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Sua âncora
Fandom: Teen Wolf
Creado: 1/4/2026
Etiquetas
FantasíaMisterioRomanceDramaUA (Universo Alternativo)Dolor/ConsueloAcciónEstudio de PersonajeDivergencia
O Olhar do Lobo e o Caos da Curiosidade
A placa de "Bem-vindo a Beacon Hills" parecia mais uma advertência do que uma saudação. Angel estacionou seu Mustang antigo no acostamento, sentindo o ar úmido da floresta penetrar em seus pulmões. Havia algo naquela cidade. Uma vibração estática que pinicava sua pele, fazendo os pelos de seus braços se arrepiarem. Era um cheiro de terra molhada, sangue antigo e… família.
Ela ajustou a jaqueta de couro sobre a camiseta branca básica, conferindo o reflexo no retrovisor. Os olhos castanhos escuros estavam profundos, carregados de uma exaustão que seis meses de luto e busca não haviam conseguido apagar.
— Certo, Peter Hale — murmurou para si mesma, a voz rouca e firme. — Vamos ver se você vale o esforço de ter cruzado três estados.
Angel não sabia muito sobre o pai, exceto o nome que sua mãe sussurrara antes de partir e o fato de que a linhagem Hale era sinônimo de tragédia naquela região. Ela ligou o motor e seguiu em direção ao centro da cidade. Ela não precisava de um mapa; seus instintos, aguçados pela herança de lobisomem que ainda tentava compreender plenamente, a guiavam como uma bússola invisível.
No dia seguinte, o sol de Beacon Hills surgiu pálido. Angel decidiu que o melhor lugar para começar a colher informações seria a escola local. Se os Hale eram uma família influente, alguém ali saberia de algo.
Ela caminhou pelo estacionamento da Beacon Hills High School com uma confiança que fazia as cabeças girarem. Seus cabelos castanhos ondulados balançavam suavemente abaixo dos ombros, e o jeans escuro moldava sua figura esguia. Ela não sorria, mas seu olhar observador capturava cada detalhe: o nervosismo dos calouros, a arrogância dos atletas e, principalmente, dois garotos parados perto de um jipe azul caindo aos pedaços.
Um deles, de queixo levemente torto e olhar assustado, parecia estar tendo um colapso nervoso silencioso. O outro, mais magro, com o rosto salpicado de sardas e olhos que não paravam quietos, gesticulava freneticamente.
Angel sentiu um puxão magnético. Não era apenas a magia de bruxa latente em seu sangue, ou o instinto da loba. Era algo mais… humano. E muito intenso.
Ela caminhou em direção a eles, reduzindo o passo propositalmente.
— Eu estou te falando, Scott! — o garoto das sardas exclamava, a voz subindo uma oitava. — Lobos não saem por aí mordendo pessoas no meio da noite a menos que seja um filme de terror dos anos 80. E você não é o Michael J. Fox!
— Stiles, olha o meu lado! — o chamado Scott retrucou, parecendo genuinamente em pânico. — Eu ouvi coisas. Eu senti coisas. E a ferida sumiu!
Angel parou a poucos centímetros deles. O cheiro de Scott era estranho — cheirava a transformação recente, a sangue fresco e a um poder que ele ainda não entendia. Mas o cheiro de Stiles… Stiles cheirava a café, ansiedade e algo doce que a fez querer se aproximar mais.
— Com licença — disse Angel, interrompendo a discussão.
Stiles parou de falar tão abruptamente que quase engasgou com a própria saliva. Ele se virou, e seus olhos castanhos se arregalaram ao encontrar o olhar intenso e provocador da garota à sua frente.
— Eu… ah… oi? — Stiles gaguejou, a mão subindo mecanicamente para a nuca. — Posso… podemos… Scott, ela está falando com a gente?
Angel deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal de Stiles. Ela era um pouco mais baixa, o que a obrigava a olhar para cima, mas sua presença era tão dominante que Stiles parecia estar diminuindo de tamanho sob seu escrutínio.
