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Pantanal

Fandom: Teen wolf

Criado: 13/04/2026

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O Olhar da Predadora

O ar de Beacon Hills tinha um cheiro específico que Stiles Stilinski nunca conseguiu esquecer, não importava quantos anos passasse em Quantico ou em missões pelo FBI. Era uma mistura de terra úmida, pinheiros e aquele pressentimento constante de que algo sobrenatural estava prestes a saltar das sombras. Em 2026, Stiles não era mais o garoto magricela que brandia um taco de beisebol com as mãos trêmulas. Aos vinte e poucos anos, seu rosto havia ganhado linhas mais maduras, a mandíbula estava mais marcada e a postura carregava a autoridade de quem já enfrentara horrores que a maioria dos agentes federais nem ousaria imaginar.

Ele ajustou o coldre sob a jaqueta escura e suspirou, observando a neblina baixa que rastejava pelo solo da reserva. Seu pai, o Xerife Stilinski, estava sob pressão. Relatos de ataques a gado e avistamentos de um animal exótico — algo que não pertencia à fauna da Califórnia — haviam colocado a cidade em alerta. Scott e a alcateia já haviam sentido uma energia diferente, algo selvagem e estrangeiro, mas a criatura era rápida demais para ser rastreada pelos lobisomens.

— Stiles, tome cuidado — a voz de Scott ecoou pelo rádio em seu cinto. — O cheiro dela... não é como nada que já sentimos. É antigo. E está vindo do sul, talvez de outro continente.

— Recebido, Scotty. Vou manter meus olhos abertos e meu sarcasmo guardado. Pelo menos por enquanto — Stiles respondeu, desligando o rádio com um estalo.

Ele caminhava cautelosamente, tentando usar as técnicas de rastreamento que aprendera no FBI, mas a floresta de Beacon Hills parecia querer pregar peças nele, como sempre fazia. O sol estava começando a se pôr, tingindo as árvores de um laranja sangrento.

Enquanto avançava por uma trilha menos densa, seus pensamentos divagaram por um segundo sobre o relatório que lera no avião. "Possível criatura de origem sul-americana". Antes que pudesse processar o próximo passo, seu pé direito prendeu-se em um galho retorcido escondido sob a folhagem seca.

— Droga! — exclamou Stiles, perdendo o equilíbrio.

Ele caiu pesadamente, indo parar sentado no chão coberto de folhas mortas. A dor aguda no tornozelo o fez franzir o cenho, mas o silêncio repentino da floresta o fez congelar. O som dos pássaros cessou. O vento parou de soprar.

Um farfalhar suave veio da moita densa à sua frente. Stiles levou a mão à arma, mas não a sacou. Algo em seu instinto — aquele mesmo instinto que o salvara tantas vezes quando era apenas o "humano" do grupo — disse para ele esperar.

Lentamente, uma silhueta emergiu das sombras. Não era um lobo.

Era uma onça-pintada. Mas não uma qualquer. Sua pelagem era de um dourado vibrante, com rosetas negras tão profundas que pareciam feitas de veludo. O animal era magnífico, musculoso e exalava uma aura de poder que fazia o ar vibrar.

Stiles prendeu a respiração. Ele estava fascinado. O medo estava lá, uma pulsação rápida em sua carótida, mas a beleza do animal era hipnotizante. A onça se aproximou lentamente, cada passo calculado, as patas tocando o chão sem emitir um único ruído. Ela parou a poucos centímetros dele, os olhos grandes e intensos fixos nos dele.

— Você é... você é a coisa mais linda que já vi nesta floresta — sussurrou Stiles, as palavras escapando antes que ele pudesse contê-las.

A onça inclinou a cabeça, parecendo entender o elogio. Ela não rosnou. Em vez disso, deu mais um passo, diminuindo a distância até que o calor de seu corpo pudesse ser sentido por Stiles.

Com o coração martelando contra as costelas, Stiles estendeu a mão. Seus dedos tremiam levemente. Ele esperava que ela o atacasse, que mostrasse as presas, mas a onça apenas esperou. Ele tocou a testa do animal, sentindo a pelagem macia e firme. No momento em que seus dedos fizeram contato, uma descarga elétrica percorreu seu braço.

O que aconteceu a seguir desafiou a lógica, mesmo para os padrões de Beacon Hills. Os ossos da onça começaram a estalar e se rearranjar em um ritmo fluido, quase como uma dança. Onde antes havia pelos, surgiu pele pálida e macia. Onde havia garras, surgiram mãos delicadas.

Em segundos, a fera desapareceu, e em seu lugar, uma mulher estava ajoelhada diante de Stiles.

Ela tinha cabelos castanhos longos e ondulados, que caíam de forma selvagem sobre seus ombros, cobrindo parcialmente os seios expostos. Seu rosto era de uma beleza clássica e arrebatadora, com traços que lembravam a Stiles uma delicadeza quase etérea, mas com olhos que ainda guardavam o fogo da predadora. Era Nala.

Stiles ficou paralisado, a mão ainda estendida no ar, agora a poucos centímetros do rosto da mulher. Ele percorreu o rosto dela com os dedos, tocando a maçã do rosto, sentindo a pele quente e viva.

