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Entre luz e Sombra
Fandom: Park Jimin
Criado: 28/04/2026
Tags
SombrioCrimeDramaAngústiaPsicológicoRomanceSuspenseUA (Universo Alternativo)Dor/ConfortoEstudo de Personagem
O Preço do Sangue e do Silêncio
A chuva batia contra as janelas de vidro fumê do escritório, criando uma melodia fúnebre que parecia ecoar o estado do meu coração. Eu conseguia ouvir o som abafado dos soluços do meu pai no corredor, mas não havia pena em mim, apenas um vazio gélido e paralisante. Ele havia feito a escolha. Entre a própria vida e a dignidade da única filha, ele escolheu o ar que respirava.
A porta de carvalho maciço se abriu com um estalo seco. Dois homens de terno escuro e fones de ouvido se posicionaram ao lado da entrada, como estátuas de mármore destinadas a guardar um deus sombrio. E então, ele entrou.
Park Jimin não parecia um monstro à primeira vista. Ele tinha feições delicadas, quase angelicais, e o cabelo loiro platinado estava perfeitamente alinhado. Mas os olhos... os olhos eram de um âmbar cortante, desprovidos de qualquer calor humano. Ele caminhou com uma elegância predatória até a poltrona de couro atrás da mesa monumental e sentou-se, cruzando as pernas com calma.
— Traga-o para dentro — ordenou Jimin. Sua voz era baixa, aveludada, mas carregava o peso de uma sentença de morte.
Meu pai foi empurrado para dentro da sala. Ele caiu de joelhos, as mãos trêmulas segurando o chapéu, o rosto inchado de tanto chorar. Eu continuei parada no canto da sala, as mãos entrelaçadas na frente do meu vestido simples, sentindo-me como um objeto em um leilão de antiguidades.
— Senhor Park... por favor... eu trouxe o que prometi — gaguejou meu pai, sem coragem de levantar o olhar.
Jimin não olhou para ele. Seus olhos estavam fixos em mim, percorrendo cada detalhe do meu rosto, descendo pelo meu pescoço e parando nas minhas mãos que tremiam discretamente. Um sorriso de canto, quase imperceptível, surgiu em seus lábios.
— Emilly, não é? — perguntou ele, ignorando completamente a presença patética do homem no chão.
Eu engoli em seco, sentindo o nó na garganta apertar.
— Sim, senhor — respondi, minha voz mal passando de um sussurro.
Jimin inclinou a cabeça para o lado, parecendo satisfeito com o som do meu nome saindo da minha boca. Ele finalmente desviou o olhar para o meu pai, e a expressão de diversão desapareceu instantaneamente, substituída por um tédio mortal.
— Você deve muito dinheiro, Arthur. Dinheiro que foi usado em apostas imundas e vícios que eu não tolero em quem trabalha comigo — disse Jimin, batendo levemente os dedos no tampo da mesa. — Pela lógica da minha organização, sua cabeça deveria estar em uma bandeja de prata agora mesmo.
— Eu sei, eu sei! — meu pai exclamou, rastejando um pouco mais perto. — Mas a Emilly... ela é jovem, ela é educada... ela vale muito mais do que a dívida. Ela é sua agora. Só peço que me deixe ir.
Senti uma náusea profunda subir pelo meu peito. Ouvir aquelas palavras de quem deveria me proteger era como ter a alma rasgada. Jimin soltou uma risada curta e seca, um som que não tinha alegria alguma.
— Você é um verme, Arthur. Vender a própria filha para salvar a pele? — Jimin levantou-se e caminhou até o meu pai, parando diante dele. — Mas você tem razão em uma coisa. Ela vale muito mais do que a sua vida medíocre.
Jimin fez um sinal para os seguranças.
— Tirem-no daqui. Se ele colocar os pés em qualquer cassino ou propriedade minha novamente, matem-no. E Arthur... — Jimin baixou o tom de voz, tornando-o perigosamente frio. — Se eu souber que você tentou contatar a Emilly, eu farei questão de que sua morte seja lenta o suficiente para você se arrepender de ter nascido.
Meu pai nem olhou para trás. Ele se levantou tropeçando e saiu da sala quase correndo, deixando-me ali, sozinha com o homem que agora era meu dono.
