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Sete minutos no paraíso
Fandom: Smallville
Criado: 29/04/2026
Tags
RomanceDramaFatias de VidaFofuraEstudo de PersonagemCenário CanônicoDivergência
Entre Sombras e Segredos
O celeiro dos Fordman estava pulsando. A música alta, uma mistura de rock alternativo e batidas que faziam as vigas de madeira vibrarem, ecoava por todo o vale de Smallville. Luzes coloridas giravam de forma caótica, iluminando rostos suados, sorrisos carregados de ponche e a energia típica de adolescentes que acreditavam ser invencíveis.
Clark Kent estava encostado em uma das colunas de sustentação, tentando parecer invisível. Com sua jaqueta vermelha e os ombros largos que pareciam crescer a cada semana, ele era tudo, menos discreto. Seus olhos azuis, no entanto, carregavam aquela timidez clássica, um contraste gritante com a força que ele escondia sob a pele. Ele observava a multidão com uma mistura de desconforto e fascínio.
— Você parece um segurança de boate em treinamento, Clark. — A voz familiar e sarcástica veio de baixo.
Chloe Sullivan apareceu ao lado dele, segurando um copo plástico com um líquido de cor duvidosa. Ela estava radiante. O cabelo loiro curto estava perfeitamente estilizado, e seus olhos brilhavam com aquela curiosidade astuta que a tornava a melhor jornalista investigativa que a escola já vira. O vestido que ela usava era prático, mas realçava suas curvas de uma forma que Clark tentava, sem sucesso, não notar.
— Eu só estou... observando — respondeu Clark, abrindo um sorriso tímido que sempre fazia o coração de Chloe dar um solavanco, embora ela jamais admitisse.
— Observando ou esperando a Lana aparecer com o Whitney? — Chloe deu um gole em sua bebida, arqueando uma sobrancelha com aquela arrogância charmosa que lhe era peculiar. — Sabe, a vida acontece aqui fora, não apenas na órbita da Rainha do Baile.
Clark soltou uma risada baixa, o som profundo e vibrante.
— Eu não estou esperando ninguém, Chloe. Só não sou muito fã de multidões.
— Pois deveria ser. As melhores histórias acontecem onde as pessoas perdem o controle — disse ela, gesticulando para o centro da pista de dança.
Antes que Clark pudesse retrucar, um grito entusiasmado veio do centro do celeiro. Pete Ross estava em cima de um caixote, segurando uma garrafa vazia e um chapéu de cowboy virado para cima.
— Atenção, pessoal! — gritou Pete, a voz embargada pela diversão. — Chega de dançar como se estivéssemos no século passado. É hora de um clássico. Sete minutos no paraíso!
Um coro de assobios e aplausos tomou conta do lugar. Clark sentiu um frio na espinha. Ele conhecia aquele jogo, e o conceito de ficar trancado em um espaço minúsculo com alguém era o pesadelo de qualquer pessoa que guardasse segredos que poderiam destruir o mundo.
— Ah, não — murmurou Clark, fazendo menção de se afastar.
— Ah, sim! — Chloe o segurou pelo braço, a força de seus dedos pequena, mas decidida. — Não ouse fugir, Kent. Onde está o seu espírito de aventura?
— Provavelmente em casa, dormindo — ele rebateu, mas não se soltou.
Pete começou a sortear os nomes. Os primeiros casais foram para o armário de ferramentas nos fundos do celeiro sob aplausos e piadas sujas. Chloe observava tudo com um olhar clínico, fazendo comentários ácidos sobre a compatibilidade genética dos envolvidos, até que Pete mergulhou a mão no chapéu novamente.
— Vejamos... a nossa intrépida editora da Tocha, Chloe Sullivan! — anunciou Pete, rindo.
Chloe estufou o peito, fingindo uma confiança que, por dentro, vacilava levemente.
— E para acompanhá-la na terra dos sonhos... — Pete remexeu os papéis e abriu um sorriso largo. — O homem de aço da fazenda, Clark Kent!
O coração de Clark saltou. O silêncio pareceu cair sobre ele, mesmo com a música ainda tocando. Ele olhou para Chloe, que parecia subitamente sem palavras, um rubor subindo por suas bochechas.
— O destino tem um senso de humor peculiar — comentou Chloe, tentando recuperar a compostura enquanto a multidão os empurrava em direção ao pequeno cômodo nos fundos.
