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Desejo proibido
Fandom: Parmiga, Patrick Wilson, Vera Farmiga
Criado: 12/04/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoCrimeSuspenseNoirEstudo de Personagem
Entre Sombras e Laranjeiras
A brisa noturna de Roma costumava ser um bálsamo para Vera, mas naquela noite, o ar parecia carregar o peso de uma sentença de morte. O perfume das flores de laranjeira, que outrora remetia às tardes ensolaradas de sua infância ao lado de Eleanor, agora estava impregnado com o cheiro metálico do medo e da traição. Vera sentia o galo em sua cabeça latejar, uma lembrança física da sua fuga atrapalhada pela janela do quarto, mas a dor em seu peito era infinitamente maior.
— Vera... — repetiu Patrick, saboreando o nome dela como se tentasse decifrar um enigma. Os olhos azuis dele, profundos e gélidos como o oceano no inverno, não desviavam dos dela. — Apenas Vera? Em Roma, nomes sem sobrenomes são como fantasmas. E você não me parece um fantasma, embora esteja tentando desaparecer.
Vera ajeitou o vestido leve, sentindo o frio da madrugada infiltrar-se em seus ossos. Ela sabia quem ele era. Os Wilson de Florença eram lendários, e não pelas razões que se lê em livros de história, mas pelas que se sussurra em becos escuros e reuniões de cúpula da máfia. Patrick Wilson não era apenas um jovem carinhoso como sua expressão atual sugeria; ele era sangue de uma linhagem que seu pai, Jack Farmiga, odiava com todas as forças.
— O que eu sou ou deixo de ser não muda o fato de que você é um Wilson — retrucou ela, tentando manter a voz firme, apesar do tremor em suas mãos. — E se meu pai souber que estou respirando o mesmo ar que você, ele provavelmente mandaria queimar este parque inteiro.
Patrick soltou um riso curto, sem humor. Ele se recostou no banco de pedra, observando a silhueta da jovem loira sob a luz pálida da lua. Havia uma delicadeza nela que contrastava violentamente com a brutalidade do mundo ao qual ambos pertenciam.
— Então temos algo em comum — disse ele, a voz baixando um tom. — Meu pai também não ficaria feliz em saber que estou perdendo meu tempo com uma garota que cai de janelas no meio da noite. Mas, como eu disse, estou tendo um dia difícil. E, francamente, a rivalidade dos nossos velhos é um tédio que eu não pretendo herdar esta noite.
Vera hesitou. Ela deveria correr. Deveria voltar para a mansão, enfrentar o destino amargo de se tornar a moeda de troca para Mike Garcia e aceitar que sua vida havia acabado no momento em que Jack assinou aquele acordo. Mas o olhar de Patrick... havia algo nele que não era frio. Era uma solidão que espelhava a dela.
— Por que um Wilson estaria em Roma, sozinho, às duas da manhã? — perguntou ela, aproximando-se um passo, movida por uma curiosidade perigosa.
— Negócios que deram errado. Ou talvez negócios que deram certo demais para o meu gosto — Patrick respondeu, estendendo a mão novamente, desta vez não para se apresentar, mas oferecendo um espaço ao seu lado no banco. — Sente-se, "Apenas Vera". Você parece que vai desmaiar a qualquer momento, e eu odiaria ter que carregar uma Farmiga inconsciente pelas ruas.
Vera arregalou os olhos, o coração dando um salto violento.
— Você sabe quem eu sou?
Patrick deu um sorriso de canto, um gesto que suavizou suas feições calculistas.
— Cabelos loiros, olhos que parecem o céu de verão e uma elegância que nem mesmo um tombo e um galo na testa conseguem esconder. Eu vi você em um jantar de gala em Veneza, três anos atrás. Você estava usando um vestido azul e parecia querer estar em qualquer lugar, menos ali. Eu me identifiquei com isso.
Vera sentiu o rosto esquentar. Ela se lembrava daquele jantar. Fora a primeira vez que sentira o peso das expectativas de ser uma Farmiga. Lentamente, ela cedeu e sentou-se na extremidade oposta do banco.