— Você fala bastante, não é? — Angel comentou, um sorriso de canto, puramente irônico, surgindo em seus lábios rosados. — Eu ouvi algo sobre lobos. É um hobby local ou vocês só são obcecados por zoologia?
Stiles abriu e fechou a boca várias vezes, como um peixe fora d'água. Ele nunca tinha visto ninguém como ela. Ela tinha uma beleza que parecia perigosa, como uma faca de seda.
— Zoologia! Sim, exatamente. Somos grandes fãs de… canídeos. É um projeto escolar. Muito importante. Ciência e tal — Stiles disparou as palavras com a velocidade de uma metralhadora, os olhos fixos nos dela, mas desviando logo em seguida, nervoso.
Angel riu baixo, um som gutural que fez o estômago de Stiles dar voltas. Ela estendeu a mão e tocou levemente o braço dele, sentindo o calor da pele através da camisa xadrez. Stiles deu um pequeno pulo, mas não se afastou.
— Eu sou Angel — apresentou-se, mantendo o contato visual. — E você parece o tipo de pessoa que sabe onde tudo acontece nesta cidade.
— Eu sou o Stiles — ele respondeu, a voz falhando levemente. — E este é o Scott. Ele é o meu melhor amigo e, no momento, o cara que mais precisa de um médico ou de um exorcista.
Scott, que observava a interação com uma mistura de confusão e cautela, pigarreou.
— Você é nova aqui? — perguntou Scott.
Angel desviou o olhar para ele por um segundo. Seus olhos brilharam por um milésimo de segundo — um reflexo dourado quase imperceptível para um humano, mas que fez os instintos de Scott entrarem em alerta máximo.
— Sou. Estou procurando por alguém. Um homem chamado Peter Hale.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Stiles perdeu um pouco da cor no rosto, e Scott recuou um passo.
— Peter Hale? — Stiles repetiu, o sarcasmo dando lugar a uma preocupação genuína. — Por que alguém em sã consciência procuraria o Peter? Ele é… bem, ele está em um estado vegetativo no hospital de longa permanência. O incêndio na casa dos Hale… você conhece a história?
Angel sentiu um aperto no peito. *Estado vegetativo?* Aquilo não estava nos planos. Sua magia oscilou, uma pequena faísca de energia estática estalando entre seus dedos, mas ela rapidamente fechou a mão em um punho.
— Sou família — disse ela, a voz subitamente fria, a máscara de sarcasmo retornando para proteger sua vulnerabilidade. — Ou o que sobrou dela.
Stiles sentiu uma onda de eletricidade percorrer seu corpo. Não era apenas a menção aos Hale, era a forma como Angel o olhava. Era predatório, mas também havia uma solidão profunda ali que ele reconheceu instantaneamente.
— Olha, o Peter… ele não é exatamente o tipo de parente que você convida para o Natal — Stiles disse, tentando recuperar o fôlego. — Mas se você quiser, eu posso te levar lá depois da aula. No meu jipe. Ele é velho, faz barulhos estranhos e provavelmente é uma armadilha mortal, mas é gratuito.
Angel inclinou a cabeça para o lado, observando Stiles de cima a baixo. O nervosismo dele era adorável, mas a inteligência por trás daqueles olhos inquietos era o que realmente a atraía. Ela deu mais um passo, forçando Stiles a encostar no jipe.
— Você está me oferecendo uma carona, Stiles? — ela perguntou, a voz baixa e provocadora, aproximando o rosto do dele. — Mal nos conhecemos e você já quer me levar para passear em um carro caindo aos pedaços?
Stiles sentiu o cheiro do perfume dela — algo como baunilha e tempestade. O coração dele martelava tão forte contra as costelas que ele tinha certeza de que Scott, com sua nova audição estranha, podia ouvir.
— É… bem… é uma oferta de hospitalidade local! — Stiles exclamou, as mãos gesticulando no ar. — Eu sou um guia turístico não oficial. É o meu dever cívico.
Angel sorriu, um sorriso que não chegou aos olhos, mas que fez Stiles perder o fio da meada completamente.