— Eu posso pedir demissão do destino? — perguntou Clark, a voz rouca.
— Tarde demais, Kent. As regras são as regras.
Eles foram empurrados para dentro do armário de ferramentas. A porta se fechou com um estrondo, e o som do trinco sendo virado por fora selou o destino dos dois pelos próximos sete minutos.
O espaço era minúsculo. Cheirava a serragem, óleo de motor e ao perfume floral cítrico de Chloe. Estava escuro, mas para Clark, a escuridão não era um obstáculo. Ele conseguia ver cada detalhe do rosto dela: a leve hesitação em seus lábios, o brilho intenso em seus olhos.
— Então... — começou Chloe, a voz soando mais alta do que o normal no espaço confinado. — Sete minutos. Eu deveria ter trazido um gravador. Imagine as confissões que eu poderia arrancar de você aqui.
— Você não consegue passar sete minutos sem pensar em uma matéria, Chloe? — Clark se encostou na parede de madeira, tentando ocupar o mínimo de espaço possível, o que era difícil dada a sua estatura.
— A informação é a minha droga de escolha, Clark. E você é o maior mistério de Smallville. — Ela deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — O que você esconde atrás desse jeito de bom moço e dessas camisas de flanela?
Clark sentiu a tensão subir. Chloe era intrometida, sim, mas era a inteligência dela que a tornava perigosa. E naquele momento, a proximidade dela o deixava tonto de uma forma que a criptonita nunca faria.
— Eu não escondo nada — mentiu ele, a voz falhando levemente.
— Mentira — ela disse, com um sorriso desafiador. — Eu vejo o jeito que você olha para o mundo. Como se estivesse sempre carregando o peso do céu nos ombros. É exaustivo só de olhar.
— Chloe...
— E tem mais — ela continuou, ignorando o aviso no tom dele. — Você é... irritantemente perfeito. O cabelo, a mandíbula, essa força que você parece conter o tempo todo. É sexy de um jeito que beira o injusto, Clark.
Clark sentiu o rosto esquentar. Ele nunca esperou aquela honestidade brutal dela, não ali, não agora.
— Você acha que eu sou sexy? — Ele perguntou, a timidez dando lugar a uma curiosidade intensa.
Chloe inclinou a cabeça, a arrogância charmosa voltando ao seu rosto.
— Eu tenho olhos, não tenho? E sou uma jornalista. Observar detalhes faz parte do meu currículo. Mas não deixe isso subir à cabeça. Sua humildade é a sua única característica que impede você de se tornar um narcisista completo.
Clark deu um passo à frente, revertendo a dinâmica. Agora, era ele quem a pressionava levemente contra a porta fechada. A respiração de Chloe engatou.
— E o que mais a sua investigação descobriu sobre mim? — ele perguntou, a voz baixa, quase um sussurro que vibrou no peito dela.
Chloe engoliu em seco. A confiança dela estava derretendo sob o olhar intenso de Clark. Naquela luz fraca, ele não parecia o garoto da fazenda desajeitado. Ele parecia algo primordial, poderoso e magnético.
— Que você é péssimo em mentir — ela respondeu, embora sua voz tivesse perdido a firmeza. — E que você está tão nervoso quanto eu agora.
— Eu não estou nervoso — disse Clark, embora seu coração estivesse batendo como um tambor.
— Está sim. Eu consigo ouvir seu coração daqui. Ou talvez seja o meu. — Ela riu, um som nervoso e doce. — Sabe, Clark, eu sempre me perguntei por que a gente nunca tentou. Quero dizer, realmente tentou.
— A nossa amizade é importante demais para mim, Chloe. Eu não queria estragar o que temos.
— Às vezes, para construir algo melhor, você precisa derrubar as paredes antigas — rebateu ela, a inteligência brilhando mesmo na penumbra. — Ou talvez você só esteja com medo de que eu descubra quem você realmente é.
Clark ficou em silêncio por um momento. A verdade estava ali, entre eles, invisível e pesada. Ele queria contar tudo a ela. Queria mostrar a ela o mundo do alto, levá-la para voar acima das nuvens. Mas o medo de perdê-la para o perigo que sua vida representava era maior.
No entanto, ali, naquele armário de ferramentas, o mundo lá fora não importava. Não havia naves espaciais, não havia pedras verdes, não havia vilões. Havia apenas Chloe.
