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Olhos de oceano
Fandom: Parmiga
Criado: 29/04/2026
Tags
RomanceDramaDor/ConfortoAçãoDetetiveCrimeSuspenseSobrevivênciaEstudo de PersonagemViolência GráficaMorte de Personagem
Sombras do Passado em Columbia
A semana em Columbia havia passado como um borrão de relatórios, rostos novos e o peso constante da responsabilidade que o cargo de delegado impunha. Eu ainda estava me adaptando ao ritmo da cidade, mas Jack, meu braço direito e um entusiasta incurável da vida social, decidiu que eu precisava de uma recepção oficial. Tentei protestar, alegando que pilhas de papéis não se resolviam sozinhas, mas Jack era teimoso como uma mula.
— É apenas uma cerveja, Wilson! — ele insistiu, com aquele sorriso convencido. — Chamei a Vera e a Thaisa, minha irmã. Você não vai nos dar um bolo, vai?
O nome de Vera fez meu protesto morrer na garganta. Desde que a ajudei naquela noite, a imagem da médica loira de olhos expressivos não saía da minha mente. Aceitei, talvez com uma rapidez que denunciasse meu interesse, e quando a sexta-feira chegou, me vi entrando em um bar local, o ar saturado pelo cheiro de malte e o som baixo de uma jukebox.
As cervejas já estavam postas na mesa quando a porta se abriu. O vento frio da noite trouxe consigo a Dra. Vera Farmiga e Thaisa. Vera usava um casaco que parecia abraçá-la, a pele clara contrastando com os cabelos loiros que emolduravam seu rosto. Elas se aproximaram e Thaisa logo cumprimentou a todos, ocupando a cadeira ao lado do irmão. A única cadeira vazia era, convenientemente, ao meu lado.
— Senta aqui comigo, Vera — eu disse, puxando levemente a cadeira.
Ela se sentou, mas notei imediatamente que seus ombros estavam tensos. Seus olhos vagavam pelo ambiente de forma inquieta, e suas mãos apertavam a bolsa sobre o colo.
— Você está bem? — perguntei, inclinando-me um pouco para que apenas ela ouvisse. — Parece que não está muito à vontade aqui.
— Estou bem, Patrick. É só... o lugar — ela respondeu, tentando forçar um sorriso que não chegou aos olhos.
Analisei seu rosto sob a luz âmbar do bar. Ela estava pálida, quase translúcida.
— Você está pálida, Vera. Quer falar sobre isso?
Ela hesitou, olhando para o copo de cerveja intocado à sua frente. Depois, baixou a voz, quase um sussurro.
— O cheiro de álcool e cigarro... não me traz lembranças boas. Mas eu queria estar aqui. Queria agradecer novamente por ter me salvado naquela noite. E pela flor.
Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios, o primeiro sinal real de relaxamento.
— Sabe, delegado... ninguém nunca tinha me dado flores antes — confessou ela, olhando para as próprias mãos.
Senti um aperto estranho no peito. Como era possível que uma mulher como ela nunca tivesse recebido um gesto tão simples? Sorri e, sem pensar muito, estendi a mão para arrumar um fio rebelde de seu cabelo que caía sobre o olho.
— Como isso é possível? — brinquei, deixando meus dedos roçarem levemente em sua têmpora. — Os homens de Columbia devem estar todos cegos.
Vera corou, um leve matiz rosado surgindo em suas bochechas.
— O que você quer beber? — perguntei, querendo mudar o foco para algo que a deixasse mais confortável. — Posso pedir algo que não seja cerveja.
— Uma água tônica, por favor — ela pediu.
Fiz o pedido ao garçom e, quando ele trouxe a bebida, tentei retomar a conversa.
— E como foi a sua semana no hospital?
Vera abriu a boca para responder, mas o som estridente do meu celular cortou o momento. Era Alex Garcia, meu padrasto e o homem que me ensinou quase tudo sobre ser um policial. Atendi imediatamente.
— Wilson na linha.
— Patrick, tenho uma notícia boa e uma ruim — a voz de Alex estava séria, mas carregava um alento.
— Me dê a boa primeiro, Alex. Preciso de algo positivo hoje.
— A segurança foi toda reforçada aqui. Na manhã de domingo, Eleanor e eu levaremos a pequena Liz para você. Ela está morrendo de saudades do pai.
