tentar comer o braço da Allison durante o encontro.
Scott, que parecia mais preocupado em procurar Allison Argent na multidão, suspirou.
— Stiles, eu só quero passar pela aula de inglês sem rosnar para o professor.
— Prioridades, Scott! — Stiles rebateu, revirando os olhos castanhos e expressivos. — Mas tudo bem, eu sou o cérebro, você é o... o projeto de canino. Vamos logo.
Enquanto isso, cruzando os portões da escola com uma postura que misturava elegância e uma melancolia profunda, estava Angel. Com seus longos cabelos castanhos caindo sobre os ombros e olhos que carregavam o peso de uma perda recente, ela se sentia como uma intrusa em um cenário de filme adolescente. Fazia seis meses que sua mãe morrera, deixando para trás apenas perguntas e um nome sussurrado: Beacon Hills. Angel sabia que seu pai estava ali. Ela sentia isso no sangue, uma vibração que sua natureza híbrida — parte bruxa, parte vampira — captava como um rádio sintonizando uma estação distante.
Ela caminhou pelos corredores, ignorando os olhares curiosos. Angel era irônica por defesa; o sarcasmo era a armadura que protegia a ferida aberta da solidão. Quando encontrou a sala de aula de inglês, respirou fundo e entrou.
O professor indicou uma mesa vazia. Por coincidência — ou talvez pelo destino que costuma brincar com os moradores daquela cidade —, a mesa ficava exatamente atrás de um garoto magro, de cabelo arrepiado e mãos inquietas que não paravam de girar uma caneta.
Stiles estava distraído, rabiscando o canto do caderno, quando sentiu um perfume diferente. Não era o perfume floral doce de Lydia Martin, que ele conhecia de cor. Era algo mais profundo, como floresta depois da chuva e um toque metálico, quase elétrico. Ele se virou para trás, pronto para fazer algum comentário sarcástico sobre o espaço pessoal, mas as palavras morreram em sua garganta.
Angel estava sentando-se, e quando seus olhos castanhos encontraram os dele, o mundo pareceu desacelerar. Para Angel, foi como se um choque percorresse sua espinha. Ela esperava encontrar mistério e perigo em Beacon Hills, mas não esperava ser atingida pela visão de um garoto desengonçado, com olheiras leves e um olhar que parecia enxergar através de todas as suas barreiras.
— Oi — Stiles conseguiu dizer, sua voz falhando levemente. Ele pigarreou, tentando recuperar a compostura. — Eu sou o Stiles. É um nome, quer dizer, é um apelido, porque meu nome real é uma ofensa à fonética humana. Você é nova? Obviamente é nova, eu conheço cada rosto aqui, inclusive os dos zeladores.
Angel arqueou uma sobrancelha, um sorriso irônico brincando nos lábios finos.
— Você sempre fala tanto assim ou eu apenas dei sorte no meu primeiro dia? — perguntou ela, a voz suave, mas carregada de um tom provocador.
Stiles sentiu suas orelhas esquentarem.
— Geralmente eu falo mais quando estou nervoso. Ou animado. Ou respirando. — Ele deu um sorriso torto, aquele sorriso nervoso que costumava afastar as pessoas, mas que Angel achou estranhamente cativante.
— Sou Angel — disse ela, abrindo o caderno. — E sim, sou nova. Acabei de me mudar.
— De onde? — Stiles se inclinou para frente, a curiosidade brilhando em seus olhos castanhos. — E por que Beacon Hills? Não me entenda mal, é uma cidade ótima se você gosta de árvores e... bem, mais árvores. Mas não é exatamente o centro do universo.
— Procuro alguém — respondeu Angel, sua expressão ficando momentaneamente séria. — Meu pai.
Stiles sentiu uma pontada de empatia. Ele sabia o que era ter buracos na família. O xerife Stilinski era seu mundo, mas a ausência de sua mãe era uma sombra constante.
— Bom, se ele estiver na cidade, eu provavelmente sei quem é — Stiles afirmou com uma confiança renovada. — Meu pai é o xerife. Eu tenho acesso a... digamos, arquivos. Que eu não deveria ter. Mas eu tenho.
Angel soltou uma risada curta e genuína, o que fez o coração de Stiles dar um salto estranho, algo que ele sempre achou que era exclusividade de quando Lydia Martin passava por ele.
— Um detetive amador e filho da lei. Interessante — comentou Angel.
A aula começou, mas Stiles mal conseguia focar em Shakespeare. Ele sentia a presença de Angel atrás dele como se fosse um campo magnético. Ele arriscava olhares por cima do ombro a cada cinco minutos, fingindo que estava apenas esticando o pescoço.
No intervalo, Scott puxou Stiles pelo braço perto dos armários.
— Cara, quem era aquela garota? — perguntou Scott, seus sentidos de lobisomem captando algo incomum. — Ela tem um cheiro... diferente. Não é humano, Stiles. Mas também não é como o meu.
Stiles balançou a cabeça, descartando a preocupação do amigo com um gesto de mão.
— Scott, ela é incrível. E ela falou comigo. Tipo, uma conversa real, com frases completas e sem me olhar como se eu fosse um surto psicótico.