— Você é muito intrometida — murmurou ele, um sorriso surgindo em seus lábios.
— E você é muito enigmático. É uma combinação terrível.
— Talvez.
Clark estendeu a mão e tocou o rosto de Chloe. Sua pele era macia, e ela estremeceu ao toque dele. Os dedos dele traçaram a linha de sua mandíbula, subindo para afastar uma mecha de cabelo de seus olhos.
— Clark... — o nome dele saiu como um suspiro.
— Chloe, se eu fizer isso... as coisas não vão ser as mesmas.
— Eu espero que não — respondeu ela, desafiadora até o fim.
Ele se inclinou. Lentamente, dando a ela todas as chances de recuar. Mas Chloe não recuou. Ela se esticou, encontrando-o no meio do caminho.
Quando seus lábios se tocaram, foi como se uma explosão silenciosa ocorresse no pequeno cômodo. Não foi um beijo tímido. Foi intenso, carregado de anos de palavras não ditas e tensões reprimidas. Clark sentiu a força de Chloe, a maneira como ela o puxava para mais perto, as mãos dela se perdendo em seu cabelo.
Para Clark, o mundo pareceu parar. Ele precisava se controlar para não usar sua força real, para não esmagar a madeira atrás dela. Ele era puro instinto naquele momento, respondendo à paixão ardente que Chloe sempre carregava em tudo o que fazia.
Chloe, por sua vez, sentia que estava finalmente obtendo as respostas para uma pergunta que nunca teve coragem de formular. Clark Kent não era apenas doce; ele era fogo. Havia uma profundidade nele que a assustava e a excitava ao mesmo tempo.
Eles se separaram ofegantes, as testas encostadas uma na outra.
— Uau — sussurrou Chloe, os olhos arregalados. — Isso definitivamente não estava no roteiro da Tocha.
Clark riu, um som genuíno e leve.
— Você está bem?
— Eu sou Chloe Sullivan, Kent. Eu sempre estou bem. Mas... — Ela fez uma pausa, olhando-o nos olhos. — Aquilo foi... muito mais do que sete minutos no paraíso.
— Foram só três minutos, na verdade — corrigiu Clark, sua super-audição captando o som do relógio de Pete lá fora.
— Não seja um nerd de cronômetro agora, Clark. Estraga o momento.
Eles ficaram ali, abraçados na semiescuridão, desfrutando do silêncio que agora parecia confortável, em vez de tenso. A música lá fora parecia distante, um ruído de fundo para a nova realidade que haviam criado.
— O que acontece quando sairmos daqui? — perguntou Chloe, sua voz voltando ao tom prático, embora houvesse uma vulnerabilidade escondida ali.
Clark segurou o rosto dela com as duas mãos.
— Nós vamos lidar com isso. Juntos. Como sempre fizemos. Mas sem segredos... ou pelo menos, com menos segredos.
Chloe sorriu, aquele sorriso que Clark percebeu que queria ver todas as manhãs pelo resto da vida.
— Menos segredos? Eu aceito o desafio. Prepare-se, Kent, porque eu pretendo investigar cada centímetro dessa nova fase.
— Eu não esperaria nada menos de você — disse ele, beijando-a suavemente na testa.
De repente, a porta se abriu com um estrondo. A luz forte do celeiro inundou o ambiente, cegando-os por um segundo. Pete estava lá, com um sorriso de orelha a orelha.
— E então? O paraíso foi bom ou vocês ficaram apenas discutindo sobre o editorial da semana que vem? — perguntou Pete, rindo.
Chloe saiu do armário primeiro, recompondo o vestido com uma dignidade impressionante, embora seu rosto estivesse levemente corado.
— Pete, a discrição é uma virtude que você claramente ainda não domina — disse ela, passando por ele como uma rainha.
Clark saiu logo atrás, coçando a nuca, o eterno garoto tímido voltando à superfície, mas com um brilho diferente nos olhos.
— Foi... instrutivo — limitou-se a dizer Clark, seguindo Chloe.
Enquanto caminhavam de volta para a festa, Chloe olhou por cima do ombro e piscou para ele. Clark soube, naquele momento, que sua vida em Smallville tinha acabado de ficar muito mais complicada e, ao mesmo tempo, infinitamente melhor.
