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Entre espadas e trono
Fandom: LMSY
Criado: 22/04/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaFantasiaSombrioMorte de PersonagemViolência GráficaHistóricoAçãoEstudo de PersonagemSuspensePsicológicoDor/ConfortoSobrevivência
O Gosto de Sangue e Cinzas
O cheiro de pólvora e metal queimado ainda pairava no ar pesado da fronteira. As chamas que consumiam a carruagem real projetavam sombras longas e distorcidas contra as árvores da floresta densa. No centro do caos, o silêncio era mais ensurdecedor do que os gritos dos soldados moribundos.
Lookmhee Punyapat permanecia imóvel, uma figura imponente de um metro e oitenta, envolta em uma armadura negra que parecia absorver a pouca luz da lua. Seu rosto, esculpido em linhas duras e inexpressivas, não demonstrava cansaço, apenas uma determinação gélida. A pequena cicatriz no canto de sua boca — lembrança de uma batalha que muitos preferiam esquecer — repuxou levemente quando ela deu um passo à frente.
Aos seus pés, cercada por guardas de elite, estava a razão de toda aquela carnificina.
Sonya Saranphat estava de joelhos, o vestido de seda clara manchado de terra e fuligem. Seus cabelos castanho-claro, geralmente impecáveis, caíam em cascatas desordenadas sobre os ombros. Ela respirava com dificuldade, mas seus olhos — grandes e expressivos — não mostravam a submissão que Lookmhee esperava. Havia fogo ali. Um fogo perigoso.
— A herdeira de Pedersen, finalmente em minhas mãos — disse Lookmhee, sua voz era um barítono baixo, controlado, que vibrava no peito de quem a ouvia. — Você causou muitos problemas hoje, Sonya.
A general estendeu a mão enluvada, pretendendo erguer o queixo da princesa para inspecionar sua "aquisição". O movimento foi calmo, quase preguiçoso, fruto da arrogância de quem nunca foi desafiado.
Foi um erro.
Em um movimento tão rápido que os guardas mal conseguiram reagir, Sonya sacou uma pequena adaga de prata que trazia escondida na bota. Ela não recuou; ela avançou. O metal brilhou sob o luar antes de encontrar o alvo.
A lâmina rasgou o dorso da mão de Lookmhee, cortando o couro da luva e abrindo um sulco profundo na pele. O sangue, quente e escarlate, jorrou imediatamente, pingando sobre as folhas secas no chão.
Os soldados avançaram com as lanças em riste, mas Lookmhee ergueu a mão ferida, sinalizando para que parassem. Ela não recuou. Ela sequer piscou.
— Afastem-se — ordenou a general, sem desviar o olhar da princesa.
Lookmhee levou a mão ferida à altura do rosto. O corte era profundo, a dor latejava em um ritmo constante, mas ela sentiu uma faísca de algo que não experimentava há anos: interesse. Ela observou o sangue escorrer pelos seus dedos e então olhou para Sonya, que ainda segurava a adaga, trêmula, mas desafiadora.
— Você tem garras — comentou Lookmhee, dando um passo lento em direção à mulher mais baixa. — Eu sabia que a linhagem Pedersen era teimosa, mas não achei que fosse suicida.
— Eu preferiria morrer a ser um troféu na sua parede, Punyapat — cuspiu Sonya, a voz carregada de um veneno que contrastava com sua aparência delicada. — Você é um monstro. Um animal que só conhece a destruição.
Lookmhee soltou uma risada curta e sem humor, um som seco que arrepiou a espinha de Sonya.
— Um monstro? Talvez. Mas sou o monstro que agora possui você.
Com uma rapidez sobre-humana, a general agarrou o pulso de Sonya, apertando-o até que a adaga caísse no chão com um baque metálico. A diferença de altura era intimidadora; Lookmhee pairava sobre ela, uma muralha de autoridade e controle.
— Olhe para mim — ordenou a general.
Sonya tentou desviar o rosto, mas Lookmhee usou a outra mão — a ferida, ainda sangrando — para segurar seu queixo com firmeza. O sangue de Lookmhee manchou a pele clara de Sonya, marcando-a como propriedade de guerra.
— Você vai aprender que, sob o meu comando, o silêncio é a sua melhor arma — disse Lookmhee, a voz agora um sussurro perigoso perto do ouvido de Sonya. — E cada vez que você tentar me ferir, eu garantirei que a dor que voltará para você seja dez vezes pior.
— Você não pode me manter presa para sempre — sibilou Sonya, embora seu coração martelasse contra as costelas. — Meu pai destruirá cada centímetro do seu reino para me levar de volta.
— Deixe que ele tente — respondeu Lookmhee, um brilho obsessivo surgindo em seus olhos escuros. — Ele enviará exércitos, e eu os transformarei em cinzas. Você não entende, Sonya? Você não é mais uma moeda de troca. Você é minha.
A general soltou o queixo de Sonya e virou-se para seus subordinados.