— Meu pai me vendeu — confessou ela, as palavras saindo em um sussurro quebrado, antes que pudesse filtrá-las. — Mike Garcia. Ele quer que eu me case com aquele monstro para pagar uma dívida de jogo e território.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Patrick endureceu os ombros, e a aura carinhosa que ele emanava momentos antes foi substituída por uma rigidez perigosa. O nome de Mike Garcia era conhecido por ser sinônimo de crueldade gratuita, algo que até mesmo os códigos de honra da máfia italiana viam com desdém.
— Garcia é um animal — disse Patrick, a voz agora gélida. — Jack Farmiga deve estar desesperado para entregar a única filha a um homem como aquele.
— Minha mãe tentou impedi-lo — Vera limpou uma lágrima solitária que teimava em descer. — Ela brigou, gritou... mas meu pai nunca a escuta quando o assunto é poder. Eu fugi porque... eu só queria sentir que a vida ainda era minha por algumas horas.
Patrick olhou para ela, e Vera viu algo mudar naqueles olhos azuis. Não era apenas pena; era uma compreensão profunda. Ele também era uma peça em um tabuleiro de xadrez, movida por mãos que não se importavam com seus desejos.
— Você não pode voltar — afirmou Patrick, não como uma sugestão, mas como um fato.
— Eu não tenho para onde ir — respondeu ela, desamparada. — Os seguranças já devem estar me procurando. Se eu for para a polícia, eles me devolvem em uma bandeja de prata. Se eu fugir para outra cidade, Garcia me encontra. Ele tem olhos em todos os lugares.
Patrick levantou-se e caminhou até ela. Ele era alto, e sua presença preenchia o espaço de forma esmagadora, mas Vera não sentiu medo. Pela primeira vez em horas, ela sentiu uma faísca de esperança.
— Existe um lugar onde nem mesmo Garcia ou seu pai ousariam tocar — disse ele, estendendo a mão de forma definitiva. — Comigo.
Vera olhou para a mão dele, a pele clara, os dedos longos.
— Você está sugerindo que eu fuja com um Wilson? — Ela soltou uma risada nervosa. — Isso começaria uma guerra. Uma guerra sangrenta entre nossas famílias.
— A guerra já está acontecendo, Vera. Só que, até agora, você era a única vítima silenciosa — Patrick inclinou-se um pouco, o rosto a poucos centímetros do dela. — Eu não sou o santo que você talvez deseje, e minha família é tão suja quanto a sua. Mas eu não entrego o que é meu. E, se você vier comigo, você será minha responsabilidade. Ninguém encosta em você. Nem Garcia, nem Jack.
— Por que faria isso por mim? — perguntou ela, a voz trêmula. — Você nem me conhece.
Patrick tocou levemente o queixo dela, forçando-a a olhá-lo nos olhos.
— Às vezes, reconhecemos nossa própria salvação no meio do caos. Você quer ser livre, Vera? Ou quer passar o resto da vida sendo um troféu para um traficante americano?
Vera fechou os olhos por um segundo, visualizando o rosto severo de seu pai e o olhar sujo de Mike Garcia. Então, visualizou Eleanor, sua mãe, que certamente sofreria por sua partida, mas que preferiria saber que a filha estava longe do que vê-la destruída por Garcia.
— Se eu for com você... o que acontece depois? — perguntou ela, abrindo os olhos.
— Depois, nós escrevemos nossas próprias regras — Patrick deu um passo atrás, mantendo a mão estendida. — O tempo está acabando. A troca de guarda termina em vinte minutos. Qual é a sua escolha?
Vera olhou para o parque, para as sombras das laranjeiras que a protegiam, e depois para o jovem à sua frente. Patrick Wilson era um mistério, um inimigo por linhagem, mas naquele momento, ele era a única mão estendida em um abismo.
Ela colocou sua mão pequena e delicada sobre a dele.
— Leve-me embora daqui — sussurrou ela.
Patrick fechou os dedos sobre os dela com uma firmeza possessiva, mas gentil.
— Agora você é uma Wilson, Vera. E os Wilson nunca perdem o que lhes pertence.
Eles caminharam rapidamente pelas sombras do parque. Patrick a conduziu por uma saída lateral que ela nem sabia que existia, onde um carro preto e discreto aguardava com o motor ligado. O motorista não disse uma palavra quando eles entraram no banco de trás.
Enquanto o carro se afastava das luzes de Roma, Vera olhou pelo vidro traseiro. Ela estava deixando para trás sua casa, sua mãe e a segurança da elite que conhecia, para mergulhar no desconhecido com um homem que deveria ser seu maior rival. Patrick, ao seu lado, não soltou sua mão. Ele permanecia em silêncio, observando a estrada com aquela expressão fria e calculista, mas o polegar que acariciava o dorso da mão de Vera dizia outra coisa.