Um alívio imenso me inundou. Ter minha filha por perto era tudo o que eu queria. Mas a pausa de Alex indicava que o balde de água fria estava vindo.
— E a ruim?
— Alguma revista on-line local está publicando sobre sua chegada a Columbia. Estão postando fotos suas e da confraternização que os policiais estão fazendo agora. Patrick, você sabe o risco. Tire essa notícia do ar o mais rápido possível antes que chegue aos ouvidos errados.
Meu sangue gelou. A segurança da minha filha dependia do meu anonimato relativo. Levantei-me abruptamente, a cadeira raspando no chão. Aproximei-me de Jack, que estava rindo de alguma piada de Thaisa.
— Jack, quem aqui é da imprensa? — perguntei, com a voz cortante.
Jack percebeu minha urgência e apontou discretamente para um homem sentado em uma mesa de canto, com um notebook e uma câmera ao lado.
— Aquele ali. Trabalha para uma revista on-line de fofocas locais. Por que...?
Não esperei ele terminar. Atravessei o bar em passos largos. Antes que o sujeito pudesse reagir, agarrei-o pelo colarinho da camisa, levantando-o parcialmente da cadeira.
— Tire a foto agora — ordenei, entre dentes. — Tire a notícia do ar. Você não tem autorização para publicar minha imagem.
— Ei, calma aí, delegado! — o homem gaguejou, tentando se soltar. — É liberdade de imprensa, eu não posso simplesmente deletar...
Não tive paciência para burocracia. Saquei minha arma e a encostei na lateral de sua cabeça. O bar ficou em silêncio absoluto.
— Eu não estou pedindo. Se você não retirar essas fotos agora, eu vou estourar a sua cabeça por colocar a vida da minha família em risco.
Eu estava cego de fúria, mas meu instinto de policial falhou por um segundo. Não percebi o homem que estava na mesa ao lado, um sujeito corpulento que se levantou como uma mola. Antes que eu pudesse girar, um soco atingiu em cheio o meu rosto, me fazendo cambalear.
— Fazia tempo que eu não te via, Wilson — o agressor rosnou, com um sorriso distorcido. — Meu chefe vai ficar muito feliz em saber que você está na cidade dele.
Aquelas palavras foram como um gatilho. Eu o conhecia. Ele era um dos capangas que me perseguia desde a outra cidade. Avancei sobre ele com toda a raiva acumulada. Trocamos socos brutais, derrubando mesas e cadeiras. O bar se transformou em um caos de gritos e vidros quebrados.
Em um movimento rápido, o homem conseguiu chutar minha mão, fazendo minha arma deslizar pelo chão de madeira. Ele puxou uma faca do bolso de trás. Eu tentei me esquivar, mas senti a lâmina rasgar o tecido da minha camisa e penetrar profundamente no meu ombro.
A dor foi aguda, uma queimação gelada, mas a adrenalina era mais forte. Com um urro, segurei o braço dele, ignorei a faca ainda cravada e acertei um soco de direita que o desorientou. Derrubei-o no chão e subi por cima, imobilizando-o com os joelhos.
— Onde ele está? — gritei, desferindo outro soco. — Onde está o filho da puta que destruiu minha vida? Fala!
O homem cuspiu sangue e riu, um som macabro.
— Eles estão sempre um passo à frente de você, Wilson... Você deveria tomar mais cuidado com a pequena Liz. O tempo dela está acabando.
Ouvir o nome da minha filha saindo daquela boca imunda quebrou o último resquício de controle que eu tinha. Minha mão tateou o chão, encontrando minha arma que Jack havia tentado chutar para longe da briga. Eu a recuperei e, sem hesitar, disparei.
O estrondo do tiro ecoou pelas paredes de madeira, seguido por um silêncio mortal. O corpo abaixo de mim relaxou.
Levantei-me devagar, a respiração pesada, o ombro latejando violentamente. Percebi que todos no bar me olhavam com horror. Eu era o novo delegado, e acabara de executar um homem no meio de uma festa.
— Jack — chamei, minha voz saindo rouca. — Limpem essa bagunça. Quero a ficha completa desse homem na minha mesa amanhã cedo. Agora!