— Você... — Stiles começou, mas a voz falhou.

Nala o encarava com uma curiosidade intensa. Ela nunca tinha visto um homem como ele. Havia algo no cheiro dele — café, papel antigo e uma determinação férrea — que a intrigava. Ela não sentia medo. Sentia uma conexão magnética que a puxava para frente.

— Você me encontrou — disse ela. A voz era baixa, com um sotaque suave e melodioso que Stiles não conseguiu identificar de imediato, mas que parecia vir de algum lugar quente e distante.

— Eu não estava exatamente procurando por uma mulher... — Stiles soltou um riso nervoso, tentando manter o contato visual para não desviar os olhos para a nudez dela, embora o rubor em suas bochechas fosse inevitável. — Eu estava procurando por um perigo. Mas acho que o perigo é relativo.

Nala inclinou-se para frente, fechando a distância entre eles. Ela sentiu o fascínio dele, a maneira como os dedos dele tremiam levemente contra sua pele. Ela levou a própria mão ao peito de Stiles, sentindo o distintivo do FBI através do tecido da jaqueta, e depois subindo para sentir a batida acelerada do coração dele.

— Você tem um coração corajoso para um humano — comentou Nala, os olhos brilhando. — Outros teriam corrido. Ou atirado.

— Eu nunca fui muito bom em seguir o protocolo — admitiu Stiles, finalmente encontrando coragem para sustentar o olhar dela. — Quem é você? E o que uma onça está fazendo em Beacon Hills?

Nala sorriu, um gesto pequeno que iluminou seu rosto selvagem.

— Meu nome é Nala. Eu vim de muito longe, seguindo o rastro de algo que se perdeu. Mas agora... — ela fez uma pausa, os dedos dela subindo para tocar a mandíbula de Stiles — ... acho que encontrei algo que não sabia que estava procurando.

Stiles sentiu um arrepio que não tinha nada a ver com o frio da noite que caía. Ele sabia que deveria chamar Scott. Sabia que deveria informar ao seu pai que a "ameaça" havia sido localizada. Mas, ali, sentado no chão da floresta com uma mulher que era metade deusa e metade fera, as regras do mundo lá fora pareciam não ter importância.

— Você está em perigo aqui, Nala — disse ele, a voz tornando-se mais séria, embora seus dedos ainda acariciassem o contorno da orelha dela. — Há pessoas procurando por você. Nem todos são tão... compreensivos quanto eu.

— E você é compreensivo, Stiles? — ela perguntou, sabendo o nome dele antes mesmo dele dizer, como se o tivesse lido em sua alma.

— Eu sou o cara que mantém os monstros longe das pessoas — respondeu ele, aproximando o rosto do dela. — Mas, olhando para você, estou começando a achar que o mundo é que é o monstro.

Nala soltou um suspiro curto e se aproximou ainda mais, seus cabelos bagunçados roçando o rosto de Stiles. A tensão entre eles era palpável, uma corda esticada prestes a romper.

— Então me proteja — sussurrou ela contra os lábios dele. — Proteja a predadora do mundo.

Stiles soube naquele momento que sua missão havia mudado completamente. Ele não era mais apenas o agente do FBI ou o filho do xerife. Ele era o homem que acabara de encontrar o seu destino no meio de uma floresta escura, e esse destino tinha olhos de onça e o toque de fogo.

— Eu vou — prometeu ele, a voz firme. — Eu prometo.

Antes que qualquer outra palavra fosse dita, o rádio de Stiles chiou novamente, quebrando o feitiço.

— Stiles? Você está aí? Encontramos rastros de sangue perto do riacho. Scott acha que ela está ferida. Responda!

Stiles olhou para o rádio e depois de volta para Nala. Ela não parecia ferida, apenas alerta, as pupilas dilatando-se com o som da voz vindo do aparelho.

— Eu tenho que ir — disse ele, embora não fizesse menção de se levantar. — Mas eu volto. Você consegue se esconder?

Nala assentiu, começando a se afastar, os movimentos já ganhando aquela fluidez felina novamente.

— Eu estarei nas sombras, Stiles. Sempre observando.

Com um último olhar carregado de promessas silenciosas, ela se virou e, em um piscar de olhos, a forma humana desapareceu para dar lugar à onça dourada, que saltou para dentro da mata fechada e sumiu na escuridão.

Stiles ficou ali, sentado no chão, o coração ainda disparado e o calor da pele dela ainda queimando em seus dedos. Ele pegou o rádio, limpando a garganta para disfarçar a emoção.

— Aqui é o Stiles. Eu... eu investiguei a área. Não vi nada além de alguns coiotes. Devem ser eles que estão assustando o gado. Vou continuar a busca amanhã.

Ele mentiu. Pela primeira vez em anos, ele mentiu para Scott e para o pai. E, enquanto se levantava e limpava a sujeira das calças, ele sabia que faria isso de novo e de novo para ver aqueles olhos dourados mais uma vez.

A caçada havia começado, mas Stiles Stilinski não era mais o caçador. Ele era, de bom grado, a presa.
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