— Você está tremendo — comentou ele, sem desviar o olhar do caminho.
— Estou com medo — admitiu ela com sinceridade. — De tudo. Do que meu pai vai fazer, do que você vai fazer...
— Seu pai vai gritar e ameaçar, mas ele não pode invadir Florença sem o apoio das outras famílias, o que ele não terá se descobrirem o acordo sujo com Garcia — Patrick finalmente olhou para ela, e um brilho de determinação cruzou seus olhos. — E quanto a mim... você não precisa ter medo de mim, Vera. Eu sou muitas coisas, mas nunca serei seu mestre.
— O que você ganha com isso, Patrick? — Vera perguntou, sentindo o peso da incerteza. — Ninguém na máfia faz nada de graça.
Patrick soltou um suspiro pesado e encostou a cabeça no banco.
— Meu pai quer que eu me case com a filha de um aliado em Milão. Uma união política para fortalecer o norte. Eu não a suporto. Ao levar você, eu quebro o acordo dele e crio o meu próprio fato consumado. Você me ajuda a escapar de um destino que eu não escolhi, e eu protejo você do seu.
— Então somos apenas ferramentas um para o outro? — Vera sentiu uma pontada de decepção que não soube explicar.
Patrick virou o corpo para ela, diminuindo a distância entre eles no banco de couro.
— No começo, talvez. Mas olhe para você, Vera Farmiga... você é a coisa mais bonita e pura que eu já vi em meio a tanta podridão. Talvez eu esteja sendo egoísta. Talvez eu só queira ver o que acontece quando uma laranjeira de Roma é plantada no solo de Florença.
Vera sentiu o coração acelerar. Havia uma intensidade naquelas palavras que ia além de acordos e fugas. Ela se sentia atraída pela dualidade dele — o jovem carinhoso que a ajudara no parque e o homem frio que agora planejava uma jogada de mestre contra duas das famílias mais poderosas da Itália.
— Minha mãe vai ficar arrasada — murmurou ela, pensando em Eleanor.
— Nós daremos um jeito de avisá-la que você está segura — prometeu Patrick. — Mas, por enquanto, você precisa desaparecer. Para o mundo, Vera Farmiga foi sequestrada ou fugiu. Para mim, você é o início de algo novo.
O carro começou a subir as colinas, deixando a Cidade Eterna para trás. O sol começava a dar os primeiros sinais de vida no horizonte, tingindo o céu de tons de rosa e laranja. Vera encostou a cabeça no ombro de Patrick, exausta demais para lutar contra o cansaço. Para sua surpresa, ele passou o braço ao redor dela, puxando-a para mais perto, protegendo-a do frio do ar-condicionado.
— Durma, Vera — sussurrou ele contra seus cabelos loiros. — Quando você acordar, estaremos em casa.
Ela fechou os olhos, permitindo-se ser levada pela promessa. Ela não sabia o que o futuro reservava, nem se Patrick Wilson era seu salvador ou apenas um tipo diferente de captor. Mas, enquanto o cheiro cítrico de Roma era substituído pelo perfume amadeirado e caro dele, Vera sentiu que, pela primeira vez em dezessete anos, ela não era apenas uma peça no tabuleiro de Jack Farmiga. Ela era uma jogadora. E Patrick era seu aliado mais perigoso.
A estrada para Florença era longa, pontilhada por ciprestes e segredos. Atrás deles, o império dos Farmiga começava a ruir com a notícia do desaparecimento da herdeira. Mike Garcia exigiria sangue. Jack exigiria vingança. Mas, naquele carro, envolta nos braços do herdeiro dos Wilson, Vera finalmente encontrou o silêncio que tanto buscava. Um silêncio que era apenas o prelúdio de uma tempestade que mudaria a máfia italiana para sempre.
Patrick observava a jovem dormir em seu colo. Ele sabia que o que estava fazendo era loucura. Ele estava declarando guerra a um aliado comercial e desafiando a autoridade de seu próprio pai. Mas, ao olhar para o rosto sereno de Vera, ele sentiu uma satisfação que nenhum negócio bem-sucedido jamais lhe proporcionara. Ele sempre fora frio e calculista, mas Vera... Vera despertara algo que ele acreditava estar morto: o desejo de proteger algo que não fosse apenas território ou dinheiro.
