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Garota da tatuagem de aranha

Fandom: Stray kids

Criado: 19/04/2026

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RomanceDramaAngústiaCrimeDor/ConfortoSombrioAçãoEstudo de Personagem
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Teia de Sangue e Seda

A fumaça do cigarro de cereja dançava no ar gelado da madrugada, misturando-se à penumbra do beco onde Akemi estava encostada. O metal frio do piercing lateral em seu lábio inferior brilhava sob a luz fraca do poste, e seus cabelos, negros como a noite mas com o rubro escondido na nuca como uma chama latente, emolduravam um rosto que não demonstrava medo, apenas tédio. Para ela, a vida era um jogo de peças descartáveis. Compromisso era uma palavra que não existia em seu vocabulário, uma âncora que ela não estava disposta a carregar.

Do outro lado da cidade, em um apartamento que exalava ordem e um futuro planejado, Hyunjin olhava para o celular pela centésima vez. Seus olhos pretos, profundos e expressivos, carregavam uma melancolia que ele tentava esconder sob a fachada de um homem sério e focado. Aos 23 anos, ele já sabia o que queria: estabilidade, um lar e alguém para amar de verdade. E essa pessoa era Akemi, a mulher que era o oposto de tudo o que ele considerava seguro.

Ele sabia que ela era perigosa. Sabia que ela era o tipo de caos que poderia arruinar sua vida meticulosamente organizada. Mas, toda vez que ela sorria de lado, revelando o brilho do metal na boca, ou quando ele sentia a curva de sua cintura sob as mãos, Hyunjin se perdia. Ele aceitava as migalhas que ela oferecia, as noites sem promessas, o descompromisso frio. Ele aprendeu a navegar no mar revolto dela, tornando-se o porto calmo onde ela ocasionalmente ancorava.

— Você está pensando demais de novo, Hyunjin — disse ela, semanas atrás, enquanto se vestia para ir embora após uma noite juntos.

— Só estou pensando no amanhã — respondeu ele, levantando-se para ajudá-la com o casaco, o gesto cavalheiro de sempre.

— O amanhã é uma mentira — Akemi riu, um som seco. — Só existe o agora. Não tente colocar coleira no que nasceu para ser livre.

E então, ela sumiu.

Não era a primeira vez que Akemi desaparecia por algumas horas, mas três dias era um recorde, mesmo para ela. Hyunjin sentiu o aperto no peito aumentar a cada hora sem resposta. Ele conhecia os rumores. Sabia que Akemi não era apenas uma garota rebelde de 22 anos com um corpo de ampulheta e um gosto por adrenalina. Havia algo mais sombrio correndo sob aquela pele tatuada.

No terceiro dia, o silêncio tornou-se insuportável. Hyunjin não era um homem de violência, mas não era ingênuo. Ele seguiu os rastros que ela deixara propositalmente ou não, pistas que o levaram até a zona portuária, um complexo de galpões abandonados onde a lei não ousava entrar.

Ao empurrar as pesadas portas de ferro de um dos galpões, o cheiro de óleo, pólvora e couro o atingiu. O lugar estava iluminado por holofotes industriais, e o som de vozes baixas e metálicas ecoava. No centro do pavilhão, sentada em uma cadeira que parecia um trono improvisado de metal, estava ela.

Akemi não usava o casaco largo de costume. Ela vestia um top curto e calças de cintura baixa que deixavam sua pele à mostra. Ali, na lateral de sua cintura, a famosa tatuagem de aranha — uma viúva-negra com pernas longas que pareciam abraçar seu quadril — estava em plena exibição. Era o símbolo de sua linhagem, a marca de quem governava aquela gangue.

— Você não deveria ter vindo aqui, Hyunjin — disse ela, sua voz ecoando com uma autoridade que ele nunca tinha ouvido antes.

Os homens ao redor, todos armados e com expressões fechadas, deram um passo à frente, mas Akemi levantou a mão, um gesto simples que os paralisou instantaneamente.

— Eu fiquei preocupado — disse Hyunjin, mantendo a voz firme apesar do tremor em suas mãos. — Três dias, Akemi. Sem uma palavra.

