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Laços que Permanecem

Fandom: Borusara

Creado: 2/4/2026

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A Teoria do Caos e o Efeito Uchiha

A Vila da Folha estava mergulhada em um crepúsculo alaranjado que Boruto Uzumaki considerava, no mínimo, ofensivo. Não que ele tivesse algo contra o pôr do sol, mas a luz batia exatamente no ângulo que refletia nos óculos de Sarada Uchiha, tornando impossível ler a expressão dela. E, para Boruto, ler Sarada era o esporte radical mais perigoso e viciante de Konoha.

Ele estava sentado no parapeito do teto da Academia Ninja, balançando as pernas sobre o abismo com uma displicência que faria sua mãe ter um infarto. Ao seu lado, Sarada revisava pergaminhos de estratégia, a postura tão reta que ele se perguntava se a coluna dela era feita de aço temperado.

— Sabe, Sarada, se você continuar franzindo a testa desse jeito, ela vai acabar travando — comentou Boruto, com um sorriso de canto, a voz carregada daquele sarcasmo que ele cultivava como uma arte. — E aí como vai ser? A futura Hokage com cara de quem comeu um limão mofado? O monumento ficaria péssimo.

Sarada nem sequer desviou os olhos do papel. Ela apenas ajeitou os óculos com o dedo médio, um gesto que Boruto tinha certeza de que era um insulto sutil direcionado a ele.

— E se você continuasse em silêncio, talvez o coeficiente intelectual médio desta vila subisse alguns pontos — rebateu ela, a voz calma, mas afiada como uma kunai. — Por que você ainda está aqui? O treino acabou faz duas horas.

Boruto soltou uma risada seca, jogando a cabeça para trás.

— Ah, você sabe. O caos me persegue. E como você é a pessoa mais organizada, quadrada e previsível que eu conheço, achei que meu brilho caótico faria bem para o seu ecossistema rígido. De nada, a propósito.

Dessa vez, ela olhou. Aqueles olhos escuros, que pareciam ver através de todas as camadas de blefe de Boruto, fixaram-se nele.

— Você é inacreditável — murmurou ela, fechando o pergaminho com um estalo seco.

Era exatamente isso. Aquele "inacreditável". Aquele desdém misturado com uma paciência de santa que ela reservava apenas para as piores idiotices dele. Boruto olhou para o horizonte, sentindo aquele aperto familiar no peito que ele se recusava a rotular como algo sentimental. Seria humilhante demais.

O problema de Boruto Uzumaki não era a falta de opções. Metade das garotas da vila — e alguns garotos, para ser honesto — pareciam gravitar em torno dele. Talvez fosse o sobrenome, talvez fosse o fato de ele ser o prodígio rebelde com um sorriso que prometia problemas. Mas para Sarada? Para ela, ele era apenas um incômodo barulhento que precisava ser domado. Ela não suspirava quando ele passava. Ela não gaguejava. Ela não dava a mínima para o "Charme Uzumaki".

E era por isso que ele estava perdidamente, catastroficamente, interessado nela.

— O que foi? — perguntou Sarada, estreitando os olhos. — Você ficou quieto por mais de dez segundos. Isso geralmente significa que algo vai explodir ou que você está tramando uma idiotice monumental.

— Ofendido. Estou profundamente ofendido — Boruto colocou a mão no peito, dramatizando. — Eu estava apenas apreciando a vista. É raro ver a grande Uchiha Sarada sem estar tentando me socar no meio de um treino. É um momento de paz histórica.

— Eu não tento te socar sem motivo — corrigiu ela, levantando-se e limpando a poeira da roupa. — Você é quem fornece os motivos. Em abundância.

— Admita, Sarada — Boruto saltou do parapeito, aterrissando levemente a poucos centímetros dela. — Sua vida seria um tédio absoluto sem mim. Quem mais te desafiaria? Quem mais faria você questionar se aquela sua lógica perfeita realmente funciona no mundo real?

Sarada deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal dele. Boruto sentiu o cheiro de sabão neutro e algo que lembrava floresta depois da chuva. Ele não recuou. O sarcasmo era sua armadura, mas ali, tão perto, as placas estavam começando a rachar.

— Mitsuki me desafia intelectualmente — disse ela, contando nos dedos. — Konohamaru-sensei me desafia tecnicamente. Até o Shikadai me desafia estrategicamente. Você... você só me dá dor de cabeça.

— Uma dor de cabeça que você não consegue largar — Boruto deu um passo ainda mais próximo, baixando o tom de voz, o sarcasmo dando lugar a algo mais denso, mais perigoso. — Por que você é a única, Sarada?

Ela franziu o cenho, genuinamente confusa.

— A única o quê?

— A única que não cai na minha conversa — ele soltou um riso curto, quase sem humor. — Todo mundo espera algo de mim. Ou esperam que eu seja o herói, ou esperam que eu estrague tudo. Mas você... você olha para mim e parece que vê exatamente o que está lá. E o que está lá não parece te impressionar nem um pouco. Isso é irritante pra caramba.