— Que comece o jogo — murmurou ele para o vazio da estrada, enquanto o sol finalmente rompia no horizonte, iluminando o caminho para o novo destino que ambos, agora, compartilhavam.
— Vera... — repetiu Patrick, saboreando o nome dela como se tentasse decifrar um enigma. Os olhos azuis dele, profundos e gélidos como o oceano no inverno, não desviavam dos dela. — Apenas Vera? Em Roma, nomes sem sobrenomes são como fantasmas. E você não me parece um fantasma, embora esteja tentando desaparecer.
Vera ajeitou o vestido leve, sentindo o frio da madrugada infiltrar-se em seus ossos. Ela sabia quem ele era. Os Wilson de Florença eram lendários, e não pelas razões que se lê em livros de história, mas pelas que se sussurra em becos escuros e reuniões de cúpula da máfia. Patrick Wilson não era apenas um jovem carinhoso como sua expressão atual sugeria; ele era sangue de uma linhagem que seu pai, Jack Farmiga, odiava com todas as forças.
— O que eu sou ou deixo de ser não muda o fato de que você é um Wilson — retrucou ela, tentando manter a voz firme, apesar do tremor em suas mãos. — E se meu pai souber que estou respirando o mesmo ar que você, ele provavelmente mandaria queimar este parque inteiro.
Patrick soltou um riso curto, sem humor. Ele se recostou no banco de pedra, observando a silhueta da jovem loira sob a luz pálida da lua. Havia uma delicadeza nela que contrastava violentamente com a brutalidade do mundo ao qual ambos pertenciam.
— Então temos algo em comum — disse ele, a voz baixando um tom. — Meu pai também não ficaria feliz em saber que estou perdendo meu tempo com uma garota que cai de janelas no meio da noite. Mas, como eu disse, estou tendo um dia difícil. E, francamente, a rivalidade dos nossos velhos é um tédio que eu não pretendo herdar esta noite.
Vera hesitou. Ela deveria correr. Deveria voltar para a mansão, enfrentar o destino amargo de se tornar a moeda de troca para Mike Garcia e aceitar que sua vida havia acabado no momento em que Jack assinou aquele acordo. Mas o olhar de Patrick... havia algo nele que não era frio. Era uma solidão que espelhava a dela.
— Por que um Wilson estaria em Roma, sozinho, às duas da manhã? — perguntou ela, aproximando-se um passo, movida por uma curiosidade perigosa.
— Negócios que deram errado. Ou talvez negócios que deram certo demais para o meu gosto — Patrick respondeu, estendendo a mão novamente, desta vez não para se apresentar, mas oferecendo um espaço ao seu lado no banco. — Sente-se, "Apenas Vera". Você parece que vai desmaiar a qualquer momento, e eu odiaria ter que carregar uma Farmiga inconsciente pelas ruas.
Vera arregalou os olhos, o coração dando um salto violento.
— Você sabe quem eu sou?
Patrick deu um sorriso de canto, um gesto que suavizou suas feições calculistas.
— Cabelos loiros, olhos que parecem o céu de verão e uma elegância que nem mesmo um tombo e um galo na testa conseguem esconder. Eu vi você em um jantar de gala em Veneza, três anos atrás. Você estava usando um vestido azul e parecia querer estar em qualquer lugar, menos ali. Eu me identifiquei com isso.
Vera sentiu o rosto esquentar. Ela se lembrava daquele jantar. Fora a primeira vez que sentira o peso das expectativas de ser uma Farmiga. Lentamente, ela cedeu e sentou-se na extremidade oposta do banco.
— Meu pai me vendeu — confessou ela, as palavras saindo em um sussurro quebrado, antes que pudesse filtrá-las. — Mike Garcia. Ele quer que eu me case com aquele monstro para pagar uma dívida de jogo e território.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Patrick endureceu os ombros, e a aura carinhosa que ele emanava momentos antes foi substituída por uma rigidez perigosa. O nome de Mike Garcia era conhecido por ser sinônimo de crueldade gratuita, algo que até mesmo os códigos de honra da máfia italiana viam com desdém.
— Garcia é um animal — disse Patrick, a voz agora gélida. — Jack Farmiga deve estar desesperado para entregar a única filha a um homem como aquele.
