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Segunda chance

Fandom: 50 tons de cinza

Criado: 23/04/2026

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O Retorno da Acionista Majoritária

O som dos saltos agulha de Clara Grey ecoava pelo saguão de mármore da Grey House como uma declaração de guerra. Ou, talvez, como um retorno triunfal. Fazia um ano e meio que ela não pisava naquele território, o império que ajudara a construir não com contratos de submissão, mas com o calor de um amor que, na época, parecia inabalável.

Os funcionários, que mantinham a cabeça baixa sob o regime austero de Christian, começaram a notar a movimentação. Quando a primeira secretária levantou os olhos e viu a figura curvilínea, vestida em um conjunto de alfaiataria vermelho vibrante que abraçava cada uma de suas curvas generosas, um sorriso coletivo pareceu se espalhar pelo andar.

— Dona Clara! — exclamou a recepcionista, esquecendo por um momento o protocolo rígido da empresa.

— Olá, querida! — Clara sorriu, a extroversão brilhando em seus olhos castanhos. — Senti saudades desse café horrível de vocês. Como está o pequeno Leo? Já começou a andar?

Enquanto Clara parava para dar atenção genuína aos funcionários, o clima no trigésimo andar era consideravelmente mais tenso.

Dentro da sala de reuniões, Christian Grey batucava os dedos longos na mesa de mogno. Ao seu lado, Anastasia Steele tentava manter uma postura profissional, mas o desconforto era evidente em seus olhos azuis. Ana era magra, tímida e seguia todas as regras que Christian impunha. Ela era o oposto exato da mulher que estava prestes a entrar por aquela porta.

— Ela está atrasada — murmurou Christian, sua voz um barítono rouco que escondia a ansiedade que corroía seu peito.

— A reunião só começa em dois minutos, Christian — ponderou Ana, tocando levemente o braço dele.

Christian se esquivou sutilmente. Ele ainda não conseguia lidar bem com toques quando seu pensamento estava em Clara. Ele a amava tanto que, no divórcio, entregara 30% de suas ações sem pestanejar. Ele queria que ela estivesse ligada a ele para sempre, de alguma forma. O motivo do término ainda era uma ferida aberta: o desejo visceral dela de ser mãe e o medo paralisante dele de ser pai.

A porta da sala de reuniões se abriu com um estrondo suave. Clara entrou, exalando um perfume de baunilha e pecado que preencheu o ambiente instantaneamente.

— Sinto muito pelo atraso, cavalheiros e... — Clara pausou, os olhos encontrando os de Anastasia com uma curiosidade audaciosa — ... acompanhantes. O trânsito de Seattle continua um caos, e eu parei para comprar donuts para o pessoal da recepção.

Christian levantou-se num impulso, os olhos cinzas queimando ao percorrerem o corpo de Clara. Ela parecia mais radiante do que nunca. O peso extra que ela carregava com tanto orgulho parecia apenas realçar sua sensualidade natural.

— Clara — disse ele, a voz falhando por um milésimo de segundo. — Você veio.

— Eu sou dona de trinta por cento disso aqui, Christian. Não deixaria um contrato bilionário ser assinado sem o meu brilho — ela piscou para ele, uma provocação clara que fez o sangue dele ferver.

Clara sentou-se na cadeira à frente de Christian, cruzando as pernas de forma lenta. Ela ignorou a pasta de documentos à sua frente por um momento e encarou o ex-marido.

— Você parece tenso, querido. A falta de açúcar na dieta está te deixando ranzinza? — perguntou ela, soltando uma risada gostosa que ecoou pela sala.

— Estou ótimo, Clara. Esta é a Anastasia Steele, minha... parceira — Christian apresentou, a palavra "parceira" saindo de forma quase defensiva.

Clara inclinou a cabeça, analisando Ana de cima a baixo com um sorriso gentil, mas superior.

— Prazer, Anastasia. O Christian sempre teve um gosto impecável para... pessoas educadas. Ele já te fez assinar aquele contrato ridículo de confidencialidade ou você é das que preferem a liberdade?

Ana corou violentamente, gaguejando uma resposta que ninguém conseguiu entender. Christian interveio, sua mandíbula travada de ciúme ao ver como Clara dominava o espaço.

— Clara, estamos aqui para discutir a fusão com a GEH. Vamos focar nos números.

— Ah, os números — Clara suspirou, abrindo a pasta. — Eu li o rascunho. É um plano sólido, mas você está sendo conservador demais na cláusula de expansão asiática. Você sabe que eu sempre preferi ser mais... ousada.

Durante a hora seguinte, a reunião foi um campo de batalha intelectual e sensorial. Clara não era apenas uma mulher bonita e extrovertida; ela conhecia os negócios de Christian melhor do que ninguém, pois estivera lá quando tudo era apenas um sonho. Ela pontuava cada erro estratégico com uma sagacidade que deixava os advogados boquiabertos.