— Eu estava ocupada limpando a casa — ela desceu do trono, caminhando em direção a ele com uma elegância predatória. — Ser a líder exige tempo. E exige que eu não tenha distrações... como você.

Hyunjin olhou para a tatuagem de aranha, o símbolo que agora ele entendia ser o selo de sua autoridade. Ele se aproximou, ignorando os olhares mortais dos capangas.

— Você sempre disse que queria liberdade — falou ele, parando a poucos centímetros dela. — Mas você está presa a isso aqui. Por que não pode se prender a algo que te faça bem?

Akemi parou, o brilho do piercing refletindo a luz fria. Por um momento, a máscara de frieza vacilou.

— Eu fui ensinada assim, Hyunjin — confessou ela, a voz baixando para um sussurro que apenas ele podia ouvir. — Primeiro a diversão, o caos, o poder. Só depois o compromisso. É assim que minha família sobreviveu. Se você mostra fraqueza, se você se prende a alguém cedo demais, você morre.

— Eu não sou uma fraqueza — rebateu ele, estendendo a mão para tocar o rosto dela, um gesto de carinho que parecia deslocado naquele ambiente hostil. — Eu sou a estabilidade que você não sabia que precisava.

Akemi fechou os olhos por um segundo, sentindo o calor da mão dele. Ela passou a vida fugindo de rótulos, fugindo de qualquer coisa que cheirasse a "para sempre", porque o "para sempre" no mundo dela costumava terminar em um caixão. Mas Hyunjin era persistente. Ele era gentil, era o homem que pensava no futuro enquanto ela só tentava sobreviver ao presente.

— Meus homens vão achar que estou ficando mole — murmurou ela, embora não se afastasse.

— Deixe que achem — sorriu Hyunjin, um sorriso triste mas esperançoso. — Você já provou que pode governar isso tudo. Agora, prove que pode governar a sua própria vida.

Akemi olhou ao redor, para o galpão frio, para os homens que esperavam suas ordens, e depois para o homem à sua frente, que oferecia algo que ela nunca se permitiu ter: paz. Ela se lembrou das lições de seu pai sobre como o prazer vinha antes do dever, mas percebeu que já tinha se divertido o suficiente com o perigo.

— Vocês estão dispensados por hoje — ordenou ela, sua voz recuperando a força, mas sem o tom cortante de antes.

Os homens se entreolharam, confusos, mas obedeceram, retirando-se para as sombras do galpão até que apenas os dois restassem sob o holofote central.

— Isso significa que você vai voltar comigo? — perguntou Hyunjin, o coração batendo forte contra as costelas.

Akemi guardou a faca que trazia presa à bota e ajeitou o cabelo, escondendo a parte vermelha sob o preto novamente. Ela caminhou até ele e, pela primeira vez, não foi um toque de provocação ou de luxúria momentânea. Ela entrelaçou seus dedos nos dele.

— Significa que eu cansei de fugir de algo que já me pegou — disse ela, olhando-o nos olhos. — Eu não prometo que vai ser fácil. Meu mundo não some só porque eu decidi ter um namorado.

— Eu sei — respondeu ele, beijando a testa dela com a reverência de quem protege um tesouro. — Eu nunca pedi que fosse fácil. Só pedi que fosse real.

Akemi sorriu, e desta vez não havia sarcasmo. O compromisso, aquela palavra que antes parecia uma sentença de morte, agora soava como um novo tipo de liberdade. Ela tinha passado anos sendo a aranha que tecia teias para capturar e descartar, mas finalmente, ela tinha encontrado alguém que não tinha medo de ficar preso em seus fios.

— Vamos para casa, Hyunjin — disse ela, puxando-o em direção à saída. — Eu tenho uma vida estável para começar a planejar... mas não se acostume. Eu ainda sou a líder da gangue.

— Eu sei, Akemi — riu ele, sentindo o peso do mundo sair de seus ombros. — E eu serei o homem mais orgulhoso ao seu lado, seja no trono ou no sofá da nossa sala.

Enquanto caminhavam para fora do galpão, deixando a escuridão para trás, a tatuagem de aranha na cintura de Akemi ficou oculta sob o casaco que Hyunjin, cavalheiro como sempre, colocou sobre os ombros dela. O jogo de diversão tinha acabado; o capítulo do compromisso estava apenas começando.
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