— Vejo você na saída, então — disse ela, dando um tapinha leve no peito dele antes de se afastar. — Não se atrase. Eu odeio esperar.
Ela caminhou em direção à entrada da escola, sentindo os olhares de ambos queimando em suas costas.
— Scott — sussurrou Stiles, sem desviar os olhos de Angel. — Por favor, me diga que você sentiu isso também.
— O quê? O fato de ela ser assustadora e provavelmente perigosa? — Scott perguntou, ainda processando o encontro.
— Não — Stiles suspirou, uma expressão de puro transe no rosto. — O fato de que eu acho que acabei de encontrar a garota que vai me destruir e eu estou totalmente de acordo com isso.
— Stiles, ela disse que é uma Hale — Scott lembrou, a voz séria. — Se ela é uma Hale, e eu fui mordido por alguma coisa na floresta ontem à noite perto da casa deles… isso não pode ser coincidência.
— Nada em Beacon Hills é coincidência, Scott. Mas olhe para ela! Ela é como uma Elena Gilbert que poderia te matar com um olhar e depois fazer uma piada sobre isso.
Enquanto isso, Angel caminhava pelos corredores, ignorando os sussurros. Sua mente estava no hospital. Peter Hale. Seu pai. O homem que, segundo sua mãe, era a chave para entender por que ela às vezes sentia que o fogo corria em suas veias e por que a lua parecia chamá-la pelo nome.
As aulas passaram como um borrão de tédio. Angel se destacava sem esforço, respondendo às perguntas dos professores com um desdém inteligente que os deixava sem palavras. No intervalo, ela se viu cercada pela elite da escola.
— Então, você é a garota nova? — Uma voz arrogante interrompeu seus pensamentos.
Angel levantou os olhos do livro para encontrar um rapaz loiro, atlético, que exalava uma autoconfiança irritante. Jackson Whittemore.
— E você deve ser o capitão do time que acha que o mundo gira em torno da sua bola de lacrosse — Angel respondeu, sem nem piscar.
Jackson travou, o sorriso de lado desaparecendo. Lydia Martin, ao lado dele, arqueou uma sobrancelha, visivelmente impressionada.
— Eu gostei dela — comentou Lydia, analisando o estilo de Angel com um olhar clínico. — Jaqueta de couro autêntica. Atitude de quem não aceita lixo de ninguém. Jackson, você finalmente encontrou alguém que não se impressiona com seu carro.
— Eu não ligo para quem ela é — Jackson rosnou, aproximando-se de Angel. — Só quero saber o que uma Hale está fazendo de volta na cidade. As pessoas aqui têm memórias longas, novata.
Angel fechou o livro com um estrondo seco. Ela se levantou, e por um momento, o ar ao redor deles pareceu esfriar. Seus olhos castanhos brilharam com uma intensidade fria que fez Jackson vacilar.
— Se sua memória é tão boa, você deve se lembrar que os Hale não costumam ser interrompidos quando estão lendo — disse ela, a voz baixa e perigosa. — Agora, saia da minha frente antes que eu decida que você é um problema que eu preciso resolver.
Jackson abriu a boca para retrucar, mas algo no olhar de Angel — algo selvagem e incontrolável — o fez parar. Ele bufou e se afastou, levando Lydia consigo, que lançou um último olhar curioso para Angel.
Ao final do dia, Stiles estava esperando ao lado do jipe, parecendo mais nervoso do que nunca. Scott estava lá também, mas parecia distraído, os olhos fixos na floresta ao longe.
— Pronta para a turnê pelos pontos turísticos mais deprimentes de Beacon Hills? — Stiles perguntou quando viu Angel se aproximar.
— Leve-me ao meu pai, Stiles — pediu ela, a voz perdendo um pouco da ironia.
O trajeto até o hospital foi preenchido pelo falatório incessante de Stiles, uma tática óbvia para esconder seu desconforto. Ele falava sobre a escola, sobre o xerife — seu pai — e sobre como a cidade era estranhamente propensa a incidentes com animais.