— Preparem os cavalos. Levem-na para a Fortaleza de Marfim. Quero-a na torre leste, sob guarda máxima. Se ela perder um fio de cabelo que não seja por minha ordem, as cabeças de vocês rolarão antes do amanhecer.
Os soldados bateram as lanças no chão em sinal de obediência. Sonya foi erguida rudemente pelos braços. Ela lutou, chutou e gritou insultos, mas Lookmhee já não parecia ouvir. A general caminhava em direção ao seu corcel negro, limpando o sangue da mão na própria capa, embora a mancha permanecesse ali, escura e persistente.
Enquanto montava, Lookmhee olhou para trás uma última vez. Sonya estava sendo forçada a subir em um cavalo, cercada por quatro cavaleiros. A princesa olhou para ela, e por um breve segundo, o ódio nas orbes castanhas de Sonya foi tão intenso que Lookmhee sentiu um formigamento na base da nuca.
— Interessante — murmurou a general para si mesma, tocando a pequena cicatriz em sua boca.
Ela sempre fora uma mulher de métodos e lógica. O controle era sua religião. Mas, ao olhar para a herdeira que acabara de marcar sua pele, Lookmhee percebeu que o sequestro de Sonya Saranphat não era apenas uma estratégia de guerra. Era o início de uma obsessão que, ela suspeitava, poderia ser a única coisa capaz de quebrar sua couraça de gelo.
— Vamos — ordenou Lookmhee, esporeando o cavalo. — Temos um longo caminho até casa.
A cavalgada pela floresta foi silenciosa, interrompida apenas pelo som dos cascos batendo no solo úmido. Sonya, apesar de exausta, mantinha a coluna ereta. Ela observava as costas da general à sua frente, a silhueta alta e imponente que parecia comandar a própria escuridão ao seu redor.
Ela tocou o próprio rosto, onde o sangue de Lookmhee havia secado. O cheiro metálico ainda estava lá.
— Você cometeu um erro, Punyapat — pensou Sonya, cerrando os punhos. — Você acha que me capturou, mas apenas me deu a oportunidade de ver de perto como o seu coração para de bater.
Na frente do comboio, Lookmhee sentiu o olhar de Sonya queimando em suas costas. Ela sorriu, um gesto mínimo que ninguém viu. A dor na mão era um lembrete vívido de que sua nova prisioneira tinha espírito. E Lookmhee não via a hora de, metodicamente, desconstruir cada parte desse espírito até que não restasse nada além dela mesma na mente da princesa.
O reino de Pedersen poderia estar em chamas, mas para Lookmhee Punyapat, a verdadeira guerra estava apenas começando. E o prêmio era muito mais valioso do que terras ou coroas. Era a rendição total da mulher que ousara fazê-la sangrar.
Lookmhee Punyapat permanecia imóvel, uma figura imponente de um metro e oitenta, envolta em uma armadura negra que parecia absorver a pouca luz da lua. Seu rosto, esculpido em linhas duras e inexpressivas, não demonstrava cansaço, apenas uma determinação gélida. A pequena cicatriz no canto de sua boca — lembrança de uma batalha que muitos preferiam esquecer — repuxou levemente quando ela deu um passo à frente.
Aos seus pés, cercada por guardas de elite, estava a razão de toda aquela carnificina.
Sonya Saranphat estava de joelhos, o vestido de seda clara manchado de terra e fuligem. Seus cabelos castanho-claro, geralmente impecáveis, caíam em cascatas desordenadas sobre os ombros. Ela respirava com dificuldade, mas seus olhos — grandes e expressivos — não mostravam a submissão que Lookmhee esperava. Havia fogo ali. Um fogo perigoso.
— A herdeira de Pedersen, finalmente em minhas mãos — disse Lookmhee, sua voz era um barítono baixo, controlado, que vibrava no peito de quem a ouvia. — Você causou muitos problemas hoje, Sonya.
A general estendeu a mão enluvada, pretendendo erguer o queixo da princesa para inspecionar sua "aquisição". O movimento foi calmo, quase preguiçoso, fruto da arrogância de quem nunca foi desafiado.
Foi um erro.
Em um movimento tão rápido que os guardas mal conseguiram reagir, Sonya sacou uma pequena adaga de prata que trazia escondida na bota. Ela não recuou; ela avançou. O metal brilhou sob o luar antes de encontrar o alvo.
A lâmina rasgou o dorso da mão de Lookmhee, cortando o couro da luva e abrindo um sulco profundo na pele. O sangue, quente e escarlate, jorrou imediatamente, pingando sobre as folhas secas no chão.
Os soldados avançaram com as lanças em riste, mas Lookmhee ergueu a mão ferida, sinalizando para que parassem. Ela não recuou. Ela sequer piscou.
— Afastem-se — ordenou a general, sem desviar o olhar da princesa.