— Minha mãe tentou impedi-lo — Vera limpou uma lágrima solitária que teimava em descer. — Ela brigou, gritou... mas meu pai nunca a escuta quando o assunto é poder. Eu fugi porque... eu só queria sentir que a vida ainda era minha por algumas horas.
Patrick olhou para ela, e Vera viu algo mudar naqueles olhos azuis. Não era apenas pena; era uma compreensão profunda. Ele também era uma peça em um tabuleiro de xadrez, movida por mãos que não se importavam com seus desejos.
— Você não pode voltar — afirmou Patrick, não como uma sugestão, mas como um fato.
— Eu não tenho para onde ir — respondeu ela, desamparada. — Os seguranças já devem estar me procurando. Se eu for para a polícia, eles me devolvem em uma bandeja de prata. Se eu fugir para outra cidade, Garcia me encontra. Ele tem olhos em todos os lugares.
Patrick levantou-se e caminhou até ela. Ele era alto, e sua presença preenchia o espaço de forma esmagadora, mas Vera não sentiu medo. Pela primeira vez em horas, ela sentiu uma faísca de esperança.
— Existe um lugar onde nem mesmo Garcia ou seu pai ousariam tocar — disse ele, estendendo a mão de forma definitiva. — Comigo.
Vera olhou para a mão dele, a pele clara, os dedos longos.
— Você está sugerindo que eu fuja com um Wilson? — Ela soltou uma risada nervosa. — Isso começaria uma guerra. Uma guerra sangrenta entre nossas famílias.
— A guerra já está acontecendo, Vera. Só que, até agora, você era a única vítima silenciosa — Patrick inclinou-se um pouco, o rosto a poucos centímetros do dela. — Eu não sou o santo que você talvez deseje, e minha família é tão suja quanto a sua. Mas eu não entrego o que é meu. E, se você vier comigo, você será minha responsabilidade. Ninguém encosta em você. Nem Garcia, nem Jack.
— Por que faria isso por mim? — perguntou ela, a voz trêmula. — Você nem me conhece.
Patrick tocou levemente o queixo dela, forçando-a a olhá-lo nos olhos.
— Às vezes, reconhecemos nossa própria salvação no meio do caos. Você quer ser livre, Vera? Ou quer passar o resto da vida sendo um troféu para um traficante americano?
Vera fechou os olhos por um segundo, visualizando o rosto severo de seu pai e o olhar sujo de Mike Garcia. Então, visualizou Eleanor, sua mãe, que certamente sofreria por sua partida, mas que preferiria saber que a filha estava longe do que vê-la destruída por Garcia.
— Se eu for com você... o que acontece depois? — perguntou ela, abrindo os olhos.
— Depois, nós escrevemos nossas próprias regras — Patrick deu um passo atrás, mantendo a mão estendida. — O tempo está acabando. A troca de guarda termina em vinte minutos. Qual é a sua escolha?
Vera olhou para o parque, para as sombras das laranjeiras que a protegiam, e depois para o jovem à sua frente. Patrick Wilson era um mistério, um inimigo por linhagem, mas naquele momento, ele era a única mão estendida em um abismo.
Ela colocou sua mão pequena e delicada sobre a dele.
— Leve-me embora daqui — sussurrou ela.
Patrick fechou os dedos sobre os dela com uma firmeza possessiva, mas gentil.
— Agora você é uma Wilson, Vera. E os Wilson nunca perdem o que lhes pertence.
Eles caminharam rapidamente pelas sombras do parque. Patrick a conduziu por uma saída lateral que ela nem sabia que existia, onde um carro preto e discreto aguardava com o motor ligado. O motorista não disse uma palavra quando eles entraram no banco de trás.
Enquanto o carro se afastava das luzes de Roma, Vera olhou pelo vidro traseiro. Ela estava deixando para trás sua casa, sua mãe e a segurança da elite que conhecia, para mergulhar no desconhecido com um homem que deveria ser seu maior rival. Patrick, ao seu lado, não soltou sua mão. Ele permanecia em silêncio, observando a estrada com aquela expressão fria e calculista, mas o polegar que acariciava o dorso da mão de Vera dizia outra coisa.
— Você está tremendo — comentou ele, sem desviar o olhar do caminho.