Mas o que realmente incomodava Christian era o modo como ela agia. Clara não tinha filtros. Ela ria, ela gesticulava, e em certo momento, ela se inclinou sobre a mesa para apontar um gráfico, dando a Christian uma visão privilegiada de seu decote generoso.

Ele sentiu o corpo reagir instantaneamente. O ciúme possessivo que ele sempre sentiu por ela voltou com força total. Ele odiava o modo como o consultor financeiro ao lado dela a olhava.

— Podemos fazer uma pausa de dez minutos? — Christian interrompeu bruscamente, sem olhar para Ana. — Quero falar com a acionista majoritária em particular.

Os advogados e Ana saíram da sala rapidamente. Ana lançou um olhar inseguro para Christian, mas ele nem percebeu. Assim que a porta se fechou, Christian caminhou até a porta e girou a chave.

— Trancando a porta, Grey? — Clara provocou, levantando-se e caminhando até a janela que dava para o skyline de Seattle. — Achei que você fosse um homem comprometido agora.

— O que você está fazendo, Clara? — Ele se aproximou, parando a poucos centímetros das costas dela. O calor que emanava do corpo dela era como um ímã.

— Estou sendo eu mesma. Algo que você nunca conseguiu controlar, lembra? — Ela se virou, ficando frente a frente com ele. A diferença de altura os obrigava a uma proximidade perigosa.

— Você está diferente — murmurou ele, a mão tremendo com o desejo de tocar o rosto dela. — Mais... audaciosa.

— É o que acontece quando uma mulher percebe que não precisa de um contrato para ser amada — ela retrucou, a voz baixando para um tom rouco e íntimo. — Eu te amei sem cláusulas, Christian. Eu queria construir uma vida com você, não um portfólio.

Christian rosnou baixinho, a possessividade falando mais alto.

— Você ainda é minha, Clara. Eu vejo como você me olha. Eu vejo como você provoca só para ver minha reação.

— Eu não sou de ninguém, Christian. Mas confesso... senti falta de ver esse seu olhar de "vou te colocar de castigo" — ela soltou uma risadinha safada, passando a língua pelos lábios de forma lenta. — A sua nova namorada sabe que você ainda sonha comigo todas as noites?

— Ela não tem nada a ver com isso — ele mentiu, aproximando-se ainda mais, o peito batendo contra o dela. — Por que você voltou agora? Por que não assinou os papéis por procuração?

Clara colocou as mãos sobre o peito dele, sentindo o coração acelerado sob o tecido caro do terno.

— Porque eu queria ver se você ainda tinha o fogo nos olhos. Ou se tinha se tornado tão sem graça quanto a sua nova rotina.

Christian não aguentou mais. Ele a segurou pela cintura, apertando a carne macia de seus quadris com uma força que arrancou um suspiro de satisfação dela.

— Você continua sendo a mulher mais irritante e desejável que já conheci — ele sibilou perto do ouvido dela.

— E você continua sendo um teimoso que prefere o orgulho a um berço no quarto de hóspedes — ela rebateu, mas não se afastou. Pelo contrário, ela se aninhou no abraço dele, sentindo o perfume que ainda era o seu favorito no mundo.

— Eu não posso te dar o que você quer, Clara — ele sussurrou, a voz carregada de dor.

— E eu não posso aceitar menos do que uma família, Christian.

Eles ficaram ali, em um impasse silencioso, dois corações que se pertenciam, mas que eram orgulhosos demais para ceder. O ciúme de Christian queimava ao pensar em qualquer outro homem tocando aquelas curvas, enquanto o amor de Clara permanecia firme, apesar da distância.

— A reunião precisa continuar — disse ela, afastando-se com relutância, mas deixando um rastro de calor na pele dele. — Mas saiba de uma coisa, Christian: eu não vou facilitar para você. Se você quer o meu "sim" para esse contrato, vai ter que me convencer de que ainda é o homem por quem eu me apaixonei. Não o robô que a Anastasia está tentando manter no lugar.

Clara caminhou até a porta, ajeitou o cabelo e destrancou a fechadura. Antes de sair, ela olhou por cima do ombro.

— E, a propósito... aquele terno azul que você usava no nosso aniversário de casamento? Ainda é o meu favorito. Esse cinza te deixa... pálido.

Ela saiu da sala com um rebolado provocante, deixando Christian Grey sozinho, ofegante e absolutamente perdido no caos que só Clara Grey era capaz de causar em sua vida perfeitamente organizada. Ele sabia que Anastasia estava lá fora, esperando por ele, mas seus olhos, sua mente e seu corpo pertenciam irremediavelmente à mulher gordinha e atrevida que acabara de desafiar todo o seu império.
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