O segredo de sua origem ainda estava lá, escondido nas sombras de sua alma, mas pela primeira vez, ele sentiu que não precisava carregá-lo sozinho. Chloe Sullivan estava ao seu lado, e ela nunca desistia de uma boa história. E a história deles estava apenas começando.
Clark Kent estava encostado em uma das colunas de sustentação, tentando parecer invisível. Com sua jaqueta vermelha e os ombros largos que pareciam crescer a cada semana, ele era tudo, menos discreto. Seus olhos azuis, no entanto, carregavam aquela timidez clássica, um contraste gritante com a força que ele escondia sob a pele. Ele observava a multidão com uma mistura de desconforto e fascínio.
— Você parece um segurança de boate em treinamento, Clark. — A voz familiar e sarcástica veio de baixo.
Chloe Sullivan apareceu ao lado dele, segurando um copo plástico com um líquido de cor duvidosa. Ela estava radiante. O cabelo loiro curto estava perfeitamente estilizado, e seus olhos brilhavam com aquela curiosidade astuta que a tornava a melhor jornalista investigativa que a escola já vira. O vestido que ela usava era prático, mas realçava suas curvas de uma forma que Clark tentava, sem sucesso, não notar.
— Eu só estou... observando — respondeu Clark, abrindo um sorriso tímido que sempre fazia o coração de Chloe dar um solavanco, embora ela jamais admitisse.
— Observando ou esperando a Lana aparecer com o Whitney? — Chloe deu um gole em sua bebida, arqueando uma sobrancelha com aquela arrogância charmosa que lhe era peculiar. — Sabe, a vida acontece aqui fora, não apenas na órbita da Rainha do Baile.
Clark soltou uma risada baixa, o som profundo e vibrante.
— Eu não estou esperando ninguém, Chloe. Só não sou muito fã de multidões.
— Pois deveria ser. As melhores histórias acontecem onde as pessoas perdem o controle — disse ela, gesticulando para o centro da pista de dança.
Antes que Clark pudesse retrucar, um grito entusiasmado veio do centro do celeiro. Pete Ross estava em cima de um caixote, segurando uma garrafa vazia e um chapéu de cowboy virado para cima.
— Atenção, pessoal! — gritou Pete, a voz embargada pela diversão. — Chega de dançar como se estivéssemos no século passado. É hora de um clássico. Sete minutos no paraíso!
Um coro de assobios e aplausos tomou conta do lugar. Clark sentiu um frio na espinha. Ele conhecia aquele jogo, e o conceito de ficar trancado em um espaço minúsculo com alguém era o pesadelo de qualquer pessoa que guardasse segredos que poderiam destruir o mundo.
— Ah, não — murmurou Clark, fazendo menção de se afastar.
— Ah, sim! — Chloe o segurou pelo braço, a força de seus dedos pequena, mas decidida. — Não ouse fugir, Kent. Onde está o seu espírito de aventura?
— Provavelmente em casa, dormindo — ele rebateu, mas não se soltou.
Pete começou a sortear os nomes. Os primeiros casais foram para o armário de ferramentas nos fundos do celeiro sob aplausos e piadas sujas. Chloe observava tudo com um olhar clínico, fazendo comentários ácidos sobre a compatibilidade genética dos envolvidos, até que Pete mergulhou a mão no chapéu novamente.
— Vejamos... a nossa intrépida editora da Tocha, Chloe Sullivan! — anunciou Pete, rindo.
Chloe estufou o peito, fingindo uma confiança que, por dentro, vacilava levemente.
— E para acompanhá-la na terra dos sonhos... — Pete remexeu os papéis e abriu um sorriso largo. — O homem de aço da fazenda, Clark Kent!
O coração de Clark saltou. O silêncio pareceu cair sobre ele, mesmo com a música ainda tocando. Ele olhou para Chloe, que parecia subitamente sem palavras, um rubor subindo por suas bochechas.
— O destino tem um senso de humor peculiar — comentou Chloe, tentando recuperar a compostura enquanto a multidão os empurrava em direção ao pequeno cômodo nos fundos.
— Eu posso pedir demissão do destino? — perguntou Clark, a voz rouca.
— Tarde demais, Kent. As regras são as regras.
Eles foram empurrados para dentro do armário de ferramentas. A porta se fechou com um estrondo, e o som do trinco sendo virado por fora selou o destino dos dois pelos próximos sete minutos.
