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Segredos

Fandom: Misana

Criado: 20/04/2026

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O Silêncio Tem Gelo (E Eu Esqueci Meus Patins)

A cafeteria da Universidade de Artes de Seul estava, como de costume, um caos organizado de cheiro de tinta a óleo, notas de piano desafinadas vindas do bloco vizinho e o aroma onipresente de cafeína barata. Para Sana, aquele era o cenário perfeito para a glória. Ou para o desastre absoluto.

Sentada em uma mesa estrategicamente posicionada, ela estava cercada pelo seu "conselho de guerra". Jihyo batia o dedo rítmico na mesa, observando o cronômetro imaginário. Nayeon mastigava um donut com uma expressão de puro deboche, enquanto Jeongyeon tentava, sem muito sucesso, equilibrar três sachês de açúcar um em cima do outro.

— Trinta dias, Sana. O relógio está correndo — provocou Nayeon, limpando o açúcar do canto da boca. — E até agora, a única coisa que você conquistou foi uma dor de pescoço de tanto olhar para a porta.

— Ela ainda não chegou — rebateu Sana, ajeitando a franja no reflexo da tela do celular. — Uma rainha nunca chega cedo. Ela faz sua entrada.

— Se por "entrada" você quer dizer "entrar como se estivesse em um funeral e ignorar a existência de todos os seres vivos em um raio de dez quilômetros", então sim, ela é uma especialista — Jeongyeon riu, derrubando sua torre de açúcar. — Sinceramente, Sana, desiste. O sushi por minha conta vai ser uma delícia enquanto assisto você chorar por ter sido ignorada pela Myoui "Coração de Nitrogênio" Mina.

— Eu não desisto — Sana declarou, levantando-se com uma determinação que beirava o dramático. — Observem e aprendam.

E então, o ar pareceu mudar de temperatura. A porta da cafeteria se abriu e o burburinho pareceu diminuir uma oitava. Myoui Mina entrou.

Ela usava um sobretudo longo e escuro, fones de ouvido grandes que serviam como um escudo visual e carregava uma pasta de partituras como se fosse um tesouro sagrado. Mina não olhava para os lados. Seus olhos estavam fixos em um ponto invisível no horizonte, e sua expressão era tão gélida que Sana jurou ter visto uma geada se formar nos copos de suco próximos.

Sana respirou fundo. Ela era a personificação do sol; Mina era o lado escuro da Lua. O que poderia dar errado?

— Lá vai ela — sussurrou Jihyo, agora genuinamente interessada.

Sana caminhou pelo corredor central com seu melhor sorriso "comercial de pasta de dente". Ela interceptou o caminho de Mina logo antes da fila do café.

— Oi! Bom dia! — Sana exclamou, inclinando a cabeça para o lado de uma forma que ela considerava adorável.

Mina nem sequer piscou. Ela continuou andando, desviando milimetricamente de Sana como se estivesse contornando um poste de iluminação ou um obstáculo inanimado no caminho.

Sana estancou por um segundo, o sorriso vacilando, mas logo se recuperou. Ela deu dois passos rápidos para se emparelhar com a garota japonesa.

— Nossa, está frio hoje, não é? — Sana continuou, gesticulando freneticamente. — Eu quase não consegui sair da cama. Sou a Sana, a propósito. Acho que estudamos História da Arte juntas na terça-feira. Você se senta na terceira fileira, perto da janela, e eu me sento... bom, eu me sento onde houver espaço, mas eu sempre vejo você!

Mina parou diante do balcão. Ela retirou um dos lados do fone de ouvido, mas não olhou para Sana.

— Um Americano gelado. Sem açúcar — disse Mina para o atendente. Sua voz era baixa, calma e tão fria quanto a bebida que pedia.

— E um Caramel Macchiato com extra de chantilly para mim! — Sana interrompeu, debruçando-se no balcão ao lado de Mina. — É para a mesma conta. Eu pago!

Pela primeira vez, os olhos de Mina se moveram. Ela virou o rosto lentamente na direção de Sana. Seus olhos eram escuros e profundos, mas não havia calor neles. Havia apenas uma curiosidade clínica, como se estivesse observando um inseto particularmente barulhento.

— Não — disse Mina.

— Ah, qual é! É só um café — Sana insistiu, tentando manter o tom leve enquanto sentia o suor frio descer pelas costas. — Considera um presente de boas-vindas atrasado. Ou um "oi, vamos ser amigas".

Mina voltou a colocar o fone de ouvido sem dizer mais uma palavra. Ela entregou o cartão para o atendente, pagou pelo próprio café e esperou em silêncio absoluto.

Sana, sentindo o olhar pesado de suas amigas ao fundo, não se deu por vencida. Ela começou a tagarelar sobre o novo professor de escultura, sobre como a cor do céu estava bonita naquele dia e sobre uma teoria absurda que ela tinha de que os esquilos do campus eram espiões do reitor.

— ... e então eu pensei: se o esquilo tem um rádio, onde ele esconde? — Sana riu sozinha, uma risada nervosa que ecoou pela cafeteria agora silenciosa.