O silêncio que se seguiu foi sufocante. Jimin permaneceu de costas para mim por alguns segundos, observando a chuva lá fora. Eu não sabia se devia chorar, fugir ou implorar. Mas para onde eu iria? Eu não tinha mais nada.
— Aproxime-se, Emilly — disse ele, sem se virar.
Minhas pernas pareciam feitas de chumbo, mas eu obedeci. Caminhei até parar a dois passos de distância dele. O perfume dele me atingiu — uma mistura de sândalo, tabaco caro e algo metálico que eu não soube identificar, mas que cheirava a perigo.
Ele se virou devagar. Jimin era um pouco mais baixo do que eu imaginava para um mafioso tão temido, mas sua presença preenchia todo o espaço da sala. Ele estendeu a mão e, com as pontas dos dedos, tocou o meu queixo, forçando-me a olhar diretamente nos seus olhos.
— Você está com medo? — perguntou ele, a polegar acariciando levemente o meu lábio inferior.
— Eu... eu não sei — menti, sentindo meu coração martelar contra as costelas.
— Mentira — ele murmurou, aproximando o rosto do meu. — Eu consigo ouvir seu coração daqui. Você está apavorada. E tem todo o direito de estar.
— O que o senhor vai fazer comigo? — perguntei, as lágrimas finalmente vencendo a barreira e escorrendo pelo meu rosto.
Jimin usou o polegar para limpar uma lágrima, um gesto que poderia ser confundido com ternura se não fosse pelo brilho possessivo em seus olhos.
— O que se faz com algo que se comprou por um preço alto, Emilly? — Ele deu um passo para mais perto, invadindo meu espaço pessoal, obrigando-me a recuar até que minhas costas batessem na parede fria. — Eu vou cuidar de você. Vou vestir você com as melhores sedas, dar-lhe as joias mais caras e garantir que ninguém neste mundo ouse tocar em um fio de cabelo seu.
— E em troca? — perguntei, a respiração curta.
Jimin sorriu, e desta vez o sorriso foi completo, revelando uma beleza que era ao mesmo tempo hipnotizante e aterrorizante.
— Em troca, você será minha. Minha propriedade, minha companhia, minha devoção. — Ele se inclinou, seus lábios quase roçando minha orelha. — Seu pai vendeu seu futuro para mim. Agora, sua vida pertence a Park Jimin. E eu não costumo dividir o que é meu.
Ele se afastou um pouco, mantendo a mão apoiada na parede ao lado da minha cabeça, cercando-me.
— Vamos estabelecer as regras agora para que não haja mal-entendidos — continuou ele, sua voz voltando ao tom autoritário de antes. — Você não sai desta casa sem minha permissão. Você não fala com estranhos. E, acima de tudo, você nunca, jamais, mente para mim. Entendeu?
— Sim, senhor — respondi, baixando o olhar.
— Olhe para mim quando eu falar com você — ordenou ele, segurando meu rosto com um pouco mais de força, não o suficiente para machucar, mas o suficiente para demonstrar poder. — Diga: "Sim, Jimin".
— Sim... Jimin — repeti, sentindo o nome dele queimar na minha língua.
Ele pareceu satisfeito. Soltou meu rosto e caminhou de volta para sua mesa, pegando um copo de cristal com um líquido âmbar.
— Vá com o senhor Kim. Ele vai mostrar seus novos aposentos. Suas coisas antigas foram jogadas fora; você não precisará de nada daquela vida de miséria. Amanhã, uma equipe virá para cuidar de você.
— Minhas fotos... as lembranças da minha mãe... — comecei a dizer, sentindo um desespero novo.
Jimin parou com o copo a caminho da boca e me olhou com uma frieza absoluta.
— Eu sou sua única lembrança agora, Emilly. O passado morreu no momento em que seu pai assinou o contrato. Não me faça repetir isso.
Um homem alto e de expressão neutra apareceu à porta. Era o senhor Kim, imagino. Ele fez um gesto silencioso para que eu o seguisse. Antes de sair, olhei uma última vez para Jimin. Ele estava sentado, observando a chuva novamente, como se eu já fosse apenas um móvel novo que ele havia acabado de adquirir.
Caminhei pelos corredores luxuosos da mansão, que pareciam mais uma galeria de arte do que uma casa. Tudo era impecável, caro e frio. Assim como o homem que agora ditava o meu destino.