Angel apenas o observava. Ela gostava da maneira como as mãos dele se moviam no volante, e de como ele parecia genuinamente preocupado em deixá-la confortável, apesar de estar morrendo de medo dela.
— Você está fazendo de novo — disse Angel, interrompendo um monólogo sobre a economia local.
— Fazendo o quê? — Stiles perguntou, olhando para ela rapidamente.
— Falando para não pensar. Você está nervoso porque quer me impressionar ou porque acha que eu vou te morder?
Stiles engoliu em seco, parando o jipe no estacionamento do hospital. Ele se virou para ela, o rosto a poucos centímetros do dela.
— Um pouco dos dois? — admitiu ele, a honestidade desarmando a provocação de Angel. — Você é… intensa, Angel. E eu não sou muito bom com "intensa". Eu sou mais o tipo "pânico sarcástico".
Angel sorriu, e desta vez foi um sorriso real, pequeno e quase doce. Ela estendeu a mão e tocou o rosto de Stiles, o polegar acariciando levemente a mandíbula dele. O toque foi como um choque para ambos. Para Angel, foi uma âncora; para Stiles, foi o fim do mundo como ele o conhecia.
— Eu gosto de pânico sarcástico — sussurrou ela. — É melhor do que a arrogância vazia.
Eles entraram no hospital em silêncio. O cheiro de antisséptico e morte iminente era sufocante para os sentidos de Angel. Quando chegaram ao quarto de Peter Hale, ela parou na porta.
Lá estava ele. O homem das fotos, mas desfigurado por cicatrizes e preso a máquinas. O grande Alpha, o lobo que deveria ser sua origem, reduzido a uma casca.
Angel caminhou até a beira da cama. Ela ignorou a presença de Stiles e Scott na porta e colocou a mão sobre a de Peter. No momento em que suas peles se tocaram, algo aconteceu.
Uma onda de energia negra e dourada disparou do corpo de Angel, fazendo as luzes do quarto piscarem violentamente. Stiles deu um grito abafado, e Scott sentiu suas presas começarem a descer involuntariamente.
Dentro da mente de Angel, imagens passavam como um filme quebrado: fogo, gritos, um lobo de olhos vermelhos e uma sede de vingança que não pertencia a ela.
— Pai? — ela sussurrou, as lágrimas finalmente vencendo a barreira de sua frieza.
Os dedos de Peter Hale tiveram um espasmo mínimo. Quase imperceptível para um humano, mas Angel sentiu. Ele estava lá. Preso, mas consciente. E ele sabia que ela estava ali.
— Ele sentiu você — Scott disse, aproximando-se com cautela. — Angel, o que você é?
Angel se virou, os olhos mudando do castanho para um dourado brilhante, enquanto pequenas faíscas de magia dançavam ao redor de seus ombros.
— Eu sou o que acontece quando um monstro encontra uma bruxa — respondeu ela, a voz carregada de uma nova determinação. — E eu acho que Beacon Hills não está pronta para o que vem a seguir.
Stiles, apesar do medo, deu um passo à frente, ficando ao lado dela.
— Bem — disse ele, tentando aliviar a tensão, embora sua voz tremesse. — O Scott é um lobisomem iniciante, você é uma… bruxa-loba-híbrida, e eu tenho um taco de beisebol no jipe. Acho que estamos no lucro.
Angel olhou para Stiles e, pela primeira vez em seis meses, sentiu que não estava mais sozinha. Ela se aproximou dele, encostando o ombro no dele, buscando o calor humano que ele oferecia tão livremente.
— Você é um idiota, Stiles Stilinski — ela disse, mas o tom era de afeição.
— É o que todos dizem — ele sorriu, um sorriso torto que fez o coração de Angel falhar uma batida. — Mas sou o idiota que vai te ajudar a descobrir o que está acontecendo. Quer dizer, se você não me transformar em um sapo ou me devorar primeiro.
— Vou pensar no seu caso — provocou ela, voltando a ser a loba que o deixava sem fôlego.