Mina recebeu seu café. Ela pegou o copo, ajeitou a pasta sob o braço e começou a caminhar em direção à saída.

— Ei, espera! — Sana a seguiu, quase tropeçando nos próprios pés. — Você não respondeu sobre os esquilos. Ou sobre o meu nome. Você é a Mina, certo? Myoui Mina?

Mina parou na porta de vidro. Ela suspirou, um som quase imperceptível, e olhou para Sana.

— Você fala muito — disse Mina. Não era um insulto, era uma constatação de fato, como dizer que a grama é verde.

— Eu sei! É um dos meus charmes — Sana piscou, recuperando a confiança. — Algumas pessoas dizem que eu sou como um rádio quebrado, mas eu prefiro pensar que sou uma trilha sonora constante.

Mina a encarou por mais três segundos. O silêncio se estendeu, tornando-se desconfortável para qualquer pessoa normal, mas Sana apenas sustentou o olhar, mantendo o sorriso radiante.

— Você está no meu caminho — disse Mina, com a voz desprovida de qualquer emoção.

Sana olhou para baixo e percebeu que estava, de fato, bloqueando a saída da porta giratória.

— Ah! Desculpe. Mas você ainda não me deu seu número. Ou seu Instagram. Ou um sinal de fumaça.

Mina não respondeu. Ela simplesmente esperou que Sana se afastasse, passou pela porta e seguiu pelo pátio nevado sem olhar para trás nem uma única vez.

Sana ficou ali, parada, observando a silhueta elegante desaparecer na distância. Ela sentiu uma mistura estranha de frustração e uma excitação que não conseguia explicar.

— E então? — A voz de Nayeon surgiu logo atrás dela, carregada de sarcasmo. — Como foi o casamento? Já escolheram o nome dos filhos ou ela só te tratou como um móvel invisível?

Sana se virou, um brilho perigoso nos olhos.

— Ela falou comigo — declarou Sana, triunfante.

— Ela disse que você fala demais e mandou você sair da frente — pontuou Jeongyeon, aproximando-se com Jihyo. — Eu leio lábios, Sana. Foi um massacre.

— Ela notou a minha existência! — Sana insistiu, ignorando as amigas. — Vocês viram o jeito que ela olhou para mim? Foi intenso.

— Foi desprezo, Sana. O nome disso é desprezo — Jihyo colocou a mão no ombro da amiga, genuinamente preocupada com a sanidade dela. — Talvez a gente deva cancelar essa aposta. Ela parece... difícil. Não do tipo "difícil de conquistar", mas do tipo "vai destruir sua autoestima e te fazer mudar de país".

Sana olhou para o portão por onde Mina havia saído. Ela lembrou da pele pálida de Mina, do jeito que ela segurava as partituras com cuidado quase maternal e da solidão que parecia emanar dela, mesmo no meio de uma multidão. Não era apenas sobre a aposta agora. Havia um mistério ali. Um desafio que o ego de Sana exigia vencer, mas que seu coração, de forma traiçoeira, começava a querer entender.

— O jantar de sushi vai ser maravilhoso — disse Sana, com um sorriso que desta vez não era para as câmeras ou para as amigas, mas para si mesma. — Porque eu não vou apenas ganhar essa aposta. Eu vou fazer a Rainha da Neve derreter.

— Ela vai te congelar viva antes disso — profetizou Nayeon, revirando os olhos.

— Então eu vou precisar de muito café quente — Sana riu, começando a caminhar. — E de um plano B. E talvez de um plano C.

— Qual é o plano B? — perguntou Jeongyeon.

Sana parou e olhou para as partituras que Mina havia quase derrubado. No chão, um pequeno clipe de papel em formato de cisne havia caído da pasta da garota. Sana se abaixou e o pegou, sentindo o metal frio contra a palma da mão.

— O plano B é devolver isso aqui — Sana mostrou o clipe. — Amanhã. Com um bilhete. E talvez um doce.

— Você é persistente, eu te dou esse crédito — admitiu Jihyo.

— Eu sou Sana — corrigiu a garota, guardando o pequeno cisne no bolso como se fosse um amuleto. — E eu adoro um desafio glaciar.

Enquanto as quatro amigas caminhavam em direção ao bloco de artes, Sana sentia o peso da mentira da aposta cutucar o fundo de sua mente. Por um breve momento, ela se perguntou como Mina reagiria se soubesse que aquele "oi" entusiasmado valia um jantar caro. Mas ela rapidamente afastou o pensamento. Era apenas um jogo, certo?

Mal sabia ela que, no andar de cima da biblioteca, escondida atrás de uma prateleira de livros de música antiga, Myoui Mina observava o pátio pela janela. Ela tocou o bolso onde deveria estar seu clipe de partitura favorito e suspirou. Pela primeira vez em muito tempo, a imagem de um sorriso excessivamente brilhante e uma voz tagarela sobre esquilos espiões se recusava a sair de sua mente.

Mina não gostava de barulho. Mas, por algum motivo, o silêncio do seu mundo parecia, naquele momento, um pouco vazio demais.
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