Lookmhee levou a mão ferida à altura do rosto. O corte era profundo, a dor latejava em um ritmo constante, mas ela sentiu uma faísca de algo que não experimentava há anos: interesse. Ela observou o sangue escorrer pelos seus dedos e então olhou para Sonya, que ainda segurava a adaga, trêmula, mas desafiadora.
— Você tem garras — comentou Lookmhee, dando um passo lento em direção à mulher mais baixa. — Eu sabia que a linhagem Pedersen era teimosa, mas não achei que fosse suicida.
— Eu preferiria morrer a ser um troféu na sua parede, Punyapat — cuspiu Sonya, a voz carregada de um veneno que contrastava com sua aparência delicada. — Você é um monstro. Um animal que só conhece a destruição.
Lookmhee soltou uma risada curta e sem humor, um som seco que arrepiou a espinha de Sonya.
— Um monstro? Talvez. Mas sou o monstro que agora possui você.
Com uma rapidez sobre-humana, a general agarrou o pulso de Sonya, apertando-o até que a adaga caísse no chão com um baque metálico. A diferença de altura era intimidadora; Lookmhee pairava sobre ela, uma muralha de autoridade e controle.
— Olhe para mim — ordenou a general.
Sonya tentou desviar o rosto, mas Lookmhee usou a outra mão — a ferida, ainda sangrando — para segurar seu queixo com firmeza. O sangue de Lookmhee manchou a pele clara de Sonya, marcando-a como propriedade de guerra.
— Você vai aprender que, sob o meu comando, o silêncio é a sua melhor arma — disse Lookmhee, a voz agora um sussurro perigoso perto do ouvido de Sonya. — E cada vez que você tentar me ferir, eu garantirei que a dor que voltará para você seja dez vezes pior.
— Você não pode me manter presa para sempre — sibilou Sonya, embora seu coração martelasse contra as costelas. — Meu pai destruirá cada centímetro do seu reino para me levar de volta.
— Deixe que ele tente — respondeu Lookmhee, um brilho obsessivo surgindo em seus olhos escuros. — Ele enviará exércitos, e eu os transformarei em cinzas. Você não entende, Sonya? Você não é mais uma moeda de troca. Você é minha.
A general soltou o queixo de Sonya e virou-se para seus subordinados.
— Preparem os cavalos. Levem-na para a Fortaleza de Marfim. Quero-a na torre leste, sob guarda máxima. Se ela perder um fio de cabelo que não seja por minha ordem, as cabeças de vocês rolarão antes do amanhecer.
Os soldados bateram as lanças no chão em sinal de obediência. Sonya foi erguida rudemente pelos braços. Ela lutou, chutou e gritou insultos, mas Lookmhee já não parecia ouvir. A general caminhava em direção ao seu corcel negro, limpando o sangue da mão na própria capa, embora a mancha permanecesse ali, escura e persistente.
Enquanto montava, Lookmhee olhou para trás uma última vez. Sonya estava sendo forçada a subir em um cavalo, cercada por quatro cavaleiros. A princesa olhou para ela, e por um breve segundo, o ódio nas orbes castanhas de Sonya foi tão intenso que Lookmhee sentiu um formigamento na base da nuca.
— Interessante — murmurou a general para si mesma, tocando a pequena cicatriz em sua boca.
Ela sempre fora uma mulher de métodos e lógica. O controle era sua religião. Mas, ao olhar para a herdeira que acabara de marcar sua pele, Lookmhee percebeu que o sequestro de Sonya Saranphat não era apenas uma estratégia de guerra. Era o início de uma obsessão que, ela suspeitava, poderia ser a única coisa capaz de quebrar sua couraça de gelo.
— Vamos — ordenou Lookmhee, esporeando o cavalo. — Temos um longo caminho até casa.
A cavalgada pela floresta foi silenciosa, interrompida apenas pelo som dos cascos batendo no solo úmido. Sonya, apesar de exausta, mantinha a coluna ereta. Ela observava as costas da general à sua frente, a silhueta alta e imponente que parecia comandar a própria escuridão ao seu redor.
Ela tocou o próprio rosto, onde o sangue de Lookmhee havia secado. O cheiro metálico ainda estava lá.
— Você cometeu um erro, Punyapat — pensou Sonya, cerrando os punhos. — Você acha que me capturou, mas apenas me deu a oportunidade de ver de perto como o seu coração para de bater.
Na frente do comboio, Lookmhee sentiu o olhar de Sonya queimando em suas costas. Ela sorriu, um gesto mínimo que ninguém viu. A dor na mão era um lembrete vívido de que sua nova prisioneira tinha espírito. E Lookmhee não via a hora de, metodicamente, desconstruir cada parte desse espírito até que não restasse nada além dela mesma na mente da princesa.
O reino de Pedersen poderia estar em chamas, mas para Lookmhee Punyapat, a verdadeira guerra estava apenas começando. E o prêmio era muito mais valioso do que terras ou coroas. Era a rendição total da mulher que ousara fazê-la sangrar.