Do lado de fora do hospital, as sombras de Beacon Hills pareciam se alongar. O jogo havia começado. Peter Hale tinha uma filha, Scott McCall tinha um segredo, e Stiles Stilinski… bem, Stiles tinha um problema muito bonito e perigoso para resolver. E, pela primeira vez, ele não queria estar em nenhum outro lugar.
Ela ajustou a jaqueta de couro sobre a camiseta branca básica, conferindo o reflexo no retrovisor. Os olhos castanhos escuros estavam profundos, carregados de uma exaustão que seis meses de luto e busca não haviam conseguido apagar.
— Certo, Peter Hale — murmurou para si mesma, a voz rouca e firme. — Vamos ver se você vale o esforço de ter cruzado três estados.
Angel não sabia muito sobre o pai, exceto o nome que sua mãe sussurrara antes de partir e o fato de que a linhagem Hale era sinônimo de tragédia naquela região. Ela ligou o motor e seguiu em direção ao centro da cidade. Ela não precisava de um mapa; seus instintos, aguçados pela herança de lobisomem que ainda tentava compreender plenamente, a guiavam como uma bússola invisível.
No dia seguinte, o sol de Beacon Hills surgiu pálido. Angel decidiu que o melhor lugar para começar a colher informações seria a escola local. Se os Hale eram uma família influente, alguém ali saberia de algo.
Ela caminhou pelo estacionamento da Beacon Hills High School com uma confiança que fazia as cabeças girarem. Seus cabelos castanhos ondulados balançavam suavemente abaixo dos ombros, e o jeans escuro moldava sua figura esguia. Ela não sorria, mas seu olhar observador capturava cada detalhe: o nervosismo dos calouros, a arrogância dos atletas e, principalmente, dois garotos parados perto de um jipe azul caindo aos pedaços.
Um deles, de queixo levemente torto e olhar assustado, parecia estar tendo um colapso nervoso silencioso. O outro, mais magro, com o rosto salpicado de sardas e olhos que não paravam quietos, gesticulava freneticamente.
Angel sentiu um puxão magnético. Não era apenas a magia de bruxa latente em seu sangue, ou o instinto da loba. Era algo mais… humano. E muito intenso.
Ela caminhou em direção a eles, reduzindo o passo propositalmente.
— Eu estou te falando, Scott! — o garoto das sardas exclamava, a voz subindo uma oitava. — Lobos não saem por aí mordendo pessoas no meio da noite a menos que seja um filme de terror dos anos 80. E você não é o Michael J. Fox!
— Stiles, olha o meu lado! — o chamado Scott retrucou, parecendo genuinamente em pânico. — Eu ouvi coisas. Eu senti coisas. E a ferida sumiu!
Angel parou a poucos centímetros deles. O cheiro de Scott era estranho — cheirava a transformação recente, a sangue fresco e a um poder que ele ainda não entendia. Mas o cheiro de Stiles… Stiles cheirava a café, ansiedade e algo doce que a fez querer se aproximar mais.
— Com licença — disse Angel, interrompendo a discussão.
Stiles parou de falar tão abruptamente que quase engasgou com a própria saliva. Ele se virou, e seus olhos castanhos se arregalaram ao encontrar o olhar intenso e provocador da garota à sua frente.
— Eu… ah… oi? — Stiles gaguejou, a mão subindo mecanicamente para a nuca. — Posso… podemos… Scott, ela está falando com a gente?
Angel deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal de Stiles. Ela era um pouco mais baixa, o que a obrigava a olhar para cima, mas sua presença era tão dominante que Stiles parecia estar diminuindo de tamanho sob seu escrutínio.
— Você fala bastante, não é? — Angel comentou, um sorriso de canto, puramente irônico, surgindo em seus lábios rosados. — Eu ouvi algo sobre lobos. É um hobby local ou vocês só são obcecados por zoologia?
Stiles abriu e fechou a boca várias vezes, como um peixe fora d'água. Ele nunca tinha visto ninguém como ela. Ela tinha uma beleza que parecia perigosa, como uma faca de seda.