Os policiais, ainda em choque, começaram a se mover. Eu sentia o mundo girar levemente. Foi quando vi Vera. Ela estava parada a poucos metros, os olhos arregalados, mas, ao contrário dos outros, não havia apenas medo nela; havia uma determinação silenciosa.
Ela deu um passo à frente, depois outro, até estar diante de mim. Sua mão pequena e firme tocou meu peito, subindo lentamente até o ombro onde a faca havia deixado um rastro de sangue que agora encharcava minha camisa.
— Patrick... — ela sussurrou. — Você está ferido. Precisa ir ao hospital agora.
— Eu estou bem, Vera — tentei dizer, mas minha voz falhou. — É só um arranhão. Não preciso de hospital...
As palavras morreram quando uma tontura súbita me atingiu. O chão pareceu inclinar-se e meus joelhos fraquejaram. Vera agiu rápido, segurando-me com uma força que eu não sabia que ela tinha.
— Jack, ajude aqui! — ela gritou.
Jack correu e, juntos, me guiaram até um sofá de couro nos fundos do bar. Vera se sentou ao meu lado, as mãos habilidosas já rasgando o que restava da minha manga para examinar o ferimento.
— A facada foi profunda, Patrick. Você está perdendo muito sangue — ela disse, a voz profissional agora assumindo o controle. — Jack, vá ao hospital. Chame uma ambulância ou alguém para nos buscar. Diga que é uma emergência para o Delegado Wilson.
— Eu vou com ele — Thaisa disse, levantando-se rapidamente. — Vou organizar a sala de sutura para receber você, Patrick. Vera, mantenha a pressão no ferimento.
Vera assentiu, pegando um guardanapo de pano limpo que alguém lhe entregou e pressionando-o contra o meu ombro. Eu gemi, a dor finalmente vencendo a adrenalina.
— Olhe para mim, Patrick — Vera ordenou, forçando-me a focar em seus olhos azuis. — Fique acordado. Olhe para mim.
— Eu estou olhando — respondi, tentando manter o foco. — Você fica linda quando está mandona, Dra. Farmiga.
Ela soltou um suspiro que pareceu uma mistura de riso e desespero.
— Você é um idiota, Wilson. Um idiota corajoso e sangrento. Apenas respire.
Enquanto ela pressionava o ferimento, senti o calor de suas mãos contra minha pele fria. O caos ao redor parecia desaparecer, restando apenas o toque dela e a promessa silenciosa de que, pelo menos por agora, eu não teria que lutar sozinho. Mas, no fundo da minha mente, as palavras do homem morto ecoavam como um aviso: eles sabiam onde eu estava. E sabiam sobre Liz.
— É apenas uma cerveja, Wilson! — ele insistiu, com aquele sorriso convencido. — Chamei a Vera e a Thaisa, minha irmã. Você não vai nos dar um bolo, vai?
O nome de Vera fez meu protesto morrer na garganta. Desde que a ajudei naquela noite, a imagem da médica loira de olhos expressivos não saía da minha mente. Aceitei, talvez com uma rapidez que denunciasse meu interesse, e quando a sexta-feira chegou, me vi entrando em um bar local, o ar saturado pelo cheiro de malte e o som baixo de uma jukebox.
As cervejas já estavam postas na mesa quando a porta se abriu. O vento frio da noite trouxe consigo a Dra. Vera Farmiga e Thaisa. Vera usava um casaco que parecia abraçá-la, a pele clara contrastando com os cabelos loiros que emolduravam seu rosto. Elas se aproximaram e Thaisa logo cumprimentou a todos, ocupando a cadeira ao lado do irmão. A única cadeira vazia era, convenientemente, ao meu lado.
— Senta aqui comigo, Vera — eu disse, puxando levemente a cadeira.
Ela se sentou, mas notei imediatamente que seus ombros estavam tensos. Seus olhos vagavam pelo ambiente de forma inquieta, e suas mãos apertavam a bolsa sobre o colo.
— Você está bem? — perguntei, inclinando-me um pouco para que apenas ela ouvisse. — Parece que não está muito à vontade aqui.
— Estou bem, Patrick. É só... o lugar — ela respondeu, tentando forçar um sorriso que não chegou aos olhos.
Analisei seu rosto sob a luz âmbar do bar. Ela estava pálida, quase translúcida.
— Você está pálida, Vera. Quer falar sobre isso?
Ela hesitou, olhando para o copo de cerveja intocado à sua frente. Depois, baixou a voz, quase um sussurro.
