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Família

Fandom: Não tem

Criado: 04/05/2026

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Domingo de Caos e Dengo na Mansão Allegretti

O sol do Rio de Janeiro não estava para brincadeira naquela manhã de domingo no Leblon. O mormaço subia pelo asfalto, mas dentro da mansão dos Allegretti, o clima era uma mistura de luxo, testosterona e a doçura que só aquela família conseguia equilibrar. No jardim, Ragnar, o imponente Cane Corso de pelagem escura, observava com uma paciência de santo o pequeno Theodoro, o filhote de Golden Retriever, tentar morder suas orelhas gigantescas.

Na suíte master, o ar-condicionado trabalhava no talo. Guilherme Allegretti, o temido Coronel do BOPE, estava jogado na cama king size apenas de bermuda de tactel preta. O corpo malhado, marcado por algumas cicatrizes de combate que só o tornavam mais imponente, relaxava enquanto ele observava Letícia terminar de se arrumar. Aos 38 anos, Guilherme mantinha o porte de quem mandava em tudo, mas bastava olhar para a esposa que a postura de "faca na caveira" derretia.

— Coração, se tu continuar desfilando assim com esse shortinho, a gente não vai descer pra esse churrasco nunca — Guilherme rosnou baixinho, a voz rouca de sono, enquanto passava a mão pelo cavanhaque impecavelmente aparado.

Letícia parou na frente do espelho, ajeitando a regata branca que realçava suas curvas. Mesmo aos 36 e após três filhos, ela parava o trânsito. Os cabelos pretos lisos batiam nos ombros, contrastando com a pele branquíssima.

— Para de ser rabugento, meu bem. Os meninos já estão lá embaixo com as meninas e a Stella já acordou faz tempo. Se a gente demorar, o Kael vai surtar porque a Lua quer entrar na piscina e ele não quer deixar — Letícia riu, aproximando-se da cama e dando um selinho demorado no marido. — Levanta esse corpo gostoso daí, Coronel. É ordem da sua mulher.

— Tu sabe que é a única que me dá ordem e sai ilesa, né? — Ele puxou ela pela cintura, colando o corpo dela ao seu, sentindo o perfume doce que o deixava louco. — Mais tarde eu vou te cobrar esse tempo que a gente tá perdendo aqui, ouviu? Vou te foder com tanta vontade que tu vai esquecer até como escreve Allegretti.

— Promessas, promessas... — ela piscou, saindo do abraço dele com um rebolado provador. — Te espero lá embaixo.

Enquanto isso, na área gourmet perto da piscina, o clima estava dividido entre o romance e a implicância mútua dos gêmeos. Kaelton Matheus, ou simplesmente Kael para os íntimos, estava encostado na bancada de mármore. O cabelo platinado brilhava sob o sol e os olhos verdes, idênticos aos do pai, estavam fixos em Luanara.

Lua estava sentada em uma espreguiçadeira, usando um biquíni que valorizava seu corpo violão. Ela segurava a pequena Stella no colo, que com apenas 7 meses já era a dona da casa. A bebê, gordinha e de olhos verdes, dava risadinhas enquanto Lua fazia cócegas em sua barriga.

— Caralho, Lua, tu não acha que esse biquíni tá meio pequeno não? — Kael soltou, cruzando os braços fortes. O ciúme era evidente no tom de voz. — Tá todo mundo vendo tudo, vida.

Lua levantou os olhos pretos e puxados, dando aquele sorriso de mochi que desarmava o namorado na hora.

— Meu ursinho, a gente tá em casa! Só tem a sua família e a Mell aqui. Para de ser estressado — ela disse com a voz doce, fazendo Kael suspirar e se aproximar, sentando-se ao lado dela e beijando o topo da cabeça da filha, depois o pescoço da namorada.

— Eu te amo, mas tu me deixa maluco, papo reto — ele sussurrou, a mão tatuada descansando na coxa de Lua. — Se algum dos amigos do Bernardo aparecer aqui e ficar te olhando, eu vou ter que me estressar.

— Ih, qual foi, Kael? Já tá metendo o louco cedo? — Bernardo Henrique apareceu vindo da cozinha, trazendo uma bandeja com carnes temperadas. O gêmeo de cabelo mullet com luzes e brinco de argola tinha o mesmo porte atlético do irmão, mas um ar ainda mais safado. — Deixa a garota em paz, deixa ela ser linda.

— Cala a boca, Bernardo. Cuida da tua loira que da minha cuido eu — Kael retrucou, mas sem malícia real. Os dois dividiam tudo, desde roupas até o jeito de pensar, e a conexão era absoluta.

Bernardo deixou a bandeja de lado e abraçou Merllya por trás. A loira, que conversava com Lua, encostou a cabeça no peito do namorado. Mell era o oposto de Lua em aparência, mas as duas eram carne e unha.

— O Lindo tá estressado hoje, Mell? — Lua perguntou, rindo.

— Ele tá sempre, Lua. Mas eu sei como acalmar ele — Merllya disse, ganhando um beijo no pescoço que a fez arrepiar. — Né, amor?

— Com certeza, gatinha. Mas agora o foco é o churrasco, porque se o coroa descer e o fogo não tiver no ponto, ele vai querer dar instrução de sobrevivência pra gente em pleno domingo — Bernardo riu, ajeitando o short de banho.

Não demorou muito para Guilherme e Letícia aparecerem. O Coronel já tinha assumido o comando da churrasqueira, enquanto Letícia pegava Stella do colo de Lua.