O espaço era minúsculo. Cheirava a serragem, óleo de motor e ao perfume floral cítrico de Chloe. Estava escuro, mas para Clark, a escuridão não era um obstáculo. Ele conseguia ver cada detalhe do rosto dela: a leve hesitação em seus lábios, o brilho intenso em seus olhos.
— Então... — começou Chloe, a voz soando mais alta do que o normal no espaço confinado. — Sete minutos. Eu deveria ter trazido um gravador. Imagine as confissões que eu poderia arrancar de você aqui.
— Você não consegue passar sete minutos sem pensar em uma matéria, Chloe? — Clark se encostou na parede de madeira, tentando ocupar o mínimo de espaço possível, o que era difícil dada a sua estatura.
— A informação é a minha droga de escolha, Clark. E você é o maior mistério de Smallville. — Ela deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — O que você esconde atrás desse jeito de bom moço e dessas camisas de flanela?
Clark sentiu a tensão subir. Chloe era intrometida, sim, mas era a inteligência dela que a tornava perigosa. E naquele momento, a proximidade dela o deixava tonto de uma forma que a criptonita nunca faria.
— Eu não escondo nada — mentiu ele, a voz falhando levemente.
— Mentira — ela disse, com um sorriso desafiador. — Eu vejo o jeito que você olha para o mundo. Como se estivesse sempre carregando o peso do céu nos ombros. É exaustivo só de olhar.
— Chloe...
— E tem mais — ela continuou, ignorando o aviso no tom dele. — Você é... irritantemente perfeito. O cabelo, a mandíbula, essa força que você parece conter o tempo todo. É sexy de um jeito que beira o injusto, Clark.
Clark sentiu o rosto esquentar. Ele nunca esperou aquela honestidade brutal dela, não ali, não agora.
— Você acha que eu sou sexy? — Ele perguntou, a timidez dando lugar a uma curiosidade intensa.
Chloe inclinou a cabeça, a arrogância charmosa voltando ao seu rosto.
— Eu tenho olhos, não tenho? E sou uma jornalista. Observar detalhes faz parte do meu currículo. Mas não deixe isso subir à cabeça. Sua humildade é a sua única característica que impede você de se tornar um narcisista completo.
Clark deu um passo à frente, revertendo a dinâmica. Agora, era ele quem a pressionava levemente contra a porta fechada. A respiração de Chloe engatou.
— E o que mais a sua investigação descobriu sobre mim? — ele perguntou, a voz baixa, quase um sussurro que vibrou no peito dela.
Chloe engoliu em seco. A confiança dela estava derretendo sob o olhar intenso de Clark. Naquela luz fraca, ele não parecia o garoto da fazenda desajeitado. Ele parecia algo primordial, poderoso e magnético.
— Que você é péssimo em mentir — ela respondeu, embora sua voz tivesse perdido a firmeza. — E que você está tão nervoso quanto eu agora.
— Eu não estou nervoso — disse Clark, embora seu coração estivesse batendo como um tambor.
— Está sim. Eu consigo ouvir seu coração daqui. Ou talvez seja o meu. — Ela riu, um som nervoso e doce. — Sabe, Clark, eu sempre me perguntei por que a gente nunca tentou. Quero dizer, realmente tentou.
— A nossa amizade é importante demais para mim, Chloe. Eu não queria estragar o que temos.
— Às vezes, para construir algo melhor, você precisa derrubar as paredes antigas — rebateu ela, a inteligência brilhando mesmo na penumbra. — Ou talvez você só esteja com medo de que eu descubra quem você realmente é.
Clark ficou em silêncio por um momento. A verdade estava ali, entre eles, invisível e pesada. Ele queria contar tudo a ela. Queria mostrar a ela o mundo do alto, levá-la para voar acima das nuvens. Mas o medo de perdê-la para o perigo que sua vida representava era maior.
No entanto, ali, naquele armário de ferramentas, o mundo lá fora não importava. Não havia naves espaciais, não havia pedras verdes, não havia vilões. Havia apenas Chloe.
— Você é muito intrometida — murmurou ele, um sorriso surgindo em seus lábios.
— E você é muito enigmático. É uma combinação terrível.
— Talvez.