— Estou com medo — admitiu ela com sinceridade. — De tudo. Do que meu pai vai fazer, do que você vai fazer...
— Seu pai vai gritar e ameaçar, mas ele não pode invadir Florença sem o apoio das outras famílias, o que ele não terá se descobrirem o acordo sujo com Garcia — Patrick finalmente olhou para ela, e um brilho de determinação cruzou seus olhos. — E quanto a mim... você não precisa ter medo de mim, Vera. Eu sou muitas coisas, mas nunca serei seu mestre.
— O que você ganha com isso, Patrick? — Vera perguntou, sentindo o peso da incerteza. — Ninguém na máfia faz nada de graça.
Patrick soltou um suspiro pesado e encostou a cabeça no banco.
— Meu pai quer que eu me case com a filha de um aliado em Milão. Uma união política para fortalecer o norte. Eu não a suporto. Ao levar você, eu quebro o acordo dele e crio o meu próprio fato consumado. Você me ajuda a escapar de um destino que eu não escolhi, e eu protejo você do seu.
— Então somos apenas ferramentas um para o outro? — Vera sentiu uma pontada de decepção que não soube explicar.
Patrick virou o corpo para ela, diminuindo a distância entre eles no banco de couro.
— No começo, talvez. Mas olhe para você, Vera Farmiga... você é a coisa mais bonita e pura que eu já vi em meio a tanta podridão. Talvez eu esteja sendo egoísta. Talvez eu só queira ver o que acontece quando uma laranjeira de Roma é plantada no solo de Florença.
Vera sentiu o coração acelerar. Havia uma intensidade naquelas palavras que ia além de acordos e fugas. Ela se sentia atraída pela dualidade dele — o jovem carinhoso que a ajudara no parque e o homem frio que agora planejava uma jogada de mestre contra duas das famílias mais poderosas da Itália.
— Minha mãe vai ficar arrasada — murmurou ela, pensando em Eleanor.
— Nós daremos um jeito de avisá-la que você está segura — prometeu Patrick. — Mas, por enquanto, você precisa desaparecer. Para o mundo, Vera Farmiga foi sequestrada ou fugiu. Para mim, você é o início de algo novo.
O carro começou a subir as colinas, deixando a Cidade Eterna para trás. O sol começava a dar os primeiros sinais de vida no horizonte, tingindo o céu de tons de rosa e laranja. Vera encostou a cabeça no ombro de Patrick, exausta demais para lutar contra o cansaço. Para sua surpresa, ele passou o braço ao redor dela, puxando-a para mais perto, protegendo-a do frio do ar-condicionado.
— Durma, Vera — sussurrou ele contra seus cabelos loiros. — Quando você acordar, estaremos em casa.
Ela fechou os olhos, permitindo-se ser levada pela promessa. Ela não sabia o que o futuro reservava, nem se Patrick Wilson era seu salvador ou apenas um tipo diferente de captor. Mas, enquanto o cheiro cítrico de Roma era substituído pelo perfume amadeirado e caro dele, Vera sentiu que, pela primeira vez em dezessete anos, ela não era apenas uma peça no tabuleiro de Jack Farmiga. Ela era uma jogadora. E Patrick era seu aliado mais perigoso.
A estrada para Florença era longa, pontilhada por ciprestes e segredos. Atrás deles, o império dos Farmiga começava a ruir com a notícia do desaparecimento da herdeira. Mike Garcia exigiria sangue. Jack exigiria vingança. Mas, naquele carro, envolta nos braços do herdeiro dos Wilson, Vera finalmente encontrou o silêncio que tanto buscava. Um silêncio que era apenas o prelúdio de uma tempestade que mudaria a máfia italiana para sempre.
Patrick observava a jovem dormir em seu colo. Ele sabia que o que estava fazendo era loucura. Ele estava declarando guerra a um aliado comercial e desafiando a autoridade de seu próprio pai. Mas, ao olhar para o rosto sereno de Vera, ele sentiu uma satisfação que nenhum negócio bem-sucedido jamais lhe proporcionara. Ele sempre fora frio e calculista, mas Vera... Vera despertara algo que ele acreditava estar morto: o desejo de proteger algo que não fosse apenas território ou dinheiro.
— Que comece o jogo — murmurou ele para o vazio da estrada, enquanto o sol finalmente rompia no horizonte, iluminando o caminho para o novo destino que ambos, agora, compartilhavam.
