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Desejo proibido

Fandom: Parmiga, Patrick Wilson, Vera Farmiga

Criado: 12/04/2026

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RomanceDramaAngústiaSombrioCrimeSuspenseEstudo de PersonagemNoir
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Entre o Sangue e o Destino

As paredes de mármore do Palazzo Farmiga pareciam estar se fechando sobre mim. O ar em Roma sempre foi pesado com a história de séculos, mas naquela noite, o peso era o do meu próprio nome. Eu estava encolhida no canto do meu quarto, as janelas fechadas para abafar o som da discussão que ecoava no andar de baixo. A voz do meu pai, Jack, era um trovão seco, desprovido de qualquer remorso, enquanto o choro contido de minha mãe, Eleanor, era a melodia da minha ruína.

Eu tinha apenas dezessete anos. Para o mundo, eu era a filha da elite, a joia loira de olhos azuis que frequentava as melhores escolas e usava as sedas mais finas. Para o meu pai, no entanto, eu era apenas uma moeda de troca. Uma peça de ouro que ele estava disposto a entregar a um traficante americano chamado Mike Garcia para limpar uma dívida de sangue e má gestão.

A porta do meu quarto rangeu. Eu não precisei olhar para saber que era ela. O perfume de lavanda e o som suave de seus passos entregavam sua presença.

— Vera, minha pequena... — A voz de minha mãe falhou.

Senti o colchão afundar quando ela se sentou ao meu lado. Eu não conseguia parar de chorar. As lágrimas queimavam, borrando a visão do meu quarto impecável que, de repente, parecia uma cela de luxo.

— Ele não pode fazer isso, mamãe. Ele não pode me vender para aquele homem — solucei, escondendo o rosto nas mãos.

— Eu tentei, Vera. Deus sabe o quanto eu gritei e implorei — ela sussurrou, passando a mão pelos meus cabelos loiros, tentando inutilmente me acalmar. — Mas seu pai... ele está encurralado. Garcia tem poder sobre as rotas de exportação e Jack cometeu erros. Ele diz que é a única forma de manter nossa família segura.

— Segura? — Levantei o rosto, sentindo uma raiva súbita. — Ele está me jogando aos lobos para salvar a própria pele!

Ela não respondeu. Apenas me abraçou, e ficamos ali, duas mulheres presas em uma estrutura de poder que nunca nos pertenceu.

Na manhã seguinte, o sol de Roma entrou pela janela com uma ironia cruel. O café da manhã foi servido na varanda, com vista para os jardins impecáveis. Eu não conseguia sequer olhar para a comida. O cheiro do café fresco me dava náuseas. Meu pai estava sentado na cabeceira, lendo o jornal como se não tivesse acabado de destruir minha vida na noite anterior.

— Coma, Vera — disse ele, sem desviar os olhos das notícias. — Você está pálida. Não quero que Garcia pense que estamos lhe entregando uma mercadoria doente.

— Eu não sou mercadoria — respondi, minha voz saindo mais trêmula do que eu gostaria.

Jack Farmiga abaixou o jornal lentamente. Seus olhos, tão azuis quanto os meus, eram frios como o gelo do Ártico.

— Você é uma Farmiga. E ser uma Farmiga significa que seus desejos pessoais vêm depois da sobrevivência desta família. Aceite isso agora e não piore as coisas para nós. Se você cooperar, sua vida nos Estados Unidos será confortável. Se lutar... bem, você sabe que eu não gosto de ser contrariado.

Passei o restante do dia trancada. Minha mãe trouxe bandejas de comida, implorou para que eu comesse um pouco de massa ou uma fruta, mas meu estômago estava fechado. Eu precisava de ar. Precisava de espaço. Precisava de algo que não fosse o cheiro de traição que impregnava aquela casa.

Esperei. As horas rastejaram até que o relógio marcasse duas da manhã. Eu conhecia a rotina. Era o momento em que os seguranças da guarita faziam a troca com a patrulha do jardim de trás. Eu tinha cinco minutos de escuridão total e silêncio.