— Stiles, foca! — Scott sussurrou, olhando ao redor. — Ela pode ser perigosa. Derek disse que há outros por aí.
— O Derek é um maníaco deprimido que mora em uma casa queimada, Scott. Nem tudo é um monstro querendo nos matar — Stiles retrucou, embora uma parte de sua mente estratégica já estivesse processando a informação. — Ela disse que está procurando o pai. Talvez ela seja apenas... especial.
Enquanto isso, Angel caminhava pelo campo de lacrosse, sentindo o sol de Beacon Hills em sua pele. Ela parou perto da arquibancada quando viu um homem de pé, à sombra das árvores próximas à floresta. Ele tinha cabelos escuros, uma postura impecável e olhos que pareciam guardar segredos milenares. Era Peter Hale.
Angel sentiu um aperto no peito. O sangue dela ferveu, uma reação instintiva à proximidade de alguém com o mesmo DNA. Mas antes que pudesse se aproximar, ele desapareceu entre as sombras como um fantasma.
— Ei! — A voz de Stiles a trouxe de volta à realidade. Ele vinha correndo em sua direção, quase tropeçando nos próprios pés. — Angel! Você quer... quer dizer, o Scott e eu vamos comer alguma coisa depois do treino. Quer vir com a gente? A Allison também vai. Ela é legal, não morde. Ao contrário de alguns membros do grupo que estão em fase de adaptação.
Angel olhou para Stiles. Ele parecia tão genuíno, tão ansioso para que ela dissesse sim, que a armadura de ironia dela vacilou.
— Stiles, você está me convidando para um encontro duplo disfarçado de lanche? — perguntou ela, cruzando os braços.
— O quê? Não! — Stiles começou a gesticular. — Bom, talvez? É mais uma integração sociocultural para alunos novos que podem ou não estar procurando pais desaparecidos e que precisam de um guia turístico que saiba onde servem as melhores batatas fritas da Califórnia.
Angel sorriu. Pela primeira vez em seis meses, ela não sentiu apenas a dor da perda.
— Tudo bem, Stilinski. Eu aceito. Mas se você começar a falar sobre teorias da conspiração, eu vou embora.
— Fechado! — Stiles exclamou, vitorioso. — Embora eu deva avisar que minhas teorias costumam estar certas.
Ao longe, Lydia Martin passava com seu grupo, o cabelo ruivo brilhando ao sol. Stiles olhou para ela por um segundo, o hábito de anos de paixão platônica agindo por reflexo. Mas então, ele voltou o olhar para Angel. Havia algo na garota nova, uma intensidade que o desafiava, uma inteligência que rivalizava com a dele, e uma vulnerabilidade que o fazia querer protegê-la de tudo.
Pela primeira vez em muito tempo, Stiles não sentiu o frio da indiferença de Lydia. Ele sentiu o calor do interesse de Angel.
Enquanto isso, na delegacia, o Xerife Noah Stilinski analisava um arquivo antigo sobre o incêndio na mansão Hale. Ele suspirou, esfregando os olhos cansados. Ele não sabia que a chegada de uma jovem híbrida e a curiosidade insaciável de seu filho estavam prestes a abrir feridas que a cidade tentara esquecer.
No final da tarde, o grupo se reuniu no estacionamento. Scott e Allison conversavam em voz baixa, o clima de romance adolescente evidente. Stiles estava encostado em seu Jeep, esperando por Angel. Quando ela apareceu, trocando a mochila de ombro, ele sentiu aquela ansiedade familiar, mas dessa vez era diferente. Não era o medo de ser rejeitado, era a antecipação de descobrir quem ela realmente era.
— Pronta para as melhores batatas fritas da sua vida? — perguntou Stiles, abrindo a porta do passageiro para ela.
— Estou pronta para ver se você é tão bom guia quanto é falante — rebateu Angel, entrando no carro.
— Oh, você não viu nada ainda — Stiles murmurou para si mesmo, fechando a porta com um sorriso bobo no rosto.
Ele deu a volta, pulou no banco do motorista e ligou o motor barulhento do Jeep. Enquanto saíam do estacionamento, Stiles não percebeu, mas no banco de trás da floresta, um par de olhos azuis gélidos os observava. Peter Hale sabia que sua filha estava na cidade. E ele sabia que o filho do xerife seria a chave — ou o obstáculo — para seus planos.
— Stiles? — Angel chamou, enquanto ele dirigia.
— Sim?
— Obrigada. Por me notar.
Stiles olhou para ela por um breve segundo, a expressão suavizando, as sobrancelhas grossas se arqueando em um gesto de carinho inesperado.
— Seria impossível não notar você, Angel.
A jornada em Beacon Hills estava apenas começando. Entre lobisomens, caçadores e segredos de família, Stiles e Angel haviam acabado de encontrar algo que nenhum deles esperava: um motivo para não enfrentarem a escuridão sozinhos. E Stiles, pela primeira vez, sentia que o sarcasmo não era mais sua única arma. Agora, ele tinha algo pelo qual lutar. E ele lutaria com tudo o que tinha, mesmo sendo apenas um humano magro em um mundo de monstros.