— Zoologia! Sim, exatamente. Somos grandes fãs de… canídeos. É um projeto escolar. Muito importante. Ciência e tal — Stiles disparou as palavras com a velocidade de uma metralhadora, os olhos fixos nos dela, mas desviando logo em seguida, nervoso.
Angel riu baixo, um som gutural que fez o estômago de Stiles dar voltas. Ela estendeu a mão e tocou levemente o braço dele, sentindo o calor da pele através da camisa xadrez. Stiles deu um pequeno pulo, mas não se afastou.
— Eu sou Angel — apresentou-se, mantendo o contato visual. — E você parece o tipo de pessoa que sabe onde tudo acontece nesta cidade.
— Eu sou o Stiles — ele respondeu, a voz falhando levemente. — E este é o Scott. Ele é o meu melhor amigo e, no momento, o cara que mais precisa de um médico ou de um exorcista.
Scott, que observava a interação com uma mistura de confusão e cautela, pigarreou.
— Você é nova aqui? — perguntou Scott.
Angel desviou o olhar para ele por um segundo. Seus olhos brilharam por um milésimo de segundo — um reflexo dourado quase imperceptível para um humano, mas que fez os instintos de Scott entrarem em alerta máximo.
— Sou. Estou procurando por alguém. Um homem chamado Peter Hale.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Stiles perdeu um pouco da cor no rosto, e Scott recuou um passo.
— Peter Hale? — Stiles repetiu, o sarcasmo dando lugar a uma preocupação genuína. — Por que alguém em sã consciência procuraria o Peter? Ele é… bem, ele está em um estado vegetativo no hospital de longa permanência. O incêndio na casa dos Hale… você conhece a história?
Angel sentiu um aperto no peito. *Estado vegetativo?* Aquilo não estava nos planos. Sua magia oscilou, uma pequena faísca de energia estática estalando entre seus dedos, mas ela rapidamente fechou a mão em um punho.
— Sou família — disse ela, a voz subitamente fria, a máscara de sarcasmo retornando para proteger sua vulnerabilidade. — Ou o que sobrou dela.
Stiles sentiu uma onda de eletricidade percorrer seu corpo. Não era apenas a menção aos Hale, era a forma como Angel o olhava. Era predatório, mas também havia uma solidão profunda ali que ele reconheceu instantaneamente.
— Olha, o Peter… ele não é exatamente o tipo de parente que você convida para o Natal — Stiles disse, tentando recuperar o fôlego. — Mas se você quiser, eu posso te levar lá depois da aula. No meu jipe. Ele é velho, faz barulhos estranhos e provavelmente é uma armadilha mortal, mas é gratuito.
Angel inclinou a cabeça para o lado, observando Stiles de cima a baixo. O nervosismo dele era adorável, mas a inteligência por trás daqueles olhos inquietos era o que realmente a atraía. Ela deu mais um passo, forçando Stiles a encostar no jipe.
— Você está me oferecendo uma carona, Stiles? — ela perguntou, a voz baixa e provocadora, aproximando o rosto do dele. — Mal nos conhecemos e você já quer me levar para passear em um carro caindo aos pedaços?
Stiles sentiu o cheiro do perfume dela — algo como baunilha e tempestade. O coração dele martelava tão forte contra as costelas que ele tinha certeza de que Scott, com sua nova audição estranha, podia ouvir.
— É… bem… é uma oferta de hospitalidade local! — Stiles exclamou, as mãos gesticulando no ar. — Eu sou um guia turístico não oficial. É o meu dever cívico.
Angel sorriu, um sorriso que não chegou aos olhos, mas que fez Stiles perder o fio da meada completamente.
— Vejo você na saída, então — disse ela, dando um tapinha leve no peito dele antes de se afastar. — Não se atrase. Eu odeio esperar.
Ela caminhou em direção à entrada da escola, sentindo os olhares de ambos queimando em suas costas.
— Scott — sussurrou Stiles, sem desviar os olhos de Angel. — Por favor, me diga que você sentiu isso também.