— O cheiro de álcool e cigarro... não me traz lembranças boas. Mas eu queria estar aqui. Queria agradecer novamente por ter me salvado naquela noite. E pela flor.
Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios, o primeiro sinal real de relaxamento.
— Sabe, delegado... ninguém nunca tinha me dado flores antes — confessou ela, olhando para as próprias mãos.
Senti um aperto estranho no peito. Como era possível que uma mulher como ela nunca tivesse recebido um gesto tão simples? Sorri e, sem pensar muito, estendi a mão para arrumar um fio rebelde de seu cabelo que caía sobre o olho.
— Como isso é possível? — brinquei, deixando meus dedos roçarem levemente em sua têmpora. — Os homens de Columbia devem estar todos cegos.
Vera corou, um leve matiz rosado surgindo em suas bochechas.
— O que você quer beber? — perguntei, querendo mudar o foco para algo que a deixasse mais confortável. — Posso pedir algo que não seja cerveja.
— Uma água tônica, por favor — ela pediu.
Fiz o pedido ao garçom e, quando ele trouxe a bebida, tentei retomar a conversa.
— E como foi a sua semana no hospital?
Vera abriu a boca para responder, mas o som estridente do meu celular cortou o momento. Era Alex Garcia, meu padrasto e o homem que me ensinou quase tudo sobre ser um policial. Atendi imediatamente.
— Wilson na linha.
— Patrick, tenho uma notícia boa e uma ruim — a voz de Alex estava séria, mas carregava um alento.
— Me dê a boa primeiro, Alex. Preciso de algo positivo hoje.
— A segurança foi toda reforçada aqui. Na manhã de domingo, Eleanor e eu levaremos a pequena Liz para você. Ela está morrendo de saudades do pai.
Um alívio imenso me inundou. Ter minha filha por perto era tudo o que eu queria. Mas a pausa de Alex indicava que o balde de água fria estava vindo.
— E a ruim?
— Alguma revista on-line local está publicando sobre sua chegada a Columbia. Estão postando fotos suas e da confraternização que os policiais estão fazendo agora. Patrick, você sabe o risco. Tire essa notícia do ar o mais rápido possível antes que chegue aos ouvidos errados.
Meu sangue gelou. A segurança da minha filha dependia do meu anonimato relativo. Levantei-me abruptamente, a cadeira raspando no chão. Aproximei-me de Jack, que estava rindo de alguma piada de Thaisa.
— Jack, quem aqui é da imprensa? — perguntei, com a voz cortante.
Jack percebeu minha urgência e apontou discretamente para um homem sentado em uma mesa de canto, com um notebook e uma câmera ao lado.
— Aquele ali. Trabalha para uma revista on-line de fofocas locais. Por que...?
Não esperei ele terminar. Atravessei o bar em passos largos. Antes que o sujeito pudesse reagir, agarrei-o pelo colarinho da camisa, levantando-o parcialmente da cadeira.
— Tire a foto agora — ordenei, entre dentes. — Tire a notícia do ar. Você não tem autorização para publicar minha imagem.
— Ei, calma aí, delegado! — o homem gaguejou, tentando se soltar. — É liberdade de imprensa, eu não posso simplesmente deletar...
Não tive paciência para burocracia. Saquei minha arma e a encostei na lateral de sua cabeça. O bar ficou em silêncio absoluto.
— Eu não estou pedindo. Se você não retirar essas fotos agora, eu vou estourar a sua cabeça por colocar a vida da minha família em risco.
Eu estava cego de fúria, mas meu instinto de policial falhou por um segundo. Não percebi o homem que estava na mesa ao lado, um sujeito corpulento que se levantou como uma mola. Antes que eu pudesse girar, um soco atingiu em cheio o meu rosto, me fazendo cambalear.
— Fazia tempo que eu não te via, Wilson — o agressor rosnou, com um sorriso distorcido. — Meu chefe vai ficar muito feliz em saber que você está na cidade dele.
Aquelas palavras foram como um gatilho. Eu o conhecia. Ele era um dos capangas que me perseguia desde a outra cidade. Avancei sobre ele com toda a raiva acumulada. Trocamos socos brutais, derrubando mesas e cadeiras. O bar se transformou em um caos de gritos e vidros quebrados.