O quarto para onde fui levada era maior do que todo o apartamento onde eu morava com meu pai. Uma cama king-size com lençóis de cetim negro ocupava o centro do ambiente. Havia flores frescas em um vaso, mas o cheiro de rosas parecia opressor.
— O senhor Park virá vê-la após o jantar — disse o senhor Kim antes de fechar a porta. — Sugiro que tome um banho e tente descansar. Vai ser uma noite longa.
O som da chave girando na fechadura por fora foi o golpe final. Eu estava trancada. Vendida. Pertencente a um homem que comandava o crime com punho de ferro e que me olhava como se eu fosse um troféu valioso.
Caminhei até a janela e olhei para os portões de ferro ao longe. Guardas armados patrulhavam o perímetro. Não havia escapatória. Meu pai havia me jogado em uma gaiola de ouro, e o dono da chave era o ser mais perigoso de Seul.
Sentei-me na beira da cama, sentindo o peso da nova realidade. Eu não era mais Emilly, a estudante que sonhava em ser professora. Eu era a posse de Park Jimin. E, pelo brilho que vi em seus olhos lá embaixo, ele não tinha intenção de me libertar tão cedo.
A porta do banheiro estava aberta, revelando uma banheira de mármore já preparada com água morna e sais perfumados. Tudo estava pronto. Tudo estava planejado. Eu era apenas uma peça em um tabuleiro que ele já havia vencido antes mesmo de eu entrar na sala.
Deitei-me na cama, olhando para o teto alto, e fechei os olhos. A imagem do sorriso de Jimin queimava atrás das minhas pálpebras. Eu sabia que, a partir daquela noite, nada seria igual. O medo ainda estava lá, mas junto com ele, uma curiosidade mórbida e perigosa começava a brotar. Quem era Park Jimin por trás da máscara de poder? E o que ele realmente pretendia fazer com o "objeto" que acabara de comprar?
As horas passaram devagar. O som dos meus próprios batimentos cardíacos era a única companhia até que, tarde da noite, ouvi novamente o som da chave na fechadura.
Meu corpo ficou tenso instantaneamente. A porta se abriu suavemente, e a silhueta de Jimin apareceu contra a luz do corredor. Ele não estava mais de paletó; a camisa social estava com os primeiros botões abertos e as mangas dobradas, revelando tatuagens que subiam pelos seus antebraços.
Ele entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, desta vez trancando-a por dentro.
— Você não tomou banho — observou ele, caminhando calmamente em minha direção. — E não tocou na comida que trouxeram.
— Eu não estou com fome — respondi, tentando manter a voz firme enquanto me sentava na cama.
Jimin parou na minha frente, olhando-me de cima. A luz fraca do abajur criava sombras dramáticas em seu rosto, acentuando sua beleza cruel.
— Você vai aprender que, nesta casa, minhas sugestões são ordens, Emilly — disse ele, estendendo a mão para tocar meu cabelo. — Eu quero você impecável. Para mim.
— Por que eu? — a pergunta escapou antes que eu pudesse conter. — Você poderia ter qualquer mulher. Por que aceitar o acordo do meu pai?
Jimin inclinou-se, apoiando um joelho na cama, aproximando seu rosto do meu até que nossas respirações se misturassem.
— Porque eu vi você uma vez, meses atrás, na livraria onde você trabalhava — confessou ele, sua voz um sussurro sombrio. — Você parecia tão pura, tão intocada por esse mundo podre em que eu vivo. Eu decidi naquele momento que queria você. Seu pai dever dinheiro para mim foi apenas a oportunidade perfeita para apressar as coisas.
O choque me percorreu. Isso não foi um acaso. Não foi apenas uma dívida de jogo. Foi uma armadilha.
— Você... você planejou isso? — perguntei, horrorizada.
Jimin deu um sorriso enigmático e passou os dedos pelo meu pescoço, descendo até a clavícula.
— Eu sempre consigo o que quero, Emilly. E agora, eu quero que você entenda que seu lugar é aqui, ao meu lado.
Ele segurou meu queixo, obrigando-me a encará-lo.
— Agora, vá para aquele banho. Eu vou esperar. E quando você sair, espero que esteja pronta para aceitar que sua vida antiga acabou.