— O quê? O fato de ela ser assustadora e provavelmente perigosa? — Scott perguntou, ainda processando o encontro.
— Não — Stiles suspirou, uma expressão de puro transe no rosto. — O fato de que eu acho que acabei de encontrar a garota que vai me destruir e eu estou totalmente de acordo com isso.
— Stiles, ela disse que é uma Hale — Scott lembrou, a voz séria. — Se ela é uma Hale, e eu fui mordido por alguma coisa na floresta ontem à noite perto da casa deles… isso não pode ser coincidência.
— Nada em Beacon Hills é coincidência, Scott. Mas olhe para ela! Ela é como uma Elena Gilbert que poderia te matar com um olhar e depois fazer uma piada sobre isso.
Enquanto isso, Angel caminhava pelos corredores, ignorando os sussurros. Sua mente estava no hospital. Peter Hale. Seu pai. O homem que, segundo sua mãe, era a chave para entender por que ela às vezes sentia que o fogo corria em suas veias e por que a lua parecia chamá-la pelo nome.
As aulas passaram como um borrão de tédio. Angel se destacava sem esforço, respondendo às perguntas dos professores com um desdém inteligente que os deixava sem palavras. No intervalo, ela se viu cercada pela elite da escola.
— Então, você é a garota nova? — Uma voz arrogante interrompeu seus pensamentos.
Angel levantou os olhos do livro para encontrar um rapaz loiro, atlético, que exalava uma autoconfiança irritante. Jackson Whittemore.
— E você deve ser o capitão do time que acha que o mundo gira em torno da sua bola de lacrosse — Angel respondeu, sem nem piscar.
Jackson travou, o sorriso de lado desaparecendo. Lydia Martin, ao lado dele, arqueou uma sobrancelha, visivelmente impressionada.
— Eu gostei dela — comentou Lydia, analisando o estilo de Angel com um olhar clínico. — Jaqueta de couro autêntica. Atitude de quem não aceita lixo de ninguém. Jackson, você finalmente encontrou alguém que não se impressiona com seu carro.
— Eu não ligo para quem ela é — Jackson rosnou, aproximando-se de Angel. — Só quero saber o que uma Hale está fazendo de volta na cidade. As pessoas aqui têm memórias longas, novata.
Angel fechou o livro com um estrondo seco. Ela se levantou, e por um momento, o ar ao redor deles pareceu esfriar. Seus olhos castanhos brilharam com uma intensidade fria que fez Jackson vacilar.
— Se sua memória é tão boa, você deve se lembrar que os Hale não costumam ser interrompidos quando estão lendo — disse ela, a voz baixa e perigosa. — Agora, saia da minha frente antes que eu decida que você é um problema que eu preciso resolver.
Jackson abriu a boca para retrucar, mas algo no olhar de Angel — algo selvagem e incontrolável — o fez parar. Ele bufou e se afastou, levando Lydia consigo, que lançou um último olhar curioso para Angel.
Ao final do dia, Stiles estava esperando ao lado do jipe, parecendo mais nervoso do que nunca. Scott estava lá também, mas parecia distraído, os olhos fixos na floresta ao longe.
— Pronta para a turnê pelos pontos turísticos mais deprimentes de Beacon Hills? — Stiles perguntou quando viu Angel se aproximar.
— Leve-me ao meu pai, Stiles — pediu ela, a voz perdendo um pouco da ironia.
O trajeto até o hospital foi preenchido pelo falatório incessante de Stiles, uma tática óbvia para esconder seu desconforto. Ele falava sobre a escola, sobre o xerife — seu pai — e sobre como a cidade era estranhamente propensa a incidentes com animais.
Angel apenas o observava. Ela gostava da maneira como as mãos dele se moviam no volante, e de como ele parecia genuinamente preocupado em deixá-la confortável, apesar de estar morrendo de medo dela.
— Você está fazendo de novo — disse Angel, interrompendo um monólogo sobre a economia local.