Em um movimento rápido, o homem conseguiu chutar minha mão, fazendo minha arma deslizar pelo chão de madeira. Ele puxou uma faca do bolso de trás. Eu tentei me esquivar, mas senti a lâmina rasgar o tecido da minha camisa e penetrar profundamente no meu ombro.
A dor foi aguda, uma queimação gelada, mas a adrenalina era mais forte. Com um urro, segurei o braço dele, ignorei a faca ainda cravada e acertei um soco de direita que o desorientou. Derrubei-o no chão e subi por cima, imobilizando-o com os joelhos.
— Onde ele está? — gritei, desferindo outro soco. — Onde está o filho da puta que destruiu minha vida? Fala!
O homem cuspiu sangue e riu, um som macabro.
— Eles estão sempre um passo à frente de você, Wilson... Você deveria tomar mais cuidado com a pequena Liz. O tempo dela está acabando.
Ouvir o nome da minha filha saindo daquela boca imunda quebrou o último resquício de controle que eu tinha. Minha mão tateou o chão, encontrando minha arma que Jack havia tentado chutar para longe da briga. Eu a recuperei e, sem hesitar, disparei.
O estrondo do tiro ecoou pelas paredes de madeira, seguido por um silêncio mortal. O corpo abaixo de mim relaxou.
Levantei-me devagar, a respiração pesada, o ombro latejando violentamente. Percebi que todos no bar me olhavam com horror. Eu era o novo delegado, e acabara de executar um homem no meio de uma festa.
— Jack — chamei, minha voz saindo rouca. — Limpem essa bagunça. Quero a ficha completa desse homem na minha mesa amanhã cedo. Agora!
Os policiais, ainda em choque, começaram a se mover. Eu sentia o mundo girar levemente. Foi quando vi Vera. Ela estava parada a poucos metros, os olhos arregalados, mas, ao contrário dos outros, não havia apenas medo nela; havia uma determinação silenciosa.
Ela deu um passo à frente, depois outro, até estar diante de mim. Sua mão pequena e firme tocou meu peito, subindo lentamente até o ombro onde a faca havia deixado um rastro de sangue que agora encharcava minha camisa.
— Patrick... — ela sussurrou. — Você está ferido. Precisa ir ao hospital agora.
— Eu estou bem, Vera — tentei dizer, mas minha voz falhou. — É só um arranhão. Não preciso de hospital...
As palavras morreram quando uma tontura súbita me atingiu. O chão pareceu inclinar-se e meus joelhos fraquejaram. Vera agiu rápido, segurando-me com uma força que eu não sabia que ela tinha.
— Jack, ajude aqui! — ela gritou.
Jack correu e, juntos, me guiaram até um sofá de couro nos fundos do bar. Vera se sentou ao meu lado, as mãos habilidosas já rasgando o que restava da minha manga para examinar o ferimento.
— A facada foi profunda, Patrick. Você está perdendo muito sangue — ela disse, a voz profissional agora assumindo o controle. — Jack, vá ao hospital. Chame uma ambulância ou alguém para nos buscar. Diga que é uma emergência para o Delegado Wilson.
— Eu vou com ele — Thaisa disse, levantando-se rapidamente. — Vou organizar a sala de sutura para receber você, Patrick. Vera, mantenha a pressão no ferimento.
Vera assentiu, pegando um guardanapo de pano limpo que alguém lhe entregou e pressionando-o contra o meu ombro. Eu gemi, a dor finalmente vencendo a adrenalina.
— Olhe para mim, Patrick — Vera ordenou, forçando-me a focar em seus olhos azuis. — Fique acordado. Olhe para mim.
— Eu estou olhando — respondi, tentando manter o foco. — Você fica linda quando está mandona, Dra. Farmiga.
Ela soltou um suspiro que pareceu uma mistura de riso e desespero.
— Você é um idiota, Wilson. Um idiota corajoso e sangrento. Apenas respire.
Enquanto ela pressionava o ferimento, senti o calor de suas mãos contra minha pele fria. O caos ao redor parecia desaparecer, restando apenas o toque dela e a promessa silenciosa de que, pelo menos por agora, eu não teria que lutar sozinho. Mas, no fundo da minha mente, as palavras do homem morto ecoavam como um aviso: eles sabiam onde eu estava. E sabiam sobre Liz.