Eu não tive escolha a não ser obedecer. Enquanto eu caminhava em direção ao banheiro, sentia os olhos dele queimando minhas costas. Eu era o pássaro na gaiola, e o predador estava apenas começando a brincar com sua presa. A noite estava longe de terminar, e eu sabia que, quando o sol nascesse, a Emilly que eu conhecia não existiria mais. Restaria apenas o que Park Jimin decidisse que eu deveria ser.
A porta de carvalho maciço se abriu com um estalo seco. Dois homens de terno escuro e fones de ouvido se posicionaram ao lado da entrada, como estátuas de mármore destinadas a guardar um deus sombrio. E então, ele entrou.
Park Jimin não parecia um monstro à primeira vista. Ele tinha feições delicadas, quase angelicais, e o cabelo loiro platinado estava perfeitamente alinhado. Mas os olhos... os olhos eram de um âmbar cortante, desprovidos de qualquer calor humano. Ele caminhou com uma elegância predatória até a poltrona de couro atrás da mesa monumental e sentou-se, cruzando as pernas com calma.
— Traga-o para dentro — ordenou Jimin. Sua voz era baixa, aveludada, mas carregava o peso de uma sentença de morte.
Meu pai foi empurrado para dentro da sala. Ele caiu de joelhos, as mãos trêmulas segurando o chapéu, o rosto inchado de tanto chorar. Eu continuei parada no canto da sala, as mãos entrelaçadas na frente do meu vestido simples, sentindo-me como um objeto em um leilão de antiguidades.
— Senhor Park... por favor... eu trouxe o que prometi — gaguejou meu pai, sem coragem de levantar o olhar.
Jimin não olhou para ele. Seus olhos estavam fixos em mim, percorrendo cada detalhe do meu rosto, descendo pelo meu pescoço e parando nas minhas mãos que tremiam discretamente. Um sorriso de canto, quase imperceptível, surgiu em seus lábios.
— Emilly, não é? — perguntou ele, ignorando completamente a presença patética do homem no chão.
Eu engoli em seco, sentindo o nó na garganta apertar.
— Sim, senhor — respondi, minha voz mal passando de um sussurro.
Jimin inclinou a cabeça para o lado, parecendo satisfeito com o som do meu nome saindo da minha boca. Ele finalmente desviou o olhar para o meu pai, e a expressão de diversão desapareceu instantaneamente, substituída por um tédio mortal.
— Você deve muito dinheiro, Arthur. Dinheiro que foi usado em apostas imundas e vícios que eu não tolero em quem trabalha comigo — disse Jimin, batendo levemente os dedos no tampo da mesa. — Pela lógica da minha organização, sua cabeça deveria estar em uma bandeja de prata agora mesmo.
— Eu sei, eu sei! — meu pai exclamou, rastejando um pouco mais perto. — Mas a Emilly... ela é jovem, ela é educada... ela vale muito mais do que a dívida. Ela é sua agora. Só peço que me deixe ir.
Senti uma náusea profunda subir pelo meu peito. Ouvir aquelas palavras de quem deveria me proteger era como ter a alma rasgada. Jimin soltou uma risada curta e seca, um som que não tinha alegria alguma.
— Você é um verme, Arthur. Vender a própria filha para salvar a pele? — Jimin levantou-se e caminhou até o meu pai, parando diante dele. — Mas você tem razão em uma coisa. Ela vale muito mais do que a sua vida medíocre.
Jimin fez um sinal para os seguranças.
— Tirem-no daqui. Se ele colocar os pés em qualquer cassino ou propriedade minha novamente, matem-no. E Arthur... — Jimin baixou o tom de voz, tornando-o perigosamente frio. — Se eu souber que você tentou contatar a Emilly, eu farei questão de que sua morte seja lenta o suficiente para você se arrepender de ter nascido.
Meu pai nem olhou para trás. Ele se levantou tropeçando e saiu da sala quase correndo, deixando-me ali, sozinha com o homem que agora era meu dono.
O silêncio que se seguiu foi sufocante. Jimin permaneceu de costas para mim por alguns segundos, observando a chuva lá fora. Eu não sabia se devia chorar, fugir ou implorar. Mas para onde eu iria? Eu não tinha mais nada.
— Aproxime-se, Emilly — disse ele, sem se virar.