Sarada ficou em silêncio por um longo momento. O vento soprou, bagunçando os fios loiros de Boruto e balançando a fita vermelha no cabelo dela.

— Você quer que eu te admire, Boruto? — perguntou ela, e havia uma suavidade inesperada em sua voz que o pegou desprevenido. — Quer que eu seja como as outras garotas que riem de qualquer piada sem graça que você conta só porque você é o filho do Hokage ou o "garoto prodígio"?

— Credo, não! — Boruto fez uma careta de nojo genuíno. — Isso seria um pesadelo. Eu provavelmente morreria de tédio em uma semana.

— Então do que você está reclamando? — Ela cruzou os braços.

— Não estou reclamando. Estou... observando — ele desviou o olhar, voltando a usar o escudo da ironia. — É uma análise sociológica sobre como a linhagem Uchiha é imune ao bom gosto e ao carisma avassalador.

— Seu "carisma avassalador" é só falta de educação e excesso de açúcar, Boruto.

— E lá está! — Ele apontou para ela, triunfante. — Esse desdém. É refrescante. É como um balde de água gelada depois de um dia no deserto.

Sarada suspirou, mas Boruto notou — e ele era um especialista nisso — o leve repuxar no canto dos lábios dela. Ela estava se divertindo.

— Você é um masoquista — sentenciou ela, começando a caminhar em direção à escada.

— E você é uma ditadora em treinamento — retrucou ele, seguindo-a como uma sombra persistente. — Já pensou no uniforme de Hokage? Espero que não seja aquela capa cafona do meu velho. Você ficaria melhor de preto. Combina com sua alma sombria e sua falta de senso de humor.

— Eu tenho senso de humor — disse ela, sem olhar para trás. — Eu só não acho você engraçado. É uma distinção importante.

— Ai. Essa doeu. Vou precisar de um ramen medicinal para me recuperar desse golpe crítico.

Eles desceram as escadas da Academia em um ritmo familiar. O silêncio entre eles nunca era desconfortável, era preenchido pela eletricidade estática de tudo o que não diziam. Boruto sabia que estava brincando com fogo. Sarada não era apenas sua colega de equipe; ela era o padrão pelo qual ele media o próprio progresso. E, secretamente, ela era a única pessoa cuja opinião realmente importava quando as luzes se apagavam e ele ficava sozinho com seus pensamentos caóticos.

Ao chegarem à rua principal, as luzes da vila começaram a acender.

— Vou para casa — anunciou Sarada, parando em uma bifurcação. — Tente não arrumar briga com nenhum poste no caminho. Sei que a inteligência deles te intimida.

— Muito engraçada. Nota dois pelo esforço — Boruto colocou as mãos atrás da cabeça, observando-a. — Ei, Sarada?

Ela parou e virou-se.

— O quê?

Boruto hesitou. O sarcasmo estava na ponta da língua, pronto para ser disparado. Ele poderia dizer algo sobre os óculos dela estarem sujos, ou sobre como ela caminhava como um robô. Mas, por um segundo, o caos dentro dele se acalmou.

— Nada. Só... não mude, tá? — Ele deu de ombros, forçando um sorriso desleixado. — Seria um saco se você começasse a gostar de mim de repente. Eu perderia meu passatempo favorito.

Sarada o encarou por um tempo que pareceu uma eternidade. O brilho dos postes refletia em seus olhos, e Boruto jurou que viu algo ali — uma faísca, um reconhecimento, talvez até um desafio.

— Não se preocupe, Boruto — disse ela, e desta vez o sorriso dela foi visível, pequeno e perigosamente bonito. — Você ainda vai ter que se esforçar muito para chegar ao nível de "tolerável". Boa noite.

Ela se virou e seguiu seu caminho, a capa balançando levemente.

Boruto ficou parado ali, no meio da rua, sentindo o coração martelar contra as costelas como um prisioneiro tentando escapar. Ele soltou um suspiro longo, passando a mão pelo cabelo.

— Droga — sussurrou para si mesmo, um sorriso idiota crescendo em seu rosto. — Ela é absolutamente a pior.

Ele começou a caminhar na direção oposta, chutando uma pedra imaginária. O sarcasmo voltaria amanhã, mais forte do que nunca. O caos continuaria a ser sua marca registrada. Mas ali, sob as estrelas de Konoha, Boruto Uzumaki aceitava sua derrota mais prazerosa: ele estava completamente rendido à única garota que nunca se renderia a ele.

E, honestamente? Ele não queria que fosse de nenhum outro jeito. Afinal, onde estaria a graça em conquistar o mundo se ele não pudesse irritar a futura Hokage no processo?

— É, Sarada... — murmurou ele, olhando para a lua. — Boa noite para você também, sua chata.

O caos, afinal, sempre precisava de uma ordem para desafiar. E Boruto mal podia esperar pelo próximo round.
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