Abri a janela com cuidado. O ar fresco da noite romana atingiu meu rosto, trazendo um breve alívio. Com a agilidade de quem passou a infância fugindo de babás, pulei a janela baixa e me esgueirei pelas sombras das oliveiras. Corri pelas ruas de paralelepípedos, meu coração martelando contra as costelas, até chegar ao meu refúgio de infância: o Parque das Laranjeiras, no Monte Aventino.

O parque estava deserto, mergulhado em uma penumbra mística. O cheiro das laranjas cítricas pairava no ar. Caminhei até o mirante, mas parei bruscamente ao ver uma silhueta sentada em um dos bancos de pedra.

Era um homem jovem. Ele parecia estar absorto na vista da cidade iluminada. Tentei recuar, mas meus pés tropeçaram em um galho seco, fazendo um estalo alto.

— É perigoso para uma garota andar por aqui a esta hora — disse ele, sem se virar.

Senti um calafrio. Recuperei a postura e me aproximei, tentando parecer mais corajosa do que me sentia.

— Eu poderia dizer o mesmo de você.

Ele se virou e, por um momento, o tempo pareceu parar. Ele era alto, de ombros largos, com cabelos aloirados que brilhavam sob a luz do luar. Mas foram os olhos dele que me prenderam: um azul profundo, calmo, mas carregado de uma melancolia que eu reconheci instantaneamente.

— Eu estou tendo um dia difícil — explicou ele, dando um meio sorriso que não chegava aos olhos. — E você parece que acabou de fugir de um fantasma.

— Talvez eu tenha fugido — murmurei, sentando-me na outra extremidade do banco.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, apenas ouvindo o farfalhar das folhas e o som distante da cidade. Havia algo estranhamente reconfortante na presença dele, um estranho que não sabia quem eu era ou o que eu representava.

— Sou Patrick — disse ele, estendendo a mão. — Patrick Wilson.

O nome atingiu meu peito como um tiro. Recuei instintivamente, meus olhos se arregalando.

— Wilson? — Minha voz saiu em um sussurro horrorizado. — Patrick Wilson? De Florença?

Ele arqueou uma sobrancelha, surpreso com a minha reação, e assentiu lentamente.

— Sim. Minha família é de lá. Você conhece o sobrenome?

— Quem não conhece os Wilson? — Eu ri, uma risada nervosa e beirando a histeria. — O que estava faltando no meu dia era justamente estar conversando com um cabo da máfia no meio da noite.

Patrick soltou uma risada curta, mas não parecia ofendido.

— Eu não sou um "cabo", garota.

— Você é um Wilson — rebati, cruzando os braços. — Isso já diz tudo. Meu pai sempre disse que a rivalidade com a sua família é a única coisa que mantém o sangue dele circulando com vigor.

Ele se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, observando-me com uma curiosidade renovada.

— Então você é uma Farmiga. Eu deveria ter adivinhado pelos olhos. E pelo jeito defensivo de quem foi criada em uma gaiola de ouro.

— Eu me chamo Vera — respondi apenas, ignorando a provocação.

— Vera... — Ele repetiu meu nome, e o som dele em sua voz pareceu suavizar as arestas do mundo ao nosso redor. — Então, Vera, o que faz a princesa de Roma vagando pelo parque às duas da manhã? Fugindo do casamento arranjado com o americano?

Senti meu sangue congelar.

— Como você sabe disso?

— Informação é a nossa moeda de troca, você sabe disso. Os rumores correm rápido no nosso meio. Dizem que Jack Farmiga está desesperado o suficiente para vender a única filha para um psicopata como Mike Garcia só para não ter que pedir ajuda aos rivais.

— Ele nunca pediria ajuda aos Wilson — cuspi as palavras, embora sentisse uma pontada de dor. — E eu não sou uma mercadoria.

— Eu sei que não é — disse Patrick, e sua voz agora era suave, quase gentil. — Mas neste mundo, Vera, se você não for o jogador, você acaba sendo a peça no tabuleiro.

— E você? — Perguntei, olhando-o nos olhos. — O que um Wilson faz aqui, sozinho, longe de Florença?