Minhas pernas pareciam feitas de chumbo, mas eu obedeci. Caminhei até parar a dois passos de distância dele. O perfume dele me atingiu — uma mistura de sândalo, tabaco caro e algo metálico que eu não soube identificar, mas que cheirava a perigo.
Ele se virou devagar. Jimin era um pouco mais baixo do que eu imaginava para um mafioso tão temido, mas sua presença preenchia todo o espaço da sala. Ele estendeu a mão e, com as pontas dos dedos, tocou o meu queixo, forçando-me a olhar diretamente nos seus olhos.
— Você está com medo? — perguntou ele, a polegar acariciando levemente o meu lábio inferior.
— Eu... eu não sei — menti, sentindo meu coração martelar contra as costelas.
— Mentira — ele murmurou, aproximando o rosto do meu. — Eu consigo ouvir seu coração daqui. Você está apavorada. E tem todo o direito de estar.
— O que o senhor vai fazer comigo? — perguntei, as lágrimas finalmente vencendo a barreira e escorrendo pelo meu rosto.
Jimin usou o polegar para limpar uma lágrima, um gesto que poderia ser confundido com ternura se não fosse pelo brilho possessivo em seus olhos.
— O que se faz com algo que se comprou por um preço alto, Emilly? — Ele deu um passo para mais perto, invadindo meu espaço pessoal, obrigando-me a recuar até que minhas costas batessem na parede fria. — Eu vou cuidar de você. Vou vestir você com as melhores sedas, dar-lhe as joias mais caras e garantir que ninguém neste mundo ouse tocar em um fio de cabelo seu.
— E em troca? — perguntei, a respiração curta.
Jimin sorriu, e desta vez o sorriso foi completo, revelando uma beleza que era ao mesmo tempo hipnotizante e aterrorizante.
— Em troca, você será minha. Minha propriedade, minha companhia, minha devoção. — Ele se inclinou, seus lábios quase roçando minha orelha. — Seu pai vendeu seu futuro para mim. Agora, sua vida pertence a Park Jimin. E eu não costumo dividir o que é meu.
Ele se afastou um pouco, mantendo a mão apoiada na parede ao lado da minha cabeça, cercando-me.
— Vamos estabelecer as regras agora para que não haja mal-entendidos — continuou ele, sua voz voltando ao tom autoritário de antes. — Você não sai desta casa sem minha permissão. Você não fala com estranhos. E, acima de tudo, você nunca, jamais, mente para mim. Entendeu?
— Sim, senhor — respondi, baixando o olhar.
— Olhe para mim quando eu falar com você — ordenou ele, segurando meu rosto com um pouco mais de força, não o suficiente para machucar, mas o suficiente para demonstrar poder. — Diga: "Sim, Jimin".
— Sim... Jimin — repeti, sentindo o nome dele queimar na minha língua.
Ele pareceu satisfeito. Soltou meu rosto e caminhou de volta para sua mesa, pegando um copo de cristal com um líquido âmbar.
— Vá com o senhor Kim. Ele vai mostrar seus novos aposentos. Suas coisas antigas foram jogadas fora; você não precisará de nada daquela vida de miséria. Amanhã, uma equipe virá para cuidar de você.
— Minhas fotos... as lembranças da minha mãe... — comecei a dizer, sentindo um desespero novo.
Jimin parou com o copo a caminho da boca e me olhou com uma frieza absoluta.
— Eu sou sua única lembrança agora, Emilly. O passado morreu no momento em que seu pai assinou o contrato. Não me faça repetir isso.
Um homem alto e de expressão neutra apareceu à porta. Era o senhor Kim, imagino. Ele fez um gesto silencioso para que eu o seguisse. Antes de sair, olhei uma última vez para Jimin. Ele estava sentado, observando a chuva novamente, como se eu já fosse apenas um móvel novo que ele havia acabado de adquirir.
Caminhei pelos corredores luxuosos da mansão, que pareciam mais uma galeria de arte do que uma casa. Tudo era impecável, caro e frio. Assim como o homem que agora ditava o meu destino.
O quarto para onde fui levada era maior do que todo o apartamento onde eu morava com meu pai. Uma cama king-size com lençóis de cetim negro ocupava o centro do ambiente. Havia flores frescas em um vaso, mas o cheiro de rosas parecia opressor.
— O senhor Park virá vê-la após o jantar — disse o senhor Kim antes de fechar a porta. — Sugiro que tome um banho e tente descansar. Vai ser uma noite longa.