Clark estendeu a mão e tocou o rosto de Chloe. Sua pele era macia, e ela estremeceu ao toque dele. Os dedos dele traçaram a linha de sua mandíbula, subindo para afastar uma mecha de cabelo de seus olhos.
— Clark... — o nome dele saiu como um suspiro.
— Chloe, se eu fizer isso... as coisas não vão ser as mesmas.
— Eu espero que não — respondeu ela, desafiadora até o fim.
Ele se inclinou. Lentamente, dando a ela todas as chances de recuar. Mas Chloe não recuou. Ela se esticou, encontrando-o no meio do caminho.
Quando seus lábios se tocaram, foi como se uma explosão silenciosa ocorresse no pequeno cômodo. Não foi um beijo tímido. Foi intenso, carregado de anos de palavras não ditas e tensões reprimidas. Clark sentiu a força de Chloe, a maneira como ela o puxava para mais perto, as mãos dela se perdendo em seu cabelo.
Para Clark, o mundo pareceu parar. Ele precisava se controlar para não usar sua força real, para não esmagar a madeira atrás dela. Ele era puro instinto naquele momento, respondendo à paixão ardente que Chloe sempre carregava em tudo o que fazia.
Chloe, por sua vez, sentia que estava finalmente obtendo as respostas para uma pergunta que nunca teve coragem de formular. Clark Kent não era apenas doce; ele era fogo. Havia uma profundidade nele que a assustava e a excitava ao mesmo tempo.
Eles se separaram ofegantes, as testas encostadas uma na outra.
— Uau — sussurrou Chloe, os olhos arregalados. — Isso definitivamente não estava no roteiro da Tocha.
Clark riu, um som genuíno e leve.
— Você está bem?
— Eu sou Chloe Sullivan, Kent. Eu sempre estou bem. Mas... — Ela fez uma pausa, olhando-o nos olhos. — Aquilo foi... muito mais do que sete minutos no paraíso.
— Foram só três minutos, na verdade — corrigiu Clark, sua super-audição captando o som do relógio de Pete lá fora.
— Não seja um nerd de cronômetro agora, Clark. Estraga o momento.
Eles ficaram ali, abraçados na semiescuridão, desfrutando do silêncio que agora parecia confortável, em vez de tenso. A música lá fora parecia distante, um ruído de fundo para a nova realidade que haviam criado.
— O que acontece quando sairmos daqui? — perguntou Chloe, sua voz voltando ao tom prático, embora houvesse uma vulnerabilidade escondida ali.
Clark segurou o rosto dela com as duas mãos.
— Nós vamos lidar com isso. Juntos. Como sempre fizemos. Mas sem segredos... ou pelo menos, com menos segredos.
Chloe sorriu, aquele sorriso que Clark percebeu que queria ver todas as manhãs pelo resto da vida.
— Menos segredos? Eu aceito o desafio. Prepare-se, Kent, porque eu pretendo investigar cada centímetro dessa nova fase.
— Eu não esperaria nada menos de você — disse ele, beijando-a suavemente na testa.
De repente, a porta se abriu com um estrondo. A luz forte do celeiro inundou o ambiente, cegando-os por um segundo. Pete estava lá, com um sorriso de orelha a orelha.
— E então? O paraíso foi bom ou vocês ficaram apenas discutindo sobre o editorial da semana que vem? — perguntou Pete, rindo.
Chloe saiu do armário primeiro, recompondo o vestido com uma dignidade impressionante, embora seu rosto estivesse levemente corado.
— Pete, a discrição é uma virtude que você claramente ainda não domina — disse ela, passando por ele como uma rainha.
Clark saiu logo atrás, coçando a nuca, o eterno garoto tímido voltando à superfície, mas com um brilho diferente nos olhos.
— Foi... instrutivo — limitou-se a dizer Clark, seguindo Chloe.
Enquanto caminhavam de volta para a festa, Chloe olhou por cima do ombro e piscou para ele. Clark soube, naquele momento, que sua vida em Smallville tinha acabado de ficar muito mais complicada e, ao mesmo tempo, infinitamente melhor.
O segredo de sua origem ainda estava lá, escondido nas sombras de sua alma, mas pela primeira vez, ele sentiu que não precisava carregá-lo sozinho. Chloe Sullivan estava ao seu lado, e ela nunca desistia de uma boa história. E a história deles estava apenas começando.