Ele desviou o olhar para o horizonte, onde as luzes de Roma pareciam estrelas caídas.

— Às vezes, o peso do sobrenome fica demais para carregar. Meu pai quer que eu assuma operações que eu desprezo. Viemos a Roma para uma reunião de cúpula, e eu precisava de um momento onde eu não fosse "o herdeiro". Onde eu pudesse ser apenas um homem olhando para a cidade.

Houve uma conexão silenciosa entre nós naquele momento. Dois jovens, herdeiros de impérios construídos sobre sangue e segredos, ambos buscando um momento de liberdade sob o mesmo luar.

— É uma ironia, não é? — Comecei, sentindo um nó na garganta. — Nossas famílias se odeiam há décadas. Se meu pai me visse aqui, agora, ele provavelmente me trancaria em uma torre.

— E o meu pai diria que estou perdendo tempo com a "inimiga" — Patrick completou, voltando a olhar para mim. — Mas você não parece uma inimiga para mim, Vera. Você parece alguém que está prestes a se afogar e não tem ninguém para segurar sua mão.

Senti as lágrimas voltarem, mas as engoli. Não queria parecer fraca diante de um Wilson.

— Eu vou dar um jeito. Eu sempre dou.

— Mike Garcia não é um homem comum, Vera. Ele é bruto. Ele não entende a etiqueta da nossa "aristocracia". Se você for para a América com ele, não haverá volta.

— E o que você sugere? — Perguntei, desafiadora. — Que eu peça asilo à família Wilson? Que eu troque um mestre por outro?

Patrick se levantou, sua estatura imponente me fazendo sentir pequena, mas não ameaçada. Ele deu um passo em minha direção, parando a uma distância respeitosa.

— Eu sugiro que você comece a pensar por si mesma. O mundo é maior que Roma e Florença.

Ele estendeu a mão novamente, mas desta vez não para um cumprimento formal. Ele tocou levemente uma mecha do meu cabelo que tinha escapado do lugar. O toque foi elétrico, fazendo meu coração disparar de uma forma que não tinha nada a ver com medo.

— Eu tenho que ir — sussurrei, embora meus pés não se movessem.

— Eu também. Meu tempo de "liberdade" está acabando.

— Nós nunca nos vimos, Patrick — eu disse, recuperando minha máscara de frieza. — Se nos encontrarmos em alguma festa ou reunião, você é apenas o filho do inimigo do meu pai.

Patrick sorriu, e desta vez, o sorriso atingiu seus olhos, iluminando-os de uma forma que me tirou o fôlego.

— Como desejar, Vera Farmiga. Mas lembre-se: às vezes, o inimigo do seu inimigo pode ser sua única chance de salvação.

Ele se virou e caminhou em direção às sombras, desaparecendo tão silenciosamente quanto tinha surgido. Fiquei ali parada, o cheiro das laranjeiras agora misturado ao perfume amadeirado dele.

Voltei para o Palazzo Farmiga sentindo algo que não sentia há dias: uma fagulha de esperança, ou talvez fosse apenas o perigo iminente de ter encontrado algo mais proibido do que a própria fuga.

Ao entrar novamente pela janela do meu quarto, deitei-me na cama e olhei para o teto. O rosto de Patrick Wilson estava gravado na minha mente. Meu pai queria me vender para um americano para saldar uma dívida. Mas agora, o tabuleiro tinha uma nova peça. E eu não tinha certeza se Patrick era o cavaleiro que viria me salvar ou o lobo que terminaria de me destruir.

A única coisa de que eu tinha certeza era que a guerra entre os Farmiga e os Wilson estava longe de terminar, e eu, Vera, estava bem no centro do fogo cruzado. E, pela primeira vez na vida, eu não estava com medo das chamas.

Adormeci com o som da voz dele ecoando nos meus pensamentos, uma promessa silenciosa em meio ao caos que era minha vida. O amanhã traria o anúncio oficial do meu noivado, mas hoje, naquele parque, eu tinha sido apenas Vera. E Patrick tinha sido apenas Patrick.

E isso, naquele mundo de sombras, era a coisa mais perigosa de todas.
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