— Dá aqui a minha princesinha, Lua. Deixa esse marrento do Kael te dar atenção um pouco — Letícia disse, cheirando o pescoço da bebê. — Oi, minha Estrelinha! Tá a cara do seu pai hoje, toda dengosa.

Guilherme olhou de soslaio para o filho mais velho.

— Kaelton Matheus, já verificou se o portão lateral tá trancado? — O tom era sério, de quem não desligava o modo segurança nunca.

— Já, pai. Relaxa um pouco, Coronel. O senhor tá em casa, não no morro — Kael respondeu, pegando uma cerveja gelada na geladeira de inox.

— Confiança é o que mata o guarda, moleque. Aprende logo — Guilherme deu um tapa na nuca do filho, mas com um sorriso de canto. — E vocês dois, já decidiram se vão mesmo fazer a prova pra PM? O BOPE não aceita qualquer um não, tem que ter sangue frio.

— A gente vai, pai — Bernardo respondeu, ficando sério por um momento. — A gente quer trabalhar com o senhor. Sabe que a gente forma uma dupla foda.

Guilherme sentiu um orgulho imenso, mas apenas assentiu. Ele amava aqueles moleques mais que tudo, embora a criação fosse na base da disciplina.

A tarde seguiu com risadas, o som de um pagode baixo ao fundo e o barulho da água da piscina. Em certo momento, Guilherme se afastou para o seu escritório para buscar um charuto. A sala, que funcionava como seu refúgio, era repleta de livros de tática militar, fotos da família e, atrás de uma parede falsa que só ele e os filhos sabiam abrir, um arsenal de dar inveja a qualquer delegacia.

Letícia entrou logo atrás, fechando a porta.

— O que foi, coração? — Guilherme perguntou, encostando-se na mesa de madeira maciça.

— Só vim ver se meu rabugento favorito não está se isolando — ela se aproximou, passando as mãos pelo peito bronzeado dele. — Os meninos estão bem, as meninas são uns amores... a gente criou eles bem, Guilherme.

— Criamos. Mas eu ainda acho que o Kael vai ter um infarto de ciúmes daquela menina — ele riu, puxando Letícia para entre suas pernas. — E o Bernardo não fica atrás. Puxaram o pai.

— Puxaram a sua possessividade, isso sim — ela brincou, mas logo o clima mudou quando Guilherme a beijou com vontade, uma mão descendo para apertar a bunda curvilínea dela por cima do short.

— Eu sou louco por ti, Letícia. Tu sabe, né? — Ele sussurrou contra os lábios dela. — Pode passar o tempo que for, tu ainda é a mulher que manda nessa porra toda.

— E você é o meu Coronel — ela respondeu, sentindo o volume por baixo do short dele. — Mas agora, volta pra lá. O churrasco vai queimar e os meninos vão comer a casa se a carne não sair.

Lá fora, a piscina já estava sendo usada. Kael e Lua estavam em um canto, ele a segurando pela cintura enquanto ela boiava.

— Tu tá tão linda hoje, vida — Kael disse, a voz baixa, só para ela ouvir. — Às vezes eu olho pra ti e nem acredito que tu é minha.

— Eu sou todinha sua, Kael. Para de bobeira — Lua passou os braços pelo pescoço dele, os olhos brilhando. — Você cuida tão bem de mim e da Stella...

— Vou cuidar sempre. Se alguém encostar um dedo em vocês, eu mato e enterro no quintal — ele disse com aquela seriedade típica dos Allegretti que, para Lua, soava como a maior prova de amor do mundo.

Do outro lado, Bernardo e Merllya faziam guerra de água, rindo alto. Bernardo, apesar do jeito marrento e estressado, com Mell ele era pura diversão. Ele a pegou no colo e a jogou na água, pulando logo em seguida.

— Bernardo! Meu cabelo! — Mell gritou, rindo enquanto tentava subir nas costas dele.

— Relaxa, gatinha, depois eu ajudo tu a lavar — ele deu uma piscadela safada, mergulhando com ela.

O domingo na mansão era assim. Uma mistura de proteção extrema, o sotaque carregado do Rio, gírias que fluíam naturalmente e um amor que transbordava em cada gesto. Guilherme, do alto da sua churrasqueira, observava tudo. Ele tinha o império que sempre quis: uma esposa que era seu porto seguro, filhos que eram sua continuação e uma paz que só quem vive na guerra sabe valorizar.

— Ô Bernardo! Tira a mão da garota e vem pegar essa picanha aqui! — Guilherme gritou, fazendo todos rirem.

— Já vai, Coronel! — Bernardo respondeu, saindo da água e exibindo o corpo de atleta que fazia Mell suspirar.

Ragnar latiu, como se concordasse com o dono, enquanto o pequeno Theodoro finalmente conseguia morder a ponta do rabo do cachorro maior, que nem se mexeu. Naquela casa, até os cães sabiam que a hierarquia era baseada no respeito, mas quem mandava no coração de todos ali era a união daquela família Allegretti.

A noite cairia em breve, e com ela, as promessas de Guilherme para Letícia e os sussurros apaixonados dos gêmeos para suas namoradas nos quartos do andar de cima. Mas por enquanto, sob o céu azul do Leblon, eles eram apenas uma família aproveitando o que a vida tinha de melhor, longe do perigo das operações, mas sempre prontos para defender o que era deles.
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