— Fazendo o quê? — Stiles perguntou, olhando para ela rapidamente.
— Falando para não pensar. Você está nervoso porque quer me impressionar ou porque acha que eu vou te morder?
Stiles engoliu em seco, parando o jipe no estacionamento do hospital. Ele se virou para ela, o rosto a poucos centímetros do dela.
— Um pouco dos dois? — admitiu ele, a honestidade desarmando a provocação de Angel. — Você é… intensa, Angel. E eu não sou muito bom com "intensa". Eu sou mais o tipo "pânico sarcástico".
Angel sorriu, e desta vez foi um sorriso real, pequeno e quase doce. Ela estendeu a mão e tocou o rosto de Stiles, o polegar acariciando levemente a mandíbula dele. O toque foi como um choque para ambos. Para Angel, foi uma âncora; para Stiles, foi o fim do mundo como ele o conhecia.
— Eu gosto de pânico sarcástico — sussurrou ela. — É melhor do que a arrogância vazia.
Eles entraram no hospital em silêncio. O cheiro de antisséptico e morte iminente era sufocante para os sentidos de Angel. Quando chegaram ao quarto de Peter Hale, ela parou na porta.
Lá estava ele. O homem das fotos, mas desfigurado por cicatrizes e preso a máquinas. O grande Alpha, o lobo que deveria ser sua origem, reduzido a uma casca.
Angel caminhou até a beira da cama. Ela ignorou a presença de Stiles e Scott na porta e colocou a mão sobre a de Peter. No momento em que suas peles se tocaram, algo aconteceu.
Uma onda de energia negra e dourada disparou do corpo de Angel, fazendo as luzes do quarto piscarem violentamente. Stiles deu um grito abafado, e Scott sentiu suas presas começarem a descer involuntariamente.
Dentro da mente de Angel, imagens passavam como um filme quebrado: fogo, gritos, um lobo de olhos vermelhos e uma sede de vingança que não pertencia a ela.
— Pai? — ela sussurrou, as lágrimas finalmente vencendo a barreira de sua frieza.
Os dedos de Peter Hale tiveram um espasmo mínimo. Quase imperceptível para um humano, mas Angel sentiu. Ele estava lá. Preso, mas consciente. E ele sabia que ela estava ali.
— Ele sentiu você — Scott disse, aproximando-se com cautela. — Angel, o que você é?
Angel se virou, os olhos mudando do castanho para um dourado brilhante, enquanto pequenas faíscas de magia dançavam ao redor de seus ombros.
— Eu sou o que acontece quando um monstro encontra uma bruxa — respondeu ela, a voz carregada de uma nova determinação. — E eu acho que Beacon Hills não está pronta para o que vem a seguir.
Stiles, apesar do medo, deu um passo à frente, ficando ao lado dela.
— Bem — disse ele, tentando aliviar a tensão, embora sua voz tremesse. — O Scott é um lobisomem iniciante, você é uma… bruxa-loba-híbrida, e eu tenho um taco de beisebol no jipe. Acho que estamos no lucro.
Angel olhou para Stiles e, pela primeira vez em seis meses, sentiu que não estava mais sozinha. Ela se aproximou dele, encostando o ombro no dele, buscando o calor humano que ele oferecia tão livremente.
— Você é um idiota, Stiles Stilinski — ela disse, mas o tom era de afeição.
— É o que todos dizem — ele sorriu, um sorriso torto que fez o coração de Angel falhar uma batida. — Mas sou o idiota que vai te ajudar a descobrir o que está acontecendo. Quer dizer, se você não me transformar em um sapo ou me devorar primeiro.
— Vou pensar no seu caso — provocou ela, voltando a ser a loba que o deixava sem fôlego.
Do lado de fora do hospital, as sombras de Beacon Hills pareciam se alongar. O jogo havia começado. Peter Hale tinha uma filha, Scott McCall tinha um segredo, e Stiles Stilinski… bem, Stiles tinha um problema muito bonito e perigoso para resolver. E, pela primeira vez, ele não queria estar em nenhum outro lugar.