O som da chave girando na fechadura por fora foi o golpe final. Eu estava trancada. Vendida. Pertencente a um homem que comandava o crime com punho de ferro e que me olhava como se eu fosse um troféu valioso.
Caminhei até a janela e olhei para os portões de ferro ao longe. Guardas armados patrulhavam o perímetro. Não havia escapatória. Meu pai havia me jogado em uma gaiola de ouro, e o dono da chave era o ser mais perigoso de Seul.
Sentei-me na beira da cama, sentindo o peso da nova realidade. Eu não era mais Emilly, a estudante que sonhava em ser professora. Eu era a posse de Park Jimin. E, pelo brilho que vi em seus olhos lá embaixo, ele não tinha intenção de me libertar tão cedo.
A porta do banheiro estava aberta, revelando uma banheira de mármore já preparada com água morna e sais perfumados. Tudo estava pronto. Tudo estava planejado. Eu era apenas uma peça em um tabuleiro que ele já havia vencido antes mesmo de eu entrar na sala.
Deitei-me na cama, olhando para o teto alto, e fechei os olhos. A imagem do sorriso de Jimin queimava atrás das minhas pálpebras. Eu sabia que, a partir daquela noite, nada seria igual. O medo ainda estava lá, mas junto com ele, uma curiosidade mórbida e perigosa começava a brotar. Quem era Park Jimin por trás da máscara de poder? E o que ele realmente pretendia fazer com o "objeto" que acabara de comprar?
As horas passaram devagar. O som dos meus próprios batimentos cardíacos era a única companhia até que, tarde da noite, ouvi novamente o som da chave na fechadura.
Meu corpo ficou tenso instantaneamente. A porta se abriu suavemente, e a silhueta de Jimin apareceu contra a luz do corredor. Ele não estava mais de paletó; a camisa social estava com os primeiros botões abertos e as mangas dobradas, revelando tatuagens que subiam pelos seus antebraços.
Ele entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, desta vez trancando-a por dentro.
— Você não tomou banho — observou ele, caminhando calmamente em minha direção. — E não tocou na comida que trouxeram.
— Eu não estou com fome — respondi, tentando manter a voz firme enquanto me sentava na cama.
Jimin parou na minha frente, olhando-me de cima. A luz fraca do abajur criava sombras dramáticas em seu rosto, acentuando sua beleza cruel.
— Você vai aprender que, nesta casa, minhas sugestões são ordens, Emilly — disse ele, estendendo a mão para tocar meu cabelo. — Eu quero você impecável. Para mim.
— Por que eu? — a pergunta escapou antes que eu pudesse conter. — Você poderia ter qualquer mulher. Por que aceitar o acordo do meu pai?
Jimin inclinou-se, apoiando um joelho na cama, aproximando seu rosto do meu até que nossas respirações se misturassem.
— Porque eu vi você uma vez, meses atrás, na livraria onde você trabalhava — confessou ele, sua voz um sussurro sombrio. — Você parecia tão pura, tão intocada por esse mundo podre em que eu vivo. Eu decidi naquele momento que queria você. Seu pai dever dinheiro para mim foi apenas a oportunidade perfeita para apressar as coisas.
O choque me percorreu. Isso não foi um acaso. Não foi apenas uma dívida de jogo. Foi uma armadilha.
— Você... você planejou isso? — perguntei, horrorizada.
Jimin deu um sorriso enigmático e passou os dedos pelo meu pescoço, descendo até a clavícula.
— Eu sempre consigo o que quero, Emilly. E agora, eu quero que você entenda que seu lugar é aqui, ao meu lado.
Ele segurou meu queixo, obrigando-me a encará-lo.
— Agora, vá para aquele banho. Eu vou esperar. E quando você sair, espero que esteja pronta para aceitar que sua vida antiga acabou.
Eu não tive escolha a não ser obedecer. Enquanto eu caminhava em direção ao banheiro, sentia os olhos dele queimando minhas costas. Eu era o pássaro na gaiola, e o predador estava apenas começando a brincar com sua presa. A noite estava longe de terminar, e eu sabia que, quando o sol nascesse, a Emilly que eu conhecia não existiria mais. Restaria apenas o que Park Jimin decidisse que eu deveria ser.
